As 64 Qualidades de Sri Krishna: Qualidades de 17 a 24

27 R (artigo - Krishna) As 64 Qualidades  de Krsna - 17 a 24 (1602) (bg)A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(Excerto da obra O Néctar da Devoção)

Agradecido, determinado, competente juiz do tempo e das circunstâncias, aquele que vê com base na autoridade das escrituras, puro, autocontrolado, tenaz, paciente.

17. Agradecido

Qualquer indivíduo que está consciente das atividades beneficentes de um amigo e jamais se esquece do serviço desse amigo é considerado agradecido. No Mahabharata, Krishna diz: “Quando estive longe de Draupadi, ela chorava com as palavras: ‘he govinda!’ Por ela ter chamado por Mim dessa maneira, estou endividado com ela, e essa dívida aumenta gradualmente dentro de Meu coração”. Essa declaração de Krishna evidencia como se pode agradar o Senhor Supremo pelo simples fato de chamá-lO: “He krishna! He govinda!”.

O maha-mantra (Hare Krishna, Hare Krishna, KrishnaKrishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, RamaRama, Hare Hare) também é simplesmente uma forma de se dirigir ao Senhor e à Sua energia. Desta forma, podemos imaginar quão agradecido está o Senhor Supremo a alguém que se dedique constantemente a se dirigir ao Senhor e à Sua energia. É impossível que o Senhor alguma vez Se esqueça de semelhante devoto. Nesse verso, afirma-se claramente que quem quer se dirija ao Senhor atrai imediatamente a atenção do Senhor, o qual lhe permanece eternamente grato.

Outro exemplo que ilustra o sentimento de gratidão de Krishna é o de Suas relações com Jambavan. Na época em que o Senhor esteve presente como o Senhor Ramachandra, Jambavan, o grande rei dos macacos, serviu-O muito fielmente. Ao aparecer novamente como o Senhor Krishna, o Senhor casou-Se com a filha de Jambavan e mostrou-lhe todos os respeitos em geral mostrados aos superiores. Qualquer pessoa honesta fica agradecida a um amigo que lhe tenha prestado algum serviço. Uma vez que Krishna é a personalidade honesta suprema, como poderá Ele Se esquecer de uma dívida para com Seu servo?

18. Determinado

Todo aquele que observe princípios reguladores e cumpra com suas promessas mediante atividades práticas é tido como determinado. Quanto à determi­nação do Senhor, o Hari-vamsha apresenta um exemplo da maneira de proceder dEle. Esse exemplo tem relação com a luta do Senhor Krishna com Indra, o rei dos céus, que foi des­pojado à força da flor parijata. A parijata é um tipo de flor de lótus que cresce nos pla­netas celestiais. Certa vez, Satyabhama, uma das rainhas de Krishna, quis essa flor de lótus, e Krishna prometeu presenteá-la. Indra, todavia, negou-se a desfazer-se de sua flor parijata. Assim, houve uma grande luta com Krishna e os Pandavas de um lado e todos os semi­deuses do outro. Por fim, Krishna venceu-os e tomou posse da flor parijata, a qual deu de presente à Sua rainha. Deste modo, no que diz respeito a esse evento, Krishna disse a Narada Muni: “Meu querido grande sábio dos semideuses, agora podes declarar aos devotos em geral, e aos não-devotos em particular, que, nesta questão da tomada da flor parijata, todos os semideuses – os gandharvas, os nagas, os demônios rakshasas, os yakshas, os pannagas – tentaram derrotar-Me, mas nenhum deles conseguiu fazer com que Eu faltasse à Minha promessa à Minha rainha”.

Krishna faz outra promessa no Bhagavad-gita, onde declara que Seu devoto jamais será derrotado. Um devoto sincero, portanto, que está sempre ocupado no serviço transcendental amoro­so ao Senhor, deve estar certo de que Krishna jamais faltará à Sua promessa. Ele sempre protegerá Seus devotos em todas as circunstâncias.

Krishna mostrou como cumpre com Sua promessa ao presentear Satyabhama com a flor parijata, ao evitar que Draupadi fosse insultada e ao livrar Arjuna dos ataques de to­dos os inimigos.

A promessa que Krishna fez de que Seus devotos jamais são derrotados também fora admitida anteriormente por Indra quando esse foi derrotado na govardhana-lila. Quando Krishna impediu que os residentes da vila de Vraja (Vrindavana) adorassem Indra, esse foi tomado de ira e inundou Vrindavana com uma chuva contínua. Krishna, no entanto, protegeu todos os habitantes e animais de Vrindavana erguendo a colina Govardhana, que passou a servir de guarda-chuva. Terminado o incidente, Indra rendeu-se a Krishna com muitas orações, nas quais admitiu: “Pelo fato de ter er­guido a colina Govardhana e ter protegido os habitantes de Vrindavana, cumpristes com Vossa promessa de que Vossos devotos jamais serão derrotados”.

19. Competente juiz do tempo e das circunstâncias

-27 R (artigo - Krishna) As 64 Qualidades  de Krsna - 17 a 24 (1601) (bg)1Krishna era muito competente em lidar com as pessoas de acordo com as circunstâncias, o país, o tempo e a parafernália. Ele próprio exprime como podia tirar proveito de um momento particular, de uma circunstância particular ou de uma pessoa particular en­quanto conversa com Uddhava a respeito de Sua dança da rasa com as gopis. Ele diz: “O momento mais oportuno é a noite de Lua cheia no outono, como esta noite. O melhor lugar que há no universo é Vrindavana, e as moças mais bonitas que existem são as gopis. Portanto, Meu querido amigo Uddhava, acho que agora devo tirar proveito de todas essas circunstâncias e Me ocupar na dança da rasa”.

20. Aquele que vê com base na autoridade das escrituras

Aquele que atua exatamente de acordo com os princípios das escrituras é chamado shastra-chakshuh. Shastra-chakshuh refere-se àquele que vê através dos olhos das escrituras autorizadas. Na realidade, qualquer pessoa com conhecimento e experiência deve tentar compreender tudo por intermédio destes livros. A percepção que temos, por exemplo, do globo solar se o observamos a olho nu é que ele não passa de uma substância brilhante, mas, quando o examinamos com livros científicos autorizados e outras obras, podemos compreender quão maior do que esta Terra é o globo solar e quão poderoso ele é. Por conseguinte, ver a olho nu não é ver de fato. Ver por meio dos livros autorizados ou de mestres autorizados é a maneira correta de ver. Assim, apesar de Krishna ser a Suprema Personalidade de Deus e poder ver tudo o que é passado, presente e futuro; com o fim de ensinar às pessoas em geral, Ele costumava sempre fazer alusão às escrituras. No Bhagavad-gita, por exemplo, embora Krishna estivesse falando como a auto­ridade suprema, Ele mencionava e citava o Vedantasutra como autoridade. No Srimad-Bhagavatam, há uma declaração em que uma pessoa por brincadeira diz que Krishna, o inimigo de Kamsa, é conhecido como aquele que vê através dos shastras. Contudo, a fim de estabelecer Sua autoridade, agora Ele está ocupado vendo as gopis, razão pela qual as gopis estão ficando loucas.

21. Puro

Existem dois tipos de pureza suprema. Alguém que possua o primeiro desses tipos é capaz de sal­var um pecador. Quem possui o outro tipo caracteriza-se por não fazer nada que seja impuro. Aquele que possui uma dessas qualidades é chamado “supremamente puro”. Krishna possui ambos os tipos de purezas, isto é, Ele pode salvar todas as almas condicionadas pecaminosas e, ao mesmo tempo, jamais faz algo que O possa contaminar.

A esse respeito, Vidura, enquanto tentava separar Dhritarastra, seu irmão mais velho, de seus apegos familiares, disse: “Meu querido irmão, apenas fixe sua mente nos pés de lótus de Krishna, o qual sábios eminentes e pessoas santas adoram com belos versos eruditos. Krishna é o salvador supremo entre todos os outros salvadores. Não resta dúvida de que existem grandes semideuses, como o senhor Shiva e o senhor Brahma, mas suas posições como sal­vadores dependem sempre da misericórdia de Krishna”. Assim, Vidura aconselhou que Dhritarastra, seu irmão mais velho, concentrasse sua mente e adorasse apenas Krishna. Caso sim­plesmente cantemos o santo nome de Krishna, tal santo nome nascerá dentro de nosso coração como o Sol poderoso e dissipará imediatamente toda a escuridão da ignorância. Vidura aconselhou, portanto, que Dhritarastra pensasse sempre em Krishna a fim de que a grande soma de contaminações causadas pelas atividades pecaminosas fosse imediatamente lavada. No Bhagavad-gita também, Arjuna chama Krishna deparam brahma param dhama pavitram – o puro supremo. Há muitos outros exemplos que mos­tram a pureza suprema de Krishna.

22. Autocontrolado

-27 R (artigo - Krishna) As 64 Qualidades  de Krsna - 17 a 24 (1601) (bg)3O indivíduo que é capaz de controlar completamente seus sentidos chama-se vasi, ou “autocontrolado”. A esse respeito, declara-se no Srimad-Bhagavatam: “Todas as dezesseis mil esposas de Krishna eram tão extremamente belas que seu sorriso e timidez conseguiam cati­var a mente de grandes semideuses, como o senhor Shiva. Ainda assim, apesar de seu atraente comportamento feminino, elas não conseguiam sequer agitar a mente de Krishna”. Cada uma das milhares de esposas de Krishna pensava que Krishna estava cativado por sua beleza feminina, mas não era esse o fato. Krishna, portanto, é o controlador supremo dos sentidos, e isso se admite no Bhagavad-gita, onde Ele é chamado de Hrishikesha, o Senhor dos sentidos.

23. Tenaz

Aquele que continua trabalhando até granjear o objetivo que deseja chama-se “tenaz”.

Houve uma luta entre Krishna e o rei Jambavan pela posse da valiosa joia Syamantaka. Jambavan tentou esconder-se na floresta, mas Krishna não esmoreceu. Krishna, por fim, conseguiu a joia, após ter procurado o rei com grande tenacidade.

24. Paciente

Aquele que tolera todas as espécies de incômodos, mesmo que tais aborreci­mentos pareçam insuportáveis, é considerado uma pessoa paciente.

Quando Krishna residia na casa de Seu mestre espiritual, Ele não Se importava de aceitar toda sorte de incômodos quando prestava serviço a Seu guru, embora Seu corpo fosse muito macio e delicado. O discípulo tem a obrigação de prestar todas as espécies de ser­viço para o mestre espiritual, a despeito de todas as espécies de dificuldades. O discípulo que vive na residência do mestre espiritual tem de sair a mendigar de porta em porta e levar tudo para o mestre espiritual. Quando se serve prasada, espera-se que o mestre espiritual chame cada discípulo para comer. Se um dia, por ventura, o mestre espiritual se esquece de chamar um discípulo para tomar parte na prasada, as escrituras prescrevem que o discípulo deve antes jejuar nesse dia a aceitar comida por sua própria iniciativa. Há muitas restrições semelhantes. Algumas vezes também, Krishna ia à floresta recolher madeira seca para ser usada como combustível.

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