As 64 Qualidades de Sri Krishna: Qualidades de 9 a 16

5 (artigo) As 64 Qualidades  de Krsna - 09 a 16 (1991)A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(Excerto da obra O Néctar da Devoção)

Aquele que conversa agradavelmente, eloquente, altamente erudito, altamente inteligente, gênio, artístico, engenhoso, perito.

Leia a introdução e as oito qualidades anteriores aqui.

9. Aquele que conversa agradavelmente

Uma pessoa que pode falar docemente até mesmo com seu inimigo, apenas para apaziguá-lo, é considerada uma pessoa que conversa agradavelmente. Krishna conversava tão agradavelmente que, após derrotar Seu inimigo Kaliya, nas águas do Yamuna, Ele disse: “Meu querido rei das serpentes, embora Eu lhe tenha causado muitíssima dor, por favor, não fique descontente coMigo. Eu tenho a obrigação de proteger estas vacas, as quais mesmo os semideuses adoram. Apenas para poder salvá-las do perigo de sua presença, sou obrigado a bani-lo deste lugar”.

Kaliya estava vivendo dentro da água do Yamuna, em decorrência do que a parte posterior do rio ficou envenenada. Assim, morreram muitas vacas que tinham bebido da água do rio. Por esse motivo, Krishna, embora tivesse apenas quatro ou cinco anos de idade, mergulhou na água, castigou Kaliya severamente e, em seguida, pediu-lhe que abandonas­se o local e fosse a qualquer outra parte.

Nessa ocasião, Krishna disse que mesmo os semideuses adoram as vacas, e demonstrou de maneira prática como se devem proteger as vacas. Ao menos aqueles que estão na cons­ciência de Krishna devem seguir-Lhe os passos e dar toda a proteção às vacas. Não são apenas os semideuses que adoram as vacas. O próprio Krishna adorava as vacas em diversas ocasiões, especialmente nos dias de Gopastami e Govardhana-puja.

10. Eloquente

Alguém que é capaz de falar palavras significativas com inteira elegância e boas qualidades se chama vavaduka, ou eloquente. Há uma excelente declaração no Srimad-Bhagavatam concernente ao falar educado de Krishna. Quando Krishna educada­mente mandou que Seu pai, Nanda Maharaja, descontinuasse o oferecimento ritualístico de sacrifício a Indra, o deus da chuva, a esposa de um vaqueiro da vila sentiu-se ca­tivada por Ele. Mais tarde, ela descreveu para suas amigas o que Krishna falou, como segue: “Krishna falava tão educada e gentilmente com Seu pai que era como se estivesse derramando néctar nos ouvidos de todos os que estavam ali presentes. Após ouvir Krishna falar palavras tão doces, quem não se sentirá atraído por Ele?”.

A fala de Krishna, que contém todas as boas qualidades que existem no univer­so, é descrita na seguinte declaração de Uddhava: “As palavras de Krishna são tão atrativas que podem mudar imediatamente o coração até mesmo de Seu adversário. Suas palavras podem resolver imediatamente todas as perguntas e problemas do mundo. Embora Ele não fale por muito tempo, cada uma das palavras que sai de Sua boca contém grande quanti­dade de significados. As palavras de Krishna muito satisfazem meu coração”.

11. Altamente erudito

Quando um indivíduo é altamente instruído e atua estritamente com base em princípios morais, ele se chama “altamente erudito”. Alguém versado em diferentes departamentos de co­nhecimento se chama “instruído”, e, como atua com base em princípios morais, é chamado “moralmente resoluto”. Estes dois fatores juntos constituem a erudição.

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Krishna e Balarama estudando com Sandipani Muni.

Sri Narada descreve Krishna recebendo instrução de Sandipani Muni, como segue: “No princípio, o Senhor Brahma e os demais são como nuvens da água que evapora do grande oceano de Krishna. Em outras palavras, primeiramente Brahma recebeu a instrução védica de Krishna, assim como as nuvens recebem água do oceano. Essa instrução, ou educação, védica, a qual Brahma falou ao mundo, foi depositada na monta­nha de Sandipani Muni. As instruções que Sandipani Muni dá a Krishna assemelham-se a um reservatório de água na montanha, que flui na forma de um rio e novamente vai mistu­rar-se com a fonte, o oceano de Krishna”. Em termos mais claros, a ideia é que, na realidade, ninguém pode instruir Krishna, assim como o oceano não recebe água de nenhuma fonte além de si mesmo. Apenas parece que os rios estão deitando água no oceano. Fica claro, portanto, que Brahma recebeu sua instrução de Krishna, e que, de Brahma, via sucessão discipular, foi distribuída a educação védica. Sandipani Muni é comparado ao rio que flui novamente para o mesmo oceano original de Krishna.

Os Siddhas, os habitantes de Siddhaloka (onde todos nascem com poderes místicos plenamente desenvolvidos), e os Caranas, os habitantes de um planeta similar, oram a Krishna da seguinte maneira: “Meu Senhor Govinda, a deusa da sabedoria, que está deco­rada com quatorze espécies de ornamentos educacionais, cuja inteligência é onipresente dentro das quatro seções dos Vedas, cuja atenção está sempre com os livros de lei deixados por sábios eminentes como Manu, que está equipada com seis espécies de conhecimen­to perito – a saber, evidência védica, gramática, astrologia, retórica, vocabulário e ló­gica – e cujos amigos constantes são os suplementos dos Vedas e dos Puranas, decorados com a conclusão final de toda a educação, obteve agora a oportunidade de se sentar conVosco como um companheiro de escola e agora se dedica a servir-Vos”.

Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, não precisa de nenhuma instrução, mas Ele concede à deusa da sabedoria a oportunidade de servi-lO. Como é autossuficiente, Krishna não necessita do serviço de nenhuma entidade viva, apesar de ter muitos devotos. É por Krishna ser imensamente amável e misericordioso que Ele concede a todos a oportunidade de servi-lO como se Ele necessitasse do serviço de Seus devotos.

Em relação a Seus princípios morais, se declara no Srimad-Bhagavatam que Krishna impera sobre Vrndavana tal como a morte personificada impera sobre os ladrões, tal como a agradável bem-aventurança impera sobre os piedosos, tal como o belíssimo Cupido impera sobre as mocinhas e tal como a mais munificente das personalidades impera sobre os pobres. Para Seus amigos, Ele é refrescante como a Lua cheia, e, para Seus adversários, Ele é o fogo aniquilador gerado pelo Senhor Shiva. Krishna, portanto, é o moralista mais perfeito em Suas relações recíprocas com diferentes tipos de pessoas. O fato de Ele ser a morte personifica­da para os ladrões não quer dizer que Ele não tenha princípios morais ou que seja cruel; Ele, ainda assim, é amável, porque castigar ladrões com a morte é exibir a mais elevada qualidade dos princípios morais. No Bhagavad-gita também, Krishna diz que procede com diferen­tes tipos de pessoas de acordo com a forma com que elas lidam com Ele. O modo com que Krishna procede com os devotos e o modo como lida com os não-devotos são igualmente bons, a despeito de serem diferentes. Uma vez que Krishna é completamente amável, as rela­ções que Ele tem com todos são sempre boas.

12. Altamente inteligente

Considera-se uma pessoa inteligente caso ela tenha memória acentuada e bom dis­cernimento. Em relação à memória de Krishna, é dito que, quando estava estudando na escola de Sandipani Muni, situada em Avantipura, Ele exibiu tamanha memória que bastava o mestre instruí-lO uma única vez para que imediata­mente atingisse a perfeição em qualquer assunto. Na realidade, Ele foi à escola de Sandipani Muni unicamente com o fim de mostrar às pessoas do mundo que, por mais grandiosa ou genial que seja uma pessoa, ela tem que se dirigir às autoridades superiores para receber educação geral. Independente de quão impor­tante alguém seja, tem-se que aceitar um preceptor ou mestre espiritual.

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Mucukunda incinera o rei intocável com seu olhar.

Krishna exibiu Seu bom discernimento quando estava lutando com o rei intocável que atacou a cidade de Mathura. De acordo com os ritos védicos, os reis da classe ksatriya não devem tocar naqueles que são intocáveis, nem mesmo para matá-los. Devido a isso, quando o rei intocável tomou a cidade de Mathura, Krishna não julgou atilado matá-lo diretamente com Suas próprias mãos. Contudo, o rei tinha de ser morto, e, assim, Krishna decidiu com bom dis­cernimento que fugiria do campo de batalha para que o rei intocável O perseguisse. Ele pôde, desta forma, conduzir o rei à montanha onde Mucukunda se encontrava a dormir. Mucu­kunda recebera uma bênção do Senhor Shiva com a informação de que, quando despertas­se de seu sono, quem quer que ele visse seria imediatamente reduzido a cinzas. Por esse motivo, Krishna julgou atilado conduzir o rei intocável àquela caverna de modo que a pre­sença do rei despertasse Mucukunda, e, desse modo, o rei fosse imediatamente redu­zido a cinzas.

13. Gênio

Um indivíduo é considerado “gênio” se é capaz de refutar qualquer espécie de ele­mento contrário com argumentos sempre novos. A este respeito, há uma declaração no Padyavali que contém a seguinte conversa entre Krishna e Radha. Certa manhã, quando Krishna foi ter com Radha, esta Lhe perguntou: “Meu querido Kesava, onde está a Tua vasa agora?”. A palavra sânscrita vasa possui três significados: “residência”, “fragrância” e “roupa”.

Na realidade, Radharani perguntou a Krishna: “Onde está Tua roupa?”. Krishna, no entanto, considerou que o significado era “residência”, e respondeu a Radharani: “Minha querida moça cativada, no momento resido em Teus belos olhos”.

Ao que Radharani respondeu: “Meu querido rapaz astuto, não Te perguntei a res­peito de Tua residência. Perguntei-Te a respeito de Tua roupa”.

Krishna, então, considerou que o significado de vasa era “fragrância” e disse: “Minha querida afortunada, assumi esta fragrância apenas de sorte a poder Me associar com Teu corpo”.

SrimatiRadharani perguntou novamente a Krishna: “Onde passaste a noite?”. A palavra exata em sânscrito usada neste caso foi yaminyamusitah. Yaminyam significa “a noite”, e usitah significa “passar”. Krishna, entretanto, dividiu a palavra yaminyamusitah nas palavras yaminya e musitah. Esta nova divisão das palavras tem o significado de que Ele fora raptado por Yamini, ou a noite. Krishna, por conseguinte, respon­deu a Radharani: “Minha querida Radharani, será possível que a noite possa Me raptar?”. Dessa maneira, Ele estava respondendo a todas as perguntas de Radharani com tamanha esperteza que alegrou aquela mais querida das gopis.

14. Artístico

Aquele que é capaz de conversar e de se vestir muito artisticamente chama-se Vidagdha. Podia-se perceber tal característica exemplar na personalidade de SriKrishna. Radharani fala desta característica como segue: “Minha querida amiga, vê só como Krishna compõe canções tão bem e como Ele dança e fala palavras engraçadas e toca Sua flauta usando guirlandas tão bonitas. Ele Se veste de maneira imensamente encantadora, como se houvesse derrotado jogadores de todos os tipos no tabuleiro de xadrez. Ele vive maravilhosamente no mais alto grau de perfeição artística”.

15. Engenhoso

Alguém que é capaz de executar diversos tipos de trabalho de uma única vez é cha­mado “engenhoso”. No atinente a isso, uma das gopis disse: “Minhas queridas amigas, vede só a engenhosidade de SriKrishna! Ele compõe belas canções acerca dos vaqueirinhos e agrada as vacas. Com o movimento dos olhos, Ele agrada as gopis, e, ao mesmo tempo, luta com demônios como Aristasura e outros. Ele, deste modo, encontra-Se com diferentes entidades vivas de diferentes modos e desfruta completamente da situação”.

16. Perito

Qualquer pessoa que consiga realizar rapidamente uma tarefa deveras difícil é conside­rada perita. No tocante à habilidade de Krishna, há uma declaração no Srimad-Bhagavatam (10.59.13) em que SukadevaGosvami diz a MaharajaPariksit: “Ó melhor dos Kurus, SriKrishna despedaçou todas as diferentes armas usadas por diferentes lutadores”. Antigamente, lutava-se atirando-se flechas de diferentes tipos. Uma facção atirava uma determinada flecha, e a outra facção tinha que a derrotar neutralizando-a com outra flecha. Uma facção, por exemplo, podia atirar uma flecha que fizesse com que caísse água do céu, e, para neutralizar essa flecha, a facção contrária tinha de atirar uma flecha que pudesse imediatamente transformar a água em nuvens. Assim, a partir desta declaração, parece que Krishna era muito perito em neutralizar as flechas dos inimigos. Da mes­ma forma, na dança da rasa, cada uma das gopis pediu que Krishna Se tornasse seu par indivi­dualmente, diante do que Krishna expandiu-Se imediatamente em muitíssimos Krishnas a fim de poder Se unir com cada uma das gopis. O resultado foi que cada gopi deparou-se com Krishna a seu lado.

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2 Respostas

  1. Ótimo conteúdo! parabéns!

    5 de maio de 2014 às 3:28 PM

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