Vingança ou Perdão: Por que Trilha Você Caminha?

9 I (artigo - Ofensa e Perd¦o) Vingança ou Perd¦o (752) (sankirtana)Gadadhara Pandita Dasa

Vingança, ou uma abordagem “olho por olho”, está se tornando a postura predominante na sociedade. Queremos tudo rapidamente, incluindo nossa justiça. Será esse o melhor caminho?

Para muitos, a primeira opção talvez pareça a mais satisfatória. Afinal, provê justiça imediata. Além disso, dá-nos a chance de vermos a outra parte sofrer, o que pode nos dar certo nível de alegria. Ver as pessoas sofrerem pelo mal que fizeram nos dá a sensação de que a justiça foi feita. O que seria do mundo sem justiça?

Vingança, ou uma abordagem “olho por olho”, está se tornando a postura predominante na sociedade. Queremos tudo rapidamente, incluindo nossa justiça. Estamos perdendo a paciência por praticamente qualquer coisa. Quando o sinal fica verde, queremos que o carro à nossa frente acelere imediatamente. Queremos que nosso computador se inicie mais rápido. Durante a hora do rush, tento ser o primeiro a desembarcar do metrô para não ter que aguardar atrás de todas as pessoas subindo as escadas. Na verdade, provavelmente ganho apenas cerca de 60 segundos. É um tanto assustador imaginar a falta de paciência que terão as gerações futuras.

É importante analisarmos o tipo de impacto que uma cultura de vingança pode ter sobre nossa sociedade. Existe o risco de nos tornarmos completamente intolerantes uns com os outros. Nossa intolerância já atingiu um patamar tão intenso que é fonte de temor pensar até onde chegaremos. Ouvimos com frequência sobre acontecimentos na estrada em que um motorista corta outro ou até mesmo tenta tirar outro motorista da estrada por provocação gratuita ou por resposta a uma ofensa ainda que insignificante.

Vingança nem sempre envolve ferir alguém no âmbito físico. Também pode acontecer no empenho de prejudicar alguém em sua reputação, carreira ou relacionamento com sua família. Isso pode nos conduzir a uma mentalidade doentia de querer causar dor aos outros continuamente. Em última instância, corremos o risco de nos tornarmos o mesmo tipo de pessoa que nos machuca ou, possivelmente, até mesmo alguém pior. Terminamos por nos tornar aquilo no que mais nos centramos. Enchermos nossa mente de ódio, raiva e vingança deteriora nossa consciência e nos conduz a um espaço trevoso. É importante compreendermos que tais emoções e sentimentos são muito estressantes e minam nossa saúde física.

Perdoar é difícil. É algo um tanto trabalhoso deixarmos escoar a dor que outros nos causaram. Em alguns casos, podem ser necessários anos para que a dor e a amargura passem. Em situações mais extremas, esses dois sentimentos podem perdurar em nós por toda a vida. Não é possível esquecermo-nos do incidente ou da pessoa que nos causou dor. A sabedoria da Índia antiga sugere que a plataforma mais elevada para se existir é a plataforma da compaixão. Compaixão significa tentarmos ajustar nossa visão das três seguinte maneiras:

(1) Tentar entender a dor e o sofrimento do ofensor para tentar compreender, a partir deles, porque o ofensor age das maneiras dolorosas como age; (2) ver quais lições podemos aprender a partir da situação e como devemos ter contribuído para elas; (3) compreender que a alma habitando todos os corpos é pura e boa, apesar de estar sendo forçada a agir de maneiras irracionais enquanto presa no mundo material.

Perdoar exige grande soma de força e caráter. De fato, o perdão constrói o caráter. Temos que decidir se queremos viver uma vida cheia de pensamentos vingativos e iracundos ou uma vida em que tentamos perdoar, mesmo se nem sempre formos bem-sucedidos.

Perdoar não significa que a dor e a raiva irão embora, nem significa que não há ressentimentos para com o perpetrador – essas são emoções humanas naturais. Algo que sempre digo a mim mesmo sempre que sou machucado por alguém é que tudo o que está acontecendo comigo está vindo até mim como minhas reações cármicas, ou seja, o resultado do que fiz a alguém, seja nesta vida, seja em uma vida anterior. Também digo que não é necessário que eu me vingue, pois a lei do karma, em última instância, equilibrará tudo. Depois que tempo o bastante já transcorreu, tento reunir forças para orar a Deus, com quem me relaciono através do nome “Krishna”, pedindo que Me ajude a perdoar a pessoa. Não acredito que em algum momento se tornará fácil perdoar ofensas graves. Porém, espero continuar tentando, pois, no meu íntimo, sei que é a plataforma mais elevada para existir.

Algum dia, tenho a esperança, posso ficar mais próximo da plataforma da alma autorrealizada, como descreve o capítulo seis do Bhagavad-gita:

“Um indivíduo é considerado ainda mais avançado quando lida com benquerentes, benfeitores afetuosos, neutros, mediadores, invejosos, amigos e inimigos, e piedosos e pecadores com a mente equânime”.

.

Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens.

.

Se gostou deste material, também gostará destes: O Encontro de Gadadhara e Pundarika, A Ofensa contra Ambarisa Maharaja, O Hóspede Durvasa.

.

Se gostou deste material, também gostará do conteúdo destas obras:

9 I (artigo - Ofensa e Perd¦o) Vingança ou Perd¦o (754) (sankirtana) 9 I (artigo - Ofensa e Perd¦o) Vingança ou Perd¦o (755) (sankirtana)9 I (artigo - Ofensa e Perd¦o) Vingança ou Perd¦o (756) (sankirtana)

2 Respostas

  1. Anônimo

    Quando vejo os crimes que estão sendo cometidos constantemente pelos homens, os machos, violentando, estuprando, matando com requintes de perversidade, principalmente crianças, mulheres e até homens, como está acontecendo regularmente nos países islâmicos, indianos, na Ásia e na África, sendo islamizada sob tão degradante violência e os governos civilizados, junto com os pretensos chefes religiosos e comunidade local até estimulando e justificando esses crimes, ignorando a defesa dos direitos dessas vítimas, não cobrando nenhuma atitude decente eficiente para erradicar tão ignóbil selvageria, nem agindo para destruir esses comportamentos aviltantes que envergonham até aos amimais, eu penso que deveríamos não partir para a vingança mas responsabilizar e exterminar por morte, sim, os seres que estão agindo com esses padrões selvagens e que não respeitam os Direitos Humanos e a Justiça Universal instituída pelo mundo civilizado. É de notar que, nesses países, seus próprios chefes poderiam ser os primeiros a ir para a morte, pois, se permitem e favorecem os crimes na população, e permitem e favorecem a impunidade desses mesmos crimes, é porque eles se irmanam com tão ignóbeis criminosos! E peço a Deus o extermínio total desses países, dessas pessoas, desses povos e de toda religião e filosofia que fomente a diferença de castas, o uso de violência e desrespeito aos diretos humanos e da justiça universal, que justifique a escravidão e a inferioridade das mulheres, que permite a um ser humano se aproveitar de outro ser humano para seu deleite pecaminoso e criminoso desrespeitando os direitos dos outros, sem piedade nenhuma, sem amor nenhum pela vida e direito do outro! Peço o extermínio total e completo para esses povos… Que não deixem mais suas marcas ignóbeis e cruéis no planeta terra!

    9 de junho de 2014 às 9:11 PM

  2. Pingback: Artigos e Palestras | Volta ao Supremo | Página oficial

Comente

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s