A Arte de Ler Obras Transcendentais

21 A Arte de Ler Literatura Transcendental (1132)Rohininandana Dasa

Cuidados externos e uma postura interna específica nos permitem uma relação profunda com os livros de sabedoria sobre-humana.

Quando Suta Gosvami falou o Srimad-Bhagavatam aos sábios na floresta de Naimisharanya, a atmosfera era tão intensamente respeitosa que até mesmo os pássaros descontinuaram seu canto. Os sábios não tossiam ou mexiam seus pés contra a grama; eles estavam enlevados. O próprio Senhor Krishna havia aparecido na forma do Srimad-Bhagavatam.

Aqueles sábios há muito cruzaram o grande oceano da ilusão material e alegremente voltaram ao lar, voltaram ao Supremo, no barco do som transcendental. Embora estejamos aqui, aparentemente sem salvação, também podemos tirar proveito do barco. Ele continua atracado do nosso lado, pois o simples ato de alguém se aproximar desse barco místico reduz o oceano material a uma pequena poça. Assim como os sábios cruzaram semelhante horrendo oceano, nós também podemos fazê-lo seguindo seus passos, ouvindo como eles ouviram.

Encontraremos o barco do som transcendental seguramente atracado no porto dos livros de Srila Prabhupada. Podemos reconhecer esse barco por seu brilho, o qual destrói a escuridão da ignorância e da dúvida; por sua beleza, que cativa a mente e o coração; e por seu tamanho, pois ele facilmente comporta o mundo inteiro em um pequeno canto de seu porão de cargas.

Nós não podemos reproduzir a cena na floresta de Naimisharanya, mas podemos aprender e aperfeiçoar a arte de ler os livros de Srila Prabhupada. Podemos ler como ele escreveu: ponderando acerca de cada palavra.

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Sábios reunidos em Naimisharanya há cerca de 5000 anos.

Os livros de Srila Prabhupada são sons transcendentais. Quando ele falou ao ditafone, o Senhor Krishna e os membros da sucessão discipular falaram através dele. Esse som espiritual foi então transformado na palavra impressa, que, quando lida e assimilada, pode manifestar novamente a completa potência do som original.

Não-devotos não são capazes de desvendar o código das palavras espirituais, pois o Senhor Krishna, a Verdade Absoluta, revela-Se apenas a quem Ele escolhe. Sob o pretexto de mera erudição, não podemos forçar a abertura de nosso caminho em direção aos mistérios de Krishna. Por outro lado, mesmo a pessoa menos instruída pode, com a atitude correta, compreender as verdades filosóficas mais elevadas.

O Chaitanya-charitamrita relata a história de um devoto no sul da Índia cujo guru lhe havia aconselhado ler o Bhagavad-gita todos os dias. Ele o lia no templo local, e, porque ele frequentemente cometia erros na leitura e na pronúncia, as pessoas caçoavam de sua pessoa. Ele, porém, não se importava. Ele sentia-se feliz cumprindo a ordem de seu guru. Na verdade, enquanto ele lia, lágrimas às vezes escorriam de seus olhos, e seu corpo tremia em emoção extática.

O Senhor Chaitanya visitou certa vez a vila dos devotos e o viu lendo. “Perdoe-Me, Meu caro cavalheiro”, o Senhor disse, “como foi que você desenvolveu tamanho amor extático? Qual porção do Bhagavad-gita concede-lhe tanta bem-aventurança?”.

O devoto respondeu timidamente: “Sou iletrado e, por isso, não conheço o significado das palavras. Algumas vezes, leio corretamente; outras vezes, leio errado; mas, em todo caso, simplesmente imagino o Senhor Krishna como o quadrigário de Arjuna. Quando penso na tamanha humildade com que o Senhor Supremo serve Seu devoto, não posso deixar de chorar”.

O Senhor Chaitanya respondeu: “Você é a verdadeira autoridade na leitura do Bhagavad-gita. O que quer que você saiba constitui o verdadeiro significado da obra”.

Essa personalidade afortunada e humilde tinha fé nas palavras de seu guru e nas escrituras. Para ter fé no Gita, o indivíduo deve ter fé em Krishna, o orador do Gita. Na introdução ao Bhagavad-gita Como Ele É, Srila Prabhupada diz que, a fim de compreender o Gita, a pessoa deve aceitar, ao menos teoricamente, que o Senhor Krishna é a Suprema Personalidade de Deus. A não ser que o façamos, como poderemos considerar seriamente Suas afirmações?

Levar o Bhagavad-gita a sério é como dar um passo para fora a fim de nos expormos ao completo brilho do Sol. Assim como o Sol não necessita de nada além dele próprio para provar sua existência, o Bhagavad-gita é sua própria prova. Para os questionadores, há lógica e razão suficientes para persuadi-los a saírem da escuridão de suas casas do ceticismo e da ignorância.

Algumas Sugestões Práticas

A fim de nos ajudar a desenvolver a reverência necessária perante as escrituras, podemos manter nossos livros em um local especial. Em Burma, alguns templos deixam o Srimad-Bhagavatam no altar como a murti, ou forma de Deus, principal. Imagine uma coleção completa do Srimad-Bhagavatam instalada na sua casa! Certa vez, um dos discípulos de Srila Prabhupada perguntou se ele e sua esposa poderiam adorar pequenas Deidades enquanto viajavam e pregavam. Srila Prabhupada lhes aconselhou que adorassem seus livros.

Os livros não devem ser colocados sobre o chão ou sobre o assento de uma cadeira, tampouco utilizados como repouso para outros objetos. Alguns devotos mantêm o livro que estão lendo enrolado em um pedaço de pano elegante.

Também é uma boa ideia oferecermos orações antes de começarmos a ler. Nos nossos templos da ISKCON, antes de lerem o Srimad-Bhagavatam, os devotos cantam om namo bhagavate vasudevaya: “Ó meu Senhor, ó onipenetrante Personalidade de Deus, ofereço-Vos minhas respeitosas reverências”. Também é bom que tenhamos uma postura de oração enquanto lemos. Podemos seguir o exemplo de Sanatana Gosvami, que orou ao Senhor Chaitanya pedindo que tudo o que o Senhor lhe havia ensinado se manifestasse em seu coração.

Os sábios de Naimisharanya, o devoto com quem Se encontrou o Senhor Chaitanya e Srila Prabhupada – todos tinham uma atitude de serviço enquanto ouviam, liam ou escreviam obras transcendentais. Quando lermos, não deixemos de nos lembrar de que também somos servos eternos do Senhor Krishna.

Quando lemos, é importante nos lembrarmos de que não estamos sozinhos. Em um significado do Srimad-Bhagavatam, Srila Prabhupada agradece a Narada Muni por bondosamente aparecer nas páginas dessa grandiosa obra. Em outras palavras, quando lemos os livros de Srila Prabhupada, estamos nos associando diretamente com Srila Prabhupada, todos os mestres espirituais anteriores e com o próprio Senhor Supremo.

Assim como se aplica ao cantar, o melhor é que leiamos diariamente, quer certo número de páginas, quer certa quantia de tempo. Podemos fazer um estudo minucioso, tomando nota de passagens interessantes ou difíceis, ou podemos simplesmente ler, confiantes de nossa purificação espiritual. Se estivermos rodeados por nossas crianças, podemos parafrasear e dramatizar as histórias.

Srila Prabhupada explica que, além de ler, quando discutimos tópicos espirituais com outros, tornamo-nos ainda mais estimulados e fazemos rápido progresso espiritual. Ele nos diz que a maneira para assimilarmos o conhecimento das escrituras reveladas é ouvindo e explicando-as. Dar esse conhecimento essencial a outros ajudará a fazer com que nós mesmos o compreendamos. E quem quer que dê de presente a sabedoria do Srimad-Bhagavatam certamente alcançará a perfeição mais elevada da vida, indo de volta ao lar, de volta ao Supremo.

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