A Arte Transcendental: Como Krishna Se Manifesta no Óleo sobre Tela

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Equipe Volta ao Supremo

 A aplicação dos próprios talentos a serviço de Krishna produz um nível de realização muito superior.

Um dos princípios básicos da consciência de Krishna é que a pessoa pode utilizar a serviço do Senhor Supremo qualquer talento que tenha. E é um sintoma de um mestre espiritual genuíno que ele seja especialista em envolver todos no serviço devocional transcendental prático. Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada ocupou vários artistas talentosos no serviço ao Senhor, pedindo-lhes que usassem sua inclinação artística natural para pintar quadros da Divindade Suprema. De acordo com todas as escrituras védicas reveladas, Deus não é destituído de forma ou vazio, senão que, ao contrário, Ele tem a forma pessoal mais atraente. Na verdade, Ele tem muitas formas transcendentais. Krishna aparece e Se expande em múltiplas formas e avataras, e esses são descritos na literatura védica, em obras como a Bhagavad-gita e o Srimad-Bhagavatam.

Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada escreveu e traduziu muitos livros sobre Krishna – livros de reconhecida autoridade – para o benefício de toda a humanidade, e ele solicitou que essa literatura transcendental fosse ricamente ilustrada. Sua Divina Graça também fundou muitos templos da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, e esses são centros transcendentais onde todos podem vir e participar da vida espiritual vendo a forma do Senhor. Portanto, pinturas são necessárias em todos os templos, bem como para ilustrações em livros. Por essas duas razões, a produção de arte é abundante na ISKCON.

Se uma pintura for feita de acordo com descrições oficiais, ela terá a mesma potência da Divindade. Segundo o Srimad-Bhagavatam, tais pinturas, quando feitas sob a direção de uma autoridade, com uma postura de serviço devocional, também são consideradas encarnações do Senhor. Em outras palavras, Krishna está pessoalmente presente em uma imagem de Krishna.

Sua Divina Graça Srila Prabhupada veio ao Ocidente pela primeira vez em 1965, e ele começou imediatamente a envolver jovens na pintura de quadros a serem pendurados em templos de Krishna. Muitos desses novos artistas decidiram se dedicar a pintar apenas quando conheceram a consciência de Krishna, sem nenhum treinamento formal prévio. Srila Prabhupada escreveu uma carta em abril de 1968 a um desses artistas, a jovem Jadurani Devi, que estava se sentindo apreensiva por não ser uma artista altamente desenvolvida. Srila Prabhupada escreveu o seguinte: “Eu sei que os quadros neste país não são vendidos pelo mérito deles, mas pela reputação dos artistas. Esse sistema também é corrente na Índia. Mas chegar ao ponto de ser um artista de renome exigirá muito tempo, e nosso tempo é muito curto. Temos que atingir a perfeição de nossa consciência de Krishna durante nosso tempo de vida e não devemos perder um único momento com nada mais. De acordo com o Chaitanya-charitamrita, um indivíduo famoso é aquele que é um grande devoto de Krishna. Continue dando o seu melhor para deixar cada quadro seu o mais bonito possível, e não para satisfazer os sentidos de um público tolo. Ontem estive em uma igreja unitarista, e vi ali duas telas de toras e bambus, e então nossa artista Govinda Dasi me explicou que se tratavam de pinturas abstratas de arte moderna. Eu não conseguia ver nada nelas além de uma combinação de toras e bambus. Não havia nada para intensificar minha consciência de Krishna. Dessa forma, orarei a Krishna para salvá-la. Se o público não comprar, não nos importamos. Por que você está ansiosa para vender? Devemos distribuir as pinturas para os devotos sem nenhum preço.”

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Jadurani, artista dedicada até a atualidade, no começo de suas contribuições artísticas.

Ao fim da carta, ele comentou a foto de uma pintura que Jadurani Devi enviara. “A esse respeito, posso observar que você enviou uma foto de Narada Muni que, segundo entendi, foi copiada de um suposto grande artista, mas o corpo de Narada Muni parece muito sensual. Mas ele era um brahmachari [monge, celibatário] de primeira classe. Ele não pode ter um corpo tão sensual. Portanto, você fará bem em não trabalhar com os artistas supostamente famosos, senão que você deve seguir exatamente as descrições nas escrituras. O quadro de Narada Muni que você pintou na minha presença era muito bonito e agradável, mas essa foto aqui não me atrai. Melhor não se preocupar com esse tipo de técnica e estilo agora.”

Como podemos ver por essa carta, Srila Prabhupada guiou seus artistas ao nível transcendental da arte. É somente pelas bênçãos do mestre espiritual que alguém alcança algum sucesso na vida espiritual. Declara-se na Bhagavad-gita que a perfeição de qualquer dever prescrito é agradar a Krishna, e pode-se agradar a Krishna agradando o mestre espiritual ou o devoto puro de Krishna. Portanto, os artistas que estão agradando ao mestre espiritual estão usando seu talento para se libertarem da vida material. Além disso, as pinturas expostas, que podem ser vistas nas várias publicações da BBT, nos templos da ISKCON e, agora também, em muitas redes sociais na internet, não apenas libertam os artistas, mas também atraem outras pessoas para a forma transcendental de Krishna. Srila Prabhupada algumas vezes disse que as pessoas se atraem pelos seus livros simplesmente com base nas imagens, que explicam muito bem as narrações das escrituras.

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Srila Prabhupada aprecia a pintura de seus discípulos.

A consciência de Krishna é uma filosofia pessoal, e o mestre espiritual está sempre pensando pessoalmente em seus artistas. Quando uma pessoa elogiou Srila Prabhupada pela bela arte na capa de seu livro Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, ele disse: “Se o pintor é uma pessoa bonita, ainda mais bonitas serão suas pinturas.” Em outra carta a um de seus discípulos dedicados às artes, Srila Prabhupada escreveu: “Você pode informar aos artistas que estou sempre satisfeito com o trabalho deles. Estou satisfeito em ver que todos estão sempre se dedicando a seus respectivos deveres. O alfabetizador deseja ver os alunos empenhados no trabalho de caligrafia. Se o aluno é destro ou canhoto, essa é uma questão secundária. O dever principal do professor é garantir que todos estejam empenhados na caligrafia. Portanto, se todos os artistas estão sempre empenhados em pintar, isso me agradará, e isso pouco a pouco lhes dará experiência para que possam fazer boas pinturas.”

Conforme quadros de Krishna eram pintados, Srila Prabhupada frequentemente recebia amostras das telas. Ele comentou em uma carta a um de seus artistas: “O departamento de arte está indo muito bem e é certo que a produção melhorará ainda mais pela graça de Krishna. Vocês estão todos sendo inspirados por Krishna em relação a como retratar o Senhor e Seus associados aos olhos dos devotos, então todos que contemplarem essas imagens transcendentais se tornarão devotos, e esse é o nosso objetivo.” Srila Prabhupada enxergou desde o início que a arte consciente de Krishna é um meio poderoso e convincente de envolver as pessoas na consciência de Krishna. Ele descreveu as pinturas como janelas que se abrem para o mundo espiritual, e pediu aos artistas que inundassem o mundo com suas pinturas.

A autenticidade das pinturas depende de os devotos seguirem escrupulosamente as escrituras. Descrições do Senhor Supremo são dadas em toda a literatura védica, onde Sua bela forma é descrita em detalhes. Por exemplo, em uma parte de sua obra Bhagavad-gita Como Ele É, Sua Divina Graça Srila Prabhupada apresenta este trecho da Brahma-samhita, que diz: “O yogi ideal concentra sua atenção em Krishna, que é chamado de Shyamasundara. Ele possui uma coloração tão bela quanto uma nuvem, e Seu rosto de lótus é tão refulgente como o Sol. Sua roupa é brilhante, Ele Se decora com brincos e Seu corpo tem guirlandas de flores. Iluminando todas as direções, está Seu brilho deslumbrante, chamado brahmajyoti. Ele encarna em diferentes formas, como Rama, Nrisimha, Varaha e Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, e Ele desce como um ser humano como o filho da mãe Yashoda. Ele é conhecido como Krishna, Govinda e Vasudeva. Ele é perfeito como filho, marido, amigo e mestre, e Ele está cheio de todas as opulências e qualidades transcendentais. Se alguém permanece totalmente consciente dessas características do Senhor, ele é chamado de yogi superior.”

Srila Prabhupada encorajou os artistas a trabalharem juntos. Ele disse que, pintando juntos e discutindo o assunto de seu trabalho, eles permaneceriam em samadhi, o que significa estarem sempre absortos em pensar na Personalidade de Deus. Não se pode imaginar o quanto alguém é afortunado por encontrar um mestre espiritual fidedigno, pois é apenas com a orientação de tal mestre espiritual que se pode aperfeiçoar a vida. Os estudantes de arte em consciência de Krishna sempre seguem escrupulosamente as descrições nas escrituras. Além disso, o mestre espiritual, Srila Prabhupada, frequentemente dava a eles descrições adicionais. Uma equipe de quatro artistas – Devahuti Devi, Jadurani Devi, Muralidhara Dasa e Bharadvaja Dasa – pintaram as ilustrações da primeira edição do livro Krishna e receberam muitas instruções específicas.

Nessa obra, por exemplo, o texto descreve as orações oferecidas à Suprema Personalidade de Deus pelos Vedas personificados, mas não há muita referência à aparência dos Vedas personificados. Então, os artistas perguntaram a Srila Prabhupada sobre isso, e ele respondeu em uma carta de maio de 1970: “A aparência dos Vedas personificados é como a de grandes sábios. Alguns deles podem se parecer com Vyasadeva, Valmiki, Narada etc. Alguns deles são mais velhos, alguns deles são mais jovens, alguns deles têm cabelos cheios como Vyasa, porque são chefes de família, e outros são brahmacharis, com cabeças raspadas, mas todos são grandes almas, paramahamsas, altamente elevados na ciência transcendental. Como você sugere, essas imagens serão necessárias para ilustrar uma longa porção do texto que descreve as orações; é um capítulo muito importante e deve ser devidamente ilustrado. Vocês são muito capazes para escolher o estilo adequado para as imagens, então façam isso cuidadosamente para a satisfação de Krishna. Se precisarem de qualquer outra informação, por favor, escrevam-me com sua pergunta e terei o maior prazer em lhes dar as instruções adequadas.”

Ocasionalmente, o mestre espiritual corrigia os artistas, como em uma carta de 20 de agosto de 1970 a respeito de uma imagem mostrando o grande sábio Shukadeva recitando o Srimad-Bhagavatam para o renomado rei Parikshit: “Essa imagem não está correta. A Shukadeva Gosvami, deveria ser oferecido um belo trono elevado, e o rei Parikshit deveria estar sentado com os sábios no chão na margem do Ganges. O rei Parikshit não tem barba. Seu rosto deve ser muito bonito. Ele é um jovem rei, entre trinta e quarenta anos de idade.”

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 Pintura de Parikshit e Shukadeva executada conforme as orientações de Srila Prabhupada.

Srila Prabhupada, no entanto, também disse aos artistas para trabalharem por conta própria: “O ideal é que vocês pintem quadros da melhor maneira possível. Os pontos controversos podem me comunicar e eu enviarei instruções. Todos vocês são artistas experientes, de modo que sua decisão mútua de como pintar um quadro é mais valiosa do que minha sugestão. Como as descrições já são fornecidas nos livros, não deve ser difícil retirar os pontos ali expressos e preparar um esboço.”

Essas instruções do mestre espiritual, embora pareçam lidar com técnicas artísticas, revelam algo sobre a extensão de sua realização filosófica. Pode-se adquirir conhecimento transcendental após milhares de anos de meditação ióguica, ou é possível recebê-lo em um minuto, aceitando submissamente a palavra do mestre espiritual autorrealizado. Por exemplo, uma carta de 22 de junho de 1970 descreve como pintar o Senhor Vishnu, a forma da Verdade Absoluta que é vista por um yogi no ponto culminante de sua meditação. “Deve-se distinguir o Senhor Vishnu pela marca Srivatsa em Seu peito. A joia Kaustubha deve ser pintada para se parecer com uma joia muito preciosa. O Senhor Vishnu deve ser cercado por um esplendor que emana de Sua pessoa. O máximo de atenção deve ser voltado aos pés de lótus do Senhor. Eles devem ser bem distintos e muito bem decorados com joias, sândalo e tulasi.

A arte transcendental atrai facilmente a pessoa para a forma da Suprema Personalidade de Deus, e essa é a perfeição da vida humana. Isso é confirmado na Bhagavad-gita (12.1-2), onde Arjuna pergunta quem é mais perfeito: aqueles que estão devidamente engajados no serviço devocional a Krishna, ou aqueles que estão ocupados no Brahman impessoal, o imanifesto. A resposta dada pela Suprema Personalidade de Deus é esta: “Aquele cuja mente está fixa em Minha forma pessoal, sempre empenhado em Me adorar com uma fé grande e transcendental, Eu considero o mais perfeito.” Por Sua infinita misericórdia, o Senhor Supremo desce a este mundo material para o prazer de Seus devotos e para resgatar todas as entidades vivas que estão se arrastando neste mundo temporário e doloroso.

Não há ninguém tão bem-sucedido quanto um discípulo que usa seu talento para servir a Krishna sob a orientação especializada de seu mestre espiritual genuíno. Um buscador sincero da consciência de Deus nunca minimizará a importância do mestre espiritual. Mas alguém pode perguntar: “Se Deus está em todos os lugares, qual é a necessidade do mestre espiritual?” A resposta está em uma comparação do mestre espiritual com um eletricista. A eletricidade está em toda parte, mas é necessário que um eletricista venha e estabeleça uma conexão antes que se possa conectar o fluxo elétrico em sua televisão ou computador. Da mesma forma, Deus está presente em Suas múltiplas energias, mas o devoto puro de Deus sabe exatamente como usar essas energias do Senhor em Seu serviço. Particularmente, o mestre espiritual que é um devoto puro pode mostrar aos artistas transcendentais como pintar a forma pessoal da Personalidade de Deus. Porque ele está completamente familiarizado com as escrituras e é realizado no amor por Krishna, o mestre espiritual conhece todas as complexidades do aparecimento de Krishna. Ele pode autorizar o trabalho de um artista para que este se torne transcendentalmente adorável como uma encarnação de arca, ou encarnação do Senhor em elementos materiais, como na forma de esculturas no altar ou óleo sobre tela. Quanto aos artistas que aceitam essa oportunidade de servir o eterno, seu mundo se transforma da vaidade sem objetivo ou de um simples trabalho de amor para a perfeição da existência humana – a glorificação a Deus mediante o uso dos próprios talentos.

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