A Heroica História de Abhimanyu, o Filho de Arjuna


Chaitanya-chandra Dasa

Alguns entram para a história por sua bravura; outros, por sua conduta vergonhosa.

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Antes de nossa história conhecida, existiu uma classe de guerreiros poderosos e valorosos, chamados kshatriyas. Os melhores entre eles geralmente lutavam em quadrigas, sendo o equivalente milenar de um tanque, movendo-se rapidamente no campo de batalha e atirando flechas poderosas com precisão notável. Para colocar as coisas em perspectiva, munições penetrantes modernas são basicamente setas de alta velocidade que perfuram por energia cinética, não por uma explosão. Nesse sentido, um tanque moderno não é tão diferente de um antigo quadrigário em uso tático.

Entre esses poderosos guerreiros, alguns alcançavam a perfeição em suas habilidades militares. Eles se tornavam tão proficientes no uso de armas que eram capazes de lutar contra milhares de outros guerreiros, mesmo que cercados. Eles eram chamados maharatis, ou “grandes rathis”. Arjuna, Bhisma, Karna, Drona e Bhima são exemplos de maharatis famosos que realizaram feitos heroicos durante a batalha de Kurukshetra, conforme descrito no Mahabharata.

No entanto, há outro maharathi que é menos conhecido. Esta é a história dele.

Abhimanyu era filho de Arjuna, o grande herói do Mahabharata, e Subadra, a irmã de Krishna. Ele foi pessoalmente treinado por Krishna e Balarama desde sua tenra idade nas artes militares, e provou ser extraordinariamente talentoso. Mesmo com apenas 16 anos de idade, ele já sabia truques que nem mesmo seu pai conseguiu dominar, como a arte de usar sua armadura afrouxada, para que ele pudesse fechar as lacunas entre as placas quando atacado por flechas apenas por movimentos sutis de seu corpo, tornando assim sua armadura impenetrável.

No 13º dia da batalha de Kurukshetra, os Kauravas organizaram seu exército em uma formação chakravyuha, com o objetivo de capturar o rei Yudhisthira, e assim derrotar os Pandavas. Parte da trama era usar Susharma para desafiar Arjuna e, assim, atraí-lo para uma parte distante do campo de batalha, neutralizando assim a maior ameaça ao plano. No chakravyuha, o exército é organizado como um gigantesco círculo em movimento que age como um chakra (uma arma circular afiada), penetrando a força oposta com o objetivo de capturar um indivíduo específico. Quando devidamente organizado, o movimento do chakravyuha é considerado imparável.

Usando essa formação, o exército Kaurava foi gradualmente penetrando na formação dos Pandavas, e estava prestes a capturar o rei Yudhisthira, que não tinha conhecimento de como detê-los. Se os Kauravas conseguissem capturar o rei Yudhisthira, isso significaria o fim da guerra em seu favor, como em um jogo de xadrez, que termina com a captura do rei.

Abhimanyu se voluntariou para atacar a formação e quebrá-la, abrindo um caminho para que outros também pudessem entrar e destruí-la por dentro. O plano era que Abimanyu fosse seguido por Bhima e os outros generais Pandavas, que explorariam a lacuna criada por ele. Penetrar na formação era um segredo que poucos sabiam. Isso envolvia usar tipos específicos de armas, em uma cadência muito complexa para explorar as fraquezas da formação. Era uma missão extremamente perigosa: se os outros não conseguissem explorar a lacuna, a formação iria fechar e Abhimanyu seria preso dentro.

Abhimanyu avançou, disparando diferentes tipos de flechas, rajada após rajada. Ele parecia o rio Ganges desembocando no oceano. Ele estava disparando suas flechas a tal velocidade que os Kauravas tiveram a impressão de lutar com centenas de Abhimanyus. Usando armas celestes, ele estava ceifando os Kauravas aos milhares, incluindo muitos generais poderosos. De fato, o ataque de Abhimanyu foi tão feroz que ele virou a mesa, ferindo Karna e ameaçando a vida de Duryodhana, forçando os guerreiros Kauravas a cair na defensiva, formando uma falange para proteger seu rei.

Enquanto Abhimanyu avançava, Bhima e os outros o seguiam. No entanto, eles foram impedidos por Jayadratha, um general Kaurava sem muita importância que executou o feito graças a uma benção que havia recebido do senhor Shiva, de que um dia ele seria capaz de derrotar quatro dos irmãos Pandavas em batalha. Infelizmente, esse foi o dia em que a bênção veio a ser concretizada. Graças a isso, Jayadratha conseguiu obstruir os quatro irmãos, enquanto os outros guerreiros Kauravas bloquearam os outros guerreiros que os seguiam. Dessa forma, o ataque foi completamente interrompido.

Estando totalmente concentrado na batalha, Abhimanyu não conseguia ver se os outros estavam conseguindo segui-lo ou não. Assim, ele avançou sozinho no meio do chakravyuha. Por fim, os generais Kaurava conseguiram fechar o caminho aberto por ele, prendendo-o dentro da formação, sozinho. Nos tempos atuais, quando um soldado ou um grupo está cercado, isso quase sempre significa a rendição. No entanto, este não foi o caso de Abhimanyu. Ele continuou lutando, mesmo quando as chances de sobreviver pareciam nulas. A princípio, os generais Kauravas o atacaram um de cada vez, honrando o código de honra kshatriya, mas, como Abhimanyu resistia aos avanços, eles começaram a atacar em grupos. Mesmo assim, Abhimanyu permaneceu firme, e continuou a derrotar todos os assaltos, disparando habilmente suas flechas. Ele derrotou Drona, Asvatthama, Kripa, Karna, Shalya, Duryodhana, Duhshasana, Kṛtavarma, Bahlika e outros.

Até mesmo Bhisma foi ferido por suas flechas. Incapaz de derrotar Abhimanyu por meios honestos, os generais Kauravas decidiram atacá-lo simultaneamente de todos os lados. Karna atirou uma flecha por trás, quebrando seu arco, enquanto os outros o atacavam de direções diferentes, quebrando sua quadriga e matando os cavalos.

Com o arco quebrado e sua quadriga destruída, Abhimanyu recorreu à sua espada, violentamente atacando os guerreiros Kauravas, movendo de maneira tão veloz quanto o vento. Mesmo sendo atacado simultaneamente por muitos generais diferentes, armados com todos os tipos de armas, ele, ainda assim, não se deu por derrotado. Por fim, no entanto, Drona foi capaz de quebrar sua espada usando uma flecha afiada, ao mesmo tempo que flechas de Karna quebraram seu escudo.

Atingido por muitas flechas e ferido por diferentes tipos de armas, Abhimanyu estava sangrando profusamente. No entanto, ele ainda não havia sido derrotado. Usando a roda de uma quadriga como arma, ele continuou a atacar os guerreiros Kauravas, causando perdas adicionais. Quando a roda foi quebrada, ele pegou uma maça do chão e continuou lutando, matando Kalikeya, juntamente com muitos outros guerreiros e um grande número de elefantes. Só então, completamente exausto e tendo sido atingido por flechas em todas as partes do seu corpo,

Abhimanyu finalmente foi derrotado, com sua cabeça atingida por uma maça quando ele caiu ao chão. Alguns definem esse momento como o início de Kali-yuga, o momento vergonhoso em que os poderosos generais Kauravas se uniram para emboscar um adolescente, abandonando o código de honra kshatriya.

Mesmo derrotado, o heroísmo de Abhimanyu continua a inspirar muitos. Graças a ele, o avanço do chakravyuha foi detido até o retorno de Arjuna, e o rei Yudhisthira foi salvo. Ele foi capaz de destruir, sozinho, quase uma divisão akshauhini inteira, impondo pesadas perdas para as forças Kauravas, que recuaram pelo dia depois de matá-lo, parte aliviados, parte envergonhados.

No momento de sua morte, sua esposa, Uttara, a princesa do reino de Virata, estava grávida. No devido tempo, ela deu à luz Parikshit Maharaja, o célebre herdeiro dos Pandavas, que mais tarde tornou-se o imperador do mundo inteiro.

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