A Morte da Teoria da Invasão Ariana

A Morte da Teoria da Invasão Ariana capaStephen Knapp –

A teoria da invasão ariana foi uma invenção para explicar as semelhanças entre o sânscrito e línguas da Europa. A teoria não nasceu por uma questão de pesquisa mal sucedida, mas por uma conspiração.

Valendo-se meramente de uma breve pesquisa, uma pessoa pode descobrir que cada área do mundo tem sua própria cultura antiga incluindo seus próprios deuses e lendas sobre as origens de várias realidades cosmológicas, e que muitas de tais culturas são muito similares. Mas de onde vieram todas essas histórias e deuses? Eles se espalharam ao redor do mundo de uma fonte em particular, mudando apenas de acordo com diferenças de línguas e costumes? Se não, por que, então, esses deuses e deusas de várias partes do mundo são tão similares?

Infelizmente, informações sobre religiões pré-históricas são frequentemente reunidas através de quaisquer remanentes de culturas anteriores que podemos encontrar, como ossos em tumbas e cavernas ou esculturas antigas, escritos, gravações, pinturas em parede e outras relíquias. A partir destas, somos deixados a especular sobre os rituais, cerimônias e crenças das pessoas e sobre o propósito dos itens encontrados. Em geral, podemos apenas imaginar quão simples e atrasadas tais pessoas antigas eram enquanto não pensamos que civilizações mais avançadas possam ter-nos deixado com praticamente quase nada em termos de remanentes físicos. Eles talvez tenham construído casas de madeira e outros materiais que não pedras, as quais, desde então, desvaneceram-se com as estações, ou simplesmente foram substituídas por outras construções ao longo dos anos ao invés de enterradas pelas areias do tempo para serem desenterradas pelos arqueólogos. Ou ainda, eles talvez tenham cremado seus mortos, como algumas sociedades fazem, não deixando ossos para serem descobertos. Deste modo, sem museus ou registros históricos do passado, não haveria forma de realmente saber como eram as culturas pré-históricas.

Alguns milhares de anos no futuro, as pessoas poderiam descobrir nossas próprias casas após terem estado enterradas por muito tempo e encontrarem antenas televisivas no topo de cada casa conectadas a uma televisão no interior; quem sabe o que pensariam? Sem uma história registrada de nossos tempos, elas talvez especulassem que as antenas, estando apontadas para os céus, eram usadas por nós para nos comunicarmos com os nossos deuses, que apareceriam, por poder místico, na tela do televisor em nossos lares. Talvez também pensassem que éramos muito devotados aos nossos deuses dado que algumas casas teriam dois, três ou mais televisores, permitindo que jamais estivéssemos sem contato com nossos deuses ao longo do dia. E, visto que os televisores frequentemente se encontravam em áreas proeminentes, com sofás e cadeiras reclináveis, deveria certamente se tratar da sala de oração, onde encontraríamos a adequada inspiração para viver a nossa vida. Ou talvez pensassem que a televisão em si era deus, o ídolo de nossos tempos. Esta, é claro, não seria uma suposição muito precisa, mas reflete a dificuldade que temos em compreender as religiões antigas por meio da análise dos remanentes que encontramos. Não obstante, quando começamos a comparar todas as religiões do mundo, podemos ver que elas são todas inter-relacionadas e têm uma fonte a partir da qual todas elas parecem ter-se originado; e a maior parte delas pode ser rastreada em direção ao oriente.

A maior parte dos estudiosos concorda que as religiões mais antigas parecem ter nascido das culturas organizadas mais antigas, que são os sumérios ao longo do Eufrates, ou os arianos localizados na região do Vale do Indo. De fato, essas duas culturas eram relacionadas.

O pesquisador e acadêmico L. A. Waddell oferece mais evidências expondo a relação entre os arianos e os sumérios. Ele afirma em seu livro, The Indo Sumerian Seals Deciphered, que a descoberta e a tradução dos emblemas sumérios ao longo do Vale do Indo evidenciam que a sociedade ariana existiu ali desde 3100 a.C. Muitos emblemas sumérios encontrados ao longo do Indo trazem os nomes de famosos profetas e príncipes védico-arianos familiares aos hinos védicos. Tais personalidades arianas, portanto, não eram meramente parte de um mito elaborado, como alguns parecem proclamar, mas de fato viveram milhares de anos atrás, como relatado nos épicos védicos e nos Puranas.

Waddell também diz que a língua e a religião dos indo-arianos eram imensamente similares àquelas dos sumérios e dos fenícios, e que os primeiros reis arianos dos indianos Vedas são idênticos aos bem conhecidos reis históricos dos sumérios. Ele acredita que o decifrar desses emblemas do Vale do Indo confirma que os sumérios eram, na verdade, os primeiros arianos e autores da civilização védica. Ele conclui que os sumérios eram arianos em termos físicos, culturais, religiosos, linguísticos e de escrita. Ele também pressente que os sumérios primitivos no Golfo Pérsico, próximo de 3100 a.C., eram fenícios que foram arianos em raça e fala, e que foram os introdutores da civilização ariana da antiga Índia. Deste modo, ele conclui que os arianos eram os portadores de uma civilização elevada e aqueles a estenderem-se pelo mediterrâneo, pelo noroeste da Europa e pela Bretanha, bem como à Índia. Contudo, ele afirma que os primitivos arianos suméro-fenícios não tomaram parte na invasão ariana da Índia até o século sétimo a.C. após sua derrota por parte do Sargão II da Assíria em 718 a.C. na Carquemish, Alta Mesopotâmia. Embora os dumérios possam de fato terem sido arianos, alguns pesquisadores têm a impressão de que, ao invés de serem os originadores da cultura ariano-védica, ou parte de uma invasão à Índia, eles eram uma extensão da cultura védica que se originou na Índia e espalhou-se pela Pérsia e entrou na Europa.

Teorias sobre as Origens Arianas

Isto nos leva às diferentes teorias que os estudiosos têm acerca das origens da sociedade ariana. Embora pareça evidente que uma sociedade ariana estivesse em existência no Vale do Indo no ano de 3100 a.C., nem todos concordam com as datas que Waddell apresentou para a invasão ariana na Índia; e se os arianos eram realmente invasores é duvidoso. Obviamente, diferentes visões acerca da arianização da Índia são defendidas por diferentes historiadores. Alguns estudiosos dizem que foi por volta do ano 1000 a.C. quando os arianos adentraram o Irã pelo norte e então ocuparam a região Indo aproximadamente em 800 a.C. Nesse cenário, os arianos teriam de ter entrado na Índia algum tempo depois disso. Outros dizem, todavia, que foi entre 1500 e 1200 a.C. que os arianos entraram na Índia e fizeram os hinos que compõem o Rg-veda. Assim, alguns calculam que o Rg-veda deva ter sido composto por volta de 1400 a.C.

O Sr. Pargiter, outro estudioso eminente, argumenta que a influência ariana na Índia foi sentida muito antes da composição dos hinos védicos. Ele afirma que os arianos entraram na Índia próximo de 2000 a.C. pela região central dos Himalaias e depois adentraram o Panjabe. Brunnhofer e outros defendem que a composição do Rg-veda se deu não no Panjabe, mas no Afeganistão ou no Irã. Esta teoria supõe que a entrada ariana na Índia foi muito posterior.

Mesmo Max Muller, o grande orientalista e tradutor de textos orientais, também foi um grande proponente das especulações referentes às datas das compilações dos Vedas. Ele admitiu que suas ideias referentes às datas dos Vedas não eram confiáveis. Ele, originalmente, estimara que o Rg-veda havia sido escrito por volta de 1000 a.C. No entanto, ele foi imensamente criticado por tal data, e ele escreveu posteriormente em seu livro, Physical Religion (p. 91, 1981): “Se os hinos védicos foram compostos 1000, 1500 ou 2000 a.C., nenhum poder na Terra irá determinar”.

Assim, como podemos ver a partir dos exemplos supracitados – os quais são apenas poucas de muitas ideias sobre as origens arianas -, analisar tais teorias pode ser um tanto confuso. De fato, tantas teorias sobre a localização dos arianos ou indo-europeus originais são apresentadas por arqueólogos e pesquisadores que, por algum tempo, sentiram que a localização poderia mudar de minuto em minuto, dependendo da mais recente evidência apresentada. Em muitos casos ao longo dos anos, arqueólogos presumiam terem localizado a morada dos sumérios ou arianos toda vez que encontrassem certos tipos de artefato de metal ou louça pintada que se assemelhassem ao que havia sido encontrado nos sítios sumérios ou do Vale do Indo. Conquanto tais achados possam ter sido de alguma significância, estudos posteriores provaram que eram de importância consideravelmente menor do que aquela que se havia sido originalmente atribuída a eles, e, portanto, a questão da localização da morada ariana original não poderia ser dada por concluída.

Houve, em Algum Momento, uma Invasão Ariana?

Uma das razões mais proeminentes para que alguns pesquisadores ocidentais considerem a ideia de uma invasão ariana na Índia se dá em decorrência de sua má interpretação dos Vedas, deliberada ou não, que sugere que os arianos era um povo nômade. Uma de tais interpretações se deriva do Rg-veda, que descreve a batalha entre Sudas e os dez reis. A batalha dos dez reis se compunha dos Pakthas, Bhalanas, Alinas, Shivas, Vishanins, Shimyus, Bhrigus, Druhyas, Prithus e Parshus, os quais lutaram contra os Tritsus. Os Prithus ou Parthavas tornaram-se os pártias do atual Irã (247 a.C. – 224 d.C.). Os Parshus ou Pashavas tornaram-se os atuais persas. Tais reis, embora alguns sejam descritos como arianos, eram, na verdade, arianos caídos, ou reis rebeldes e materialistas que haviam abandonado o caminho espiritual e sido conquistados por Sudas. Eventualmente, houve uma degeneração do reinado espiritual nas áreas da Índia, e guerras tiveram de ser travadas a fim de restabelecer a espiritual cultura ariana nessas áreas. Estudiosos ocidentais facilmente poderiam – e de fato o fizeram – interpretar isto como significando uma invasão de um povo nômade chamado “arianos” ao invés de simplesmente uma guerra em que os superiores reis arianos restabeleceram os valores espirituais e o estilo de vida védico-ariano.

Lembremos também que a teoria da invasão ariana foi conjeturada no século décimo nono com o intento de explicar as similaridades encontradas no sânscrito e nas línguas europeias. Uma pessoa que reportou sobre isto foi Deen Chandora em seu artigo Distorted Historical Events and Discredited Hindu Chronology, como aparece em Revisiting Indus-Sarasvati Age and Ancient India (p. 383). Ele explica que a ideia da invasão ariana certamente não foi uma questão de pesquisa mal sucedida, senão uma conspiração para deliberadamente distribuir o conhecimento falso formulado em 10 de abril de 1966 em Londres em um encontro secreto realizado na Sociedade Real Asiática. Este se destinava a “induzir a teoria da invasão ariana da Índia de forma que nenhum indiano pudesse dizer que os ingleses são estrangeiros. […] A Índia sempre foi regida por estrangeiros e, portanto, o país deve permanecer escravo sob o benigno governo cristão”. Trata-se de um ato político, e esta teoria foi colocada em sólido uso em todas as escolas e faculdades.

Isto foi, portanto, basicamente uma teoria linguística adotada pelas autoridades coloniais britânicas para se manterem no poder. Esta teoria sugere, de certa forma, que havia uma raça de arianos brancos e superiores vindos da Cordilheira do Cáucaso e que invadiram a região Indo, a partir do que estabeleceram sua cultura, compilaram sua literatura e então procederam na invasão do restante da Índia.

Como se pode esperar, a maior parte daqueles que eram grandes proponentes da teoria da invasão ariana eram frequentemente ardentes nacionalistas ingleses e alemães, ou cristãos, prontos para desejosamente profanar qualquer coisa não cristã ou não europeia. Mesmo Max Muller acreditava na cronologia cristã de que o mundo havia sido criado às 9 horas da manhã de 23 de outubro de 4004 a.C. e de que o grande dilúvio ocorrera em 2500 a.C. Desta forma, seria impossível que se apresentasse para a invasão ariana uma data anterior a 1.500 a.C. A aceitação do paradigma de tempo cristão os forçaria a eliminar todas as outras evidências e possibilidades; assim, o que mais poderiam fazer? Assim, mesmo esta datação da invasão ariana foi baseada em especulação.

A teoria da invasão ariana foi criada a fim de fazer com que a cultura e a filosofia indiana fossem tidas como dependentes de desenvolvimentos prévios na Europa, justificando, dessa maneira, a necessidade de governo colonial e expansão do cristianismo na Índia. Também foi este o propósito de estudo do sânscrito, como na Universidade inglesa de Oxford, como indicado pelo coronel Boden, responsável pelo programa. Ele declarou que eles deveriam “promover o aprendizado de sânscrito entre os ingleses para ‘capacitar seus compatriotas a procederem na conversão dos nativos da Índia à religião cristã’.”.

Infelizmente, tal também era a meta última de Max Muller. Em uma carta à sua esposa em 1966, ele escreveu sobre sua tradução do Rg-veda: “Esta minha edição e tradução do Veda irá, futuramente, falar muito extensivamente ao destino da Índia e à formação de milhões de almas naquele país. É a raiz da religião deles, e mostrar-lhes o que é a raiz é, estou certo, a única forma de desarraigar tudo o que brotou dali durante os últimos três mil anos”. (The Life and Letters of Right Honorable Friedrich Max Muller, Vol. I. p. 346)

Essencialmente, os britânicos usaram a teoria da invasão ariana para promover sua política de “divida e conquiste”. A inquietação civil e tensões regionais e culturais criadas pelos britânicos através de designações e divisões dentro da sociedade indiana davam razão e propósito para os britânicos continuarem com seu controle sobre a Índia e ampliá-lo.

Contudo, sob escrutínio, a teoria da invasão ariana carece de justificação. O Sr. John Marshall, por exemplo, um dos principais escavadores em Mohenjo-Daro, oferece evidências de que a Índia poderia já estar seguindo a religião védica muito antes de quaisquer ditos “invasores” terem chegado. Ele aponta ser conhecido que a Índia possuía uma civilização urbana altamente avançada e organizada datando de, pelo menos, 2300 a.C., se não muito antes. De fato, alguns pesquisadores sugerem que tal evidência deixa claro que a civilização do Vale do Indo era bastante desenvolvida por volta, pelo menos, do ano 3100 a.C. As cidades conhecidas dessa civilização cobrem uma área ao longo do rio Indo e se estendem da costa do Rajastão e do Panjabe sobre o Yamuna e à parte alta do Ganges. Em seu apogeu, a cultura Indo espalhou-se por mais de 480.000 quilômetros quadrados, uma área maior do que a Europa Ocidental. Cidades que eram parte da cultura Indo incluem Mohenjo-Daro; Kot Diji, ao leste de Mohenjo-Daro; Amri, no baixo Indo; Lothal, sul de Ahmedabad; Malwan, extremo sul; Harappa, 560 quilômetros rio acima de Mohenjo-Daro; Kalibangan e Alamgirpur, extremo leste; Rupar, próximo aos Himalaias; Sutkagen Dor, ao oeste ao longo da costa; Mehrgarh, 240 quilômetros ao norte de Mohenjo-Daro; e Mundigak, ainda mais ao norte. Evidências em Mehrgarh mostram uma civilização que nos remete a 6500 a.C. Esta era conectada com a cultura Indo, mas foi abandonada no terceiro milênio a.C. por volta do tempo em que a cidade de Mohenjo-Daro tornou-se proeminente.

A organização dessas cidades e o conhecimento de seus residentes eram muito superiores aos de quaisquer nômades imigrantes, exceto em termos das habilidades militares da época. A ausência de armas nessas cidades, salvo lanças finas, indica que eles não eram muito bem equipados militarmente. Assim, uma teoria é que, se houve invasores, quem quer que tenham sido; ao invés de encorajarem o avanço da sociedade védica ao chegarem à região do Vale do Indo, devem tê-lo sufocado ou mesmo causado seu fim em certas áreas. Os locais do Vale do Indo podem ter sido uma área onde a sociedade védica desapareceu após a chegada de tais invasores. Muitas de tais cidades parecem ter sido abandonadas rapidamente, enquanto outras não. Entretanto, alguns geólogos sugerem que as cidades foram deixadas em virtude de mudanças ambientais. Evidências de inundações nas planícies são vistas nas grossas camadas de lodo que agora estão 1.2 metro acima do rio no estrato superior de Mohenjo-Daro. Outros dizem que necessidades ecológicas da comunidade forçaram o povo a se mudar dado que pesquisas demonstram que houve uma grande redução de chuvas daquele período à atualidade.

Também temos que nos lembrar de que muitas das localidades do Indo, como Kalibangan, eram próximas à região do velho rio Sarasvati. Alguns acadêmicos hindus estão até mesmo preferindo renomear a cultura do Vale do Indo para a cultura do Indo-Sarasvati, visto que o Sarasvati era um rio proeminente e muito importante à época. O rio Sarasvati é, por exemplo, muito imensamente glorificado no Rg-veda. Não obstante, o rio Sarasvati parou de fluir e, posteriormente, secou. Recentes estudos científicos calculam que o rio parou de fluir por volta do ano 8000 a.C. Ele secou próximo ao fim da civilização do Vale do Indo; pelo menos, ano 1900 a.C. Esta foi, sem dúvida, uma razão para estas cidades terem sido abandonadas. Isto também significa que, se o povo védico veio após a cultura do Vale do Indo, eles não poderiam ter conhecido o rio Sarasvati. Esta é mais uma evidência de que os Vedas são de muitos anos antes do período da sociedade do Vale do Indo e de que não foram trazidos para a região por algum invasor.

Em resultado dos últimos estudos, evidências apontam na direção de que os sítios do Indo foram varridos, não por atos de guerra ou invasão, mas pela seca que é conhecida como tendo durado 300 anos. Todo esqueleto encontrado na região pode indicar mortes, não por guerra, mas por inanição ou falta de água. A morte dos fracos em consequência de inanição é normal antes de toda a sociedade finalmente mudar-se para terras melhores com fontes mais abundantes. Trata-se da mesma seca que varreu os acádios da Suméria e causou um repentino abandono de cidades na Mesopotâmia, como em Tell Leilan e Tell Brak. O começo do fim dessas civilizações tem de ter acontecido próximo de 2500 a.C. Esta seca certamente contribuiu para o secar final do rio Sarasvati.

No concernente ao Mohenjo-Daro, os arqueólogos não descobriram nenhum sinal de ataque, como queimadas extensivas ou remanentes de guerreiros trajados de armaduras; e também não foram encontradas armas estrangeiras. Isto nos permite acreditar apenas que o inimigo das pessoas nesta região era a natureza, em manifestações como terremotos, enchentes, a seca severa ou até mesmo mudanças no curso dos rios, e não guerreiros invasores. Assim, mais uma vez, a teoria da invasão não se sustenta diante do exame minucioso do ponto de vista antropológico.

Os sítios arqueológicos mais conhecidos das cidades do Indo são Mohenjo-Daro e Harappa. Trabalhos de escavação no Mohenjo-Daro foram feitos de 1922 a 1931 e de 1931 a 1934. Evidências mostram que templos exerciam um importante papel na vida dos residentes dessas cidades. A cidadela no Mohenjo-Daro contém um lava pé de 11m por 7m. Este parece ter sido usado para fins cerimoniais de modo similar à maneira utilizada por muitos complexos de templo na Índia que possuem espécies de piscinas centrais para banho e rituais. Embora deidades não tenham sido encontradas nas ruínas, sem dúvidas em razão de serem importantes demais para serem abandonadas, imagens de uma deusa Mãe e de um deus Masculino similar ao Senhor Shiva sentado em uma postura de yoga foram encontradas. Alguns emblemas de Shiva mostram um homem com três cabeças e um falo ereto sentado em meditação e rodeado por animais. Este seria Shiva como Pashupati, o senhor ou amigo dos animais. Representações da lingam de Shiva e da yoni de sua consorte também foram facilmente localizadas, bem como pedras não fálicas, como a pedra shalagrama-shila do Senhor Vishnu. Deste modo, as religiões de Shiva e Vishnu, que são diretamente védicas, teriam sido parte bastante considerável desta sociedade muito tempo atrás, e não trazidas à região por algum invasor que talvez tenha ali chegado posteriormente.

Outro ponto que auxilia no convencimento de que a religião e a cultura védicas têm de ter estado na Índia e em tempos pré-harappianos são os altares sacrificiais que foram descobertos nos sítios harappianos. Eles são todos de projeção similar e se encontram de Baluchistão a Uttar Pradesh e, mais abaixo, em Guzerate. Isto demonstra que toda esta área tem de ter sido parte de uma cultura específica, a cultura védica, a qual tem de ter estado ali antes de tais sítios terem sido abandonados.

Mais informações quanto a este ponto se encontram em um artigo de J. F. Jarrige e R. H. Meadow na edição de agosto de 1980 da revista Scientific American chamado “The Antecedents of Civilization in the Indus Valley”. No artigo, eles mencionam que recentes escavações em Mehrgarh mostram que os antecedentes da cultura do Vale do Indo se remetem a 6000 a.C. na Índia. Uma influência externa não afetou o seu desenvolvimento. Referências astronômicas estabelecidas nos Vedas concordam perfeitamente com a data de Mehrgarh. Deste modo, sítios como o Mehrgarh refletem o princípio da era védica da Índia. Assim, temos uma teoria de uma invasão ariana que não é lembrada pelo povo do local que supostamente foi conquistado pelos arianos.

Adicionalmente, o Dr. S. R. Rao decifra o manuscrito harappiano como sendo de base indo-ariana. De fato, ele mostra como os manuscritos sul-arábicos, em aramaico antigo e no indiano brami são todos derivados do manuscrito do Vale do Indo. Esta nova evidência confirma que a civilização harappiana não pode ter sido dravidianos subjugados por uma invasão ariana, senão que eram seguidores da religião védica. A ironia é que a teoria da invasão sugere que os arianos védicos destruíram os distritos municipais dos dravidianos no Indo que teriam de ter sido previamente construídos de acordo com as instruções matemáticas encontradas na literatura védica dos arianos, como os Shulbasutras. Este ponto ajuda no invalidar da teoria da invasão; afinal, se as pessoas dessas cidades valiam-se dos estilos védicos de altares religiosos e planejamento urbano, isto significa que eles certamente já eram arianos.

Em uma similar linha de pensamento, em outro livro recente, Vedic Glossary on Indus Seals, o Dr. Natwar Jha providencia uma interpretação do antigo manuscrito dos numerosos emblemas redescobertos da civilização do Vale do Indo. Ele concluiu que os emblemas do Vale do Indo, que são pequenas pedras-sabão de 2,5cm2, exibem uma relação com a antiga forma do brami. Ele encontrou palavras nos emblemas que vêm do muito antigo texto Nighantu, que é um glossário de sânscrito compilado pelo sábio Yaksa, o qual lida com palavras de textos védicos subordinados. Um relato da busca de Yaksa por palavras sânscritas mais antigas é encontrado no Shanti Parva do Mahabharata. Isto talvez tenha relação com os emblemas do Vale do Indo, e certamente revela sua antiga conexão védica.

O interesse central de tudo isso é que todo o Rg-veda tem de ter existido por milhares de anos antes do tempo em que os emblemas do Vale do Indo foram produzidos. Os emblemas, portanto, eram de origem do sânscrito védico ou uma derivação deste, e os sítios do Vale do Indo eram parte da cultura védica. Isto é mais uma evidência de que não houve invasão ariana alguma. Nenhuma invasão ariana significa que a área e os seus residentes já eram parte do império védico. A partir disso, também podemos concluir, por conseguinte, que o grupo de línguas dito indo-ariano não é nada senão as várias equivocadas pronúncias locais do sânscrito, o qual penetrou o mundo civilizado por milhares de anos.

Outro ponto interessante é que restos de esqueletos encontrados nos sítios harappianos, que retomam 4000 anos no passado, demonstram os mesmos tipos raciais básicos do Panjabe e Guzerate como encontrados hoje. Isto comprova que nenhuma raça exterior invadiu e tomou a área. O único movimento do oeste para o leste ocorrido se deu após a seca do Sarasvati, e esta envolvia o povo que já estava ali. Em relação a isto, o Sr. John Marshall, encarregado das escavações nos sítios harappianos, disse que a civilização do Indo foi a mais antiga a ser desenterrada, mais antiga até mesmo do que a cultura suméria, que se acredita ser apenas uma ramificação da primeira, isto é, uma consequência da sociedade védica.

Outra colocação concernente aos esqueletos nos sítios harappianos é que os ossos de cavalos se encontram em todos os níveis dessas localizações. Assim, o cavalo era bem conhecido por essas pessoas. Cavalos são mencionados no Rg-Veda, e era um dos principais animais da cultura védica da Índia. Nada obstante, de acordo com registros na Mesopotâmia, tal região desconheceu o cavalo até cerca de 2100 a.C. Assim, oferece-se mais uma prova de que a direção de movimento das pessoas era da Índia para o oeste, e não o contrário, como sugere a teoria da invasão.

O professor universitário Lal escreveu um livro, The Earliest Civilization of South Asia, no qual ele também conclui que a teoria de uma invasão ariana é infundada. Uma invasão não é a causa da destruição da civilização harappiana, senão que esta foi causada por mudanças climáticas. Ele afirma que a sociedade harappiana foi uma fusão constituída de povos do Mediterrâneo, da Armênia, da área alpina e até mesmo da China. Eles ocupavam-se na típica adoração védica de fogo, rituais asvamedha. Tais altares de fogo foram encontrados nas cidades do Vale do Indo de Banawali, Lothal e Kalibangan.

Ele também explica que a cidade de Kalibangan arruinou-se quando o rio Sarasvati secou, o que se deu em decorrência de severas mudanças climáticas por volta do ano de 1900 a.C. Assim, a menção do rio Sarasvati também ajuda na datação dos Vedas, os quais têm que ter existido antes disso. Desta maneira, a origem da escrita sânscrita e as porções mais antigas da literatura passam a ter de ser datas, pelo menos, em 4000 a.C.; 6000 anos de idade.

Em conclusão, V. Gordon Childe declara em seu livro, The Aryans, que, embora a ideia de uma origem asiática dos arianos, que então migraram para a Índia, seja a ideia mundialmente mais aceita, ela é a menos documentada. E tal ideia é apenas uma das improcedentes generalizações com as quais, por mais de setenta anos, antropólogos e arqueólogos conflitam. Hoje, na verdade, a origem asiática setentrional dos arianos é uma hipótese abandonada pela maior parte dos linguistas e arqueólogos.

A Civilização do Vale do Indo Era Parte da Avançada Cultura Védica

Além do que já discutimos, mais elucidações podem ser trazidas quanto à avançada civilização do Vale do Indo e quanto ao modo como ela influenciou áreas além de sua região quando consideramos o tema da matemática védica. E. J. H. Mackay explica em seu livro, Further Excavations at Mohenjo-Daro, que toda a base da matemática védica é a geometria, e instrumentos geométricos foram encontrados no Vale do Indo datando, pelo menos, do ano 2800 a.C. A forma védica de matemática era muito mais avançada do que aquela encontrada no princípio das sociedades grega e egípcia. Isto pode ser visto nos Shulbasutras, suplementos dos Kalpasutras, os quais também mostram as primeiras formas de álgebra usadas pelos sacerdotes védicos em sua geometria para a construção de altares e arenas com fins religiosos. De fato, a fórmula geométrica conhecida como o Teorema de Pitágoras pode ter sua origem traçada aos Baudhayans, as primeiras formas do Shulbasutras datadas de antes do século oitavo a.C.

Os Shulbasutras são as primeiras formas de conhecimento matemático, e certamente a mais antiga para fins religiosos. Eles aparecem basicamente como um suplemento ao aspecto ritualístico (Shrauta) dos Kalpasutras. Essencialmente, eles contêm as fórmulas matemáticas para a projeção de vários altares intentando o ritual védico de adoração, os quais são evidentes nos sítios do Vale do Indo.

A data dos Shulbasutras, após a comparação dos Shulbas Baudhayana, Apastamba e Katyayana com as primeiras ciências matemáticas do Egito e da Babilônia antigos, como descrito por N. S. Rajaram em Vedic Aryans and The Origins of Civilization (p. 139), é próximo de 2000 a.C. Contudo, após a inclusão de datas astronômicas do Ashvalayana Grihyasutra, do Shatapantha Brahmana, etc., a datação pode ser atrasada até aproximadamente 3000 a.C., próximo do período da guerra do Mahabharata e da compilação feita por Srila Vyasadeva dos outros textos védicos.

Com esta visão em mente, a matemática védica não pode seguir sendo considerada como derivante da Babilônia Antiga, a qual data de 1700 a.C., senão que tem de ser a fonte tanto desta como da matemática grega ou pitagórica. A avançada natureza da geometria encontrada nos Shulbasutras indica, portanto, que este providenciou o conhecimento que tinha de ser conhecido durante a construção dos sítios do Indo, como Harappa e Mohenjo-Daro, bem como aquele usado na Grécia e na Babilônia antigas.

É a matemática védica aquela a originar o sistema decimal de dezenas, centenas, milhares e assim por diante, e o sistema no qual o excedente de uma coluna de números é transportado para a coluna seguinte. O sistema numérico indiano foi usado na Arábia depois de 700 d.C. e foi chamado Al-Arqan-Al-Hindu. Este se espalhou até a Europa e tornou-se conhecido como os numerais arábicos, os quais, é claro, desenvolveram-se no sistema numérico que usamos hoje, que é significativamente mais fácil do que os símbolos egípcios, romanos ou chineses para números, os quais tornavam as ciências matemáticas muito mais difíceis. Foram os indianos quem legaram os métodos de divisões fracionais e do uso de equações e de letras para significarem fatores desconhecidos. Eles também fizeram descobertas em cálculos e outros sistemas matemáticos muitos séculos antes de tais princípios serem compreendidos na Europa. Deste modo, torna-se óbvio que, se os europeus não houvessem mudado do sistema numérico romano para a forma de matemática originada na Índia, muitos dos desenvolvimentos que se deram na Europa não teriam sido possíveis. Assim, todas as evidências indicam não ter sido nenhum invasor setentrional quem trouxe ou originou esta avançada forma de matemática, senão que esta é de autoria da civilização védico-ariana que já existia na Índia e na região do Vale do Indo. A partir disso, entendemos, de modo óbvio, que tamanha influência intelectual não descendeu do norte para Índia, mas viajou da Índia para a Europa.

Uma evidência adicional de que nenhum invasor originou a altamente avançada cultura védica no Vale do Indo é o fato de que vários emblemas que Waddell chama de “sumérios” e datam de 2800 a.C. foram encontrados trazendo a imagem do búfalo asiático ou búfalo brahma. Zoologistas modernos acreditam que o búfalo asiático era conhecido apenas nas regiões dos vales do Ganges e do Brahmaputra, e que ele não existia na Índia ocidental ou no Vale do Indo. Isto sugeriria algumas poucas possibilidades. Uma é que os sumérios haveriam viajado para a Índia central e oriental por razões comerciais e em busca de pedras preciosas visto que Harappa era um centro de comércio conectado pelo caminho do rio Indo com a indústria de ouro e turquesa do Tibete. Deste modo, eles tomaram conhecimento do búfalo asiático e usaram imagens deles em seus emblemas. A segunda e mais provável possibilidade é que a civilização ariana da época estendeu da Índia oriental para a região do Indo e, prosseguindo sentido oeste, para a mesopotâmia e mais além, incluiu os sumérios como uma ramificação. Então, o comércio e as conexões védicas deste com a Índia naturalmente levaram a imagem do búfalo asiático para a região do Vale do Indo e além.

Outra evidência demonstrando a influência védica sobre a região de Mohenjo-Daro é uma placa datada de 2600 a.C. Ela retrata uma imagem do Senhor Krishna como uma criança. Isto demonstra positivamente que a cultura do Vale do Indo era conectada com o sistema védico antigo, o qual era prevalente ao longo das margens dos rios Sarasvati e Sindhu milhares de anos atrás.

A Literatura Védica Não Oferece Evidência de uma Invasão Ariana

Como podemos constatar a partir das informações acima, a presença dos arianos védicos na região do Indo é inegável, mas as evidências indicam que eles permaneceram ali por muito tempo antes de quaisquer invasores ou nômades imigrantes chegarem, e, assim, os textos védicos têm obrigatoriamente de ter existido ali por algum tempo também. De fato, a literatura védica estabelece que eles foram escritos muitos anos antes da mencionada data de 1400 a.C. É dito que a era de Kali começou em 3102 a.C. com o desaparecimento do Senhor Krishna, que é o momento em que se declara Srila Vyasadeva ter começado a compor o conhecimento védico na forma escrita. Desta maneira, o Rg-Veda não poderia ter sido escrito ou trazido para a região pelos “invasores” visto que eles foram até ali supostamente 1600 anos depois.

Um dos problemas quanto à datação da literatura védica é o uso da análise linguística, a qual não é confiável. Talvez seja seguro dizer, como apontado por K. C. Verma em Mahabharata: Myth and Reality – Differing Views (p. 99), que “Todas as tentativas de datação da literatura védica valendo-se de fundamentos linguísticos falharam grotescamente pelas simples razões de que (a) as conclusões de filologia comparativa são frequentemente especulativas e (b) por ora ninguém foi bem sucedido em demonstrar o quanto se muda em uma língua em um determinado período. O único método seguro é o astronômico”.

Com esta sugestão; ao invés do uso do método linguístico, que é muito propenso a erro, podemos buscar a conclusão a que outros chegaram pelo uso de registros astronômicos para a datação dos Vedas. Através do uso de cálculos astronômicos, alguns estudiosos datam os primeiros hinos do Rg-Veda como anteriores a 4500 a.C. Outros, como Lokmanya Tilak e Hermann Jacobi, concordam que a maior parte dos hinos do Rg-Veda foram compostos de 4500 a 3500 a.C., quando o equinócio da primavera estava na constelação de Órion. De acordo com K. C. Verma, tais cálculos têm de ter sido observações fatuais; ele afirma: “Está provado, sem dúvidas, que, antes das descobertas de Newton, Liebnitz, La Place, La Grange, etc., cálculos regressos não poderiam ter sido feitos; eles baseiam-se em astronomia observacional”. (Mahabharata: Myth and Reality – Differing Views, p. 124)

Em seu livro intitulado The Celestial Key to the Vedas: Discovering the Origins of the World’s Oldest Civilization, B. G. Sidharth providencia evidências astrológicas de que as primeiras porções do Rg-Veda podem ser datas de 10.000 a.C. Ele é o diretor do B. M. Birla Science Center e tem 30 anos de experiência com astronomia e ciência. Ele também confirma que a Índia tinha uma próspera civilização capaz de sofisticada astronomia muito antes dos gregos, dos egípcios ou de qualquer outra cultura no mundo.

Em seu comentário ao Srimad-Bhagavatam (1.7.8), A. C. Bhaktivedanta Svami, um dos mais distintos estudiosos védicos dos tempos modernos, também discute a data estimada de quando a literatura védica foi escrita com base em evidências astronômicas. Ele escreve haver certa diversidade entre os estudiosos mundanos no tocante à data de quando o Srimad-Bhagavatam, a última das escrituras védicas, foi compilado. A partir do texto, no entanto, é certo que ele foi compilado após o desaparecimento do Senhor Krishna do planeta e antes do desaparecimento do rei Pariksit. No momento presente, estamos, de acordo com cálculos astronômicos e evidências nas escrituras reveladas, no quinto milênio da era de Kali. Ele conclui, por conseguinte, que o Srimad-Bhagavatam tem necessariamente de ter sido compilado, pelo menos, cinco mil anos atrás. O Mahabharata foi compilado antes do Srimad-Bhagavatam, e os principais Puranas foram compilados antes do Mahabharata.

Além disso, sabemos que os Upanisads, e os quatro Vedas primários, incluindo o Rg-Veda, foram compilados anos antes do Mahabharata. Isto indicaria que a literatura védica já existia antes de qualquer suposta invasão, que se diz ter acontecido por volta de 1400 a.C. De fato, isto indica que os verdadeiros arianos eram os reis e sábios védicos, os quais já eram prevalentes na região, e não alguma tribo incerta de nômades que alguns historiadores inapropriadamente chamam de “invasores arianos” e que foram à Índia e então escreveram seus textos védicos após sua chegada. Deste modo, a versão védica é confirmada.

Outro ponto de consideração é o rio Sarasvati. Alguns consideram que o Sarasvati é simplesmente um rio mítico, mas, por meio de pesquisa e do uso de fotografia aérea, foram descobertas partes daquilo que um dia foi o leito desse rio. Como descrevem os Vedas, e como pesquisas mostram, este já foi um rio muito proeminente. Muitos séculos atrás, ele fluía das montanhas do Himalaias sentido sudoeste em direção ao Mar Arábico no Rann da Kachchh, no norte de Mumbai (Bombaim), na área de Dvaraka. Sabe-se, entretanto, que o mesmo mudou seu curso muitas vezes, fluindo em uma direção mais voltada ao oeste, e secando por volta de 1900 a.C.

Dado que o Rg-Veda (7.95.1) descreve o curso do rio das montanhas para o mar, bem como o localiza (10.75.5) entre o Yamuna e o Shutudri (Sutlej), torna-se óbvio que os arianos védicos estavam na Índia obrigatoriamente antes da seca desse rio, isto é, muito antes do ano 2000 a.C. O Atharva-Veda (6.30.1) também menciona o crescimento de cevada ao longo do Sarasvati, e o Vajasaneya Samhita do Yajur-Veda (Shuklayajur-Veda 34.11) relata que cinco rios fluem para dentro do Sarasvati, após o que ele se torna um vasto rio. Confirma-se por fotografia de satélite, arqueologia e investigação hidrológica que o Sarasvati foi um imenso rio de até oito quilômetros de largura. Isto não apenas confirma a antiguidade da civilização ariana na Índia, mas também da literatura védica, que tem obrigatoriamente de já estar em existência há muitos séculos antes de 1900 a.C. Assim, isto auxilia no estabelecimento da data fornecida anteriormente de 3102 a.C., quando os textos védicos foram compilados.

Adicionalmente, o multimilenar Rg-Veda (10.75.5; 6.45.31; 3.59.6) menciona o Ganges, às vezes chamado Jahnavi, juntamente com os rios Yamuna, Sarasvati e Sindhu [Indo] (Rg-Veda, 10.75.1-9). Os rios e povoados na região do Ganges tinham sim significância na literatura védica, o que demonstra que os Vedas foram escritos na Índia, e não levados para a área do Ganges após terem sido escritos em algum outro lugar.

O Manu-samhita (2.21-22) também descreve Madhyadesa, a região central da Índia, como sendo onde os arianos se localizavam – entre o Himavat e as montanhas Vindhya, leste de Prayag e oeste de Vinasana, onde o rio Sarasvati desaparece. Ali também se diz que a terra que se estende até os oceanos oriental e ocidental é chamada de Aryavata (local dos arianos) pelos sábios. Isto significa que o centro da civilização védica no período era próximo do rio Sarasvati.

O ponto aqui evidenciado é que os arianos védicos não poderiam ter invadido a Índia ou escrito o Rg-Veda após 1800 a.C. e terem conhecido o rio Sarasvati. Na verdade, para o rio ter sido encontrado tão grandioso como se o descreve nos Vedas e Puranas, os arianos têm de ter existido na área por pelo menos muitos milhares de anos antes do rio começar a secar. E se os arianos não foram os primeiros nesta área, por que, então, não há nomes pré-arianos para tais rios? Ou, então, por que ninguém descobriu a língua pré-Vale do Indo uma vez que este foi habitado por um povo diferente antes dos arianos chegarem? E por que não há registro de nenhuma invasão ariana em nenhuma literatura védica?

Em relação a isto, o Sr. K. D. Sethna aponta na página 67 de seu livro, The Problem of Aryan Origins From an Indian Point of View, que mesmo os estudiosos que acreditam na invasão ariana da Índia por volta de 1500 a.C. admitem que o Rg-Veda não fornece nenhum indício de um adentramento no subcontinente indiano por parte alguma. Não se menciona nada sobre tal invasão. Através de nossa pesquisa e levantamento de evidências, o Rg-Veda pode ser datado ao redor de, pelo menos, 3000 a.C. ou mesmo muito antes. Assim, para todos os fins práticos, há pouca razão para se discutir qualquer outra origem dos arianos védicos que não a região da Índia setentrional.

Isto é corroborado na obra The Cultural Heritage of India (p. 182-183), onde se explica que a tradição indiana desconhece qualquer invasão ariana do noroeste ou de fora da Índia. De fato, o Rg-Veda (Livro Dez, capítulo 75) lista os rios na ordem do leste para o noroeste, o que estaria de acordo com a história nos Puranas de que a Índia era a morada dos arianos, de onde eles se expandiram a países estrangeiros em várias direções disseminando a cultura védica. O Manu-samhita (2.17-18) aponta especificamente que a região dos arianos védicos é entre o rio Sarasvati e o rio Drishadvati, como similarmente encontrado no Rg-Veda (3.24.4).

Todas as guerras mencionadas na literatura védica ocorreram entre pessoas da mesma cultura ou entre semideuses e demônios, ou as forças da luz e as forças da escuridão. A ideia de que o termo “ariano” ou “arya” se refere àqueles de uma raça em particular é enganadora. Trata-se de um termo que significa qualquer pessoa – independente de raça – que é nobre e de conduta íntegra e virtuosa. Instilar a ideia de uma invasão ariana nos textos védicos é meramente um exercício de isolar versos de seu contexto e mudar o significado dos termos. Mesmo a mais antiga obra escrita dos Vedas, o Rg-Veda, não contém nenhuma menção de uma tribo viajante de pessoas vindas de alguma terra sagrada original ou de quaisquer regiões montanhosas de fora da Índia. De fato, ele descreve o subcontinente indiano em termos reconhecíveis de rios e clima. O rio Sarasvati é frequentemente mencionado no Rg-Veda, o que torna claro que a região do Sarasvati foi uma área primordial do povo védico. Além disso, ele não descreve guerra alguma contra estrangeiros, nem capturas de cidades ou culturas adquiridas de qualquer espécie que indicariam uma invasão de uma tribo de fora. Somente muito tempo após o período védico temos a invasão da Índia por parte dos muçulmanos e dos ingleses, para as quais há muitíssimos registros evidenciadores.

A literatura védica é extremamente volumosa, e nenhuma outra cultura produziu algo similar no tocante à história antiga; nem os egípcios, nem os sumérios, nem os babilônios e tampouco os chineses. Então, se tal literatura foi produzida fora da Índia, como pode não haver nenhuma referência à sua terra de origem? Ainda no que diz respeito a isso, como poderiam tais supostos nômades primitivos que vieram invadindo a região do Indo inventar tão sofisticada língua e produzir tão distinto registro de seus costumes apesar de suas migrações e numerosas batalhas? Tudo isso é pouquíssimo provável. Apenas um povo bem estabelecido e avançado em seu conhecimento e em sua cultura pode fazer tal coisa. Desta maneira, podemos ver que os textos védicos dão todas as indicações de que os arianos védicos se originaram na Índia.

Destarte, foram-nos deixadas muitas evidências na forma de registros literários e de achados arqueológicos, como somos capazes de ver, que vão de encontro à teoria da invasão ariana. Tais evidências mostram como os arianos védicos foram da Índia para o Irã, Mesopotâmia e Anatólia e prosseguiram para a Europa no sentido ocidental, e não em direção ao oriente. A teoria da invasão não é nada além de um produto da imaginação.

Mais Evidências Acerca da Morada Original dos Arianos Védicos

Os sacerdotes brahmanas e os estudiosos indianos acreditam que a região do vale do Sarasvati e do Ganges é a origem da civilização indiana e da sociedade ariana. Isto pode ser creditado quando observamos as cidades nesta região. No norte de Delhi, por exemplo, está a cidade de Kuruksetra, onde a grande batalha do Mahabharata se desenrolou quando Sri Krishna ainda estava no planeta há mais de 5000 anos. Há também a antiga cidade de Hastinapura, a qual esteve situada ao longo do Ganges até o rio mudar seu curso e findar a cidade em 800 a.C. Esta é a antiga capital da dinastia Kuru no Mahabharata. Remanescentes de cerâmica foram encontrados próximo dessa localização datando de, pelo menos, 1200 a.C. Em Nova Delhi, encontra-se o sítio Purana Qila, que se sabe ter sido parte da antiga cidade de Indraprastha.

Uma interessante citação pode ser encontrada no multimilenar Srimad-Bhagavatam (10.72.13), a qual pode nos dar uma ideia de quão proeminente Indraprastha foi. Ali se afirma que, durante o período histórico em que Sri Krishna estave neste planeta, 5000 anos atrás, o rei Yudhisthira enviou para fora seus irmãos, os Pandavas, a fim de que conquistassem o mundo em todas as direções. Tal ato destinava-se a fazer com que todos os países participassem da grande cerimônia Rajasuya, que seria realizada na antiga Indraprastha. Todos os países teriam de pagar uma taxa para auxiliar na realização da cerimônia e também teriam de enviar representantes para o dia da realização da mesma. Caso não quisessem cooperar, teriam, então, que batalhar contra os Pandavas. Deste modo, o mundo inteiro se subordinou à jurisdição da administração védico-ariana.

Ao sul de Nova Delhi, estão as cidades sagradas de Vrndavana e Mathura, ao longo do rio Yamuna. Estas duas cidades são conhecidas como locais dos passatempos de Krishna e de lendas védicas que remontam milhares de anos, as quais também se descrevem na literatura védica. Mais ao sul, localizada à beira do Yamuna, está a muitíssimo antiga cidade Kaushambi. Esta cidade ainda possui os remanentes de sólidas estruturas de defesa do século décimo a.C., as quais são muito similares às construções em Harappa e na região do Indo que usavam tijolos cozidos para as suas construções. O Yajur-Veda (Vajasaneyi Samhita 23.18) também menciona a cidade de Kampila, que se localiza aproximadamente a meio caminho de Hastinapura e Kaushambi. A próxima cidade é Allahabad (Prayaga), onde encontramos a confluência do Yamuna e do Ganges. Este local é de enorme importância, e abunda imensamente em lendas védicas tão remotas em antiguidade que ninguém pode dizer quando se originaram. Há, então, ao longo do Ganges, Varanasi, que é outra cidade repleta de lendas védicas antigas e importantes. A uma pequena distância ao norte de Varanasi, está Sarnath, onde Buddha deu seu primeiro sermão após ter-se iluminado. A quatro horas de trem ao norte de Varanasi está a cidade de Ayodhya, onde o Senhor Ramacandra instalou Sua capital, como se descreve completamente no Ramayana. E, é claro, há as montanhas dos Himalaias, às quais se associam muitas histórias védicas. Além destas, há outras numerosas localidades que poderiam ser mencionadas em conexão com as lendas védicas ao longo da região. (Grande parte de tais localidades já foram descritas nas seções Seeing Spiritual India de meus livros anteriores).

Conquanto alguns arqueólogos clamem não terem descoberto nenhuma evidência apontando a existência antiga da cultura védico-ariana na região do Ganges, mesmo uma visita casual por tal área, como mencionada acima, torna óbvio que essas cidades e locais sagrados não ganharam importância da noite para o dia, tampouco pela simples imigração de um povo que se diz ter trazido consigo os Vedas. Tais locais não poderiam ter sido incorporados às lendas védicas tão rapidamente caso a cultura védica fosse oriunda de outra localização. Portanto, o argumento de que a literatura védica primitiva foi trazida de outra região ou de que ela descreve uma localização geográfica que não a Índia não pode ser tão facilmente aceito. O fato é que toda a Índia, estendendo-se até a região do Indo, foi a morada original da cultura védico-ariana, a partir de onde esta distribuiu sua influência pela maior parte do restante do mundo.

A Explicação Védica dos Arianos Originais e de como Sua Influência Espalhou-se pelo Mundo

Como o nome “ariano” foi dado àqueles que se diz terem invadido a região do Indo é algo tido como incerto, e, como demonstrei, se de fato houve alguma invasão não é mais um ponto de consideração legítimo. Nada obstante, o termo “ariano” vem sendo aplicado àquele povo que ocupou as planícies entre os Mares Cáspio e Negro. A hipótese é que eles começaram a migrar por volta do começo do segundo milênio a.C. Alguns rumaram em direção ao norte e ao noroeste, alguns se dirigiram sentido oeste estabelecendo-se em partes do Oriente Médio, enquanto outros viajaram para a Índia através do Vale do Indo. Aqueles que se diz terem adentrado a Índia foram os “arianos invasores”.

A literatura védica estabelece um cenário diferente. Ela apresenta evidências de que a Índia pré-histórica abrangia uma área muito mais ampla, e que os verdadeiros arianos não eram invasores do norte adentrando a região do Indo, mas eram os residentes originais descendentes da sociedade védica, que se disseminara por todo o mundo a partir da região da Índia. Lembremos que o termo ariano é confundido como possuidor do significado de “claro” ou “compleição clara”. Contudo, ariano se refere a arya, uma consciência clara em direção a Deus, e não branco ou pessoas brancas. Nos sutras védicos, a palavra ariano é usada para se referir àqueles que são espiritualmente orientados e de caráter nobre. A palavra sânscrita arya é linguisticamente relacionada à palavra harijana (pronunciada hariyana), palavra esta que significa “alguém relacionado a Deus, a Hari”. Assim, o verdadeiro significado do nome ariano se refere às pessoas relacionadas à espiritual cultura védica, não tendo nenhuma ligação com aqueles imigrantes que alguns pesquisadores especularam serem os assim chamados “arianos invasores”. Ariano faz referências àqueles que praticam os ensinamentos védicos, e não a uma raça de pessoas em particular. Desta maneira, qualquer um pode ser um ariano caso siga a clara e luminosa filosofia védica, ao passo que aqueles que não a seguem são não arianos, também independentemente de sua raça. O nome ariano, portanto, como é em geral aceito atualmente, é erroneamente aplicado a um grupo de pessoas que se diz terem migrado do norte para Índia.

Alguns chamam esse povo de sumérios, mas L.A. Waddell, muito embora use o nome, explica que o nome sumério não existe como um título étnico, senão que foi fabricado pelos assiriologistas modernos e usado para rotular o povo ariano. Dr. Hall, em seu livro Ancient History of the Near East, diz haver certa semelhança antropológica entre os dravidianos da Índia e os sumérios da Mesopotâmia, o que sugere que o grupo de povos chamados sumerianos era, na verdade, de descendentes indianos. Com tal informação em mente, fica claro que os verdadeiros arianos eram os seguidores védicos já em existência pela Índia e ao norte além da região do Indo.

A fim de ajudar na compreensão de como a influência ariana se espalhou pelo mundo, L.A. Waddell explica que os arianos estabeleceram as rotas comerciais pré-históricas por terra e mar desde, pelo menos, o começo do terceiro milênio a.C., se não muito antes. Aonde quer os arianos fossem, quer no Egito, na França, na Inglaterra ou em qualquer outro lugar, eles impunham a sua autoridade e sua cultura, basicamente para o melhoramento da cultura anterior da região. Eles colocaram tribos e clãs dispersos sob unidade nacional, unidade esta que se tornou cada vez mais luminosa dentro de seu sistema de organização social, comércio e arte. Buscando por novas fontes de metal, como estanho, cobre, ouro e chumbo, os arianos estabeleceram portos e colônias entre as tribos locais, que, posteriormente, desenvolveram-se em nações separadas, as quais tomaram muitas de suas tradições e traços culturais dos arianos reinantes. Naturalmente, à medida que o comércio com os arianos diminuiu, especialmente após a guerra do Mahabharata na Índia, variações das lendas e culturas tornaram-se proeminentes. Isto responde pelas muitas similaridades entre as diferentes civilizações do mundo, bem como pelas semelhanças existentes ainda hoje.

Outro ponto de consideração é que, uma vez que os arianos se centralizavam nas planícies ao Ganges e às montanhas dos Himalaias; de lá, eles podem ter-se disseminado sentido leste ao longo do rio Brahmaputra e pela planície do Tibete. Os chineses, na forma da tribo China, provavelmente também se originaram ali dado terem a lenda da montanha sagrada ao oeste com quatro rios. Os Puranas explicam que Manu e seus filhos reinaram sobre a área: sobre as terras do norte do Monte Meru àquelas ao sul do Monte Kailasa. Outros arianos poderiam facilmente ter descido o Sarasvati e o Sarayu adentrando o norte da Índia. Outros foram do Indo para a Caxemira e Afeganistão, e então para a Ásia Central. Outros adentraram as regiões do Guzerate e do Sind, e a Pérsia e a região do Golfo. Assim foi fundada a civilização suméria, juntamente com a Babilônia. Dessa localização, foram além, adentrando a Turquia e a Europa.

Após difundirem-se pelo sul da Índia, continuaram descendo o Ganges até tomarem, no mar, o sentido leste a fim de adentrarem a Malásia e a Indonésia e fundarem ali as antigas culturas védicas. Pelo mar, procederam para a China, encontrando-se com os arianos que provavelmente já estavam lá. Da China e do oriente, eles navegaram pelo oceano pacífico e, finalmente, alcançaram e colonizaram as Américas. Abundantes evidências disso são apresentadas nos próximos capítulos.

Podemos ver um pouco do efeito dessa expansão a partir da Índia levando em conta o termo ariano. O nome harijana ou ariano evoluiu para siriano na Síria, para hurriano em Hurri, e em iraniano no Irã [que significa literalmente “terra dos arianos”]. Isto mostra que eles foram, em algum momento, parte da sociedade védica. Um caso similar é o nome pártias no império Parta (ou Parto), outro antigo país da Pérsia. Partha era um dos nomes de Arjuna, ariano védico e amigo de Krishna, e significa “o filho do rei Prithu”. Assim, o nome pártia indica aqueles que são descendentes do rei Prithu. Os pártias também tinham um bom relacionamento com os primeiros judeus visto que os judeus costumavam comprar grãos dos pártias. Os gregos se referiam aos povos judaicos como judeos, ou Jah deos, isto é, Yadavas, o que significa povo de Ya, ou descendentes de Yadu, um dos filhos de Yayati. Também se atribui a base da Cabala, o livro das concepções místicas do judaísmo, como descrito em The Holy Kabbalah de Arthur Edweard Waite, a Kapila Muni, sábio indiano e encarnação de Krishna que estabeleceu a filosofia analítica sankhya-yoga. Deste modo, a conexão com os primeiros judeus e a antiga cultura védica é evidente.

Outro aspecto da conexão entre essas várias regiões e a cultura védica é explicado na literatura védica. No Rg-Veda (10.63.1), Manu é o primeiro dos reis e profetas. Manu e sua família eram sobreviventes da inundação mundial, como se menciona no Shatapatha Brahmana (1.8.1). Assim, um novo começo para a raça humana parte dele, e toda a humanidade é descendente de Manu [a palavra man, homem em inglês, é etimologicamente ligada ao sânscrito manu]. O Atharva-Veda (19.39.8) menciona onde sua embarcação atracou nos Himalaias. Um templo que demarca a localização onde a embarcação de Manu tocou pela primeira vez terra firme após o dilúvio encontra-se na Índia setentrional, nas colinas de Manali. Seus descendentes importantes são os Pauravas, Ayu, Nahusha e Yayati. De Yayati, vieram os cinco clãs védicos; os Purus, os Anus, os Druhyus, os Turvashas e os Yadus. Os Turvashas são relativos ao sudeste da Índia, à Bengala, a Bihar e à Orissa, e são os ancestrais dos dravidianos e dos yavanas. Yadu é relativo ao sul ou sudoeste, a Guzerate e ao Rajastão, de Mathura a Dvaraka e Somnath. Os Anus são relativos ao norte, ao Panjabe, bem como à Bengala e a Bihar. Os Druhyus são relativos ao oeste e ao noroeste, como Gandhara e Afeganistão. Puru é conectado com a região central do Yamuna e do Ganges. Sabe-se que, com a exceção de Puru, todos, intermitentemente, caíram do dharma védico, e várias guerras nos Puranas foram com esses grupos.

Como explicado por Shrikant Talageri em seu livro, The Aryan Invasion Theory: A Reappraisal (p. 304-305, 315, 367-368); de tais descendentes, os Purus foram o povo rg-védico e desenvolveram a cultura védica na Índia centro-setentrional e no Panjabe ao longo do Sarasvati (Rg-Veda 7.96.2). Os Anus da Caxemira setentrional; ao longo do Parushni ou do atual rio Ravi (Rg-Veda 7.18.13), espalharam-se pela Ásia ocidental e desenvolveram as várias culturas iranianas. Os Druhyus, do noroeste da área do Panjabe e da Caxemira, disseminaram-se para a Europa e se tornaram os ocidentais indo-europeus, ou os druidas e antigos celtas. Um primeiro grupo rumou sentido noroeste e desenvolveu o dialeto protogermânico, e outro grupo viajou mais ao sul e desenvolveu os dialetos proto-helênico e ítalo-céltico. Outras tribos incluíam os Pramshus, na Bihar ocidental; e os Ikshvakus da Uttar Pradesh setentrional.

Já que se falou da Caxemira, interessante relatar que, de acordo com a lenda, milhares de anos atrás, a Caxemira era um grande lago rodeado por belos picos montanhescos. Era ali onde a deusa Parvati permanecia em seu barco. Um dia, ela foi ver o senhor Shiva nas montanhas. Então, um grande demônio tomou posse do lago. Kashyapa Muni, que estava presente no contexto, pediu à deusa que retornasse. Juntos, eles expulsaram o demônio e criaram um imenso vale, o qual se chamou Kashyapa-Mira, sendo, posteriormente, reduzido para Caxemira. Mais uma vez, demonstra-se a conexão védica desta região.

Outras tribos mencionadas nos textos védicos incluem os Kiratas, que são os povos montanheses do Tibete e do Nepal, frequentemente considerados impuros por não praticarem o dharma védico. O Visnu Purana (4.3.18-21) também menciona os Shakas, que são os síntios da antiga Ásia Central; os Pahlavas, que são os persas; e os Chinas, que são os chineses. Todos eles são considerados nobres caídos, ksatriyas que foram expulsos da Índia durante o governo do rei Sagara.

Explicando mais detalhadamente, Yadu era o mais velho dos cinco filhos de Yayati. Yayati foi um grande imperador do mundo e um dos antepassados daqueles de herança ariana e indo-europeia. Yayati dividiu seu reino entre seus filhos, que então deram início às suas próprias dinastias. Yayati teve duas esposas, Devayani e Sharmistha. Yayati teve dois filhos com Devayani: Yadu e Turvasu. Yadu foi o originador da dinastia Yadu, cujos membros se chamam Yadavas, posteriormente conhecida como Dinastia Lunar. De Turvaso veio a dinastia Yavana ou turca. Com Sharmistha, Yayati teve três filhos: Druhya, que iniciou a dinastia Bhoja; Anu, que começou a dinastia Mleccha ou grega; e Puru, que deu início à dinastia Paurava, a qual se diz ter-se instalado ao longo do rio Ravi e, depois, ao longo do rio Sarasvati. Alguns dizem que tal clã, posteriormente, prosseguiu para o Egito, e seus membros tornaram-se os faraós e soberanos da região. Estas tribos arianas, originadas na Índia pelo rei Yayati e mencionadas no Rg-Veda e nos Puranas Visnu e Bhagavata, distribuíram-se por todo o mundo.

O reino Yadava dividiu-se, ulteriormente, entre os quatro filhos de Bhima Satvata. De Vrishni, o mais novo, descendeu Vasudeva, o pai de Krishna e Balarama, e a sua irmã, Pritha ou Kunti. Kunti casou-se com Pandu, o príncipe Yadava, cujos descendentes tornaram-se os Pandavas. Kunti tornou-se a mãe de Yudhisthira, Bhima e Arjuna (Partha), os três Pandavas mais velhos. Os Pandavas mais novos foram Nakula e Sahadeva, nascidos da segunda esposa de Pandu, Madri. Após mudarem para a costa oeste da Índia, viveram em Dvaraka sob a proteção do Senhor Krishna. Próximo do momento do desaparecimento de Krishna da Terra, uma guerra fratricida eclodiu, e a maior parte dos Pandavas foi morta, eles que haviam se tornado um enorme clã. Aqueles que sobreviveram podem ter prosseguido para o Vale do Indo, onde teriam iniciado outra parte de uma avançada sociedade védica ou se unido a uma já existente. Outros talvez tenham continuado prolongadamente no sentido oeste, adentrando o Egito, e alguns em direção à Europa, como previamente explicado.

Isto é mais bem substanciado no Mahabharata, que menciona muitas províncias da Europa meridional e da Pérsia que já tiveram conexão com a cultura védica. O Adi-parva (174.38) do Mahabharata descreve a província de Pulinda (Grécia) como tendo sido conquistada por Bhimasena e Sahadeva, dois dos irmãos Pandavas. Assim, os gregos antigos foram, em dado momento, parte de Bharata-varsa (Índia) e da civilização védica. Posteriormente, todavia, o povo deixou sua afiliação com a sociedade védica, em consequência do que foram classificados como mlecchas. Na seção Vana-parva do Mahabharata, é predito que tal sociedade não védica, um dia, reinaria grande parte do mundo, inclusive a Índia. Alexandre, o Grande, conquistou a Índia para a civilização Pulinda ou grega em 326 a.C., cumprindo, assim, a profecia.

As seções Sabha-parva e Bhisma-parva do Mahabharata mencionam a província de Abhira, situada próximo do que foi o rio Sarasvati no antigo Sind. É dito que os Abhiras eram guerreiros que haviam deixado a Índia por medo do Senhor Parashurama e se esconderam nas colinas caucasianas entre o Mar Negro e o Mar Cáspio. Posteriormente, por um período de tempo, eles foram reinados por Maharaja Yudhisthira. O sábio Markandaya, entretanto, predisse que esses Abhiras, após findarem sua conexão com a sociedade védica, iriam, um dia, governar a Índia.

Outra província mencionada no Mahabharata (Adi-parva 85.34) é aquela dos Yavanas (turcos), que foram assim nomeados em virtude de serem descendentes de Maharaja Yavana (Turvasu), um dos filhos de Maharaja Yayati, como previamente explicado. Eles também abandonaram a cultura védica e se tornaram mlecchas. Eles lutaram na batalha de Kuruksetra contra os Pandavas, ao lado de Duryodhana, e perderam. Foi predito, no entanto, que eles, algum dia no futuro, retornariam para conquistar Bharata-varsa (a Índia), o que de fato se concretizou. Muhammad Ghori, mais adiante na história do mundo, atacou e conquistou partes da Índia sob a bandeira do Islã dos países Abhira e Yavana ou turco. Desta maneira, podemos ver que essas províncias na área da Grécia e da Turquia (e as terras entre elas e a Índia) foram, no passado, parte da civilização védica, e tiveram, em algum momento, não apenas laços políticos e culturais, mas também conexões ancestrais. Esta é a versão védica da origem da civilização ariana e de como sua influência espalhou-se em diferentes graus pelo mundo. 

A Cronologia dos Eventos na Disseminação da Cultura Védica

Irei, agora, apresentar de forma cronológica a expansão da cultura védica a partir da Índia. De acordo com a tradição védica, o conhecimento espiritual, original e védico foi dado à humanidade por Deus no começo da criação. Assim, houve uma civilização védica altamente avançada e espiritualizada no mundo. Contudo, em consequência de muitas mudanças terrestres, como eras de gelo, terremotos, secas, etc., a estrutura das culturas globais mudou. Alguns desses eventos, como a grande inundação, são registrados pela maioria das culturas do mundo.

Muitos estudiosos acreditam que o dilúvio global ocorreu por volta de 13.000 anos atrás. Alguns trabalham com a possibilidade de ter sido um impacto meteórico o fator a ter desencadeado o fim da Era do Gelo e causado o degelo que produziu a água que inundou o planeta. Muita terra desapareceu, e a enchente global findou grande parte da população do mundo. Grandes lagos foram formados, todas as terras baixas desapareceram, e terras como o Egito tornaram-se umedecidas. Isto significa que a avançada civilização que um dia povoou a Terra encontrou, então, o seu fim, e seria substituída pelos sobreviventes. Estes foram os marinheiros habitantes do mundo aquático, como o Manu védico e sua família, que sobreviveram à enchente e colonizaram outras partes do mundo.

Mais informações sobre a última era de gelo e o último dilúvio global são brevemente explicadas pelo Dr. Venu Gopalacharya. Em uma carta pessoal a mim (22 de julho de 1998), ele explicou que “há dezoito Puranas e sub-Puranas em sânscrito. De acordo com eles, somente aqueles que se estabeleceram sobre as mais altas montanhas da Ásia Central e ao redor do Mar Cáspio, isto após a quarta era de gelo, sobreviveram às geleiras e ao dilúvio. Durante o período do fim da quarta era de gelo e do grande dilúvio, houve 12 grandes guerras pelo domínio do globo. As regiões globais foram divididas em duas partes. Os adoradores das forças benéficas da natureza, ou Devas, estabeleceram-se do Mar Cáspio para o oceano oriental, e os adoradores das forças malignas da natureza ocuparam a terra a oeste do Mar Cáspio. Estes tornaram-se conhecidos como os assírios (Asuras), os Daityas (holandeses; dutch, em inglês), os Daiteyas (alemães; deutch, em inglês), os Danavas (dinamarqueses; danes, em inglês) e Danutusahs (celtas). Alguns deles migraram para o continente americano. Os maias, os toltecas e os regentes de Palenque (Patalalanke) são considerados como sendo os Asuras que migraram para Patala (terra abaixo), ou a terra dos imortais, Amaraka (Este é o sânscrito original do qual se deriva o nome América. Mara, em sânscrito, significa ‘morte’, amara significa ‘não morte’, ou ‘além da morte’). No dilúvio, a maior parte dessas terras foram submersas. Noé (Manu) e seus subordinados tornaram-se conhecidos como os Manavas, reinados pelos monarcas do globo. Eles foram sucessores de seus [de Manu] nove filhos e uma filha”.

Dr. Venu Gopalacharya continua essa linha de pensamento em seu livro World-Wide Hindu Culture and Vaishnava Bhakti (páginas 117-118). Ele explica mais detalhadamente como essa cultura védica continuou a se disseminar após o grande dilúvio. Foi sob a liderança dos príncipes da Dinastia Solar que um ramo dos indianos marchou para o oeste do rio Indo e ocupou a área de Abissínia e suas regiões circundantes ao redor dos rios Nilo, Gâmbia e Senegal. Os nomes de Abissínia e Etiópia são derivados de palavras que significam colônias de pessoas do Sindhu e dos Adityas ou Dinastia Solar. Podem-se reconhecer muitos nomes de lugares na Etiópia e ao redor dela que são derivados do sânscrito original. Assim, após o grande dilúvio, os nove filhos de Vaivasvata Manu (algumas referências dizem dez filhos) estavam reinando sobre as várias partes do globo. Eles e seus sucessores eram muito preocupados quanto ao estabelecimento dos princípios védicos de Sanatana-dharma, o caminho progressista de vida para a reobtenção e manutenção de nossa identidade espiritual e conexão com o Supremo. Esta foi a essência dos ensinamentos de Vaivasvata Manu. Isto foi especialmente ensinado e seguido pelos grandes regentes da Dinastia Solar que governaram de Ayodhya. Esses princípios incluíam a prática de verdade, não-violência, celibato, limpeza, não avareza e ganância, firmeza mental, paz, retidão e autocontrole, como exemplificados pelo Senhor Sri Rama e Seus ancestrais, como Sagara, Ambarisha, Dilipa, Raghu e Dasaratha. Isto é explicado na obra Raghuvamsha, de Kali Dasa, bem como em outros Puranas e Itihasas. Tal padrão tornou-se mais popular entre os antigos indianos do que entre outros povos em outras partes do mundo, e, por conseguinte, a Índia tornou-se o centro desse estilo de vida védico desde tempos imemoriais.

Muito infelizmente, muitos dos mais antigos registros, nos quais nós provavelmente poderíamos encontrar informações mais precisas sobre esta sorte de história primitiva, foram destruídos por revolucionários fanáticos na Alexandria, em Pusa, em Takshashila e em outros locais da Ásia Central e das Américas Central e do Sul. Eles o fizeram declarando que tais conhecimentos e registros eram desnecessários caso contivessem o que já estava em seus próprios livros religiosos, mas que deveriam ser destruídos caso tivessem algo diferente. Esta é a razão para as mitologias do Egito, da Babilônia, dos judeus, do Antigo Testamento e do sagrado Corão conterem apenas breves relatos de fatos pré-históricos antes de 2500 anos atrás, diferentemente das histórias muitíssimo ricas em detalhes que encontramos na literatura védica antiga e na literatura purânica.

Em todo caso, podemos começar a ver que os arianos védicos viveram na região da Índia desde o último dilúvio, aproximadamente de 13.000 a 10.000 a.C. Desta maneira, não pode ter havido nenhuma civilização pré-ariana nesta área a ser conquistada por assim chamados “arianos invasores” em 1500 a.C.

Valendo-nos das várias modalidades de evidência previamente fornecidas neste capítulo, está claro que o auge da Era Védica foi, certamente, muito antes de 3100 a.C., ou mesmo por volta dos anos 4000 e 5000 a.C., como acreditam alguns estudiosos.

Bal Gangadhar Tilak, com base em datação histórica, estima que os Vedas tenham existência desde 6000 a.C., enquanto que outros propõe uma datação entre 7000 e 8000 a.C. Visto que a cultura védica durante esse período exercia uma tradição oral, e a literatura ainda não havia sido colocada na forma escrita, os hinos básicos do Rg-Veda, e até mesmo o Atharva-Veda e outros, poderiam já ter existência há muitos milhares de anos. Tais Vedas eram usados na vida diária, como referência para a filosofia, a adoração e os rituais da sociedade. Eles eram, portanto, um produto altamente sofisticado de uma sociedade imensamente desenvolvida, e provavelmente datam da mais remota antiguidade. Ou, como a tradição em si explica, a essência do conhecimento védico foi dada à humanidade por Deus no momento da criação universal e sempre existiu.

Por volta do ano 3700 a.C., todos os principais livros do Rg-Veda já eram disponíveis e conhecidos. Tratava-se ainda, é claro, de uma tradição oral, e livros adicionais ainda poderiam ser adicionados. Um ponto de consideração a respeito disso é o fato de que o pai do grandioso Bishma foi Shantanu, a cujo irmão, Devapi, atribui-se muitos hinos do Rg-Veda. Isto não pode ter ocorrido muito antes de 3200 a.C. uma vez que Bhisma exerceu um papel proeminente na Guerra do Mahabharata em Kuruksetra, a qual se calcula ter ocorrido por volta de 3137 a.C. Outros cálculos podem ser feitos por meio da listagem dinástica disponível no Adi-Parva do Mahabharata. Com o auxílio da lista; de 3100 a.C., obtemos aproximadamente um adicional de 640 anos ou mais, remontando a Sudas e à Batalha dos Dez Reis, como se descreve no Rg-Veda. Isto nos remete ao ano 3730 a.C. O auge da Era Védica, por conseguinte, não pode receber uma data posterior a 3700 a.C.

A partir da literatura védica, também podemos constatar que o rio Sarasvati tem de ter estado em seu ápice por volta de 4000 ou 5000 a.C., se não antes. Este foi o período quando ele foi registrado no Rg e no Atharva-Vedas. Também foi este o período no qual a cultura védica estava se espalhando pelo mundo, seja por razão de comércio ou migração, ou em decorrência das degeneradas tribos que estavam sendo expulsas da região indiana. Algumas das primeiras tribos a deixarem a Índia podem incluir os Prithu-Parthavas (que, posteriormente, tornaram-se conhecidos como pártias), os Druhyus (que se tornaram os druidas), os Alinas (helenos, ou gregos antigos), os Simyus (sirmios ou albanianos antigos), os Chinas (chineses) e outros. Isto pode ter ocorrido por volta de 4500 a.C., como explicado por N. S. Rajaram em The Vedic Aryans and the Origins of Civilization (p. 210). Estes foram alguns dos primeiros arianos a criarem a mais antiga forma de sociedade indo-europeia. Eles levaram consigo seus costumes, línguas e rituais védicos, os quais gradualmente mudaram com o tempo em razão de sua falta de seriedade em seguir as tradições védicas ou em razão de sua perda de contato próximo com a terra natal ortodoxa. Isto certamente ajudaria a explicar as muitas similaridades linguísticas e culturais que encontramos hoje entre numerosas regiões do mundo, muitas das quais explicaremos posteriormente neste livro.

Durante o quarto milênio, por volta de 3800 a.C., o norte da Índia abundava em água, possuindo imensos rios, como o Indo, sentido norte; o Ganges, sentido leste, e o sistema central do rio Sarasvati-Dhrishadvati, que era abastecido pelo Sutleje e pelo Yamuna. O grande deserto Thar ainda não havia criado uma divisão entre o norte da Índia e as regiões ocidentais. Assim, tratava-se de uma única entidade cultural. Deste modo, a sociedade védica central cobria uma área muito mais extensa, e possuía uma influência muito maior do que a mera extensão territorial da Índia de hoje.

Entretanto, antes da Guerra do Mahabharata, o Yamuna havia mudado seu curso e não estava mais fluindo para dentro do Sarasvati, senão que desaguava no Ganga. No tempo do Mahabharata, ao redor de 3100 a.C., o Sarasvati é descrito em relação à peregrinação de Balarama (Shalya-Parva, 36-55) como ainda significativo em sua sacralidade, mas, de sua origem, ele fluía apenas pela extensão de uma viagem de quarenta dias a cavalo para dentro do deserto, onde desaparecia. Tudo o que foi deixado foram os locais sagrados que costumavam ficar às suas margens (como também se menciona em 3.80.84, 3.88.2 e 9.34.15-18). O Mahabharata também descreve a localização geográfica do rio afirmando que ele flui próximo a Kurukshetra (3.81.125). Informações similares, juntamente com o local onde o Sarasvati desaparece, Vinasana, são encontradas no Manu-samhita (2.21). Gradualmente, o deserto expandiu-se e as pessoas da região ocidental continuaram a migrar mais a oeste, perdendo contato com suas raízes védicas. Este fenômeno contribuiu para o avanço do desenvolvimento das comunidades sumérias e egípcias.

O próximo grande período de tempo posterior a 3100 a.C., ou antes, não apenas marca a era da Guerra do Mahabharata, o desaparecimento do Senhor Krishna e o começo de Kali-yuga, como marca o começo da fim da Era Védica. A guerra em Kuruksetra foi o começo do colapso da cultura védica e de seus contatos globais. Trata-se também do momento em que as principais porções restantes da literatura védica foram compiladas, o que foi realizado por Srila Vyasadeva, em razão do que Ele apareceu neste mundo. E, dado não ter havido nenhuma invasão ariana vindo para a Índia ou para a região do Sarasvati do Indo, como já estabelecemos, também é o período em que a civilização harappiana começou a se formar ou a alcançar o seu apogeu, caso já existisse. Além disso, este também foi o período das primeira e segunda dinastias do Egito, o que é corroborado pelo fato de que muitos acadêmicos acreditam que as pirâmides do Egito tenham sido construídas nessa época. Alguns estudiosos acreditam que a pirâmide Step de Sakkara, a 50 quilômetros de Guiza, foi construída aproximadamente há 5000 anos (por volta de 3000 a.C.), enquanto outros consideram que ela data de 2.650 a.C. Isto também sugere que a civilização suméria estava entrando em seu auge também neste período. Foi também quando os egípcios e sumérios contaram com os sistemas e fórmulas matemáticas dos Shulbasutras da Índia para sua arquitetura, para seus altares e para o planejamento urbanístico, como também revelam os sítios da civilização harappiana.

De 3000 a 2000 a.C., enquanto as pessoas continuavam a se espalhar da Índia para o ocidente, ainda havia muito contato entre a Índia e regiões como o Egito, a Suméria, a Mesopotâmia e outras. Contudo, a grande seca de 300 anos na área criou intensas dificuldades para todas essas civilizações. Muitos concordam que a civilização harappiana encontrou seu fim por volta de 2500 a 2200 a.C. Essa seca de 300 anos, e não invasores, foi a causa do começo do fim dos domínios harappianos, bem como daqueles da sociedade acádia. A civilização egípcia antiga também pode ter sido findada em razão dessa seca, deixando-nos apenas com remanentes de seus monumentos e escritos que ainda hoje estamos tentando compreender completamente. Seu povo provavelmente migrou em busca de melhores recursos. Além disso, entre 3000 e 2500 a.C. é também o período, de acordo com estimativas da arqueologia britânica, a que se atribui a chegada dos druidas e de seus sacerdotes na Bretanha. No entanto, os druidas ingleses clamam que sua origem é oriental e que data de antes de 3900 a.C., o que é mais de acordo com a versão védica.

No ano 2000 a.C., o Sutlej também já havia mudado o seu curso e fluía para o Indo, enquanto que o deserto crescia incessantemente. Isto deixou o Sarasvati com poucos recursos para continuar sendo o grande rio que um dia havia sido. Próximo de 1900 a.C., o rio Sarasvati, por fim, parou de fluir e secou completamente, contribuindo para a dispersão das pessoas da Índia setentrional para outros lugares, e tornando a região do Ganges a mais importante para a sociedade védica restante. Uma vez desaparecido o Sarasvati, o Ganga o substituiu como o mais sagrado dos rios.

O período posterior a 2000 a.C. foi de intensa migração dos arianos indianos para a Ásia Ocidental, para a Mesopotâmia, para o Irã e mais além. Houve a fundação dos cassitas, dos hititas, e mittanis, juntamente com os celtas, os cítios, etc.

A razão pela qual a população da Europa gradualmente se esqueceu de sua conexão com a Índia foi o fato dos contatos com a Índia terem-se reduzido aos gregos e romanos. Então, quando Alexandre e os gregos invadiram a Índia, os contatos foram reduzidos a quase zero por séculos. Em seguida, os romanos se tornaram cristãos, forçando o restante da Europa a também o ser. Isto deixou os árabes como os comerciantes primários com a Índia e a Europa, até que as guerras se desenvolveram entre os cristãos e os crescentes muçulmanos. Quando os muçulmanos capturaram Constantinopla na Turquia, eles controlaram todas as rotas comerciais entre a Europa e a Índia e forçaram os europeus a encontrarem uma rota marítima para a Índia. Isto levou ao “descobrimento” da América, da Austrália e de partes da África. Posteriormente, com a abertura das rotas comerciais com a Índia, missionários, novos invasores e assim chamados estudiosos começaram as novas conquistas. Com eles, também vieram novas versões da História, inventadas a fim de diminuir os verdadeiros herança e legado da Índia.

Conclusão

Este capítulo fornece evidências da verdadeira origem dos arianos védicos. Ele também deixa claro que é para o leste, especialmente a área da Índia, onde as origens da civilização avançada e a essência da religião e da filosofia espiritual podem ser traçadas. De lá, a influência ariana espalhou-se para muitas regiões e ainda pode ser reconhecida em numerosas culturas. Apenas algumas poucas pessoas de mente aberta que olham toda a perspectiva deste tipo de desenvolvimento religioso irão compreender a inerente unidade que o mundo e sua história possuem. Tal unidade é perturbada apenas pelos sentimentos imaturos, dogmáticos e autocentrados da humanidade em prol de superioridade regional e cultural. Vemos isso na propaganda que foi efetivamente usada pelos nazistas e que é atualmente usada pelos neonazistas e grupos supremacistas brancos, os quais agora empregam o mito moderno de que a localização original da raça ariana era na Europa setentrional. Deste modo, eles pressupõem que membros dessa raça são superiores a todas as outras raças em termos físicos, linguísticos, culturais e de capacidade mental. Este mito deve ser revisto, pois não há dúvidas de que as verdadeiras pessoas arianas originaram-se e espalharam-se a partir da região da Índia e do Vale do Indo, e não a partir da Europa.

Como muito bem explica N. S. Rajaram em Vedic Aryans and The Origins of Civilization (p. 247-248), “para concluir, agora está claro que existiu uma grande civilização – uma civilização basicamente espiritual, talvez – antes do surgimento do Egito, da Suméria e do Vale do Indo. A região vital e central desse mundo antigo foi a região do Indo ao Ganges – a terra dos arianos védicos”.

“Esta conclusão, derivada de descobertas científicas das últimas três décadas, destrói a teoria de que nômades arianos da Ásia Central teriam descido para as planícies da Índia no século segundo aEC e estabelecido sua civilização e composto o Rg-Veda. O retrato apresentado pela ciência, portanto, é muito diferente daquele encontrado nos livros de história que colocam o “berço da civilização” nos vales ribeirinhos da Mesopotâmia. A ciência moderna e os registros antigos também nos fornecem uma pista para uma incógnita histórica há muito sem resposta: por que, desde tempos imemoriais, povos da Índia e do Sri Lanka e povos da Inglaterra e da Irlanda falam línguas claramente relacionadas umas às outras e possuem mitologias e crenças tão notadamente similares?”.

“A resposta é simplesmente: eles eram parte de uma grande civilização que floresceu antes do surgimento do Egito, da Suméria e do Vale do Indo. Trata-se de uma civilização antes do nascer das civilizações”.

Também posso dizer que isto corrobora a história como ela é encontrada na literatura védica, especialmente no Rg-Veda e nos Puranas. Isto auxilia, portanto, na comprovação da autenticidade da cultura védica e de nossa premissa de que ela foi a civilização antiga original, uma sociedade espiritual que se valeu do conhecimento como dado por Deus desde o tempo da criação e posteriorizado pelos sábios que o seguiram. De acordo com um recente estudo racial, The History and Geography of Human Genes, confirmou-se que todas as pessoas da Europa, do Oriente Médio e da Índia pertencem a um único tipo de raça caucasiana, o que significa que elas têm que ter vindo de uma mesma fonte. Assim, somos todos descendentes dessa grande cultura védica, cujo centro é a Índia. À medida que mais evidências vierem à tona, elas apenas provarão como os relatos do Rg-Veda e dos Puranas são fidedignos e apontarão para a área da Índia setentrional como a terra original dos arianos védicos.

O ponto central de tudo isto é que mesmo que os muçulmanos, os cristãos, os judeus, os budistas, os hindus, etc. mantenham todos suas ideologias, lendas e tradições, deveríamos compreender verdadeiramente que todas essas lendas e concepções de Deus e de formas de adoração se referem, em última instância, ao mesmo Senhor Supremo e mesmos semideuses menores, conquanto possam ser tratados por diferentes nomes de acordo com as atuais variações regionais e culturais. Em outras palavras, todas essas doutrinas e fés são simplesmente desenvolvimentos da religião original e da adoração à Deidade suprema e única que se espalharam pelo mundo muito anos atrás a partir da mesma fonte básica, e que agora são expressas na forma das várias diferenças culturais do mundo. Portanto, independente de com qual religião nos identifiquemos pessoalmente, somos todos parte da mesma família. Somos meramente outro ramo da mesma árvore que pode ser traçada às raízes originais da pré-história do pensamento espiritual encontrado na cultura védica, a tradição filosófica e espiritual mais antiga e mais desenvolvida do mundo.

Se gostou deste material, também gostará destes: Vestígios Interculturais da Civilização Védica | A História Oculta da Humanidade | Existiu uma Eva?.

Se gostou deste material, também gostará do conteúdo destas obras:

veda Bhagavad gita luxo sri isopanisad

 

 

Anúncios