O Autocontrole nos Fará Livres

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A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(Trecho da obra Yoga: As 26 Qualidades de um Sábio)

É a austeridade que nos torna realmente humanos.

Tapa significa aceitar voluntariamente um pouco de inconveniências, austeridade. E o que é essa austeridade? Austeridade é seguir as regras e regulações através das quais se torna possível que nos elevemos à plataforma espiritual. Isso é necessário, independentemente de se você pratica hatha-yoga, jnana-yoga, dhyana-yoga, karma-yoga...

Tapa diz respeito a se aceitar voluntariamente um pouco de penitências. Por exemplo, tenho inclinação ao gozo dos sentidos, e tapasya [o mesmo que tapa] quer dizer que evito o gozo dos sentidos em excesso. O shastra [a escritura] não manda que se pare com o gozo dos sentidos. Ahara-nidra-bhaya-maithuna: comer, dormir, defender e acasalar. Se a lei da natureza permite o gozo dos sentidos para os animais inferiores, como os pássaros e as bestas, por que não ao homem? Contudo, isso deve ser feito sob controle: tapasya.

Por exemplo, se um homem se satisfaz com uma mulher, ou uma mulher se satisfaz com um homem, e vivem pacificamente, isso se chama tapasya, porque a inclinação natural é: “Quero desfrutar daquele homem ali também” ou “daquela mulher ali também”. Contudo, se você consegue ter controle, no sentido de ficar satisfeito com um homem ou uma mulher, isso se chama tapasya, austeridade, quando é feito voluntariamente, como uma autorrestrição.

No mundo material, toda entidade viva tem uma propensão natural para a vida sexual, para o consumo de carne e para a intoxicação. Essas propensões já estão presentes, não sendo necessário ensiná-las. Ninguém ensina na escola como desfrutar de vida sexual, pois todos já sabem. Assim, tais coisas são naturais. Então, por que os Vedas tolhem tais coisas? Esta deveria ser a pergunta: “Por que há casamento se a vida sexual acontece de qualquer maneira? Por que esses casamentos espetaculosos?” Alguém talvez questione isso. Contudo, é necessário. Os Vedas promovem o casamento, logo o casamento é algo védico. O objetivo é restringir, pois, por conta desse hábito, as pessoas pouco a pouco se comprometem com as leis da natureza material. Sexo ilícito traz gravidezes indesejadas, e isso, por sua vez, leva a abortos. Os envolvidos, então, ficam atrelados a esses pecados.

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O casamento é uma restrição necessária ao sexo porque o sexo irrestrito causa problemas.

Outro exemplo diz respeito à bebida alcóolica. Qualquer um é capaz de destilar uma bebida alcóolica em casa. Não se trata de algo muito difícil. Na Índia, as pessoas fazem isso. Chama-se dheno-mada. Mada significa “bebida alcóolica”, e dheno significa “arroz”. Do mesmo jeito que cozinhamos arroz para comer, você cozinha o arroz e o mantém na água por alguns dias, ou por um mês, e isso se torna bebida alcóolica. Por que o governo tem esta restrição: “Não! Você não pode fabricar bebida alcóolica; você tem que comprar na loja autorizada”? Por quê? Trata-se de uma restrição. Se o governo autorizasse as pessoas a destilarem em casa e beberem sua própria fabricação, não haveria limite. Todos beberiam.

Por que é preciso restringir? Porque se trata de algo nocivo. Ninguém restringe coisas boas: “Você não pode fabricar chapati [pão indiano].” Isso não acontece. Não existe uma lei desta espécie: “Não fabrique bons alimentos.” Contudo, quando é algo ruim, há restrições. Logo, há restrições para a vida sexual, há restrição para o consumo de vinho, há restrição para o consumo de carne e há restrição para os jogos de azar, porque tais coisas são ruins, e você não pode se tornar bom se envolvendo com coisas ruins.

Se alguém quer ser um membro iniciado de nossa sociedade da consciência de Krishna, primeiramente lhe solicitamos que se submeta a tapasya. Nos países ocidentais, em especial, é uma grande tapasya abandonar a vida sexual ilícita, a intoxicação, o consumo de carne e os jogos de azar. Embora exijamos apenas essas austeridades, é muito difícil segui-las. Na Europa e na América, entregar-se a luxos e à luxúria é o estilo de vida deles desde o começo. Cavalheiros indianos frequentemente vão para o Ocidente para aprender isso, e consideram que, com isso, estão mais avançados. Os indianos automaticamente aprendem tapasya por meio de sua cultura védica, mas vão para os Estados Unidos para se esquecerem dessa cultura e aceitarem outro tipo de vida. O fato real, porém, é que se alguém quer avançar na compreensão espiritual e solucionar todos os problemas da vida, tem que aceitar a vida de tapasya – austeridade e restrição.

Restrição é algo para os seres humanos; não para os animais. Encontramos restrições diariamente em nosso cotidiano. Não podemos dirigir à esquerda ou passar o sinal vermelho sem corrermos o risco de termos nosso carro apreendido pela lei. No entanto, se é um cachorro que caminha do lado esquerdo da pista ou cruza o sinal vermelho, ele não é punido, haja vista que é um animal. A lei, portanto, faz distinção entre seres humanos e animais, pois os seres humanos são aceitos como possuidores de uma consciência mais avançada. Se não seguirmos regras e regulações, caímos mais uma vez na vida animal. Aparentemente, existe a propaganda de se celebrar a liberdade como sendo o oposto de uma vida regulada, mas quem vê as coisas como elas são entende que liberdade de toda restrição é vida animal. Se queremos realmente nos ver livres de todos os problemas da vida, temos que aceitar uma vida de austeridade, seguindo as regras e regulações para a elevação espiritual.

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