Sabedoria Jedi: 4 Lições de Yoga com o Mestre Yoda

starwarsNrisimhananda Dasa

Neste artigo, vamos beber da mesma fonte que Luke teve acesso em seu período de formação como um defensor da Força e nos iluminar com as lições do Mestre Yoda.

(Este texto traz informações do filme expostas em trailers, teasers e sinopses.)

No Episódio VIII de Star Wars, vemos Luke Skywalker dividido entre a vergonha e o remorso pelo seu fracasso no treinamento de seu sobrinho e principal discípulo, Ben Solo, que acabou se convertendo no infame vilão Kylo Ren, e a necessidade de se tornar um mestre adequado para a jovem Rey, o maior trunfo da Resistência contra os avanços despóticos da terrível Primeira Ordem. Apesar da sua insegurança, pessimismo e cinismo, desenvolvidos a partir de seus atos falhos com Kylo Ren, Luke tem dentro de si tudo o que precisa para cumprir este papel porque ele mesmo aceitou em sua juventude um rígido treinamento Jedi do lendário Mestre Yoda.

Assim como na tradição Jedi, dentro da atemporal prática do yoga, a figura do guru é de fundamental importância. Esse instrutor, que conhece muito bem a filosofia espiritual, que tem se dedicado há anos a praticá-la e que é capaz de inspirar outros a fazerem o mesmo, só é exitoso em guiar seus pupilos porque ele mesmo se submeteu à disciplina imposta pelo seu próprio preceptor espiritual.

Vamos, então, beber da mesma fonte que Luke teve acesso em seu período de formação como um defensor da Força e nos iluminar com as lições do Mestre Yoda.

1. “Seres luminosos nós somos, não esta matéria bruta.”

Mesmo no século XXI, quando podemos sintetizar órgãos humanos em laboratório e mapear nossas sinapses nervosas em uma inteligência artificial, ainda somos inaptos a recriar vida em laboratório, o que nos faz pensar que de fato a consciência tem uma origem extrabiológica.
É exatamente isto que é explicado pelos Vedas e por Yoda: somos seres eternos, plenos de conhecimento e felicidade completa, mas, no atual momento, nossa pura consciência espiritual está encoberta por um invólucro material e temos experimentado efemeridade, ignorância e frustação. Yoga significa acessar essa poderosa natureza espiritual dentro de nós!

2. “O medo da perda um caminho para o lado obscuro é. A morte parte natural da vida é. Regozije-se com os que estão a sua volta e que se transformam na Força. Lamentá-los não. O apego leva ao ciúme. Sombra da ganância isto ser. Treine-se para deixar tudo o que teme perder.”

Se não somos o corpo e sim a consciência que habita nele, então isso significa que nossa existência não se extingue com a morte. Logo, enquanto devemos nos esforçar para cultivarmos o máximo de lealdade, gentileza, honestidade e amor em nossas relações neste mundo, devemos também estar sempre cientes de que todas elas são como pequenas e frágeis bolhas no oceano, que a qualquer momento podem expirar. Todos os relacionamentos neste mundo são como o encontro acidental de estranhos em uma viagem de ônibus, onde mesmo que haja alguma interação agradável entre duas pessoas, ela acabará quando uma delas alcançar o seu destino.

O apego a objetos e relações efêmeros é fonte de inevitável sofrimento, pois, quando eles saírem do nosso alcance, a frustação de tê-los possuído e depois perdido é pior do que a de nunca os ter tido. Assim, apenas mantém relacionamentos verdadeiramente saudáveis aquele que sabe que tanto ele quanto aqueles que ama são seres eternos, e que se identificar com um corpo temporário é se subestimar incrivelmente.

Essa é a lição de Yoda para o jovem e imaturo Anakin, que estava obcecado em proteger da morte sua amada Padmé, mesmo que para isso tivesse que ultrapassar qualquer limite moral e se entregar ao lado sombrio da Força. Como consequência, o próprio Anakin acabou sendo o estopim para a série de eventos que desencadearam a morte prematura de Padmé.

A corrupção de Anakin e sua transformação no trágico Darth Vader seguem o algoritmo da decadência moral revelado por Krishna, o pai do yoga: “Ao contemplar os objetos temporários, a eles nos apegamos. Do apego vem a luxúria, e da luxúria vem a ira. Da ira vem a ilusão, e a ilusão turba a memória. Com a perda da memória, perde-se a inteligência e cai-se no poço escuro da ignorância.”

3. “Um Jedi deve ter o compromisso mais profundo, a mente mais séria. Há muito tempo que eu o observei. Durante toda a vida ele desviou o olhar para o futuro, para o horizonte. Nunca estava pensando em onde ele estava. Hmm… O que ele estava fazendo?”

Quando Yoda explica para Luke o motivo da queda de seu pai, ele aponta o fato de ele obstinadamente tentar controlar o próprio futuro, ao invés de por sua atenção e concentração no presente. O erro de Anakin encontra eco na vida de milhões de pessoas; basta ver o quanto técnicas de mindfulness (atenção plena) estão se popularizando.

Quem vive acorrentado a um futuro que nunca chega naufraga em um oceano de lamentações, pois o verdadeiro sentido da vida não se encontra em acumular uma galeria de sucessos transitórios e, sim, em se aprimorar como ser humano, refinar seu caráter e amar e ajudar o próximo. Isso só é possível para quem extrai lições de todos os eventos de sua vida.

Apenas quem entende que toda a criação foi diretamente orquestrada por Deus para nosso aprendizado consegue atingir total felicidade interior e se manter sóbrio e resiliente diante das naturais dificuldades da vida, se mantendo grato tanto na prosperidade quanto nos revezes, pois sabe que ambos são poderosos pedagogos.

4. “Vergonha do seu passado ter você não deve. Aprender com ele é tudo.”

Quando Luke experimenta profunda angústia em seu exílio em Ahch-to, o mestre Yoda vem em auxílio de seu discípulo e o orienta a não tentar fugir dos seus demônios interiores, senão que ele deveria encará-los de frente e superá-los, abrindo assim o caminho para que a Força possa se manifestar em plenitude no seu ser. Quando ingressamos no caminho do yoga e embarcamos em nossa própria jornada espiritual, as sombras que existem em nós naturalmente se manifestarão. Como diz o famoso ditado: “Quanto mais eu rezo, mais assombração me aparece.”

Segundo a sabedoria do yoga, todos os nossos atos egoístas de vidas passadas geram profundas reações cármicas; cicatrizes na nossa mente que definem nossa atual personalidade. E junto de toda essa bagagem de karma, vem também o dharma, o dever que move cada um, a habilidade ou vocação especial que nasce conosco e que insiste em se manifestar na forma de constantes chamados à ação. Só se situa na paz e na transcendência aquele que cumpre seu dharma, abandonando a comodidade de uma vida simplória e previsível e abraçando as incertezas e dores naturais do processo evolutivo.

Uma vez que o dharma visa corrigir a mentalidade egoísta de um indivíduo, de nada adianta tentarmos cumprir os deveres que estão destinados a outrem. É melhor realizar nosso papel com falhas do que viver a vida de outro. E é assim, mantendo-se firme no caminho do dharma, a despeito de todas as dualidades que surjam, que alguém pode atingir o ápice do yoga: comunhão amorosa com Deus e todas as demais entidades vivas.

Que a Força esteja com você!

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