Uma Solução para Todos os Problemas

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

A civilização védica define a vida humana como a busca por findar o sofrimento de forma permanente.

Segundo a civilização védica, qualquer um que não seja indagador quanto à solução para os problemas da vida não é realmente um ser humano. Existem muitíssimos problemas, mas os animais não podem perguntar sobre como solucioná-los. Isso, porém, é possível ao ser humano. Assim sendo, a menos que a pessoa chegue a este ponto de fazer perguntas referentes a como esses problemas podem ser resolvidos, ela ainda não se desenvolveu até a consciência humana, mas continua em consciência animal.

Civilização humana, civilização avançada, significa tentar solucionar os problemas. Por exemplo, no momento atual, o mundo tem bombas atômicas, e todas as nações estão ansiosas por manter a paz. Eles criaram as Nações Unidas para solucionar o problema trazido pelas bombas atômicas. Embora não sejam capazes de manter a paz, estão tentando. Deste modo, o avanço civilizacional significa que estamos tentando solucionar os problemas que naturalmente se fazem presentes. Outro exemplo: Por que existe metrô? Porque na superfície há muito trânsito, e a solução é ir para debaixo da terra. Portanto, as pessoas talvez pensem: “Oh! Os países ocidentais avançaram mais do que os países orientais. Eles resolveram o problema do trânsito.” Mas, depois desse problema, há outro problema – um problema após o outro.

O problema derradeiro é que não queremos sofrer. Apenas isso. Queremos uma vida confortável e em paz. Esse é o problema último, não é verdade?

Na língua sânscrita, é dito, atyantika-duhkha-nivrttin: “Solucionar o problema do sofrimento.” Não queremos nenhum tipo de sofrimento, senão que queremos uma vida pacífica e jubilosa. O problema é que isso não é possível dentro do mundo material.

Por natureza, a entidade viva quer uma vida feliz. Anandamayo ’bhyasat (Vedanta-sutra 1.1.12). Abhyasat quer dizer que, por tendência natural, os seres vivos querem uma vida feliz. Mas isso não é possível aqui. Um poeta bengali escreveu: “Construí uma casa para viver ali com muita paz e conforto. De repente, houve um incêndio, e agora tudo se acabou.” Nos Estados Unidos, eles têm a experiência de que o Sr. Kennedy se tornou presidente após muita peleja. Ele tinha uma ótima esposa, filhos, honra, prestígio – tudo. As pessoas o tinham como um homem muito feliz. Dentro de um segundo, tudo isso se acabou. Ele estava em um carro, em uma procissão, e as pessoas o honravam, e, dentro de um segundo: acabado.

Presidente Kennedy, na limusine presidencial, minutos antes de ser assassinado.

Todos estão tentando ficar muito felizes, confortáveis, mas isso se acaba dentro de um segundo. Isso não é fato? Alguém discordaria do ponto de que esse é o problema? E todos estão tentando solucionar esse problema à sua própria maneira. Estão inventando diferentes coisas para isso, mas o problema continua sem solução. Nos Estados Unidos, sempre que me encontro com algum cavalheiro na rua e ele entende que estou vindo da Índia, ele diz: “Ah! A Índia é muito pobre.” Como se não houvesse problemas nos Estados Unidos! Então, eu digo: “Vocês também têm muitos problemas. Você não está livre disso.”

Suponha que você tem certa dor em algum lugar no seu corpo. Algumas vezes, nós pensamos: “Se a dor estivesse em outro lugar, isso seria bom.” Todavia, aqui ou ali, continua sendo dor. Um país talvez tenha o problema de não ter grãos o bastante, e outro país talvez tenha o problema de ter hippies demais, mas, em qualquer caso, existe um problema. Por isso, a pessoa deve ser muito atenta para saber como solucionar os problemas.

Na verdade, estamos tentando. Estamos tentando avançar em educação, em conhecimento científico. De muitas maneiras, estamos tentando, porque a natureza material está apresentando um problema após o outro. Este é o afazer da natureza: você soluciona um problema e ela apresentará outro problema. Alguém pensou: “Se existissem aviões, seria maravilhoso voar pelo céu.” Contudo, agora o problema é que, com aviões, se há um inimigo, um país pode bombardear o outro. Assim: outro problema.

A invenção do avião solucionou alguns problemas e trouxe outros novos.

Agora as pessoas têm que ir para o subterrâneo. Eu estava lendo no World Almanac que, nos próximos cem anos, as pessoas viverão no subterrâneo. Virão até a superfície apenas para respirar um pouco livremente. Do contrário, terão que viver debaixo da terra. Assim, outro problema está prestes a chegar. Porém, pessoas inteligentes devem pensar em relação a como solucionar o problema derradeiro.

Qual é a reposta? Como o problema derradeiro pode ser solucionado é descrito na Bhagavad-gita (7.14):

daivi hy esa guna-mayi
mama maya duratyaya
mam eva ye prapadyante
mayam etam taranti te

“Esta Minha energia divina, que consiste nos três modos da natureza material, é difícil de ser superada. Porém, aqueles que se renderam a Mim podem facilmente transpô-la.”

A solução é nos rendermos ao Supremo. Se a polícia prende você, é muito difícil se soltar das garras deles. Contudo, se você for um bom cidadão, uma alma rendida ao estado, não existe nenhum problema. A polícia não tem nenhum assunto a tratar com você. Isso é difícil de entender?

Os problemas existem, e os problemas estão sob a administração desta natureza material. Não é possível superar as estritas leis da natureza material, assim como não é muito fácil se livrar uma vez que a polícia tenha pegado você. Se você quer se ver livre das garras da natureza material, que está trazendo um problema após o outro, você tem que se tornar uma alma rendida, ou consciente de Krishna. De outro modo, a natureza material é muito forte. Você pensa: “Agora esse problema está resolvido.” Porém, na verdade, você não resolveu nada, porque outro problema virá.

O Problema Derradeiro

O problema derradeiro é, certamente, a morte. Ninguém quer morrer. Mesmo se alguém é muito idoso e tem um corpo inválido, mesmo se tem um corpo que não é mais capaz de andar, mas que fica apenas deitado na cama, ele quer viver.

Se você disser a um homem idoso e inválido, sofrendo com muitas doenças, estas palavras: “Meu caro pai, caro avô, você está sofrendo muito. Me permita dar um tiro em você.” Ele dirá: “Não! Não! Não! Não! Não atire em mim!”

Ele não quer morrer. A morte é o problema. Ninguém quer morrer, mas a morte vem e nos captura, tal qual fez com o presidente Kennedy, dentro de um segundo. “Deixe essa posição.” E ele é obrigado, é submetido a isso. “Sim. O que eu posso fazer?”

Nenhum avanço de conhecimento científico pode nos proteger. Os cientistas materiais estão tentando. Os russos, por exemplo, às vezes dizem: “Chegará um momento em que a ciência solucionará o problema da morte. Ninguém morrerá.” Deixemos que pensem assim, mas isso não é possível.

Isto é afirmado na Bhagavad-gita (13.9), janma-mrtyu-jara-vyadhi-duhkha-dosanudarnanam: “A percepção do mal que há em nascimento, morte, velhice e doença.” Quem é realmente erudito, avançado em conhecimento, deve conhecer esses quatro sofrimentos. O sofrimento de nascer significa que, depois que este corpo se acabe, teremos que receber outro corpo. Como esse corpo se constrói, se desenvolve? No ventre da mãe. O pai proporciona o sêmen com a entidade viva dentro dele, e a mãe o recebe e desenvolve o corpo. Essa é a lei da natureza. Você tem que viver dentro do ventre compacto e hermético por dez meses [lunares], pelo menos. Imagine você preso dentro de um saco, e esse saco é colocado dentro de um compartimento sem ar, trancado… Você desejaria morrer nos próximos três segundos. Contudo, o arranjo é tão perfeito que, pela lei da natureza, a criança respira com a respiração da mãe e se alimenta quando a mãe come. Mesmo quando a criança está inconsciente, o desenvolvimento do corpo prossegue. Esse é o arranjo da natureza, mas você não pode fazer isso. É pela graça de Deus que a criança vive. De outro modo, ninguém pode viver em semelhante condição. Faça o teste: pegue um homem, o embale e o coloque em um lugar fechado e sem ar. Ele morrerá dentro de três segundos.

Krishna afirma que uma pessoa avançada em conhecimento percebe o mal que há em nascer, morrer, envelhecer e adoecer.

Também há sofrimento quando você morre, quando você fica doente e quando você fica idoso. Eu sou idoso, e de alguma forma estou mantendo este corpo mediante massagens, remédios e outras coisas. Meu corpo não é mais como o corpo de um jovem. É um corpo de sofrimento. Por natureza, tão logo você tem mais de cinquenta anos, a velhice começa. E quando você tem mais de setenta anos, você está completamente idoso, e você tem que sofrer as consequências da velhice. Uma vez idoso, você pode tentar manter o corpo, mas há sofrimento. Um jovem não pode entender isso, mas quem é idoso pode entender.

Sofrimento da velhice, sofrimento do nascimento, sofrimento da morte e sofrimento da doença. Você talvez tenha orgulho de seu avanço no campo do conhecimento, pensando que você solucionou todas a questões, mas, na Bhagavad-gita, Krishna diz: “Não pense assim. Essa é a sua tolice. Esses problemas continuam presentes. O que você pode fazer?” Eis o ponto a ser aprendido: “Sim. Os problemas não estão solucionados. Os problemas persistem.”

Quando coelhos ficam diante de um caçador e entendem isto: “Agora minha vida está em perigo”, fecham seus olhos e, então, pensam: “O problema agora está resolvido”, e é morto pacificamente. De modo similar, os problemas estão presentes, mas estamos fechando nossos olhos: “Ah! Não existe problema algum. Estamos muito felizes. Isso se chama maya, ilusão. O problema não está resolvido, mas eles acham que seu problema está resolvido porque fecharam os olhos, e apenas isso.

A Solução do Senhor Krishna

Aqui está a solução para o problema: Como Krishna diz na Bhagavad-gita (7.14): “É muito difícil superar os problemas oferecidos pela natureza material, mas quem se rende a Mim pode superá-los.”

Portanto, estamos ensinando a consciência de Krishna para solucionar os problemas da vida. Não se trata de sentimento, fanatismo ou uma religião sectária. É fato que, se você quer solucionar os problemas da vida, você tem que se tornar consciente de Krishna. Não existe alternativa. Uma canção bengali diz: “Simplesmente cante Hare Krishna. Todas as outras soluções são falsas. Você não pode escapar. A morte está esperando bem atrás de você.” Antes que a morte carregue você, solucione o problema. Isso é inteligência. “O grande perigo é que a morte está esperando por mim.” Isso é certo. Todos sabem.

Como nos encontraremos com a morte? Como gatos e cachorros? Em caso positivo, qual é a utilidade desta forma humana de vida? Os gatos e cachorros também têm seu corpo e se encontrarão com a morte. Eu tenho um corpo e me encontrarei com a morte. Então, me destino a me encontrar com a morte como os gatos e cães? Se é esse o caso, que tipo de ser humano eu sou? No Srimad-Bhagavatam (11.9.29), é dito:

labdhva su-durlabham idam bahu sambhavante
manusyam artha-dam anityam apiha dhirah
turnam yateta na pated anu-mrtyu yavan
nihsreyasaya visayah khalu sarvatah syat

“Após muitos e muitos nascimentos e mortes, obtém-se a rara forma de vida humana, a qual, embora temporária, confere à pessoa a oportunidade de alcançar a perfeição mais elevada. Assim, um ser humano sóbrio deve rapidamente se esforçar pela perfeição última da vida enquanto seu corpo, que está sempre sujeito à morte, não decai e morre. Afinal, a gratificação dos sentidos está disponível mesmo nas espécies de vida mais abomináveis, ao passo que a consciência de Krishna é possível somente a um ser humano.”

Existe um processo evolutivo. Isso é admitido na literatura védica. Porém, não exatamente como a teoria de Darwin. Existe evolução do ser vivo do grau mais baixo de vida animal até o grau mais alto, e obtivemos essa forma humana de vida após muitos e muitos graus inferiores de vida. Ela é muito rara. Existem 8.400.000 espécies de vida. Dessas, as espécies humanas são 400.000. Em comparação com os outros animais, é um número bem pequeno.

Desses, há muitos seres humanos incivilizados, os quais são quase animais. Então, existem os seres humanos civilizados, como nós. Desses, muitos não sabem o que é vida espiritual. Isto é declarado na Bhagavad-gita (7.3): “Dentre muitos milhares de seres humanos, um se interessa por solucionar os problemas da vida.” Não são todos que o fazem. A maioria nem sabe qual é o problema. Tampouco se importam com isso. Pensam: “Tudo bem os problemas estarem por aí. Temos esta vida; vamos desfrutar dos nossos sentidos.” São quase animais. Mas aqueles que são indagadores em relação a como solucionar o problema são aceitos como seres humanos de fato. Os outros são quase animais.

Morrendo como um Brahmana

Agora você tem essa oportunidade. Este corpo deve ser utilizado apropriadamente para solucionar o problema. Se simplesmente nos entregarmos às ondas de nascimentos e mortes, a diferentes tipos de corpo, isso não será uma inteligência muito boa. Na verdade, é completa ausência de inteligência. Esta forma humana de vida deve ser utilizada para solucionar o problema. Essa é a meta da civilização védica, que enfatiza a solução dos problemas, e não a criação de problemas.

O estilo de vida materialista visa ampliar e criar problemas. Isso não é a civilização humana perfeita. A civilização humana perfeita é se sentar com muita calma e serenidade e pensar filosoficamente: “Como solucionar o problema? Onde irei obter o conhecimento?” Isso é vida humana. Toda a instrução védica é assim: “Agora você tem que utilizar essa forma de vida para trazer uma solução. Não morra como gatos e cachorros.”

O Veda diz: “Quem morre depois de tentar solucionar os problemas da vida é brahmana, e quem morre como os gatos e cachorros é kripana.” Kripana diz respeito a alguém muito pouco inteligente.

Não devemos morrer como gatos e cachorros. Devemos morrer como um brahmana. Mesmo se você não solucionar o problema em uma vida, você tem outra oportunidade em sua próxima vida. Deve-se entender que os rapazes e as moças que nos procuram tentaram em sua vida passada solucionar esse problema, mas não concluíram. Agora, têm outra oportunidade. Isso é afirmado na Bhagavad-gita.

Agora, nesta vida, você deve ser determinado. “Nesta vida, solucionarei. Não voltarei mais.” Essa deve ser nossa determinação, e voltar ao lar, voltar ao Supremo, onde obteremos uma vida de conhecimento, eterna e bem-aventurada. Essa é a essência do movimento da consciência de Krishna.

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