Dhruva Maharaja: A História de uma Criança Determinada

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)1

Maitreya Rishi

Uma das histórias mais tocantes e instrutivas da Índia antiga, ilustrada por belíssimas pinturas de artistas ocidentais. Emocione-se com a jornada do garotinho de cinco anos que deixa um lar de desafetos em busca de Deus.

Descreverei agora os descendentes de Svayambhuva Manu, que nasceu de uma parte de uma expansão plenária da Suprema Personalidade de Deus.

Svayambhuva Manu teve dois filhos com sua esposa, Shatarupa, e os nomes dos filhos foram Uttanapada e Priyavrata. Por serem ambos descendentes de uma expansão plenária de Vasudeva, a Suprema Personalidade de Deus, eles eram muito competentes para governar o universo com a finalidade de manter e proteger os cidadãos. O rei Uttanapada tinha duas rainhas, chamadas Suniti e Suruchi. Suruchi era muito mais querida pelo rei; Suniti, cujo filho chamava­-se Dhruva, não era sua favorita.

Certa vez, o rei Uttanapada acariciava Uttama, o filho de Suruchi, tendo-o sentado em seu colo. Embora Dhruva Maharaja também tentasse subir ao colo do rei, este não o acolheu muito bem. Enquanto o menino, Dhruva Maharaja, procurava subir ao colo de seu pai, Suruchi, sua madrasta, ficou com muita inveja da criança e, cheia de orgulho, colocou-se a falar de modo a ser ouvida pelo próprio rei.

A rainha Suruchi disse a Dhruva Maharaja: “Meu caro menino, tu não mereces sentar-te no trono ou no colo do rei. Certamente também és filho do rei, mas, por não teres nascido de meu ventre, não estás qualificado para sentar-te no colo de teu pai. Meu caro menino, não estás ciente de que não nasceste de meu ventre, porém de outra mulher. Portanto, deves saber que tua tentativa está condenada ao fracasso. Estás tentando satisfazer um desejo que é impossível de ser realizado. Se desejas realmente elevar-te ao trono do rei, terás de submeter-te a rigorosas austeridades. Antes de mais nada, deverás satisfazer a Suprema Personalidade de Deus, Narayana, e depois, quando fores favorecido por Ele devido a tal adoração, terás de nascer da próxima vez do meu ventre”.

Assim como uma serpente, quando golpeada por uma vara, respira muito pesada­mente, Dhruva Maharaja, tendo sido golpeado pelas ásperas pala­vras de sua madrasta, começou a respirar muito pesadamente devido à grande ira. Ao ver que seu pai mantinha-se calado e não protestava, ele imediatamente deixou o palácio e foi ter com sua mãe.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)2

Dhruva Maharaja deixa o palácio após a ofensa de sua madrasta e o silêncio de seu pai.

Quando Dhruva Maharaja encontrou-se com sua mãe, seus lábios tremiam de raiva, e ele chorava de modo comovente. A rainha Suniti imedia­tamente pegou seu filho no colo, enquanto os residentes do palácio que tinham ouvido todas as palavras ásperas de Suruchi relataram tudo com pormenores. Assim, Suniti também ficou muito pesarosa.

Este incidente foi insuportável para a paciência de Suniti. Ela começou a arder como que num incêndio florestal e, em sua aflição, tornou-se como uma folha queimada e colocou-se a lamentar. Con­forme se lembrava das palavras de sua coesposa, seu brilhante rosto de lótus enchia-se de lágrimas. Ela também respirava muito pesadamente, sem saber qual era o verdadeiro remédio para aquela situação dolorosa. Não encontrando remédio algum, ela disse a seu filho:

“Meu querido filho, não desejes nada de inauspicioso para os outros. Todo aquele que in­flige dor aos outros sofre ele mesmo esta dor. Meu querido filho, tudo o que Suruchi falou é verdade, porque o rei, teu pai, não me considera sua esposa, e mesmo sua criada. Ele se envergonha de me aceitar. Portanto, é um fato que nasceste do ventre de uma mulher desventurada, e cresceste alimen­tando-te do seio dela. Meu querido filho, tudo o que Suruchi, tua madrasta, falou, embora muito duro de ouvir, é verdade. Portanto, se desejas realmente sentar-te no mesmo trono que teu meio-irmão, Uttama, aban­dona tua atitude invejosa e imediatamente procura executar as instruções de tua madrasta. Sem mais demora, deves ocupar-te em adorar os pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus”.

Suniti continuou: “Tão grandiosa é a Suprema Personalidade de Deus que, simplesmente adorando Seus pés de lótus, teu bisavô, o Senhor Brahma, adquiriu as qualificações necessárias para criar este universo. Embora seja não-nascido e o líder de todas as criaturas, ele está situado naquele posto elevado por causa da misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, quem mesmo grandes yogis ado­ram, controlando a mente e regulando o ar vital”.

Suniti informou a seu filho: “Teu avô Svayambhuva Manu executou grandes sacrifícios com distribuição de caridade e, deste modo, com fé e devoção inquebrantáveis, adorou e satisfez a Suprema Per­sonalidade de Deus. Agindo dessa maneira, ele obteve o mais alto su­cesso em felicidade material e, depois disso, logrou a libertação, a qual é impossível de ser alcançada adorando os semideuses. Meu querido filho, deves também refugiar-te na Suprema Personalidade de Deus, que é muito bondoso para com Seus devotos. As pessoas que buscam a libertação do ciclo de nascimentos e mortes refugiam-se sempre aos pés de lótus do Senhor em serviço devocional. Purificando-te mediante a execução da ocupação a ti desig­nada, simplesmente situa a Suprema Personalidade de Deus em teu coração e, sem te desviares por um momento, ocupa-te sempre a serviço dele”.

Disse ainda, por fim: “Meu querido Dhruva, quanto a mim, não encontro ninguém que possa mitigar tua aflição além da Suprema Personalidade de Deus, cujos olhos são como pétalas de lótus. Muitos semideuses tais como o Senhor Brahma buscam o prazer da deusa da fortuna, mas a própria deusa da fortuna, com uma flor de lótus em sua mão, está sempre pronta a prestar serviço ao Senhor Supremo”.

A instrução de Suniti, a mãe de Dhruva Maharaja, destinava-se realmente à satisfação de seu objetivo. Portanto, após deliberada consideração e com inteligência e determinação fixa, ele deixou a casa paterna.

O grande sábio Narada tomou conhecimento desse acontecido e, compreendendo todas as atividades de Dhruva Maharaja, ficou maravilhado. Ele aproximou-se de Dhruva e, tocando a cabeça do menino com sua mão plenamente virtuosa, falou como segue:

“Quão maravilhosos são os poderosos kshatriyas. Eles não podem tolerar nem mesmo uma leve ofensa contra seu prestígio. Incrível! Esse menino é apenas uma criança, mas as palavras ásperas de sua madrasta tornaram-se insuportáveis para ele”.

O grande sábio Narada lhe disse: “Meu querido menino, não passas de uma criança cujo apego é a folguedos e outras frivolidades. Por que te deixaste afetar por palavras que feriram tua honra? Meu querido Dhruva, se sentes que tua honra foi ferida, ainda assim não tens motivo para insatisfação. Essa classe de insatisfação é mais um aspecto da energia ilusória; todas as entidades vivas são controladas por suas ações anteriores, daí existirem diferentes variedades de vida, de gozo ou de sofrimento. O processo da Suprema Personalidade de Deus é deveras maravilhoso. Quem é inteligente deve aceitar este processo e contentar-se com qualquer coisa que venha, favorável ou desfavorável, por Sua vontade suprema”.

Narada prosseguiu: “Agora resolveste te submeter ao processo místico de meditação de acordo com a instrução de tua mãe, simplesmente para alcançar a misericórdia do Senhor, porém, na minha opinião, tais austeridades não são possíveis para nenhum homem comum. É muito difícil satisfazer a Suprema Personalidade de Deus. Após tentar esse processo por muitos e muitos nascimentos e permanecerem desapegados da contaminação material, colocando-se continuamente em transe e praticando mui­tas espécies de austeridades, muitos yogis místicos mostraram-se incapazes de encontrar o fim do caminho da compreensão de Deus. Por esta razão, meu querido menino, não deves esforçar-te por isso: não lograrás o sucesso. É melhor ires para casa. Quando estiveres crescido, pela misericórdia do Senhor, obterás uma opor­tunidade de executar essas realizações místicas. Poderás, então, dedicar-te a esse processo”.

“Todos devem tentar manter-se satisfeitos em qualquer condição de vida — seja na aflição, seja na felicidade — que a vontade suprema lhes ofereça. Alguém que persevere dessa maneira é capaz de cruzar a escuridão da ignorância com muita facilidade. Todo homem deve agir assim: ao encontrar uma pessoa mais qua­lificada do que ele, deve ficar muito satisfeito; ao encontrar uma pessoa menos qualificada, deve ter compaixão dela, e, ao encontrar uma pessoa igual, deve fazer amizade com ela. Dessa maneira, jamais será afetado pelas três espécies de misérias deste mundo material”.

Dhruva Maharaja disse: “Meu querido Senhor Naradaji, para uma pessoa cujo coração está perturbado pelas condições materiais de felicidade e aflição, tudo o que tão amavelmente acabastes de explicar sobre como atingir a paz de espírito é decerto uma exce­lente instrução. Quanto a mim, todavia, estou coberto pela ignorância, e essa espécie de filosofia não toca meu coração. Meu querido senhor, sou muito insolente por não aceitar vossas instruções, mas a culpa não é minha. Devo isso ao fato de ter nascido em família de kshatriyas. Minha madrasta, Suruchi, trespassou-me o coração com suas palavras ásperas. Portanto, vossas valiosas ins­truções não penetram em meu coração. Ó brahmana erudito, meu desejo é ocupar uma posição mais elevada do que qualquer posição já atingida dentro dos três mundos por qualquer pessoa, mesmo por meus pais e avós. Por favor, fazei-­me o obséquio de aconselhar-me sobre um caminho honesto a se­guir, pelo qual eu possa alcançar a meta de minha vida. Meu querido senhor, és um digno filho do Senhor Brahma, e viajas tocando teu instrumento musical, a vina, para o bem-estar de todo o universo. És como o Sol, que gira no universo para o benefício de todos os seres vivos”.

A grande personalidade Narada Muni, ao ouvir as palavras de Dhruva Maharaja, ficou com muita compaixão dele e, a fim de demonstrar-lhe sua misericórdia imotivada, deu-lhe o seguinte bom conselho:

“A instrução dada por tua mãe, Suniti, de seguires o caminho do serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus, é justamente adequada para ti. Portanto, deves absorver-te inteiramente no serviço devo­cional ao Senhor. Qualquer pessoa que deseje os frutos dos quatro princípios – religiosidade, desenvolvimento econômico, gozo dos sentidos e, finalmente, libertação — deve ocupar-se em serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus, pois a adoração a Seus pés de lótus produz a satisfação de todos esses desejos. Meu querido menino, desejo-te, pois, toda a boa fortuna. Deves ir até a margem do Yamuna, onde existe uma floresta sagrada chamada Madhuvana, e ali purificar-te. Simplesmente por ir até lá, uma pessoa aproxima-se mais da Suprema Personalidade de Deus, que sempre vive ali”.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)3

Narada, movido por compaixão, instrui Dhruva Maharaja.

Narada Muni instruiu: “Meu querido menino, nas águas do rio Yamuna, que é conhecido como Kalindi, deves tomar três banhos diariamente porque essa água é muito auspiciosa, sagrada e limpa. Após banhar-te, deves executar os princípios reguladores necessários para o astanga-yoga e, então, sentar-te em teu asana [assento] numa posição calma e silenciosa. Após sentar-te em teu assento, pratica as três espécies de exercícios respiratórios e, assim, gradualmente, controla o ar vital, a mente e os sentidos. Liberta-te inteiramente de toda a contaminação mate­rial e, com grande paciência, começa a meditar na Suprema Perso­nalidade de Deus”.

Narada Muni descreveu, então, a forma do Senhor: “O rosto do Senhor é perpetuamente belíssimo e de expressão agradável. Para os devotos que O veem, Ele nunca parece insatisfeito, e está sempre disposto a conceder-lhes bênçãos. Seus olhos, Suas sobrancelhas bem decoradas, Seu nariz empinado e Sua ampla testa são todos belíssimos. Ele é mais belo que todos os semideuses. A forma do Senhor é sempre jovem. Todo membro e cada parte do Seu corpo têm boa aparência, livres de defeitos. Seus olhos e Seus lábios são rosados como o Sol nascente. Ele está sempre disposto a conferir abrigo à alma rendida, e qualquer pessoa que tenha a fortuna de contemplá-lo sente plena satisfação. O Senhor é sempre digno de ser o mestre da alma ren­dida, pois Ele é o oceano de misericórdia”.

“Descreve-se ainda o Senhor como portador da marca de Srivatsa, ou o assento da deusa da fortuna, e Sua compleição corpórea é de cor azulada profunda”, continuou Narada. “O Senhor é uma pessoa, usa guirlanda de flores e manifesta-Se eternamente com quatro mãos, que seguram o búzio, a roda, a maça e a flor de lótus. Todo o corpo da Suprema Personalidade de Deus, Vasudeva, é enfeitado. Ele usa um precioso elmo incrustado de joias, bem como colares e braceletes. Seu pescoço é adornado com a joia Kaustubha, e Ele Se veste com roupas de seda amarela. O Senhor está decorado com pequenos sinos dourados em volta de Sua cintura, e Seus pés de lótus são enfeitados com sinos de tornozelo dourados. Todos os aspectos de Seu corpo são muito atrativos e agradáveis aos olhos. Ele é sempre pacífico, calmo e tranquilo e muito agradável aos olhos e à mente”.

“Os verdadeiros yogis meditam na forma transcendental do Senhor enquanto Ele permanece no verticilo do lótus de seus corações, à luz das unhas de Seus pés de lótus, unhas estas semelhantes a pedras preciosas. O Senhor está sempre sorrindo, e o devoto deve constantemente ver o Senhor nessa forma, na qual Ele olha muito misericordiosamente para o devoto. Dessa maneira, o meditador deve contem­plar a Suprema Personalidade de Deus, o outorgador de todas as bênçãos. Aquele que medita dessa maneira, concentrando a mente na sempre auspiciosa forma do Senhor, liberta-se muito prontamente de toda a contaminação material, e não decai da meditação no Senhor”.

“Ó filho do rei, agora falar-te-ei o mantra que deve ser cantado juntamente com esse processo de meditação. Aquele que cuidadosamente canta este mantra por sete noites pode ver os seres huma­nos perfeitos que voam pelo céu. Om namo bhagavate vasudevaya. Esse é o mantra de doze sílabas para adorar o Senhor Krishna. Deve-se instalar as formas físicas do Senhor e, juntamente com o canto do mantra, deve-se oferecer flores e frutas e outras variedades de alimentos exatamente de acordo com as regras e regulações prescritas pelas autoridades. Isso, porém, deve ser feito levando em conta lugar, tempo e conveniências e inconveniências concomitantes”.

“Deve-se adorar o Senhor, oferecendo-Lhe água pura, guirlandas de flores puras, frutas, flores e legumes, que estão disponíveis na floresta, ou colhendo gramíneas recém-brotadas, pequenos botões de flores ou até mesmo cascas de árvores, e, se possível, oferecendo-­Lhe folhas de tulasi, que são muito queridas pela Suprema Perso­nalidade de Deus. É possível adorar uma forma do Senhor feita de elementos físicos, tais como terra, água, polpa, madeira e metal. Na floresta, pode-se fazer uma forma com nada mais do que terra e água e adorá-lO de acordo com os princípios acima. O devoto que tem pleno controle sobre si mesmo deve ser muito sóbrio e pacífico e deve contentar­-se simplesmente com alimentar-se das frutas e dos legumes e das verduras disponíveis na floresta”.

“Meu querido Dhruva, além de adorar a Deidade e cantar o mantra três vezes por dia, deves meditar nas atividades transcendentais da Suprema Personalidade de Deus sob Suas diferentes encar­nações, como são manifestas por Sua vontade suprema e por Suas potências pessoais. Deve-se seguir os passos dos devotos anteriores no que diz respeito a como adorar o Senhor Supremo com a parafernália pres­crita, ou deve-se oferecer adoração dentro do coração, recitando o mantra para a Personalidade de Deus, que não é diferente do mantra. Qualquer pessoa que desse modo se ocupe em serviço devocional ao Senhor, séria e sinceramente, com mente, palavras e corpo, e que esteja fixa nas atividades dos métodos devocionais prescritos, é aben­çoada pelo Senhor de acordo com seu desejo. Se um devoto deseja religiosidade material, desenvolvimento econômico, gozo dos senti­dos ou libertação do mundo material, ele recebe esses resultados. Quem leva a libertação a sério deve dedicar-se com afinco ao processo do transcendental serviço amoroso, ocupando-se vinte e ­quatro horas por dia na fase mais elevada de êxtase e deve certamente afastar-se de todas as atividades de gozo dos sentidos”.

Quando Dhruva Maharaja, o filho do rei, foi assim aconselhado pelo grande sábio Narada, ele circum-ambulou Narada, seu mestre espiritual, e ofereceu-lhe respeitosas reverências. Depois, partiu rumo a Madhuvana, que está sempre marcada pelas pegadas de lótus do Senhor Krishna e que, portanto, é especialmente auspiciosa.

Depois que Dhruva entrou na floresta Madhuvana para executar serviço devocional, o grande sábio Narada julgou prudente ir ter com o rei e ver como ele passava em seu palácio. Quando Narada Muni aproximou-se do palácio, o rei recebeu-o adequadamente, oferecendo-lhe as devidas reverências. Após sentar-se confortavel­mente, Narada começou a falar.

O grande sábio Narada perguntou: “Meu querido rei, teu rosto parece estar murchando, e parece que vens pensando em algo por muitíssimo tempo. Por que isso? Acaso foste impedido de seguir teu caminho de ritos religiosos, desenvolvimento econômico e gozo dos sentidos?”.

O rei respondeu: “Ó melhor dos brahmanas, sou muito apegado à minha esposa, e sou tão caído que abandonei todo o comportamento misericordioso, mesmo para com meu filho, que tem apenas cinco anos. Eu o bani, bem como sua mãe, muito embora ele seja uma grande alma e um grande devoto. Meu querido Narada, o rosto do meu filho era como uma flor de lótus. Estou pensando em suas precárias condições. Ele está desprotegido, e talvez esteja com muita fome. Talvez tenha deitado em alguma parte da floresta e os lobos o tenham atacado e comido seu corpo. Ai de mim! Vê só como minha esposa me dominou! Vê quão tamanha é minha crueldade! Por amor e afeição, o menino tentava subir em meu colo, mas eu não o recebi – nem mesmo o acariciei por um momento. Vê quão duro é meu coração”.

O grande sábio Narada respondeu: “Meu querido rei, não te aflijas quanto a teu filho. Ele está bem protegido pela Suprema Per­sonalidade de Deus. Embora não estejas realmente informado da influência dele, sua reputação já se espalha por todo o mundo. Meu querido rei, teu filho é muito competente. Ele executará atividades que seriam impossíveis mesmo para grandes reis e sábios. Muito brevemente, ele terminará sua tarefa e voltará ao lar. Deves saber, também, que ele espalhará tua reputação por todo o mundo.

O rei Uttanapada, após ser aconse­lhado por Narada Muni, praticamente abandonou todos os deveres em relação a seu reino, que era muito vasto e amplo, opulento como a deusa da fortuna, e simplesmente colocou-se a pensar em seu filho Dhruva.

Em outra parte, Dhruva Maharaja, tendo chegado a Madhuvana, banhou-se no rio Yamuna e jejuou à noite com grande cuidado e atenção. Depois disso, conforme o conselho do grande sábio Nara­da, dedicou-se a adorar a Suprema Personalidade de Deus.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)4

Dhruva faz austeridades em Madhuvana.

Durante o primeiro mês, Dhruva Maharaja comeu apenas frutas e amoras silvestres a cada três dias, somente para manter-se vivo, e, dessa maneira, progrediu em sua adoração à Suprema Personalidade de Deus. No segundo mês, Dhruva Maharaja comeu somente a cada seis dias, e ele usava como comestíveis grama e folhas secas. Assim, ele continuou sua adoração. No terceiro mês, ele bebeu apenas água a cada nove dias. Deste modo, ele permanecia inteiramente em transe e adorava a Suprema Personalidade de Deus, que é venerado por versos seletos.

No quarto mês, Dhruva Maharaja desenvolveu total domínio sobre o exercício respiratório, e assim inalava ar somente a cada doze dias. Dessa maneira, ele se fixou completamente em sua posição e adorou a Suprema Personalidade de Deus. No quinto mês, Maharaja Dhruva, o filho do rei, já tinha tão perfeito controle de sua respiração que era capaz de ficar em pé sobre uma perna só, assim como uma coluna permanece erguida, sem movimento, e concentrar sua mente plenamente no Para­brahman. Ele controlou inteiramente os sentidos e seus objetos e, dessa maneira, fixou sua mente na forma da Suprema Personalidade de Deus, não se deixando distrair com nada mais.

Quando Dhruva Maharaja atraiu assim a Suprema Personalidade de Deus, que é o refúgio da totalidade da criação material e que é o senhor de todas as entidades vivas, os três mundos começa­ram a tremer. Conforme Dhruva Maharaja, o filho do rei, mantinha-se estavelmente de pé sobre uma perna só, a pressão de seu dedão baixou metade do nível da Terra, assim como um elefante transportado num bote faz a embarcação balançar para a direita e para a esquerda a cada um de seus passos. Quando Dhruva Maharaja tornou-se praticamente uno em peso com o Senhor Vishnu, a consciência total, devido à sua plena concentração, fechando todos os poros de seu corpo, a totalidade da respiração universal ficou sufocada, e todos os grandes semideuses em todos os sistemas planetários sentiram-se sufocados, o que os fez se refugiarem na Suprema Personalidade de Deus.

Os semideuses disseram: “Querido Senhor, sois o refúgio de todas as entidades vivas móveis e imóveis. Sentimos que todas as entidades vivas estão sufocadas, com seus processos respiratórios interrompidos. Nunca experimentamos semelhante evento. Uma vez que sois o refúgio último de todas as almas rendidas, aproximamo-nos de Vós: por favor, salvai-nos deste perigo”.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)5

Os semideuses buscam o Senhor Vishnu para se esclarecerem acerca da asfixia universal.

A Suprema Personalidade de Deus respondeu: “Meus queridos semideuses, não fiqueis perturbados com isso. Tudo isso se deve à rigorosa austeridade e plena determinação do filho do rei Uttanapada, que agora está inteiramente absorto pensando em Mim. Ele obstruiu o processo respiratório universal. Podeis voltar a salvo a vossos respectivos lares. Pararei os rigorosos atos de austeri­dade desse menino, e ficareis a salvo desta situação.

Dhruva Maharaja Regressa ao Lar

Quando os semi­deuses foram assim reassegurados pela Personalidade de Deus, eles se livraram de todos os temores e, após prestarem suas reverências, retornaram a seus planetas celestiais. Então, o Senhor, que não é diferente da encarnação Sahasrashirsha, montou nas costas de Garuda, que O transportou até a floresta Madhuvana para ver Seu servo Dhruva.

A forma do Senhor, que era tão brilhante como o relâmpago e na qual Dhruva Maharaja, em seu maduro processo ióguico, estava plenamente absorto em meditação, subitamente desapareceu. Assim, Dhruva ficou perturbado, e sua meditação interrompeu-se. Contudo, logo que abriu seus olhos, ele viu a Suprema Personalidade de Deus presente pessoalmente, assim como estivera vendo o Senhor presente em seu coração.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)6

Dhruva vê o Senhor.

Quando Dhruva Maharaja viu seu Senhor bem na sua frente, ficou muitíssimo confuso e ofereceu-Lhe reverências e respeito. Ele caiu esticado perante o Senhor como uma vara e absorveu-se em amor a Deus. Dhruva Maharaja, em êxtase, olhou para o Senhor como se estivesse bebendo o Senhor com os olhos, beijando os pés de lótus do Senhor com a boca e abraçando o Senhor com os braços.

Embora Dhruva Maharaja fosse um menininho, ele quis ofereicer orações à Suprema Personalidade de Deus em linguagem adequa­da. No entanto, como era inexperiente, não pôde adaptar-se à situação imediatamente. A Suprema Personalidade de Deus, estando situado no coração de todos, pôde entender a posição incômoda de Dhruva Maharaja. Por Sua imotivada misericórdia, Ele tocou com Seu búzio a testa de Dhruva Maharaja, que se encontrava parado diante dele de mãos postas.

Nessa altura, Dhruva Maharaja tornou-se perfeitamente consciente da conclusão védica e compreendeu a Verdade Absoluta e Sua relação com todas as entidades vivas. Segundo a linha do serviço devocional ao Senhor Supremo, cuja fama se espalha ampla­mente, Dhruva, que no futuro receberia um planeta que não seria jamais aniquilado, mesmo durante o momento da dissolução, ofere­ceu suas deliberadas e conclusivas orações.

Dhruva Maharaja disse: “Meu querido Senhor, sois todo-poderoso. Após entrardes em mim, vivificastes todos os meus sentidos ador­mecidos — minhas mãos, pernas, ouvidos, sentido do tato, força vital e, em especial, minha capacidade de falar. Permiti-me oferecer-Vos minhas respeitosas reverências. Meu Senhor, sois o Um Supremo, mas, através de Vossas diferentes energias, apareceis de modo diverso nos mundos material e espiritual. Vós criais a energia total do mundo material mediante Vossa potência externa e, após a criação, entrais no mundo mate­rial como a Superalma. Sois a Pessoa Suprema e, através dos modos temporários da natureza material, criais variedades de mani­festações, assim como o fogo, entrando em madeiras de diferentes qualidades, arde brilhantemente em diferentes variedades”.

“Ó meu amo, o Senhor Brahma é plenamente rendido a Vós. No princípio, Vós lhe destes conhecimento, e, assim, ele pôde ver e entender todo o universo, assim como alguém que desperta do sono e visualiza seus deveres imediatos. Sois o único refúgio de todas as pessoas que desejam a libertação e sois o amigo de todos os aflitos. Como, portanto, pode uma pessoa erudita, possuidora de conhecimento perfeito, alguma vez esquecer-se de Vós? Pessoas que Vos adoram simplesmente em troca do gozo dos sen­tidos deste saco de pele estão sem dúvida influenciadas por Vossa energia ilusória. Apesar de terem a Vós, que sois como uma árvore-dos-desejos e sois a causa da libertação do nascimento e da morte, pessoas tolas, tais como eu, desejam Vossas bênçãos para o gozo dos sentidos, que fica disponível inclusive para aqueles que vivem em condições infernais”.

“Meu Senhor”, deu prosseguimento, “a bem-aventurança transcendental obtida ao meditar em Vossos pés de lótus ou ao ouvir sobre Vossas glórias da parte de devotos puros é tão ilimitada que está muito além da fase de brahmananda, na qual a pessoa julga-se imersa no Brahman impessoal como se estivesse una com o Supremo. Uma vez que brahmananda também é superada pela bem-aventurança transcen­dental obtida a partir do serviço devocional, o que dizer, então, da bem­-aventurança temporária de elevar-se aos planetas celestiais, a qual é destruída pela espada separadora do tempo? Mesmo que alguém se eleve aos planetas celestiais, cai no decorrer do tempo”.

Dhruva Maharaja continuou: “Ó ilimitado Senhor, abençoai-me, por favor, para que eu possa associar-me com os grandes devotos que se ocupam em Vosso transcendental serviço amoroso constantemente, assim como a correnteza do rio flui constantemente. Tais devotos transcendentais estão inteiramente situados em um estado de vida incontaminado. Através do processo de serviço devocional, decerto serei capaz de cruzar o oceano de ignorância da existência material, que está encapelado de ondas de perigos ardentes, seme­lhantes ao fogo. Isso me será muito fácil, pois estou enlouquecendo por ouvir sobre Vossas qualidades e sobre Vossos passatempos transcendentais, que existem eternamente”.

“Ó Senhor que tendes um umbigo de lótus, se acontece de alguém se associar com um devoto cujo coração sempre anseia por Vossos pés de lótus, buscando sempre a fragrância deles, ele não se apega de modo algum ao corpo material ou, numa relação corpórea, à progênie, a amigos, ao lar, à riqueza e à esposa, que são extremamente queridos por pessoas materialistas. Na verdade, ele não se importa com nada disso”.

Orou ainda: “Meu querido Senhor, ó Supremo não-nascido, sei que as diferentes variedades de entidades vivas, tais como animais, árvores, pássaros, répteis, semideuses e seres humanos, espalham-se por todo o universo, o qual é causado pela totalidade da energia mate­rial, e sei que ora elas se encontram manifestas, ora se encontram imanifestas, mas jamais tive experiência da forma suprema que vejo agora, em Vossa pessoa. Neste momento, toda espécie de métodos de teori­zação chegaram ao fim”.

“Meu querido Senhor, ao final de cada milênio, a Suprema Personalidade de Deus Garbhodakashayi Vishnu dissolve em Seu ventre todas as coisas manifestas dentro do universo. Deitado no colo de Shesha Naga, brota de Seu umbigo uma flor de lótus dourada sobre um caule, e, naquele lótus, o Senhor Brahma é criado. Posso entender que Vós sois a mesma Divindade Suprema. Portanto, ofereço-Vos minhas respeitosas reverências. Meu Senhor, com Vosso penetrante olhar transcendental, sois a testemunha suprema de todas as fases de atividades intelectuais. Sois eternamente liberto, Vossa existência está situada em bondade pura e existis como a Superalma, imutável. Vós sois a Personalidade de Deus original, plena de seis opulências, e sois eternamente o senhor dos três modos da natureza material. Deste modo, sois sempre dife­rente das entidades vivas comuns. Como o Senhor Vishnu, mantendes todos os afazeres de todo o universo, apesar do que permaneceis à parte e sois o desfrutador dos resultados de todos os sacrifícios”.

“Meu querido Senhor, em Vossa manifestação impessoal de Brahman, há sempre dois elementos opostos — conhecimento e ignorância. Vossas múltiplas energias manifestam-se continuamente, mas o Brahman impessoal, que é indiviso, original, imutável, ilimi­tado e bem-aventurado, é a causa da manifestação material. Como sois o mesmo Brahman impessoal, ofereço-Vos minhas respeitosas reverências. Meu Senhor, ó Senhor Supremo, Vós sois a suprema forma personificada de todas as bênçãos. Portanto, para alguém que se atém a Vosso serviço devocional sem nenhum outro desejo, adorar Vossos pés de lótus é melhor do que tornar-se rei e assenhorear-se de um reino. Eis a bênção para quem adora Vossos pés de lótus. Para devotos ignorantes como eu, Vós sois o mantenedor imotivadamente misericordioso, tal qual uma vaca, que cuida do bezerro recém-nascido fornecendo-lhe leite e protegendo-o de quaisquer ataques”.

Quando Dhruva Maharaja, que tinha boas intenções em seu coração, terminou sua oração, o Senhor Supremo, a Personalidade de Deus, que é muito bondoso com Seus devotos e servos, congratulou-O falando o seguinte:

“Meu querido Dhruva, filho do rei, tu executaste votos piedosos, e, além disso, Eu conheço o desejo dentro de teu coração. Embora teu desejo seja muito ambicioso e muito difícil de ser atendido, conceder-te-ei a sua realização. Toda a boa fortuna a ti! Meu querido Dhruva, hei de conceder-te o refulgente planeta conhecido como Estrela Polar, o qual continuará a existir mesmo após a dissolução ao final do milênio. Ninguém jamais governou esse planeta, que está cercado por todos os sistemas solares, planetas e estrelas. Todos os astros no céu gravitam em torno desse planeta, assim como touros giram em volta de uma estaca central com o propósito de moer grãos. Mantendo a Estrela Polar à sua direita, todas as estrelas habitadas pelos grandes sábios, como Dharma, Agni, Kashyapa e Shukra, gravitam em torno desse planeta, que continua a existir mesmo após a destruição de todos os demais”.

O Senhor prosseguiu: “Depois que teu pai for para a floresta e conceder-te o encargo de seu reino, governarás o mundo inteiro por trinta e seis mil anos con­secutivos, e todos os teus sentidos continuarão tão fortes como o são agora. Jamais envelhecerás. Em algum momento no futuro, teu irmão, Uttama, irá caçar na floresta e, enquanto estiver absorto na caça, será morto. Tua madrasta, Suruchi, enlouquecendo com a morte de seu filho, sairá à procura dele na floresta, mas será devorada por um incêndio”.

“Eu sou o coração de todos os sacrifícios”, o Senhor continuou. “Serás capaz de executar muitos sacrifícios excelentes e também farás grande caridade. Dessa maneira, serás capaz de gozar das bênçãos de felicidade material nesta vida e, no momento de tua morte, serás capaz de lembrar-te de Mim. Meu querido Dhruva, após tua vida material neste corpo, irás ao Meu planeta, que é sempre reverenciado pelos habitantes de todos os demais sistemas planetários. Ele está situado acima dos planetas dos sete rishis, e, tendo chegado ao mesmo, jamais terás de voltar a este mundo material”.

Após ser adorado e honrado pelo menino Dhruva Maharaja e após oferecer-lhe Sua morada, o Senhor Vishnu, montado em Garuda, regressou à Sua morada enquanto Dhruva Maharaja O observava.

Apesar de ter alcançado o resultado desejado de sua determinação adorando os pés de lótus do Senhor, Dhruva Maharaja não estava muito satisfeito. Assim retornou ele a seu lar.

O coração de Dhruva Maharaja, que fora trespassado pelas flechas das palavras ásperas de sua madrasta, estava muito pesaroso, e assim, mesmo quando ele se fixou na meta de sua vida, não se esqueceu do mau comportamento dela. Ele não pedira verdadeira libertação deste mundo material, senão que, no final de seu serviço devocional, quando a Suprema Personalidade de Deus apareceu perante ele, ele simplesmente estava envergonhado das necessidades materiais que tinha em sua mente.

Dhruva Maharaja pensara consigo mesmo: “Esforçar-se para situar-se à sombra dos pés de lótus do Senhor não é tarefa comum, pois mesmo os grandes brahmacharis encabeçados por Sanandana, que praticaram astanga-yoga em transe, alcançaram o refúgio dos pés de lótus do Senhor somente após muitíssimos nascimentos. Dentro de seis meses, obtive o mesmo resultado, apesar do que, por pensar diferentemente do Senhor, caí de minha posição. Ai de mim! Olhai só para mim! Imensamente desventurado eu sou! Aproximei-me dos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus, que pode de imediato cortar a corrente da repetição de nascimentos e mortes, mas, ainda assim, devido à minha tolice, orei pedindo coisas perecíveis. Uma vez que todos os semideuses que estão situados no sistema planetário superior terão de descer novamente, todos eles invejam minha elevação a Vaikunthaloka através do serviço devocional. Esses semideuses intolerantes dissiparam minha inteligência, e, somen­te por essa razão, não pude aceitar a bênção genuína das instruções do sábio Narada”.

Dhruva Maharaja lamentou-se: “Eu estava sob a influência da ener­gia ilusória – ignorando os fatos verdadeiros, eu dormia no colo dela. Com visão de dualidade, vi meu irmão como inimigo e falsamente lamentei-me dentro do coração, pensando: ‘Eles são meus ini­migos’. É muito difícil satisfazer a Suprema Personalidade de Deus, mas, no meu caso, embora eu tenha satisfeito a Superalma de todo o universo, orei somente por coisas inúteis. Minhas atividades foram exatamente como o tratamento dado a uma pessoa que já está morta. Vede só quão desventurado eu sou, pois, apesar de encontrar o Senhor Supremo, que pode cortar nossa ligação com nascimentos e mortes, orei pelas mesmas condições novamente. Devido a meu estado de completa tolice e falta de atividades piedosas, embora o Senhor me tivesse oferecido Seu serviço pessoal, desejei nome, fama e prosperidade materiais. Meu caso é semelhan­te ao do homem pobre que, ao satisfazer um grande imperador que queria dar-lhe qualquer coisa que ele pedisse, por ignorância pediu somente alguns grãos quebrados de arroz”.

Quando o rei Uttanapada ouviu que seu filho Dhruva estava de regresso ao lar, como se estivesse ressuscitando após a morte, ele não pôde depositar sua fé nessa mensagem, pois tinha dúvidas sobre como isso podia acontecer. Ele considerava-se muito miserável e, por isso, achava que não lhe era possível obter tamanha boa fortuna. Embora não pudesse acreditar nas palavras do mensageiro, ele tinha plena fé na palavra do grande sábio Narada. Assim, ficou muito emocionado com a notícia e imediatamente ofereceu, com grande satisfação, um colar preciosíssimo ao mensageiro.

O rei Uttanapada, estando muito ansioso para ver o rosto de seu filho perdido, subiu em uma quadriga puxada por excelentes cavalos e adornada com filigranas douradas. Levando com ele muitos brahmanas eruditos, todas as personalidades mais velhas de sua família, seus funcionários, ministros e amigos imediatos, ele deixou de pronto a cidade. Enquanto o desfile avançava, ouviam-­se sons auspiciosos de búzios, tambores, flautas e o canto de mantras védicos para indicar toda a boa fortuna. Ambas as rainhas do rei Uttanapada, Suniti e Suruchi, juntamente com seu outro filho, Uttama, apareceram no desfile. As rainhas estavam sentadas num palanquim.

Ao ver Dhruva Maharaja aproximando-se da pequena floresta vizinha, o rei Uttanapada desceu de sua quadriga, apressado. Por longo tempo, ele ansiara ver seu filho Dhruva, motivo pelo qual, com grande amor e afeição, adiantou-se para abraçar seu filho há muito perdido. Respirando ofegante, o rei abraçou-o com ambos os braços. Dhruva Maharaja, porém, não era o mesmo de antes: ele estava intei­ramente santificado pelo avanço espiritual devido a ter sido tocado pelos pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus.

O reencontro com Dhruva Maharaja satisfez o desejo há muito acalentado do rei Uttanapada, razão pela qual ele repetidamente cheirou a cabeça de Dhruva e banhou-o com torrentes de lágrimas muito frias. Dhruva Maharaja, o principal de todos os nobres, por sua vez, então, primei­ramente ofereceu suas reverências aos pés de seu pai, que o honrou com várias perguntas. Em seguida, prostrou a cabeça aos pés de suas duas mães.

Suruchi, a mãe mais nova de Dhruva Maharaja, vendo que o inocente menino caíra a seus pés, imediatamente levantou-o, abraçando-o com suas mãos e, com lágrimas emocionadas, o abençoou com as palavras: “Meu querido menino, vida longa a ti!”.

Todas as entidades vivas prestam honras a quem tem qualidades transcendentais por se relacionar amistosamente com a Suprema Personalidade de Deus, assim como a água flui automaticamente para baixo, por sua própria natureza.

Os dois irmãos Uttama e Dhruva Maharaja também trocaram lágrimas. Eles estavam dominados pelo êxtase de amor e afeição, e, ao se abraçarem mutuamente, os pelos de seus corpos arrepiaram-se. Suniti, a mãe verdadeira de Dhruva Maharaja, abraçou o tenro corpo de seu filho, que lhe era mais querido do que sua própria vida, e, assim, esqueceu-se de todo pesar material, pois estava muito satisfeita. Suniti era a mãe de um grande herói. Suas lágrimas, juntamente com o leite que escorria de seus seios, umedeceram todo o corpo de Dhruva Maharaja. Isso era um sinal muito auspicioso.

Os habitantes do palácio louvaram a rainha: “Querida rainha, vosso amado filho estava perdido há muito tempo, mas agora tendes a grande fortuna de tê-lo de volta. Parece, portanto, que vosso filho será capaz de proteger-vos por muitíssimo tempo e dará fim a todas as vossas dores materiais. Querida rainha, deveis ter adorado a Suprema Personalidade de Deus, que liberta Seus devotos do maior perigo. As pessoas que constantemente meditam nEle superam o curso de nascimentos e mortes. Essa perfeição é muito difícil de ser alcançada”.

Enquanto todos assim louvavam Dhruva Maharaja, o rei ficou muito feliz e sentou Dhruva e seu irmão nas costas de uma elefanta. Então, ele regressou à sua capital, onde foi louvado por homens de todas as classes. Toda a cidade estava decorada com colunas de bananeiras com cachos de frutas e ramalhetes de flores, e árvores de nozes de betel com suas folhas e galhos eram vistas em toda parte. Havia também muitos portões cuja estrutura lembrava a forma de tubarões. Em cada portão, havia lâmpadas acesas e grandes potes d’água decorados com panos de variadas cores, colares de pérolas, guirlandas de flores e folhas de manga. Na cidade capital, havia muitos palácios, portões urbanos e muros rodeando-a, os quais já eram belíssimos, e, nessa ocasião, todos estavam decorados com ornamentos dourados. As cúpulas dos palácios da cidade cintilavam, assim como as cúpulas dos belos aeroplanos que pairavam sobre ela. Todos os pátios, alamedas e ruas da cidade, e as sentinelas nos cruzamentos, estavam bem limpos e borrifados com água de sânda­lo; e grão auspiciosos, tais como arroz e cevada, bem como flores, frutas e muitos outros presentes auspiciosos, espalhavam-se por toda a cidade.

Assim, enquanto Dhruva Maharaja passava pela estrada, amáveis donas de casa de todos os cantos da vizinhança reuniam-se para vê­-lo e, com afeição maternal, abençoavam-no, fazendo cair sobre ele uma chuva de semente de mostarda branca, cevada, coalhada, água, grama tenra, frutas e flores. Dessa maneira, Dhruva Maharaja, ouvindo os agradáveis cânticos entoados pelas senhoras, entrou no palácio de seu pai.

Dhruva Maharaja viveu então no palácio de seu pai, cujas paredes eram incrustadas de joias muito preciosas. Seu afetuoso pai cuidava dele com carinho especial, e Dhruva morava naquela casa assim como os semideuses vivem em seus palácios nos sistemas planetários superiores.

A roupa de cama do palácio era branca como a espuma do leite e muito macia. As armações de cama eram feitas de marfim com embe­lezamento de ouro, e as cadeiras, bancos e outros assentos e móveis eram feitos de ouro.

O palácio do rei era cercado por muros feitos de mármore com muitas gravações feitas de joias preciosas, como safiras, que representavam belas mulheres com brilhantes lâmpadas de joias em suas mãos. A residência do rei era rodeada por jardins, onde havia variedades de árvores trazidas dos planetas celestiais. Naquelas árvores, havia casais de pássaros docemente canoros e abelhas quase ensandecidas, que faziam um zumbido agradabilíssimo. Havia escadarias de esmeralda que levavam a lagos cheios de flores de lótus de cores diversas, assim como lírios. Além disso, cisnes, karanda­vas, chakravakas, grous e outros pássaros raros semelhantes eram visíveis naqueles lagos.

Ouvindo as gloriosas façanhas de Dhruva Maharaja e vendo pes­soalmente quão influente e grandioso ele era, o santo rei Uttana­pada sentiu-se muito satisfeito, pois as atividades de Dhruva eram maravilhosas em grau supremo. Após a devida ponderação, portanto, o rei Uttanapada entronou Dhruva Maharaja como imperador deste planeta, vendo que ele estava ade­quadamente maduro para encarregar-se do reino e que seus minis­tros concordavam com a ideia e os cidadãos também gostavam muito dele.

Após considerar sua idade avançada e deliberar sobre o bem-estar de seu eu espiritual, o rei Uttanapada desligou-se dos afazeres mun­danos e penetrou na floresta.

A Luta de Dhruva Maharaja contra os Yakshas

Em seguida, Dhruva Maharaja casou-se com a filha do Prajapati Shishumara, cujo nome era Bhrami, e dela nasceram dois filhos, chamados Kalpa e Vatsara. O poderosíssimo Dhruva Maharaja tinha outra esposa, chamada Ila, que era filha do semideus Vayu. Ele gerou com ela um filho chamado Utkala, bem como uma filha belíssima.

Uttama, o irmão mais novo de Dhruva Maharaja, que ainda era solteiro, certa vez saiu numa excursão de caça e foi morto por um poderoso yaksha nos Himalaias. Além dele, Suruchi, sua mãe, também trilhou o seu caminho [ela morreu].

Ao saber que seu irmão Uttama havia sido morto pelos yakshas nos Himalaias, Dhruva Maharaja, dominado pela lamentação e pela ira, subiu em sua quadriga e partiu para derrotar a cidade dos yakshas, Alakapuri. Dhruva Maharaja dirigiu-se ao norte da cordilheira dos Himalaias. Num vale, ele avistou uma cidade cheia de pessoas fantasmagóricas, que eram seguidoras do Senhor Shiva. Tão logo chegou a Alakapuri, Dhruva Maharaja soprou seu búzio, cujo som reverberou por todo o céu e em todas as direções. As esposas dos yakshas ficaram muito amedrontadas. Seus olhos demonstravam que elas estavam cheias de ansiedade.

Os poderosíssimos heróis dos yakshas, incapazes de tolerar a vibração retumbante do búzio de Dhruva Maharaja, saíram armados de sua cidade e atacaram Dhruva. Dhruva Maharaja, que era um grande quadrigário e certamente também um grande arqueiro, imediatamente pôs-se a matá-los, disparando três flechas de cada vez. Quando os heróis dos yakshas viram que todas as suas cabeças estavam sendo assim ameaçadas por Dhruva Maharaja, foi-lhes muito fácil entender a situação perigosa em que se encontravam. Embora concluíssem que certamente seriam derrotados, como heróis, eles louvaram a ação de Dhruva.

Assim como serpentes, que não podem tolerar ser pisadas pelos pés de ninguém, os yakshas, não tolerando a bravura admirável de Dhruva Maharaja, atiraram duas vezes mais flechas — seis de cada um de seus soldados — e assim, com grande valentia, demonstraram os seus poderes. Havia cento e trinta mil fortes soldados yakshas, todos iradíssimos e desejando revidar as admiráveis iniciativas de Dhruva Maharaja. Com força total, eles arremessaram contra Dhruva Maharaja, como também contra sua quadriga e quadrigário, vários tipos de flechas de pena, parighas [clavas de ferro], nistrimshas [espadas], prasashulas [tridentes], parasvadhas [lanças], risthis [chuços] e bhushundis [arpões]. Dhruva Maharaja foi completamente coberto por uma incessante saraivada de armas, assim como uma montanha é coberta por uma tempestade incessante.

Todos os siddhas dos sistemas planetários superiores observavam a luta do céu e, ao verem que Dhruva Maharaja tinha sido coberto pelas incessantes flechas do inimigo, bradaram tumultuosa­mente: “Dhruva, o neto de Manu, agora está perdido!”. Eles exclamaram que Dhruva Maharaja era como o Sol, mas que agora se havia posto no oceano dos yakshas.

Os yakshas, temporariamente vitoriosos, exclamaram que haviam derrotado Dhruva Maharaja. Neste ínterim, contudo, a quadriga de Dhruva subitamente apareceu, assim como o Sol aparece de repente de dentro da neblina. Dhruva Maharaja retesava seu arco e suas flechas sibilavam, cau­sando lamentação no coração de seus inimigos. Ele se colocou a dis­parar flechas incessantes, despedaçando todas as variadas armas deles, assim como uma rajada de vento espalha as nuvens reunidas no céu. As afiadas flechas disparadas do arco de Dhruva Maharaja trespassaram os escudos e corpos do inimigo, assim como os raios disparados pelo rei do céu desmantelam os corpos das montanhas.

As cabeças daqueles que foram despedaçados pelas flechas de Dhruva Maharaja estavam muito belamente decoradas com brincos e turbantes. As pernas de seus corpos eram belas como palmeiras dou­radas, seus braços estavam adornados com braceletes e braçadeiras dourados, e, sobre suas cabeças, havia valiosíssimos elmos incrusta­dos de ouro. Todos esses ornamentos espalhados por todo aquele campo de batalha eram muito atrativos e poderiam confundir a mente de um herói.

Os yakshas restantes, que de alguma forma não foram mortos, tiveram seus membros despedaçados pelas flechas do grande guerreiro Dhruva Maharaja. Então, eles começaram a fugir, assim como os elefantes fogem quando derrotados por um leão. Dhruva Maharaja, o melhor dos seres humanos, observou que, naquele grande campo de batalha, não sobrara nem mesmo um soldado inimigo de pé e com armas apropriadas. Então, ele desejou ver a cidade de Alakapuri, mas pensou consigo mesmo: “Ninguém conhece os planos dos místicos yakshas”.

Neste ínterim, enquanto Dhruva Maharaja, apreensivo com seus inimigos místicos, falava com seu quadrigário, eles ouviram um som formidável, como se todo o oceano estivesse ali, e viram que do céu caía sobre eles uma grande tempestade de poeira, vinda de todas as direções. Num instante, todo o céu escureceu-se com densas nuvens e ouviu-se trovejar fortemente. Havia resplendentes relâmpagos e pesadas chuvas. Aquela tempestade caía sobre Dhruva Maharaja, carregada de sangue, muco, pus, excremento, urina e tutano, e troncos de corpos caíam do céu. Então, uma grande montanha tornou-se visível no céu, e, de todas as direções, caiu granizo, juntamente com lanças, maças, espadas, clavas de ferro e grandes pedaços de pedra. Dhruva Maharaja também viu muitas serpentes enormes com olhos irados, vomitando fogo e vindo em sua direção a fim de devorá-lo, juntamente com grupos de elefantes, leões e tigres enfurecidos. Então, como se fosse o momento da dissolução de todo o mundo, o mar feroz, com ondas espumantes e grandes sons estrondosos, apareceu diante dele. Os demônios yakshas são por natureza muito abomináveis e, com seu demoníaco poder de ilusão, podem criar muitos fenômenos estranhos para amedrontar aqueles que são menos inteligentes.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)7

Os yakshas atacam Dhruva com ilusões demoníacas.

Após ouvirem que Dhruva Maharaja fora dominado pelos truques místicos e ilusórios dos demônios, os grandes sábios imediata­mente reuniram-se para oferecer-lhe auspicioso encorajamento. Todos os sábios disseram: “Querido Dhruva, ó filho do rei Uttana­pada, que a Suprema Personalidade de Deus, conhecido como Sharngadhanva, que alivia as aflições de Seus devotos, mate todos os teus ameaçadores inimigos. O santo nome do Senhor é tão pode­roso quanto o próprio Senhor. Por conseguinte, simplesmente cantando e ouvindo o santo nome do Senhor, muitos homens podem ser intei­ramente protegidos da morte cruel, sem dificuldades. É deste modo que se põe a salvo o devoto”.

Svayambhuva Manu Aconselha Dhruva Maharaja a Parar de Lutar

Ao ouvir as palavras encorajadoras dos grandes sábios, Dhruva Maharaja executou achamana tocando na água e, então, pegou sua flecha feita pelo Senhor Narayana e fixou-a em seu arco. Logo que Dhruva Maharaja introduziu a flecha narayanastra em seu arco, a ilusão criada pelos yakshas desapareceu imediatamente, assim como todas as dores e prazeres materiais se extinguem quando alguém se conscientiza plenamente do eu.

Nem bem Dhruva Maharaja fixara a arma feita por Narayana Rishi em seu arco, este já disparava flechas com hastes douradas e penas semelhantes às asas de um cisne. Elas penetravam nos soldados inimigos com um som sibilante e alto, assim como os pavões entram numa floresta produzindo um som tumultuoso. Aquelas flechas afiadas desanimaram os soldados inimigos, que ficaram quase inconscientes. Porém, vários yakshas no campo de batalha, enfurecidos com Dhruva Maharaja, de alguma forma pega­ram suas armas e atacaram-no. Assim como serpentes agitadas por Garuda rastejam em direção a Garuda com seus capelos erguidos, todos os soldados yakshas prepararam-se para derrotar Dhruva Maharaja empunhando suas armas.

Ao ver os yakshas adiantando-se, Dhruva Maharaja imediatamente pegou suas flechas e despedaçou os inimigos. Separando seus braços, pernas, cabeças e estômagos de seus corpos, ele libertou os yakshas, transferindo-os para o sistema planetário que está situado acima do globo solar e que só pode ser alcançado por brahmacharis de primeira classe, que nunca ejacularam sêmen.

Ao ver que seu neto Dhruva Maharaja estava matando tantos dos yakshas que não eram de fato ofensores, Svayambhuva Manu, por sua grande compaixão, aproximou-se de Dhruva junto com grandes sábios para dar-lhe boas instruções. Ele disse:

“Meu querido filho, por favor, descontinua teu proceder. Não é bom tornar-se desnecessariamente irado – esse é o caminho da vida infernal. Agora, estás ultrapassando o limite ao matar yakshas que, na verdade, não são ofensores. Meu querido filho, o ato de teres matado os yakshas inocentes não é de modo algum aprovado pelas autoridades, e não é digno de nossa família, que é tida como conhecedora das leis da religião e conhecedora da irreligião. Meu querido filho, está provado que tens muita afeição por teu irmão e estás muito pesaroso pelo fato de ele ter sido morto pelos yakshas, mas considera bem – pela ofensa de um yaksha, mataste muitos outros, que são inocentes. Não se deve aceitar o corpo como o eu e assim, como os animais, matar os corpos alheios. Isso é especialmente proibido pelas pessoas santas, que seguem o caminho do serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus”.

Continuou: “É muito difícil alcançar a morada espiritual de Hari, nos planetas Vaikuntha, mas és tão afortunado que já estás destinado a ir àquela morada, adorando-O como a morada suprema de todas as enti­dades vivas. Por seres um devoto puro do Senhor, o Senhor está sempre pensando em ti, e também és reconhecido por todos os Seus devotos íntimos. Tua vida destina-se a servir de exemplo. Portanto, estou surpreso – por que empreendeste tão abominável façanha? O Senhor fica muito satisfeito com Seu devoto quando o devoto acolhe outras pessoas com tolerância, misericórdia, amizade e equanimidade. Uma pessoa que realmente satisfaz a Suprema Personalidade de Deus durante sua vida liberta-se das condições materiais grosseiras e sutis. Livrando-se assim de todos os modos materiais da natureza, ela alcança ilimitada bem-aventurança espiritual”.

Manu prosseguiu: “A criação do mundo material começa com os cinco elementos, de modo que tudo, inclusive o corpo de um homem ou de uma mulher, é criado a partir desses elementos. Através da vida sexual entre homem e mulher, o número de homens e mulheres neste mundo material aumenta cada vez mais. Meu querido rei Dhruva, é simplesmente pela energia material ilusória da Suprema Personalidade de Deus e pela interação dos três modos da natureza material que ocorrem a criação, a manutenção e a aniquilação. Meu querido Dhruva, a Suprema Personalidade de Deus não é contaminado pelos modos materiais da natureza. Ele é a causa remota da criação desta manifestação cósmica material. Quando Ele propicia o ímpeto, muitas outras causas e efeitos são produzidos, e, destarte, todo o universo se move, assim como a força integrada de um ímã faz o ferro se mover. A Suprema Personalidade de Deus, por meio de Sua inconcebível energia suprema, o tempo, provoca a interação dos três modos da natureza material e, assim, variedades de energia se manifestam. Parece que Ele age, mas Ele não é o ator. Ele mata, mas não é o matador. Assim, subentende-se que é somente por Seu poder incon­cebível que tudo acontece”.

“Meu querido Dhruva, a Suprema Personalidade de Deus existe eternamente, mas, sob a forma do tempo, Ele é o matador de tudo. Ele não tem começo, embora seja o começo de tudo, tampouco alguma vez Ele Se esgota, conquanto tudo se esgote no devido curso do tempo. As entidades vivas são criadas por intermédio do pai e mortas por intermédio da morte, mas Ele está perpetuamente livre do nascimento e da morte. A Suprema Personalidade de Deus, sob Seu aspecto do tempo eterno, está presente no mundo material e é neutro em relação a todos. Ninguém é Seu aliado, e ninguém é Seu inimigo. Dentro da jurisdição do elemento tempo, todos desfrutam ou sofrem o resultado de seu próprio karma, ou atividades fruitivas. Assim como pequenas partículas de poeira voam no ar quando o vento sopra, nós, segundo nosso karma em particular, sofremos ou gozamos da vida material”.

“A Suprema Personalidade de Deus, Vishnu, é todo-poderoso, e concede os resultados de nossas atividades fruitivas”, disse ainda. “Assim, embora a duração de vida de uma entidade viva seja muito pequena, enquanto a duração de vida de outra é muito grande, Ele sempre está em Sua posição transcendental, e não há possibilidade de Sua duração de vida diminuir ou aumentar. A diferenciação entre variedades de vida e suas condições de sofrimento e prazer são explicadas por alguns como sendo resultado do karma. Outros dizem que se devem à natureza, outros ao tempo, outros ao destino e ainda outros dizem que tudo se deve ao desejo. A Verdade Absoluta, a Transcendência, jamais Se sujeita ao entendimento do esforço sensório imperfeito, tampouco está sujeita à experiência direta. Ele é o senhor de variedades de energias, como a energia material plena, e ninguém pode entender Seus planos e ações, motivo pelo qual se deve concluir que, embora Ele seja a causa origi­nal de todas as causas, ninguém pode conhecê-lo através da especu­lação mental”.

“Meu querido filho, aqueles yakshas, que são descendentes de Kuvera, não são realmente os matadores de teu irmão; o nascimento e a morte de cada entidade viva são causados pelo Supremo, que é certamente a causa de todas as causas. A Suprema Personalidade de Deus cria este mundo material, o mantém e o aniquila no devido curso do tempo, mas, como Ele é transcendental a essas atividades, nunca é afetado pelo ego em tal ação ou pelos modos da natureza material. A Suprema Personalidade de Deus é a Superalma de todas as entidades vivas. Ele é o controlador e mantenedor de todos e, por intermédio de Sua energia externa, Ele cria, mantém e aniquila a todos”.

Continuou: “Meu querido filho Dhruva, por favor, rende-te à Suprema Personalidade de Deus, que é a meta última do progresso do mundo. Todos, incluindo os semideuses encabeçados pelo Senhor Brahma, trabalham sob Seu controle, assim como um touro, puxado por uma corda amarrada em seu focinho, é controlado por seu dono. Meu querido Dhruva, tu, com apenas cinco anos de idade, foste muito dolorosamente afligido pelas palavras da coesposa de tua mãe, e bem audaciosamente abandonaste a proteção de tua mãe e foste para a floresta a fim de te ocupares no processo ióguico de compreensão da Suprema Personalidade de Deus. Como resultado disso, já alcançaste a mais elevada posição em todos os três mundos. Meu querido Dhruva, portanto, por favor, volta tua atenção para a Pessoa Suprema, que é o Brahman infalível. Volta-te para a Suprema Personalidade de Deus em tua posição original e, destarte, através da autorrealização, observarás que esta diferenciação mate­rial é meramente oscilante. Recuperando assim tua posição natural e prestando serviço ao Senhor Supremo, que é o reservatório todo-poderoso de todo o prazer e que vive em todas as entidades vivas como a Superalma, muito brevemente te esquecerás da compreensão ilusória de ‘eu’ e ‘meu’”.

Falou em conclusão: “Meu querido rei, simplesmente considera o que acabo de te dizer; isso agirá como um tratamento médico sobre a doença. Controla tua ira, pois a ira é o principal inimigo no caminho da compreensão espiritual. Desejo-te toda a boa fortuna. Por favor, segue minhas instruções. Uma pessoa que deseja libertar-se deste mundo material não deve cair sob o controle da ira, porque, quando confundida pela ira, a pessoa se torna uma fonte de temor para todas as outras. Meu querido Dhruva, pensaste que os yakshas mataram teu irmão, daí teres matado muitos deles. Agindo assim, porém, agitaste a mente de Kuvera, o irmão do Senhor Shiva e tesoureiro dos semi­deuses. Por favor, observa que tuas ações foram muito desrespeitosas a Kuvera e ao Senhor Shiva. Por essa razão, meu filho, deves imediatamente apaziguar Kuvera com palavras amáveis e orações, e, assim, talvez sua ira não afete nossa família”.

Assim, Svayambhuva Manu, após dar suas instruções a Dhruva Maharaja, seu neto, recebeu respeitosas reverências do mesmo. Em seguida, o Senhor Manu e os grandes sábios voltaram aos seus respectivos lares.

Dhruva Maharaja Volta ao Supremo

A ira de Dhruva Maharaja cedeu, e ele parou imediatamente de matar yakshas. Quando Kuvera, o abençoadíssimo senhor da tesouraria, ficou sabendo disso, ele apareceu perante Dhruva. Enquanto era adorado pelos yakshas, kinnaras e charanas, ele falou a Dhruva Maharaja, que permanecia diante dele de mãos postas.

Kuvera, o senhor da tesouraria, disse: “Ó impecável filho de kshatriyas, agrada-me muito saber que, sob a instrução de teu avô, abandonaste tua inimizade, embora seja algo muito difícil de evitar. Estou muito satisfeito contigo. Na verdade, não mataste os yakshas, tampouco eles mataram teu irmão, pois a causa fundamental de geração e aniquilação é o aspecto do tempo eterno do Senhor Supremo. O fato de nos identificarmos falsamente como ‘eu’ e ‘tu’, e também os outros, com base no conceito corpóreo de vida é um produto da ignorância. Esse conceito corpóreo é a causa de repetidos nascimentos e mortes, e faz com que continuemos na existência material. Meu querido Dhruva, aproxima-te. Que o Senhor sempre te agracie com boa fortuna. A Suprema Personalidade de Deus, que está além de nossa percepção sensória, é a Superalma de todas as entidades vivas, em razão do que todas as entidades vivas são iguais, sem distinções. Começa, portanto, a prestar serviço à forma transcendental do Senhor, que é o abrigo último de todas as entidades vivas. Portanto, ocupa-te plenamente no serviço devocional ao Senhor, pois somente Ele pode livrar-nos deste enredamento da existência materialista. Embora o Senhor esteja ligado à Sua potência material, Ele fica à parte das atividades dela. Tudo neste mundo material acontece pela potência inconcebível da Suprema Personalidade de Deus”.

Kuvera concluiu: “Meu querido Dhruva Maharaja, filho de Maharaja Uttanapada, ouvimos falar que te ocupas constantemente no transcendental serviço amoroso à Suprema Personalidade de Deus, que é conhecido por Seu umbigo de lótus. Portanto, és digno de receber todas as nossas bênçãos. Portanto, por favor, pede sem hesitação qualquer bênção que quiseres de mim”.

Ao ser assim solicitado a aceitar uma bênção ao rei dos yakshas, Dhruva Maharaja, aquele elevadíssimo devoto puro, que era um rei inteligente e pensativo, rogou para ter fé inabalável na Suprema Personalidade de Deus e poder sempre lembrar-se dEle, pois, desse modo, uma pessoa pode atravessar facilmente o oceano de necedade, apesar de, para outros, isso ser muito difícil. O filho de Idavida, o Senhor Kuvera, ficou muito satisfeito e alegremente deu a Dhruva Maharaja a bênção que ele queria. Depois disso, desapareceu da presença de Dhruva, momento no qual Dhruva Maharaja regressou à sua capital.

Enquanto permaneceu em seu lar, Dhruva Maharaja executou muitas grandiosas cerimônias de sacrifício a fim de satisfazer o desfrutador de todos os sacrifícios, a Suprema Personalidade de Deus. As cerimônias sacrificatórias prescritas destinam-se especialmente a satisfazer o Senhor Vishnu, que é o objetivo de todos esses sacrifícios e que outorga as bênçãos resultantes.

Dhruva Maharaja prestou serviço devocional ao Supremo, o reservatório de tudo, com força inexorável. Enquanto executava seu serviço devocional ao Senhor, ele pôde ver que tudo está situado nEle somente e que Ele está situado em todas as entidades vivas. O Senhor chama-Se Achyuta porque não falha jamais em Seu dever primordial de dar proteção a Seus devotos.

Dhruva Maharaja era dotado de todas as qualidades divinas. Ele era muito respeitoso com os devotos do Senhor Supremo, muito amável com os pobres e inocentes e protegia os princípios reli­giosos. Com todas essas qualificações, ele era considerado o pai direto de todos os cidadãos. Dhruva Maharaja governou este planeta por trinta e seis mil anos – desfrutando, ele diminuía as reações às atividades piedosas, e, praticando austeridades, diminuía as reações inauspiciosas. O autocontrolado Dhruva Maharaja, essa grande alma, passou assim muitos e muitos anos favoravelmente executando três classes de atividades mundanas, a saber, religiosidade, desenvolvimento econô­mico e satisfação de todos os desejos materiais. Depois disso, ele passou a responsabilidade do trono real a seu filho.

Srila Dhruva Maharaja compreendeu que esta manifestação cósmica confunde as entidades vivas assim como um sonho ou uma fantasmagoria por ser uma criação da energia externa ilusória do Senhor Supremo. Assim, Dhruva Maharaja deixou, enfim, seu reino, que se estendia por toda a Terra e cujos limites eram os grandes oceanos. Ele considerou seu corpo, suas esposas, seus filhos, seus amigos, seu exér­cito, seu rico tesouro, seus tão confortáveis palácios e seus muitos e desfrutáveis parques de recreação como criações da energia ilusória. Assim, no devido curso do tempo, ele se retirou para a floresta nos Himalaias conhecida como Badarikasrama.

Em Badarikasrama, os sentidos de Dhruva Maharaja purificaram-­se inteiramente porque ele se banhava regularmente em água pura e cristalina. Ele se fixou em uma postura sentada e, mediante a prática de yoga, controlou o processo respiratório e o ar vital; dessa maneira, recolheu seus sentidos completamente. Concentrou, então, sua mente na forma arca-vigraha do Senhor, que é a réplica exata do Senhor, e, assim meditando nEle, entrou em transe completo. Por causa de sua bem-aventurança transcendental, lágrimas incessantes fluíam de seus olhos, seu coração derretia-se, seu corpo tremia e seus cabelos se arrepiavam. Assim transformado, num transe de serviço devocional, Dhruva Maharaja esqueceu-se inteiramente de sua existência corpórea e, destarte, libertou-se imediatamente do cativeiro material.

Logo que os sintomas de sua libertação se manifestaram, ele viu um aeroplano belíssimo descendo do céu, como se a brilhante Lua cheia estivesse descendo, iluminando todas as dez direções. Dhruva Maharaja viu dois belíssimos associados do Senhor Vishnu no aeroplano. Eles tinham quatro braços e um brilho corporal moreno, eram muito jovens e seus olhos pareciam flores de lótus avermelhadas. Traziam maças em suas mãos e estavam vestidos com roupas muito atrativas, com elmos e decorados com colares, braceletes e brincos. Vendo que essas personalidades incomuns eram servos diretos da Suprema Personalidade de Deus, Dhruva Maharaja imediatamente se levantou. Porém, maravilhado, ele, tomado de pressa, esqueceu-se de como recebê-los de maneira adequada. Por conseguinte, ele simplesmente ofere­ceu reverências com mãos postas e cantou e glorificou os santos nomes do Senhor.

Dhruva Maharajá estava sempre absorto a pensar nos pés de lótus do Senhor Krishna. Seu coração estava repleto de Krishna. Quando os dois servos íntimos do Senhor Supremo, chamados Nanda e Sunanda, aproximaram-se dele, sorrindo alegremente, Dhruva permaneceu com mãos postas, humildemente prostrado. Eles, então, dirigiram-se a ele da seguinte maneira.

Nanda e Sunanda, os dois associados íntimos do Senhor Vishnu, disseram: “Querido rei, toda boa fortuna a ti! Por favor, ouve atentamente o que diremos. Quando tinhas apenas cinco anos, tu te submeteste a rigorosas austeridades e, desse modo, satisfizeste plenamente a Suprema Personalidade de Deus. Nós somos representantes da Suprema Personalidade de Deus, o criador de todo o universo, que traz em Sua mão o arco chamado Sharnga. Fomos especificamente designados para levar-te ao mundo espiritual. É muito difícil alcançar Vishnuloka, mas, por tua austeridade, tu o conseguiste. Mesmo os grandes féis e semideuses não conseguem atingir essa posição. Simplesmente para ver a morada suprema [o planeta de Vishnu], o Sol e a Lua e todos os demais planetas, estrelas, mansões lunares e sistemas solares a estão circungirando. Agora, por favor, vem: recebe as boas-vindas e vem conosco para lá”.

Disseram também: “Querido rei Dhruva, nem teus antepassados, nem ninguém mais antes de ti jamais alcançou esse planeta transcendental. O planeta conhecido como Vishnuloka, onde o Senhor Vishnu reside pessoalmente, é o mais elevado de todos. Ele é adorado pelos habitantes de todos os outros planetas dentro do universo. Por favor, vem conosco e vive lá eternamente. Ó imortal, este aeroplano singular foi enviado pela Suprema Per­sonalidade de Deus, que é adorada com orações seletas e que é a principal de todas as entidades vivas. És inteiramente digno de embarcar em tal aeroplano”.

Maharaja Dhruva era muito querido pela Suprema Personalidade de Deus. Ao ouvir as doces palavras dos principais associados do Senhor no planeta Vaikuntha, ele imediatamente tomou seu banho sagrado, vestiu-se com adornos adequados e executou seus deveres espirituais diários. Em seguida, ofereceu suas respeitosas reverências aos grandes sábios ali pre­sentes e aceitou suas bênçãos.

Antes de embarcar, Dhruva Maharaja adorou o aeroplano, circum-ambulou o mesmo e também ofereceu reverências aos associados de Vishnu. Neste ínterim, ele tornou-se tão brilhante e luminoso quanto ouro derretido. Assim, ele estava completamente preparado para embarcar no aeroplano transcendental.

Ao tentar embarcar no aeroplano transcendental, Dhruva Maha­raja viu a morte personificada aproximar-se dele. Não se impor­tando com a morte, contudo, ele aproveitou-se da oportunidade para colocar seus pés sobre a cabeça da morte e, assim, embarcou no aeroplano, que era grande como uma casa. Nesse momento, tambores e timbales ressoaram do céu, os principais gandharvas puseram-se a cantar e outros semideuses derramaram flores como torrentes de chuva sobre Dhruva Maharaja.

Dhruva sentou-se no aeroplano transcendental, que estava prestes a partir, quando se lembrou de sua pobre mãe, Suniti. Ele pensou consigo mesmo: “Como irei ao planeta Vaikuntha deixando minha pobre mãe para trás?”. Lendo os pensamentos de Dhruva Maharaja, os grandes associados de Vaikunthaloka, Nanda e Sunanda, mostraram-lhe que sua mãe, Suniti, vinha em outro aeroplano.

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)8

Dhruva vê que sua mãe também está procedendo para Vaikuntha, em outro aeroplano.

Atravessando o espaço, Dhruva Maharaja gradualmente viu todos os planetas do sistema solar e, no caminho, viu todos os semideuses em seus aeroplanos lançando chuvas de flores sobre ele. Dhruva Maharaja ultrapassou assim os sete sistemas planetários dos grandes sábios conhecidos como saptarishi. Além daquela região, ele atingiu a situação transcendental de vida permanente no planeta onde vive o Senhor Vishnu.

Os autorrefulgentes planetas Vaikuntha, por cuja iluminação apenas todos os planetas luminosos dentro deste mundo material distribuem luz refletida, não podem ser alcançados por quem não é misericordioso com outras entidades vivas. Só podem alcançar os planetas Vaikuntha aqueles que constantemente se dedicam a atividades para o bem-estar de outras entidades vivas. Pessoas que são pacificas, equânimes, limpas e purificadas, e que conhecem a arte de agradar todas as demais entidades vivas, mantêm amizade somente com devotos do Senhor; só elas podem alcançar muito facilmente a perfeição de voltar ao lar, de voltar ao Supremo.

Dessa maneira, Dhruva Maha­raja, uma personalidade o plenamente consciente de Krishna, o elevado filho de Maharaja Uttanapada, alcançou o topo dos três status de sistemas planetários.

Assim como uma manada de touros circungira pela direita um mastro central, todos os astros dentro do céu universal circungi­ram incessantemente a morada de Dhruva Maharaja com grande força e velocidade.

Após observar as glórias de Dhruva Maharaja, o grande sábio Narada, tocando sua vina, dirigiu-se à arena de sacrifícios dos pracetas e, com muita felicidade, cantou os três versos seguintes.

O grande sábio Narada disse: “Simplesmente pela influência de seu avanço espiritual e poderosa austeridade, Dhruva Maharaja, o filho de Suniti, a qual era devotada a seu esposo, adquiriu uma posição elevada impossível de ser alcançada inclusive pelos ditos vedantistas, ou seguidores estritos dos princípios védicos, isso para não falar de seres humanos comuns”.

O grande sábio Narada continuou: “Vede só como Dhruva Maharaja, magoado com as palavras ásperas de sua madrasta, foi à flo­resta com apenas cinco anos de idade e, sob minha orientação, submeteu-se a austeridades. Embora a Suprema Personalidade de Deus seja inconquistável, Dhruva Maharaja conquistou-O com as qualificações específicas possuídas pelos devotos do Senhor. Dhruva Maharaja atingiu uma posição elevada com apenas cinco ou seis anos de idade, após submeter-se a austeridades por seis meses. Contudo, vede só: um grande kshatriya não pode alcançar tal posição mesmo após submeter-se a austeridades por muitos e muitos anos”.

Grandes pessoas santas e devotos gostam de ouvir sobre Dhruva Maharaja. Ouvindo a narração acerca de Dhruva Maharaja, pode-se satisfazer desejos de riqueza, de reputação e de maior duração de vida. Ela é tão auspiciosa que, simplesmente por ouvir sobre ele, é possível inclusive ir a um planeta celestial ou atingir Dhruvaloka, que foi alcançada por Dhruva Maharaja. Os semideuses também ficam satisfeitos porque esta narração é muito gloriosa, e é tão poderosa que pode neutralizar todos os resultados de ações pecaminosas. Qualquer pessoa que ouça a narração acerca de Dhruva Maharaja, e que repetidamente se esforce com fé e devoção por entender seu caráter puro, alcança a plataforma devocional pura e executa serviço devocional puro. Mediante tais atividades, pode-se atenuar as três espécies de condições miseráveis da vida material. Qualquer pessoa que ouça esta narração acerca de Dhruva Maha­raja adquire qualidades elevadas como as dele. Para qualquer pessoa que deseje grandeza, bravura ou influência, eis aqui o processo pelo qual adquiri-las, e, para homens meditativos que desejem adoração, eis aqui os meios adequados. Deve-se cantar sobre o caráter e as atividades de Dhruva Maharaja de manhã e à noite, com grande atenção e cuidado, numa sociedade de brahmanas ou de outras pessoas duas vezes nascidas.

Pessoas que se refugiaram inteiramente aos pés de lótus do Senhor devem recitar esta narração de Dhruva Maharaja sem exigir remuneração. Especificamente, recomenda-se a recitação em dias de Lua cheia ou de Lua nova, no dia após o ekadashi, no aparecimento da estrela Shravana, no fim de um tithi, ou ocasião de Vyatipata, em particular, no fim do mês ou aos domingos. Tal recitação deve evidentemente ser executada perante uma audiência favorável. Quando se executa a recitação dessa maneira, sem motivos pro­fissionais, o recitador e a audiência tornam-se perfeitos.

A narração da história de Dhruva Maharaja é conhecimento sublime para se alcançar a imortalidade. Pessoas ignorantes da Verdade Absoluta podem ser conduzidas ao caminho da verdade. Aqueles que por bondade transcendental assumem a responsabilidade de se tornarem mestres protetores das pobres entidades vivas automaticamente conquistam o interesse e as bênçãos dos semideuses.

As atividades transcendentais de Dhruva Maharaja são famosíssimas em todo o mundo, e são puríssimas. Na infância, Dhruva Maharaja rejeitou todas as espécies de brinquedos e divertimentos, deixou a proteção de sua mãe e seriamente refugiou-se na Suprema Personalidade de Deus, Vishnu. Aqui concluo esta narração.

.

Se gostou deste material, também gostará destes: Matsya, o Peixe Avatar, O Senhor Vamana Soluciona o Conflito Universal, Nrisimhadeva, o Protetor dos Devotos, Bhadra Kali e o Caráter Exímio de Jada Bharata, O Encontro de Gadadhara e Pundarika.

.

Se gostou deste material, também gostará do conteúdo destas obras:

(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)9(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)10(23) (história - srimad-bhagavatam) Dhruva Maharaja (11000) (ta)11

Anúncios