Sri Tattva-muktavali: O Colar de Pérolas da Verdade

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100 refutações ao monismo absoluto.

Purnananda Chakravarti

Texto 1
Todas as glórias ao Senhor Krishna, que é, simultaneamente, o protetor dos devotos fiéis e o fator tempo eterno devastador e que destruiu os reis demoníacos e cruéis. Krishna, o filho de Maharaja Nanda, é tão esplêndido como uma jovem árvore Tamala. Ele é a fonte da refulgência Brahman ilimitada. Ele é o mestre de todas as potências. Ele é decorado por uma guirlanda de flores Vaijayanti, e Sua fronte é magnificamente decorada com Tilaka.

Texto 2
Um devoto tem plena confiança nas palavras dos Puranas. Todas as manhãs, ele fiel e alegremente estuda os Puranas, em virtude do que a sua mente penetra o significado real das escrituras.

Texto 3
Certo comentarista imaginativo do Vedanta apresentou uma falsa teoria de que a alma espiritual individual e a Suprema Personalidade de Deus são um em todos os aspectos. Um devoto estudioso, conhecedor dos Puranas, rejeita essa falácia e, com a lógica de especialistas, estabelece a distinção eterna entre a alma espiritual individual e a Suprema Personalidade de Deus. Citando evidências abundantes do Sruti e do Smriti, o devoto estudioso apresenta muitos argumentos para provar conclusivamente a diferença entre a alma espiritual individual e a Suprema Personalidade de Deus.

Texto 4
A alma espiritual individual é sempre limitada. O Supremo é sempre ilimitado. A diferença está claramente estabelecida nas descrições da literatura védica. Porque a natureza do Supremo e da alma espiritual individual é muito diferente, deve-se concluir que eles são entidades eternamente diferentes. Eles não podem ser o mesmo.

Texto 5
O mayavadi pode objetar: “As almas espirituais individuais não são diferentes do Supremo, assim como o ar em uma panela e o ar no céu não são diferentes. De fato, simplesmente citando essa analogia, eu provo que as almas espirituais individuais são idênticas ao Supremo”. Para essa declaração, eu respondo: “Este não é um argumento muito bom. O Supremo é ilimitado e não pode ser comparado a uma manifestação material limitada, como o céu material. Ele não tem qualquer semelhança com o céu material, e, portanto, a sua analogia não é uma evidência muito boa para apoiar seus pontos de vista”.

Texto 6
O comentador mayavadi do Vedanta afirmou que as palavras tat tvam asi são o maha-vakya, a declaração mais importante nos Vedas. De acordo com essa explicação, tat significa “o Supremo”, tvam significa “você”, e asi significa “é”. Ele interpretou a frase para dizer “você é o Supremo” e ele afirmou que não há diferença entre o Supremo e as almas espirituais individuais. O vaishnava comentador do Vedanta interpreta essas palavras de uma maneira diferente, dizendo que tat-tvam é uma palavra possessiva composta (sasthi-tatpurusa-samasa). De acordo com sua explicação, tat significa “do Supremo”, e toda a frase significa “você é o servo do Supremo”. Deste modo, o significado apropriado da instrução das escrituras é claramente apresentado.

Texto 7
Ó amigo, o Supremo é onisciente e Ele tudo vê. A partir dEle, todo este cosmos material surpreendente e variado emanou. Ele cria, mantém e destrói todo o universo movendo ligeiramente Sua sobrancelha. Ó amigo, você não é como ele. Você é ignorante de tantas coisas e sua visão é limitada, embora você deseje ver tudo. O Supremo é pleno de todas as opulências, e Ele é a testemunha final que observa todos. Ó amigo, as entidades vivas individuais são numerosas, mas o Supremo é apenas um. Você está atrofiado e impuro pelo contato material, mas Ele permanece sempre puro e livre do toque da matéria. Ó amigo, sua natureza é completamente diferente da dEle.

Texto 8
A objeção pode ser levantada: “Os Vedas dizem brahmaham asmi (‘Eu sou Brahman’). A palavra brahman está certamente no caso nominativo (prathama vibhakti). Você não pode dizer que é possessivo (sasthi) e, assim, mudar o significado. Como é que você tolamente interpreta tat tvam asi como um possessivo composto (sasthi-tatpurusa-samasa)? Como você pode evitar interpretar a citação api ca so yam devadattah (‘Oh Devadatta, você é isto’) no nominativo (prathama) e tentar torná-lo genitivo (sasthi)?” A isso, eu respondo: “Quando as escrituras explicam que a alma espiritual individual é Brahman, o correto entendimento é que as almas individuais são como pequenas faíscas que emanaram do grande fogo do Brahman Supremo. Quanto à interpretação do possessivo composto (sasthi-tatpurusa) de tat tvam asi, você pode não gostar, mas está gramaticalmente correto. Por que não aceitá-la?”

Texto 9
Acostumado a falar em metáforas, os poetas dizem: “Este brahmana jovem é um fogo ardente”, “Este rosto bonito é a Lua cheia”, “Estes seios são o Monte Meru” ou “Estas mãos são galhos a brotarem”. O charme dessas metáforas está em considerar duas coisas como sendo iguais, embora, na verdade, sejam diferentes, porque têm uma característica comum. O autor poético dos Vedas usa esse dispositivo em brahmaham asmi. As entidades vivas espirituais emanam do Brahman Supremo, mas elas não são iguais a Ele em todos os aspectos.

Texto 10
Inumeráveis ondas batem dentro do grande oceano, e, da mesma forma, existem inúmeras almas espirituais dentro do Brahman Supremo. Uma única onda nunca pode se tornar o oceano. Ó alma espiritual individual, como você acha que vai se tornar o Brahman Supremo?

Texto 11
Em todos os lugares nas escrituras védicas, pares de opostos são descritos. Iluminação espiritual e trevas espirituais, religião e irreligião, conhecimento e ignorância são todos descritos como diferentes. Da mesma forma, as escrituras védicas também descrevem o Brahman Supremo e a alma espiritual individual como diferentes. Ó audiência santa, como pode alguém, com um coração honesto, afirmar que a alma espiritual individual e o Brahman Supremo são idênticos em todos os aspectos?

Texto 12
A Suprema Personalidade de Deus é a base sobre a qual tudo repousa. Ele é o monarca supremo e o controlador independente da potência ilusória (maya). Ó alma espiritual individual, você é simplesmente um reflexo da Suprema Personalidade de Deus. Apenas uma lua brilha no céu, embora inúmeros reflexos da lua possam aparecer na água ou em outros lugares. Ó alma espiritual individual, a Suprema Personalidade de Deus é como a única lua original, e as almas espirituais individuais são como inúmeros reflexos dEle. Assim como os reflexos permanecem sempre distintos da própria lua, as almas espirituais individuais permanecem eternamente diferentes de sua fonte original, a Suprema Personalidade de Deus. Ó alma espiritual individual, esta é a eterna distinção entre você e o Supremo.

Texto 13
As escrituras védicas dizem que o Brahman Supremo é imensurável, inconcebível e sem quaisquer atividades materiais ou dever. Ó alma espiritual individual, você é muito facilmente perceptível pela mente material e descritível por palavras materiais. Como é possível, então, que você seja o mesmo que o inconcebível Brahman Supremo?

Texto 14
Ó alma espiritual individual, a sua inteligência aceitou a teoria mayavada, em razão do que você continuamente murmura brahmaham asmi (“Eu sou o Brahman Supremo”) Como você se tornou assim? Eu digo a você: “Se você é o Brahman Supremo, onde está sua opulência sem paralelo? Onde está o seu domínio supremo sobre tudo? Se você é o Brahman Supremo, onde está sua onipresença e onisciência? Sua igualdade com o Brahman Supremo é como a igualdade de um grão de mostarda com o Monte Meru!”

Texto 15
Ó alma espiritual individual, que, por natureza, é muito limitada, o Senhor Supremo é ilimitado. Você só pode estar em um lugar ao mesmo tempo, mas o Supremo está eternamente em todos os lugares. Em um momento, você goza e, em outro momento, você sofre. Desta forma, a sua felicidade e o seu sofrimento são temporários, mas o Senhor Supremo experimenta a perfeição da felicidade transcendental em cada momento. Ó alma espiritual individual, como você pode proferir estas palavras so’ham (“Eu sou o Supremo”)?

Texto 16
O vidro é vidro. A joia é joia. Uma ostra é uma ostra. A prata é prata. Eles nunca vão perder a sua natureza e tornar-se igual ao outro. Se alguém pensa que o vidro é uma joia, ou uma ostra é de prata, ele está enganado. Impelido pelo mesmo tipo de ilusão, a alma espiritual individual imagina que ela é o mesmo que o Brahman Supremo. Iludida, desta forma, a alma espiritual propõe a interpretação mayavada de tat tvam asi e outras declarações dos Vedas.

Texto 17
A declaração védica tat tvam asi deve ser interpretada da seguinte forma: tat significa “o Brahman Supremo, que é como um oceano de néctar de perfeita bem-aventurança transcendental”. Tvam significa “a alma espiritual individual e aflita, cuja mente está angustiada com os medos produzidos pela residência continuada no mundo material”. Por causa da natureza da alma espiritual individual e o Brahman Supremo serem diferentes, desta forma, não podem ser equiparadas. Na realidade, o Brahman Supremo é o supremo objeto de culto para os inúmeros universos, e a alma espiritual individual é Sua serva. Esse é o significado real de tat tvam asi.

Texto 18
Os mayavadis afirmam que, quando a Pessoa Suprema é descrita nos textos védicos, deve-se rejeitar os significados literais de tais descrições e, em vez disso, aceitá-los alegoricamente, ou não no sentido transmitido pelo significado primário das palavras.

Texto 19
Os mayavadis insistem em interpretar a descrição védica do Supremo em uma forma alegórica, ou indireta, então, por favor, nos diga por que você abandonou o significado literal e direto em favor da interpretação indireta?

Texto 20
Há três razões para rejeitar o significado primário de uma palavra e, em vez disso, aceitar um sentido secundário. São eles: 1. Se o significado primário não faz sentido, 2. Se a tradição ou uso comum suplanta o significado primário com um significado secundário geralmente aceito, 3. Se um comentário autorizado explica que um significado secundário deve ser entendido. Nessas circunstâncias, pode-se rejeitar o significado primário e aceitar o significado secundário de uma palavra.

Texto 21
Se o significado primário é sem sentido, é preciso encontrar um significado secundário que faça sentido.

Texto 22
Não se deve aceitar o significado primário se não faz sentido. Por exemplo, o significado primário de grama é “aldeia”, mas, se grama é descrito como “ilimitado”, deve-se rejeitar o significado primário e aceitar o secundário, “imensidão”. Da mesma forma, o significado primário de putra é “filho”, mas, se putra é descrito como “aparecer sem um pai”, o significado primário deve ser rejeitado e um secundário, “aquilo que salva do inferno”, deve ser aceito.

Texto 23
A sentença kumbha-khadga-dhanur-banah pravisanti é um exemplo do uso de significado secundário. Pravisanti significa “entrar” e kumbha, khadga, dhanuh e bana significam “jarros, espadas, arcos e flechas”, respectivamente. O significado principal da frase é “jarros, espadas, arcos e flechas entram”. Essa interpretação claramente não faz nenhum sentido. Nessas circunstâncias, o significado secundário deve ser aceito. Se as duas primeiras palavras são aceitas como bahuvrihi-samasas, a interpretação secundária, isto é, “homens carregando jarros, espadas, arcos e flechas entram” pode ser aceita para substituir o significado primário rejeitado.

Texto 24
A sentença gangayam ghosah é outro exemplo do uso de significado secundário. O significado principal aqui é “o rio Ganges falou”. Esse significado primário deve ser rejeitado porque um corpo de água não pode falar. Aqui, a interpretação secundária “ele disse a palavra Ganges” é mais apropriada.

Texto 25
A sentença ayur ghrtam é outro exemplo do uso de significado secundário. Tomada literalmente, a frase significa: “A manteiga clarificada é idêntica à vida longa”. Nessa frase, manteiga clarificada e vida longa são equiparadas, embora elas não sejam completamente a mesma coisa. Nessa frase, a interpretação secundária “comer alimentos preparados com manteiga clarificada prolonga a vida” deve ser aceita para a sentença fazer sentido.

Texto 26
Um texto pode ser interpretado de três maneiras: 1. O significado literal (primário) pode ser aceito, 2. Pode-se rejeitar o significado literal e aceitar um significado secundário das palavras, não tão comumente usado, ou 3. Pode-se aceitar as declarações como metafóricas ou alegóricas. A fim de estabelecer a sua teoria, os mayavadis diligentemente rejeitam a interpretação literal das demonstrações védicas e apresentam uma interpretação com base em aceitar os significados secundários das palavras.

Texto 27
Tomada literalmente, as demonstrações védicas não apoiam a teoria de que a alma espiritual individual é o mesmo que o Brahman Supremo. Por essa razão, os mayavadis rejeitam o significado literal dos textos e inventam uma interpretação figurada com base em aceitar definições obscuras das palavras e rejeitando os significados comumente usados das palavras. Como os mayavadis esperam compreender a verdade sobre Brahman se adotam essa política desviante?

Texto 28
Os Vedas afirmam diretamente que o Brahman Supremo é o criador original do universo (jagat-karta). A partir dessa afirmação, é lógico inferir que o Supremo é a causa das muitas entidades vivas. As muitas entidades vivas, portanto, têm o Supremo como seu criador. Esse é o significado direto da instrução Védica.

Texto 29
O Sruti e Smriti fornecem abundante evidência para apoiar a interpretação de que o Brahman Supremo é o criador das muitas entidades vivas. Que os Vedas descrevem a individualidade distinta do único Brahman Supremo e as muitas almas espirituais individuais é confirmado pelo Senhor Krishna na Bhagavad-gita (15.15), onde Ele disse, vedais ca sarvair aham eva vedyah: “Por todos os Vedas, sou Eu que devo ser conhecido”).

Texto 30
Os mayavadis afirmam que os Vedas dizem que o mundo material é irreal. Ó mayavadis, mesmo se isso é assim, como se pode inferir a partir disso que o Brahman Supremo, que é cheio de todas as opulências e a origem de todas as entidades que se movem e que não se movem também seja irreal?

Texto 31
Os mayavadis podem dizer que as escrituras védicas afirmam claramente que o Supremo não pode ser compreendido pela mente ou descrito em palavras. A isso, eu respondo: “Ó mayavadis, por favor, ouçam a minha resposta. Essa afirmação significa que o Supremo não pode ser entendido pela ginástica mental dos especuladores tolos. O Supremo só pode ser entendido quando se ouve sobre Ele da fonte correta e com o bom espírito devocional. Além disso, porque o Brahman Supremo possui qualidades transcendentais infinitas e insondáveis, ninguém é capaz de saber acerca dEle ou descrevê-lO completamente”.

Texto 32
Os mayavadis afirmam que a declaração védica avan-manasa-gocaram (“o Supremo não pode ser compreendido pela mente ou descrito em palavras”) prova que o Supremo não pode ser descrito ou entendido. A isso, eu respondo: “Essa descrição pode aplicar-se a palavras comuns ou pensamentos, mas não para as palavras dos Vedas. Os Vedas elaboradamente descrevem o Brahman Supremo. Por favor, não pense que as declarações dos Vedas são como um aleijado manco que não podem descrever o Supremo”.

Texto 33
Ó mayavadis orgulhosos, vocês devem pensar como grandes estudiosos. Os Vedas dizem, sabda-brahmani nisnatah para-brahmadhigacchati: “Peritos na compreensão do Supremo, os que são realmente eruditos aprendem a alcançar o reino espiritual”). Não há nenhum erro nessas palavras dos sábios védicos. Por favor, não digam que ninguém pode compreender ou descrever o Supremo.

Texto 34
A palavra ghata tem um significado específico, e a palavra pata também tem um significado específico. Há várias palavras que indicam objetos específicos. Nos Vedas, as palavras sat (“eternidade”), cit (“conhecimento”) e ananda (“felicidade”) são usadas para indicar diretamente o Brahman Supremo.

Texto 35
As palavras têm tanto sentidos primários quanto secundários. Se o significado de uma palavra é ambíguo, então, no curso da conversa, o significado adequado se tornará evidente pelo contexto. Se alguém entra em uma conversa quando uma pessoa pede a um menino: “Por favor, traga o Saindhava”, o significado da declaração do homem pode não ser claro, pois a palavra Saindhava pode significar tanto “sal” quanto “cavalo”. No entanto, quando o menino retorna com o Saindhava, a intenção da pessoa será imediatamente compreendida. Da mesma forma, o sentido próprio das palavras ambíguas nos Vedas torna-se claro quando o estudante sério estuda todo o corpo de literatura védica e vê a declaração ambígua na perspectiva adequada.

Texto 36
Ao ouvir repetidamente as palavras do mestre espiritual e estudar cuidadosamente a literatura védica, o estudante sincero será capaz de compreender o significado adequado do Brahman e as outras palavras no vocabulário védico.

Texto 37
A Suprema Personalidade de Deus também é o controlador supremo e intérprete supremo de atividades, daí Sua forma ser perfeita e eterna. Um executor de atividades tem sempre uma forma. Ninguém jamais viu um executor de atividades sem forma.

Texto 38
Se a Suprema Personalidade de Deus, que também é o controlador supremo, tem uma forma, podemos facilmente concluir que Ele tem uma forma semelhante à humana, como a que nós temos. Isso pode ser concluído porque todos os executores de atividade têm formas que são bastante semelhantes. Nós não vemos por que a Suprema Personalidade de Deus deva ser uma exceção a esse respeito.

Texto 39
Há uma diferença entre a todo-poderosa Suprema Personalidade de Deus e as muitas entidades vivas. As entidades vivas estão continuamente atormentadas por seis ondas (que começam com a fome e a sede) da existência material. A fim de realizar algo, as entidades vivas têm que trabalhar muito duro, segurando em suas mãos pás, arados e foices. Desta forma, muito cansadas, trabalhando duro, as entidades vivas se tornam morosas no coração. A Suprema Personalidade de Deus não é de todo como as entidades vivas individuais nesta matéria. Simplesmente movendo uma sobrancelha, a Suprema Personalidade de Deus pode concluir o que Ele deseja.

Texto 40
A Suprema Personalidade de Deus é capaz de fazer tudo sem esforço, mudar tudo ou destruir qualquer coisa. Essa é uma diferença muito grande entre o Supremo e os minúsculos jivas (almas espirituais individuais).

Texto 41
Alguém pode dizer: “Se as entidades que vivem no mundo material ora sofrem, ora desfrutam por causa de seus corpos, então, se o Supremo tem um corpo, Ele também deve sofrer e desfrutar da mesma forma”. A isso, eu respondo: “As entidades vivas condicionadas possuem formas materiais sujeitas a seis alterações (crescimento, deterioração, morte etc.). O corpo espiritual da Suprema Personalidade de Deus, porque Ele é o mestre de todas as opulências, não é de todo como essas formas materiais. O corpo espiritual do Senhor nunca é submetido a velhice, decadência e morte, e Sua felicidade nunca diminui”.

Texto 42
Alguém pode objetar: “Cada entidade viva obtém certo corpo por causa de seu karma passado, e, portanto, quando o Supremo manifesta um corpo, Ele também tem esse corpo como uma reação cármica”. A isso, eu respondo: “O Supremo é o controlador final, e é Ele que concede os resultados cármicos para nós seres vivos. Como administrador final das leis do karma, Ele não está sob a sua jurisdição. Essa é a relação entre a Ele e nós”.

Texto 43
Alguém pode objetar: “Todos os corpos são temporários. Portanto, o corpo do Supremo deve ser também uma manifestação temporária.”. A isso, eu respondo: “Não. O corpo do Supremo é eterno. Assim como a terra assume várias formas temporárias, embora os átomos que são a fonte do elemento terra permaneçam sempre; da mesma forma, a entidade viva eterna, por causa do seu karma, aceita formas materiais diferentes! As formas espirituais originais, tanto do Supremo quanto das entidades vivas subordinadas permanecem eternas, apesar de a alma condicionada poder aceitar diferentes coberturas materiais por causa de seu karma”.

Texto 44
Os textos védicos explicam que, em circunstâncias normais, a entidade viva condicionada não pode negar os resultados de seu karma passado. A fim de manter a verdade dessa afirmação, a Suprema Personalidade de Deus, que detém o disco Sudarshana na mão, finge estar vinculado pelas reações dos últimos atos piedosos e impiedosos quando Ele aparece neste mundo disfarçado como uma pessoa comum.

Texto 45
Tenho ouvido nos Puranas que todo este universo passou a existir a partir da flor de lótus que brotou do umbigo da Suprema Personalidade de Deus. Devemos, então, concluir que o Supremo tem apenas um umbigo sem corpo e não um corpo completo? Se o Senhor Supremo tem um umbigo, Ele deve ter um corpo completo com todos os membros e sentidos também.

Texto 46
A forma transcendental da Suprema Personalidade de Deus é elaboradamente descrita em todos os Vedas. Essa forma célebre é muito bonita, e Ele deleita completamente os sentidos de todos os devotos. Essa forma transcendental é dotada das seis opulências: toda beleza, toda força, toda fama, todo conhecimento, toda riqueza e toda renúncia. O sagrado rio Ganges é a água que lavou os pés de lótus do Senhor.

Texto 47
Sempre que, pela força do tempo, aumenta a impiedade e o dharma declina, a Suprema Personalidade de Deus protege os devotos santos e destrói os demônios.

Texto 48
A Suprema Personalidade de Deus Se manifesta em dois aspectos: 1. Em Sua forma original, como a fonte de todas as encarnações; 2. Em Suas muitas encarnações vishnu-tattva. As muitas entidades vivas também podem ser divididas em dois grupos: 1. Os devotos (que são livres da influência da energia ilusória); 2. os não devotos (que estão presos pelas ilusões de maya).

Texto 49
Alguns teóricos afirmam que as almas espirituais individuais são, na verdade, o Supremo, assim como reflexos na água são o mesmo que o objeto refletido. Por simplesmente criarem essa analogia, essas pessoas tolas de forma alguma estabelecem a identidade da alma espiritual individual e do Supremo.

Texto 50
Como é possível que as almas espirituais individuais sejam reflexos do Supremo e iguais a Ele em todos os aspectos? As almas espirituais individuais não são iguais ao Supremo. Se elas são iguais, por que o Supremo é descrito como ilimitado, que a tudo permeia e livre de contaminação material? Por que as entidades vivas individuais são descritas como sendo condicionadas, sujeitas à ilusão material, envolvidas nos atos piedosos e impiedosos descritos nos Vedas, e experimentam, assim, a felicidade misturada com sofrimento da existência material? O Supremo não está sujeito à influência da matéria.

Texto 51
O sol ou algum outro objeto fixo em um determinado lugar e que não permeia tudo pode ser refletido em outro lugar. Por definição, o Supremo permeia tudo. Algo não localizado, mas presente em todo lugar, não pode ser refletido. Portanto, o Supremo onipresente não pode ser refletido. A analogia do reflexo é completamente inadequada para descrever a relação entre o Supremo e as muitas entidades vivas, e, usando essa analogia, não se pode tirar a conclusão de que o Supremo e as muitas entidades vivas são iguais.

Texto 52
Ramanujacharya, o mais elevado dos filósofos espirituais, já refutou a teoria mayavada de que o Supremo e as almas espirituais individuais são idênticas, assim como o sol e seu reflexo. Por causa de sua refutação perita, leitores inteligentes deixarão de aceitar a ideia mayavada, não a considerando séria.

Texto 53
O Sruti-sastra explica que o Supremo e a alma espiritual individual são como dois pássaros amigáveis que se sentam em uma árvore. É explicado claramente que são dois, e, desta forma, a eterna distinção entre eles é estabelecida. Como os mayavadis tornaram-se tão desnorteados que agora contradizem a declaração védica e dizem que ambos são um?

Texto 54
Segundo os Vedas, brahmaivaham na samsari: “Eu sou Brahman, eu não pertenço a este mundo material de nascimento e morte”. Isso significa que o transcendentalista avançado já não se identifica como um produto da natureza material, mas entende que ele é espírito, diferente da matéria. Desta forma, ele se torna livre de toda a lamentação e todos os tipos de contaminação material. Essa é a explicação adequada para essa afirmação, e não a falsa unidade imposta pelos mayavadis.

Texto 55
Segundo os Vedas, aham eva khalu brahma: “Eu sou Brahman”. Isso significa que o transcendentalista avançado abandona o espírito do materialismo e entende sua identidade espiritual real em relação ao Supremo, mas isso não significa que, a qualquer momento, ele vá se tornar idêntico ao Brahman Supremo.

Texto 56
Alguns teóricos afirmam que, meditando no Supremo, com concentração fixa da mente, o yogi aspirante torna-se o Supremo, assim como uma larva medita em como se tornar uma abelha e realmente se transforma por essa meditação. A isso, eu respondo: “Você criou essa analogia na fábrica do seu cérebro fértil, mas não é apoiada por nenhuma obra védica. Assim como uma larva se torna uma abelha, uma alma espiritual individual pode atingir algumas das qualidades do Supremo em grau diminuto, mas ela nunca realmente torna-se igual à Suprema Personalidade de Deus”.

Texto 57
Por continuamente adorar intelectuais com grande devoção, uma pessoa nascida com apenas uma inteligência pequena não se torna um intelectual, embora, em alguns aspectos, ela possa adotar os hábitos de um intelectual. Da mesma forma, ao meditar no Supremo, ninguém se torna o Supremo. Quem aceitará as declarações insensatas dos mayavadis?

Texto 58
No Vedanta-sutra, Srila Vyasadeva declara a eterna distinção entre o Supremo e as almas espirituais individuais na declaração karma-kartr-vyapadesac ca: “Há dois executores de atividades”. Em seu comentário sobre este sutra, Shankaracharya admite a eterna distinção entre o Supremo e as almas espirituais individuais. Ao explicar esse sutra, Shankaracharya cita a afirmação das Upanishads: guham pravistau (“Duas entidades vivas, a alma espiritual individual e o Paramatma Supremo, residem no coração”).

Texto 59
Em seu comentário ao Vedanta-sutra 1.2.5, Shankaracharya citou versos da Bhagavad-gita que mostram claramente que o Senhor Supremo e as almas espirituais individuais são eternamente entidades diferentes. Se Shankara não aceitou que o Senhor Supremo e as almas espirituais individuais são eternamente diferentes, como ele poderia ter citado esses versos que revelam claramente a sua relação como Senhor e servo? “Ó Arjuna, o Senhor Supremo está situado no coração de todos e está a conduzir a jornada de todas as entidades vivas que estão sentadas em uma máquina feita de energia material”. (Bhagavad-gita 18.61) “Ó descendente de Bharata, entrega-te totalmente a Ele. Por Sua graça, você alcançará a paz transcendental e a morada suprema e eterna”. (Bhagavad-gita 18.62).

Texto 60
Eu estou sujeito à vida condicionada, onde eu desfruto em certos momentos e, outras vezes, eu sofro. A Suprema Personalidade de Deus, no entanto, é, naturalmente, sempre cheio de bem-aventurança transcendental e Ele nunca sofre. Essa é a distinção entre eu e o Supremo. Como é possível que sejamos idênticos se somos tão diferentes dessa forma?

Texto 61
O Supremo é eterno, autorrefulgente, sempre livre do contato material, extremamente puro e o único que tudo permeia; é Ele a testemunha onisciente e o superintendente de todo o universo. Nenhuma pessoa razoável pode apresentar alguma evidência de que essas palavras também podem ser uma descrição da alma espiritual individual. Essas palavras são um raio que atinge a árvore do monismo impersonalista e a derruba.

Texto 62
Nos Vedas, encontramos a palavra jivatmanoh (“da alma espiritual individual e do Supremo”). Embora o significado óbvio desta palavra seja que a alma espiritual individual e o Supremo são eternamente diferentes e nunca se tornam idênticos em uma fusão homogênea, ainda, a fim de manter a sua teoria intacta, os mayavadis rejeitam as regras de gramática sânscrita e tolamente negam que jivatmanoh é um dvandva-samasa.

Texto 63
A fim de manter a sua teoria intacta, os mayavadis interpretam a palavra jivatmanoh como um composto karmadharaya (adjetivo). Desta forma, eles dizem que a palavra “entidade viva individual” é um adjetivo modificando o substantivo “o Supremo”, assim como a palavra “azul” pode ser utilizada para modificar o substantivo “flor de lótus”. Desta forma, eles rejeitam o significado óbvio e, pelo malabarismo gramatical, tentam estabelecer sua própria interpretação infundada e fantasiosa.

Texto 64
Na literatura védica, encontramos muitas vezes a sentença annam brahma (“alimento espiritual”). Essa sentença significa que, quando o alimento é oferecido em sacrifício à Suprema Personalidade de Deus, torna-se espiritualizado. Da mesma forma, quando encontramos brahmaham asmi (“Eu sou Brahman”), essas palavras devem ser interpretadas no sentido de que, porque se envolve em serviço devocional ao Supremo, a alma espiritual individual torna-se capaz de abandonar o equívoco de identificar o corpo material externo como sendo ela e entende que, na verdade, ela é espírito (Brahman) e não matéria.

Texto 65
Muitas passagens dos Vedas e Puranas podem ser citadas para provar que as almas espirituais individuais são diferentes do Supremo, e muitas outras passagens também podem ser citadas para provar que não são diferentes. Abandonando toda inveja, filósofos sábios espirituais consideraram cuidadosamente esses pontos e concluíram que tanto o Supremo quanto as almas espirituais individuais possuem formas e personalidade eternas e distintas.

Texto 66
Ó desnorteada alma espiritual individual, a sua inteligência foi roubada pela ilusão mayavada. Por favor, abandone esse murmúrio contínuo de brahmaham asmi (“Eu sou Brahman”) e compreenda que, porque você está se afogando no meio do oceano intransponível de repetidos nascimentos e mortes, impotente, atirada pelas ondas das reações de ações passadas, você não pode ver o Supremo.

Texto 67
O Supremo é o esposo da deusa da fortuna. Ele é um oceano de néctar da bem-aventurança transcendental. Shiva e todos os grandes semideuses O servem. O sagrado Ganges é a água que lavou Seus pés. Antes de o cosmo material ser manifesto, Ele criou tudo em um momento simplesmente por mover ligeiramente Sua sobrancelha. Ó alma espiritual individual, o murmúrio contínuo de so’ham (“Eu sou o Supremo”) é completamente irracional e ilógico. Ele é o mestre supremo, o monarca que governa toda a existência e você é Seu pequeno filho, sempre dependente de Sua proteção.

Texto 68
Ó tola alma espiritual individual, como é que você está a dizer: “Eu sou o Supremo que permeia todo o universo”? Ó alma espiritual individual, quem colocou você dentro deste universo material? De onde você veio? Por que você é forçada a sofrer grandemente dentro deste mundo? Ó alma espiritual individual, por favor, reflita honestamente em seu coração e tente entender o que é a verdade real. Por favor, livre-se desse caminho ilusório da teoria mayavada.

Texto 69
Ó alma espiritual individual, por favor, abandone este murmúrio de so’ham (“Eu sou o Supremo”). Saiba que você é servo eterno do Senhor Hari, dedique-se a Seu serviço devocional puro e, assim, torne-se qualificado para entrar no mundo espiritual eterno. Se você rejeitar o serviço ao Senhor Hari, você cairá nos úteros de mães em diferentes espécies e sofrerá uma grande angústia ao vaguear no mundo material.

Texto 70
Ó alma espiritual individual, você fez um grande erro ao aceitar o lema so’ham (“Eu sou o Supremo”). Por favor, rejeite essa ilusão e dedique-se ao serviço devocional puro ao Senhor Krishna. Deixe seu lema ser “o Senhor Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, o mestre extremamente poderoso e opulento, senhor dos três mundos, e eu sou Seu servo eterno”. Abandone a falácia mayavada e compreenda a eterna distinção entre o Senhor Krishna e você mesmo. Desta forma, alcance a devoção pura e inabalável por Krishna.

Texto 71
A eterna distinção entre o Supremo e as almas espirituais individuais é claramente descrita no Narada-pancharatra e em todos os outros textos védicos. Ainda assim, alguns agora são incapazes de compreender a diferença entre o Supremo e as almas espirituais individuais.

Texto 72
Aqueles que sofrem de icterícia não podem saborear a doçura do açúcar e, na verdade, para eles, o açúcar é muito amargo. Aqueles cujos olhos estão doentes não podem ver a brancura de um búzio porque vêm tudo ser amarelo. Aqueles cujas mentes estão sempre perturbadas por planos frenéticos para obter a gratificação dos sentidos não podem compreender a pureza espiritual. Da mesma forma, aqueles que estão aflitos com a doença mayavada não podem perceber a felicidade de adorar e glorificar o Senhor Krishna.

[Não há texto 73]

Texto 74
Pela misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, as entidades vivas individuais são dotadas de um pequeno fragmento de consciência. Contudo, os mayavadis proclamam: “Eu sou realmente o Supremo.” Ao dizer isso, você se tornará como uma pessoa com mente criminosa que obtém do rei elefantes, cavalaria e infantaria após implorar proteção durante uma viagem e, em seguida, decide usar todos esses soldados como seu próprio exército pessoal de bandidos para saquear a propriedade do rei nas estradas reais.

Texto 75
A potência material, que é poderosa, ilusória, confunde os três mundos e é conhecida como maya, é a serva submissa da Suprema Personalidade de Deus, que é o controlador final, o mestre de todas as opulências transcendentais, eterno e pleno de todo conhecimento e bem-aventurança. As entidades vivas individuais estão estritamente sujeitas ao controle dessa potência ilusória, e elas são como animais domésticos guiados por um anel no nariz. Por favor, considere por um momento. Essa é uma diferença muito significativa entre o Supremo e as entidades vivas individuais.

Texto 76
Depois de estudar cuidadosamente as seis escolas de filosofia (Kapila, Kanada, Gautama, Patanjali, Jaimini e Bhatta Bhaskara), pessoas inteligentes levantam a questão: “Qual é a conclusão? O Supremo e as almas espirituais individuais são diferentes? Ou são o mesmo? É possível que eles sejam um e diferente ao mesmo tempo?”

Texto 77
Em muitos lugares dos Vedas, Puranas e Vedantasutra, li que o Supremo e as almas espirituais individuais são eternamente distintos. Então, novamente, em muitos lugares das mesmas escrituras, li também que eles são o mesmo. Devemos, portanto, concluir que o Supremo e as almas espirituais individuais são simultaneamente um e diferente. Isto é, com certeza, muito surpreendente.

Texto 78
O Supremo é descrito como o criador supremamente independente e controlador de todo o universo. A alma espiritual individual é descrita como sempre dependente de forças superiores. Como é possível que essas duas descrições radicalmente diferentes se apliquem à mesma pessoa? Elas devem descrever dois seres distintos.

Texto 79
Diferentes plantas e ervas medicinais manifestam sabores diferentes. Algumas são amargas, algumas são doces e algumas são uma variedade de sabores complexos. Elas não são todas um. Se todas fossem uma só, por que algumas ervas seriam específicas para a cura de determinadas doenças e não outras? Mesmo quando as ervas são misturadas para formar um medicamento, cada erva conserva as suas propriedades específicas dentro da mistura. Da mesma forma, quando as almas espirituais individuais fundem-se no corpo do Senhor Vishnu no momento da aniquilação cósmica, mantêm a sua individualidade. Elas não se tornam um. Quando o cosmo material é novamente manifesto do corpo do Senhor Vishnu, as almas espirituais individuais também emergem e entram novamente em vários corpos materiais de acordo com os atos piedosos e impiedosos que realizavam na manifestação cósmica anterior. Quando as almas espirituais individuais entram no corpo do Senhor Vishnu no momento da aniquilação cósmica, portanto, elas não perdem sua individualidade nem se tornam o Senhor Vishnu.

Texto 80
A água do mar é salgada e a água do rio não tem sal. Ao observar as suas diferentes qualidades, as diferenças entre o rio e o oceano podem ser percebidas. A diferença entre as almas espirituais individuais e a Suprema Personalidade de Deus pode ser vista da mesma maneira: ao se tornar consciente de suas qualidades diferentes.

Texto 81
Embora as águas dos rios fluam para o oceano em todas as direções, os rios e oceanos não se tornam um em todos os aspectos. A água do mar continua a ser salgada e a água do rio permanece fresca. Eles não perdem suas naturezas. Da mesma forma, leite e água também são muito diferentes. Eles também não perdem sua natureza, mesmo quando estão misturados.

Texto 82
Quando água e leite são misturados, uma pessoa comum não consegue distinguir onde está o leite e onde está a água, embora um cisne possa separá-los em um momento. Da mesma forma, quando as almas espirituais individuais entram no corpo do Senhor Maha-Visnu, no momento da devastação cósmica, os mayavadis não podem distinguir onde estão as almas espirituais individuais e onde está o Senhor, embora os devotos, que entendem tudo através das instruções do mestre espiritual fidedigno, possam distingui-los imediatamente.

Texto 83
Uma quantidade de leite pode ser misturada com um pouco de leite e uma quantidade de água pode ser misturada com um pouco de água. Mesmo que as substâncias sejam o mesmo, a quantidade menor não se torna um em todos os aspectos com a quantidade maior. Em vez disso, a diferença dos volumes permanece. Da mesma forma, envolvendo-se em meditação, yoga, alguém pode parecer fundir-se no Supremo. O yogi, na verdade, não se torna o mesmo que o Senhor, porque o yogi permanece pequeno e o Senhor permanece grande. Essa é a descrição dada pelos transcendentalistas que são puros de coração.

Texto 84
Existem alguns estudiosos que, muito embora cuidadosamente sigam o caminho errado e estejam realmente a se afogar no grande oceano da falta de lógica, são muito peritos em discursos floridos e debate. Essas pessoas são preenchidas com centenas de teorias defeituosas e elas expõem suas ideias em muitas palavras, proclamando: “Eu sou o Brahman Supremo” e “Tudo que é visível não é nada mais do que o Supremo que se move e não se move”. Desta forma, têm enganado o mundo inteiro.

Texto 85
Ó amigo mayavadi, se você, eu e todo o resto somos todos realmente o mesmo Brahman Supremo e não há distinção real entre nós, então nós somos realmente todos um. Se isso for verdade, então sua riqueza, filhos, esposa e todos os seus bens são, na verdade, também meus. Eu reivindico todos eles agora. Dê-me todos imediatamente.

Texto 86
Ó amigo mayavadi, se somos todos realmente o Supremo, as divisões do sistema varnasrama não têm significado, e as ordens e proibições dos Vedas são também sem significado. Você pretende basear sua teoria nos Vedas, mas a sua teoria leva seus seguidores para finalmente rejeitar os Vedas. Qual é a diferença entre a sua teoria e o budismo ateu? Os Budistas são hereges e criminosos por rejeitar os Vedas.

Texto 87
Ó amigo mayavadi, por favor, ouça. No Terceiro Canto do Srimad-Bhagavatam, o Senhor Kapila cuidadosamente explicou à Sua mãe que a Suprema Personalidade de Deus é eternamente diferente dos cinco elementos grosseiros materiais, os sentidos materiais, a mente, a inteligência, o ego falso e a alma espiritual individual. Ele explicou cuidadosamente a diferença eterna entre a alma espiritual individual e o Supremo.

Texto 88
Alguns meditam no vazio descrito por seu professor. Com um coração vazio e mente vazia, eles vêm tudo como vazio e eles concebem a Suprema Personalidade de Deus como um vazio que não pode ser descrito. O vazio real está em sua inteligência, e eles não recebem nada como resultado de seus trabalhos.

Texto 89
No Mahabharata, Srila Vyasadeva criticou o vazio dizendo: “Os que acreditam que o Supremo é um vazio estão na escuridão da ignorância. Agora e no futuro, eles estão em trevas”.

Texto 90
No Mahabharata, Srila Vyasadeva refutou a teoria do impostor Kapila de que o Supremo é um esplendor espiritual vazio.

Texto 91
Embora a Suprema Personalidade de Deus seja como um oceano de qualidades transcendentais auspiciosas, os mayavadis, como um rebanho de ovelhas seguindo cegamente Shankaracharya, afirmam que o Supremo não tem qualidades. Interpretando mal as palavras do Vedanta-sutra, eles enganam seus seguidores infelizes.

Texto 92
A Suprema Personalidade de Deus é ilimitadamente o poderoso criador original de tudo, e Ele é cheio de todas as opulências e qualidades transcendentais. Como podem os mayavadis afirmar que Ele não tem qualidades? Os mayavadis recusam-se a aceitar as palavras dos Vedas.

Texto 93
A Suprema Personalidade de Deus é pleno de conhecimento. Ele é o desfrutador de uma série de passatempos transcendentais. Cada desejo Seu é imediatamente cumprido sem o Seu esforço. Ele é pleno de todas as opulências transcendentais e qualidades auspiciosas. Onde é que os Vedas dizem que Ele não tem qualidades ou opulências? Ó amigo, por que você se tornou silencioso? Por que você não diz nada para descrever a falta de qualidades transcendentais auspiciosas no Supremo, que é como um oceano de qualidades transcendentais? Ó amigo, por favor, considere todos esses pontos dentro de seu coração e mente. Tente entender o que é a verdade real.

Texto 94
Algo que existe, mas não tem qualidades, nunca foi percebido, seja na experiência direta de alguém ou na revelação transcendental dos Vedas. Essa concepção de uma substância sem qualidades é uma fantasmagoria que existe apenas na mente dos mayavadis. É como uma grande flor imaginada a flutuar no céu. Ó amigo, se, por malabarismos de palavras, você acha que encontrou uma citação escritural que descreve essa substância sem qualidades, eu digo que nenhuma pessoa inteligente vai acreditar em você. Você procurará nos Vedas em vão por essa descrição.

Texto 95
Os textos védicos explicam que, assim como, quando um sacrifício védico é concluído, o realizador do sacrifício pode tornar-se inativo por um momento; da mesma forma, o Supremo pode às vezes ser descrito como sem qualidades porque Ele às vezes Se recusa a mostrar Suas qualidades transcendentais.

Texto 96
Quando os Vedas explicam que o Supremo é sem qualidades, eles querem dizer que Ele não tem qualidades materiais imaginadas por um adorador fantasioso.

Texto 97
Ó amigo, apesar de você dizer que o Supremo não tem qualidades, os Vedas não vão apoiar o seu ponto de vista. Os Vedas dizem, sa satya-dharmah: “O Supremo está cheio de qualidades transcendentais auspiciosas”.

Texto 98
Só se pode conceber uma coisa por entender suas qualidades. Se a pessoa não compreende corretamente as qualidades de algo, ele não entende isso. Por exemplo, uma concha de ostra cintilante parece prata e alguém pode facilmente confundi-la com prata. Tal ilusão surge da incompreensão das qualidades dos dois objetos. Assim como se pode confundir uma ostra com prata, pode-se pensar erroneamente que o Supremo tem atributos materiais. Os atributos do Supremo são perfeitamente espirituais.

Texto 99
Segundo os Vedas, yato va imani bhutani jayante: “Toda a manifestação cósmica emanou do Supremo”. Alguns teóricos afirmam erroneamente que o cosmo material é simplesmente uma transformação da ignorância e não tem o Supremo como seu criador. Nenhuma pessoa inteligente aceitará essa ideia errada.

Texto 100
Não é lógico dizer que este universo material se manifesta da ignorância. Este mundo não pode ser simplesmente ignorância, porque o Senhor Supremo, Krishna, executa Seus passatempos eternos e transcendentais aqui.

Texto 101
Os mayavadis comparam a existência material a um sonho, mas, na verdade, não é tudo como um sonho. A condição de sonho está cheia de muitas falhas. Em um sonho, se pode comer e beber sem limites, mas a pessoa nunca se torna saciada, embora, na condição de vigília, alguém rapidamente torne-se saciado por comer e beber. O uso desta analogia pelos mayavadis é um grande erro, pois a condição de vigília não é nada como um sonho.

Texto 102
Se este mundo material é uma ilusão, como você diz, então por que você realiza atividades diferentes para elevação material e espiritual? Assim como um pote de barro é útil para o transporte de água, este mundo material é útil para as almas espirituais individuais. Ele pode ser temporário, mas não é irreal.

Texto 103
Se o universo material é simplesmente criado a partir de ilusão e é falso, todos os princípios e penitências descritos nas escrituras são sem sentido. Se este mundo é uma ilusão, então por que reis piedosos punem ladrões e criminosos?

Texto 104
Ó amigo mayavadi, você diz que este mundo material é irreal, assim como, quando uma guirlanda de flores é confundida com uma cobra no escuro, a cobra imaginada não tem existência real. Essa é uma analogia pobre. Nessa analogia, uma coisa é confundida com outra, mas ainda existe a guirlanda. Essa analogia, afinal, não mostra que o mundo material não tem existência. Na verdade, o mundo material existe eternamente, embora esteja mudando constantemente.

Texto 105
Este mundo material é criado pela Suprema Personalidade de Deus real, o marido da deusa da fortuna. Porque o verdadeiro Senhor criou, e porque Ele está presente como a Superalma dentro de cada átomo de Sua expansão, este mundo material é a realidade. Na verdade, quando as produções deste mundo são oferecidas ao Senhor Supremo com devoção, esses produtos materiais tornam-se espiritualmente puros, assim como metal comum torna-se ouro pelo toque da pedra filosofal.

Texto 106
O serviço devocional puro ao Senhor Krishna não tem qualquer relação com o gozo ou renúncia de objetos materiais. O devoto aceita todas as condições de sua vida como a grande misericórdia do Senhor. Ele não considera a sua própria gratificação dos sentidos, mas apenas o serviço ao Senhor.

Texto 107
Quando alguém tem a intenção de desfrutar de objetos materiais, é chamado de vishayi, “materialista”. Rejeição do espírito de desfrute é chamado viraga (“renúncia”). Essa renúncia torna a pessoa apta a atingir a meta suprema da vida, o serviço devocional puro.

Texto 108
Na companhia de devotos santos, ouvimos repetidamente a descrição dos passatempos transcendentais da Personalidade de Deus supremamente opulenta e poderosa, e, desta forma, o lago do nosso coração torna-se sobrecarregado por grandes ondas de amor puro e devoção. Nós rejeitamos a teoria mayavada, a falsa teoria do monismo impessoal, e aceitamos a verdade de que a Suprema Personalidade de Deus é eternamente distinta das muitas almas espirituais individuais. Fixos nesta verdade, nós adoramos os dois pés de lótus da Suprema Personalidade de Deus, o marido da deusa da fortuna.

Texto 109
Nos assuntos comuns deste mundo, o representante do rei é muitas vezes chamado de “rei” ou “sua majestade”, embora a pessoa não seja o próprio rei, mas apenas o seu representante. Da mesma forma, os textos védicos descrevem as almas espirituais individuais como “Brahman”, não porque elas sejam o Brahman Supremo, mas por causa de sua relação eterna com Ele.

Texto 110
A Suprema Personalidade de Deus é a fonte a partir da qual o sol, a lua, todos os planetas e todo o cosmos surgem. No momento da devastação cósmica, tudo entra no corpo da Suprema Personalidade de Deus. Mesmo o semideus Brahma, por meio de ter falado os Vedas, não foi capaz de descrever a Suprema Personalidade de Deus. A Suprema Personalidade de Deus é o controlador supremo de tudo. A Suprema Personalidade de Deus está além do alcance dos três modos da natureza material. Ó mestre mayavadi, por que você ensina a máxima so’ham, “eu sou o Supremo”? Eu não mostro quaisquer sinais de supremacia em tudo. Na verdade, eu sou muito fraco, azarado e desprovido de toda opulência.

Texto 111
Assim como muitos insetos residem dentro de uma fruta udumbara madura, todos os universos materiais, que são compostos por elementos materiais sutis e grosseiros e preenchidos por almas espirituais inumeráveis, descansam dentro da forma da Suprema Personalidade de Deus durante o tempo da devastação cósmica, após o que surgem no momento da criação cósmica. Durante esse tempo, eles não descansam dentro do Senhor. Na verdade, eles permanecem sempre separados dEle. Ó mestre mayavadi, eu não sou tão grande quanto Ele. Como é possível ou razoável a máxima so’ham, “eu sou o Supremo”, vir da minha boca?

Texto 112
Pela misericórdia da Suprema Personalidade de Deus, um homem mudo pode se tornar um orador eloquente, um coxo pode saltar sobre montanhas e um homem cego de nascença pode obter um belo par de olhos de lótus. Ofereço minhas respeitosas reverências à Suprema Personalidade de Deus, cuja face assemelha-se à Lua e que é o filho de Maharaja Nanda e uma joia cintamani para Seus devotos.

Texto 113
O serviço devocional ao Senhor Vishnu traz um resultado grande e eterno. Além de alcançar esse resultado, eu também deverei tornar-me famoso em alguns círculos por algum tempo nesta Terra como conseqüência de ter escrito este livro.

Texto 114
Eu cuidadosamente estudei o livro Sri Narayana-bhakti-bhusha, composto por Sri Narayana Bhatta, o melhor dos estudiosos, bem como muitos outros livros semelhantes. Pela misericórdia dos devotos, eu tenho sido capaz de compreender as verdades confidenciais do serviço devocional que eu relatei neste livro de cem versos, Sri Tattva-muktavali, uma descrição da verdade da diferença eterna entre as almas espirituais individuais e a Suprema Personalidade de Deus.

Texto 115
Se, no decurso de escrever este livro, ficamos confusos e cometemos algum erro, pedimos aos estudiosos especializados para corrigir todos os erros. Assim como um bebê engatinhando em suas mãos e pés pode, por vezes, tropeçar e cair, o autor deste discurso pode ter ficado confuso e falado algo contra a revelação da escritura.

Texto 116
Uma pessoa invejosa procurará por algum pequeno defeito na poesia de um devoto santo e ignorará todas as boas qualidades em seu poema. Ele é como uma pessoa que procura por um buraco de formiga em um grande palácio enfeitado com joias. Essa pessoa nunca verá o que há de bom em coisa alguma.

Texto 117
Deixe que aqueles cuja inteligência foi destruída pela inveja encontrem falhas nos meus versos e abstenham-se de ver qualquer coisa boa neles. Aqueles que sabem ver o bem nos outros vão ver só o bom e não as falhas no meu poema. Deixe a audiência santa deliciar-se neste livro.

Texto 118
Ó devotos elevados do Senhor, se vocês desejam alcançar devoção pura ao Senhor em seus corações, por favor, ouçam e leiam este livro, Sri Tattva-muktavali, escrito por um poeta que agora está cheio de felicidade. Este livro é muito puro e é rico de poesia bela. É muito auspicioso, pois tem o cuidado de distinguir a verdade da ilusão. Ele descreve a verdade do serviço devocional puro e revela a eterna diferença entre as almas espirituais individuais e a Suprema Personalidade de Deus.

Texto 119
Este livro é cheio de muitos ornamentos poéticos. Seus versos são muito doces. É muito charmoso, esplêndido e bonito. Suas palavras são como néctar. É um jardim de prazer, onde os devotos inteligentes desfrutam de muitos passatempos. Ele está cheio de todas as boas qualidades e é livre da menor falha. Que este livro de nome O Colar de Pérolas da Verdade, sempre descanse sobre o pescoço dos devotos.


Tradução de Prahladesha Dasa.

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