A Missão de Distribuir Livros

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Karuna Dharini Devi Dasi

“Sentia-me desiludida com a realização dos rituais católicos com os quais cresci”, explica Christina Camacho. “Abandonei-os e saí procurando por várias doutrinas orientais. Terminei meu mestrado em Counseling e fiz uma viagem ao Japão a fim de estudar o budismo, mas o mesmo não tocou o meu coração”.

Em 1976, Christina, hoje conhecida como Pavaka Dasi, comprou uma cópia do Bhagavad-gita Como Ele É, de Srila Prabhupada, das mãos de um devoto no aeroporto de Los Angeles. Ela o leu e sentiu-se inspirada a encomendar o restante dos livros de Prabhupada, um após o outro, através do correio.

“Somente através dos livros de Srila Prabhupada”, Pavaka conta, “consegui me centrar em mim como alma e adotar o processo do serviço devocional. Por dez anos, não passei muito tempo no templo, mas Prabhupada se tornou meu guru por meio de suas palavras em seus livros”.

Pavaka, que hoje atua como coordenadora de um importante programa no templo da ISKCON de Los Angeles, adquiriu seu primeiro livro porque um devoto de Krishna foi a um local público e colocou-se atento para identificar, entre centenas de transeuntes, uma pessoa que mostrasse interesse. Aqueles que aderem aos edificantes ensinamentos encontrados nos livros de Srila Prabhupada frequentemente gostam de compartilhar seus livros com outros.

Anteriormente, a literatura sânscrita não estava facilmente disponível, nem mesmo na Índia. Algumas pessoas abastadas tinham cópias em suas casas, mas os livros eram mais ou menos o tesouro dos brahmanas, a classe sacerdotal, e eram frequentemente mantidos dentro dos templos. O mestre espiritual de Srila Prabhupada, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura, tinha uma postura mais liberal e encorajou seus discípulos a publicarem e distribuírem escrituras vaishnavas generosamente. Srila Prabhupada meticulosamente traduziu tais obras transcendentais, as comentou e aceitou a missão de distribuí-las em grande escala, para o que contou com seus discípulos. Srila Prabhupada conferiu todas as suas bênçãos aos discípulos que aceitaram e aceitam a missão de distribuir os livros que ele traduziu.

Bhrigupati Dasa, um devoto que dedica seu tempo integralmente à distribuição dos livros de Srila Prabhupada há trinta e cinco anos, explica: “Em mais de uma ocasião, Srila Prabhupada nos disse que pregadores são muito rapidamente reconhecidos por Krishna. Se esse é o nosso objetivo, por que não nos refugiarmos em uma maneira particularmente efetiva de conseguirmos isso? Gosto muito da experiência de Krishna me usar como Seu instrumento para que eu ocupe em serviço devocional as pessoas com quem eu me encontro”.

Srila Prabhupada Inicia a Distribuição de Livro 

Com vigorosa determinação, Srila Prabhupada empenhou-se para realizar o desejo de seu guru de que livros fossem impressos e distribuídos. Antes de partir para a América, em 1965, começou, com pouco apoio financeiro, a traduzir e publicar o Srimad-Bhagavatam, uma monumental obra sobre Deus e Seus devotos. Ele levou consigo um baú com os três primeiros volumes quando cruzou o Atlântico em um navio cargueiro com destino aos Estados Unidos. Sozinho em seus primeiros dias no Ocidente, não se acanhou quanto a vender a coleção de três volumes a quem quer que se mostrasse genuinamente interessado.

Em 1972, a Macmillan Company publicou o Bhagavad-gita Como Ele É, de Prabhupada. Foi aclamado por acadêmicos em muitas universidades importantes e rapidamente se popularizou. Hoje, pode ser lido em mais de cem idiomas.

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Primeira edição do Bhagavad-gita Como Ele É, publicada pela Macmillan em 1972.

Pouco tempo depois, Krishna: A Suprema Personalidade de Deus foi impresso em Tóquio. Conhecido na ISKCON como “Krishna Book”, é um estudo resumido de Prabhupada do Décimo Canto do Srimad-Bhagavatam, que descreve as atividades de Krishna neste planeta cinquenta séculos atrás. Quando se mostrou a Prabhupada a primeira caixa desse livro, faltava uma cópia – o discípulo que mandara os livros do Japão vendera uma cópia a um homem de negócios no avião.

“Ah, isso é muito auspicioso”, Prabhupada disse. “O primeiro livro já foi distribuído”.

Ele solicitou a seus discípulos que vendessem o restante dos livros sem manterem sequer uma cópia consigo.

Seus discípulos, no entanto, não sabiam ao certo como vender os livros. Um dia, então, dois devotos tiveram a ideia de trocar um livro por um tanque de gasolina. O frentista do posto aceitou de pronto a proposta, o que os convenceu de que os livros podiam ser vendidos de outras maneiras.

Os devotos tentaram vender os livros em shows e descobriram compradores interessados. Era-lhes empolgante compartilhar Krishna dessa maneira. Eles vendiam o livro falando sobre a filosofia que ele continha e sentiam-se profundamente conectados a seu mestre espiritual assim procedendo. De templo em templo, espalhou-se a notícia de que distribuir livros era uma maneira muito especial de agradar Srila Prabhupada. A empolgação cresceu. Muitos locais para distribuição de livros foram experimentados – shoppings, estacionamentos, feiras, aeroportos e assim por diante.

Havia pouquíssimos vegetarianos à época, e termos como yoga, karma e guru eram novos. Os americanos estavam se empenhando em busca de rápido avanço material através de ciência e tecnologia. Contudo, os livros de Srila Prabhupada, que combatem a vida impiedosa da gratificação sensorial materialista, foram derramados como uma repentina enchente de um ilimitado oceano.

Embora Srila Prabhupada tenha partido deste mundo em 1977, a distribuição de seus livros cresceu, especialmente na antiga União Soviética e, mais recentemente, na Índia. De acordo com algumas estimativas, cerca de um bilhão de livros foram vendidos.

Sementes Semeadas

Já há trinta anos, Nidra Dasi serve Srila Prabhupada distribuindo seus livros em Denver.

“Se um campo foi bem semeado e é cultivado, regado e assim por diante”, ela explica, “é um campo melhor, e essa é a minha experiência agora. As pessoas de todas as faixas etárias estão mais receptivas do que em anos anteriores; é um campo melhor para distribuir a consciência de Krishna”.

Porque muitos livros estão “por aí”, quer em sótãos, quer nas prateleiras de bibliotecas, eles continuam a agir na consciência das pessoas que entram em contato com eles. Prabhupada disse que, simplesmente por manter em sua casa livros do Senhor Krishna, a pessoa se purifica.

Peter Antonakos era um garotinho quando seu pai lhe mostrou uma velha cópia do Srimad-Bhagavatam da estante de livros de sua casa.

“Quando eu tinha dezesseis anos”, ele conta, “adquiri com um distribuidor uma cópia do Bhagavad-gita Como Ele É. As palavras de Srila Prabhupada cortaram minhas ilusões e meus desejos materiais. Sua percepção das coisas realmente me impressionou. Recentemente, na idade de dezenove anos, encontrei o Chaitanya-charitamrita em uma loja de livros usados. A deslumbrante refulgência da capa dourada deixou-me embasbacado. As ilustrações são muito cativantes. Eu o li do começo ao fim”.

No campus da faculdade onde estuda, Peter encontrou-se com Ganapati Swami, discípulo de Prabhupada, e, desde então, adotou uma vida de serviço devocional no templo de Denver. Muitos dos membros mais novos do templo de Denver encontraram cópias antigas dos livros de Prabhupada em livrarias e bibliotecas e viram-se inspirados a viverem integralmente para as práticas da consciência de Krishna.

Em 1999, Bhanu Nanduri estava no aeroporto St. Louis quando viu um homem vestido de dhoti e kurta brancos atrás de um mesa coberta de livros.

“Fiquei surpreso ao ver aquilo no Meio Oeste”, ele diz. “Eu vim para a América a fim de obter meu mestrado em engenharia elétrica, não para aquilo. Era algo surreal. Levei um Bhagavad-gita Como Ele É de capa mole e dei uma doação. Eu havia lido muitas versões do Gita na Índia, mas elas não me faziam sentido. Entretanto, quando li o Bhagavad-gita Como Ele É, de Prabhupada, ele imediatamente me fez pensar sobre o valor da minha vida. Eu pensei: ‘Devo ler mais de seus livros’”.

Por fim, Bhanu pediu todos os livros de Srila Prabhupada através do krishna.com. No templo de Honolulu, aprendeu a entoar o mantra Hare Krishna com contas e ajudou a preparar o festival de Rama Navami com os devotos de lá.

“Hoje, toda a minha família é bastante envolvida com o centro da ISKCON em San Jose, Califórnia, onde vivemos”, diz Bhanu. “Eu costumava sentir muito estresse e também sofria de insônia por causa do meu emprego, mas o estresse decorrente do meu trabalho já não me afeta tanto uma vez que mudei minhas prioridades. Agora, o que considero mais importante é o canto dos santos nomes e estar na companhia dos devotos”.

A Distribuição de Livros Hoje

É com muito entusiasmo que Bhanu e sua família, junto do restante dos devotos da congregação de Silicon Valley, são alistados por seu templo como “Guerreiros do Final-de-semana”. Simplesmente duzentos membros saem e estabelecem banquinhas na rua, com permissão das autoridades responsáveis. Eles preparam tudo de maneira bastante atrativa, com placas que dizem “Yoga e Meditação”. Suas mesas expõem uma coleção completa de livros vaishnavas, bem como livros de culinária, pacotes de biscoitos e “saquinhos infantis”, ou presentinhos para as crianças que se aproximem das mesas com seus pais. Eles também levam livros e saquinhos infantis de porta em porta nas residências da vizinhança.

Eles gostam de mostrar às pessoas as interessantes pinturas nos livros, ilustrando a transição por corpos, os três modos da natureza material, a quadriga da mente e dos sentidos e outras. Essas pinturas deixam uma profunda impressão sobre aqueles que têm perguntas sobre a vida neste mundo e estão procurando por respostas. Os distribuidores de Silicon Valley têm um programa especial para imediatamente começarem a cultivar um relacionamento com as pessoas com quem se encontram. Eles chamam esse programa de NETAD, iniciais em inglês para “estimular”, “recrutar”, “instruir” e “preparar para o serviço”.

Vaisheshika Dasa, organizador da distribuição de livros em Silicon Valley, explica: “Quando as pessoas têm a experiência de saírem para disitribuir livros, quando são ‘recrutadas’, elas veem pessoalmente como funcionam os modos da natureza material e veem também a misericórdia do Senhor Chaitanya. Estes livros são muitíssimo extraordinários. Podemos ver isso por causa da maneira como afetam a vida das pessoas”.

Brahmacharis Viageiros

Seis brahmacharis (estudantes celibatários) que seguem uma série de shows ao longo da América do Norte e Canadá dedicam-se a colocar livros nas mãos de milhares de jovens apreciadores da música de seu tempo. Em um verão, ao longo de quarenta e oito shows, eles distribuíram cerca de setecentos livros por dia. Eles frequentemente levam grande quantidade de biscoitos prasada aos gerentes dos eventos, que apreciam os livros de Srila Prabhupada e gostam de auxiliar nos esforços dos devotos.

“Esse tipo de distribuição de livro é maravilhosa”, diz Omkara Dasa, um dos brahmacharis viageiros. “O pessoal que encontramos é jovem, amigável e de mente aberta”.

Omkara se lembra de um incidente em que abordou uma jovem que claramente queria o livro que ele lhe ofereceu, mas o pai dela mostrou resistência.

“Eu pensei: ‘Aqui estou eu, um missionário, oferecendo a esta moça de aparência inocente um livro sobre Deus e conhecimento espiritual, e aqui está o pai dela, que a trouxe a um show onde carne, drogas ilícitas e álcool são vendidos e consumidos. O que eu posso estar fazendo de errado?’. Eu, então, humildemente argumentei com o pai da moça. Por fim, ele abrandou e deixou que ela comprasse o livro”.

Outra forma muito popular de distribuição de livros se chama Shastra Dana, “Escritura em Caridade”. Devotos que se dedicam a Shastra Dana vão de comércio em comércio – salões de beleza, estúdios de tatuagem, consultórios médicos, lojas de autopeças – e pedem ao proprietário para deixarem uma pequena seleção de livros de Prabhupada à mostra em seu ambiente de espera. Deste modo, as pessoas que frequentam o local são imediatamente expostas aos livros e podem levar um caso se sintam atraídas. O Shastra Dana providencia um display de livros que os devotos administram ao longo do mês repondo títulos regularmente e pegando o dinheiro deixado na caixinha próximo aos livros.

Voluntários do Projeto Panchajanya pretendem deixar pelo menos um milhão de cópias do Bhagavad-gita Como Ele É em quartos de hóteis ao longo dos Estados Unidos e Canadá. Deixar esse clássico em um ambiente comum como um quarto de hotel tornou a mensagem de Krishna disponível a uma miríade de viajantes que, de outro modo, talvez não o comprasse ou folheasse.

O Projeto Panchajanya começou quando Dilip Patel, proprietário do hotel Sea Breeze, em Pacifica, Califórnia, começou a deixar o Gita de Prabhupada em seus quartos.

“Fiquei surpreso com a reação favorável e os comentários que recebi de meus hóspedes não-hindus”, diz Dilip, um fiel devoto do Bhagavad-gita e de sua mensagem universal.

Estudantes Buscando por Conhecimento Verdadeiro

A distribuição de livros em faculdades é bem recebida pelos estudantes e igualmente pelos professores. Vijaya Dasa estabelece uma banquinha de livros por dois dias em diferentes universidades dos Estados Unidos.

“A distribuição de livros é uma grande aventura”, diz Vijaya. “Você nunca sabe o que vai acontecer. Você sempre se encontra com pessoas legais e que estão interessadas e buscando por orientação. Um estudante passou, viu meu display – tenho um display do livro Karma, Além do Nascimento e da Morte etc. – e exclamou: ‘Eu nunca passo por este caminho, mas algo me puxou. É isto! Estou completamente interessado em tudo o que você tem aqui!’. Ele ficou empolgadíssimo me vendo ali no campus. Ele levou alguns livros, eu peguei seu endereço de e-mail e ele recentemente visitou o templo pela primeira vez”.

“Em outra ocasião, um estudante ao qual eu tinha distribuído um Bhagavad-gita voltou a mim e me disse: ‘Eu deixei o livro em cima da minha mesa durante a aula. Meu professor o viu, se aproximou e o abriu. Ele abaixou e suspirou para mim: ‘Você já viu as ilustrações incríveis deste livro?’. Então, ele começou a me mostrá-las e a explicar cada uma delas’”.

Vijaya já reuniu setecentos endereços de e-mail de estudantes seletos. Ele lhes envia e-mails conscientes de Krishna através de uma mala direta semanal, convidando-os aos templos mais próximos e trocando mensagens com eles.

Prabhupada disse que os estudantes universitários estão na melhor idade para indagarem sobre o propósito da vida. Assim foi com Steve Reynolds, um filho único cujos pais ofereceram-lhe todo tipo de brinquedo eletrônico e aparelhos imagináveis, bem como viagens internacionais.

“Costumávamos nos mudar frequentemente”, Steve explica. “Eu me lembro de como colocar minhas coisas na mala fazia com que eu me sentisse vazio por dentro”.

Quando os pais de Steve divorciaram-se e sua mãe adoeceu, ele começou a estudar diferentes ensinamentos espirituais. Ele, contudo, sentia-se inseguro quanto a como aplicar quaisquer dessas doutrinas. Um dia, na Universidade do Arizona, um amigo mostrou a Steve uma cópia da obra O Caminho da Perfeição, de Prabhupada. Steve, junto de seu amigo, correu à procura do devoto que havia dado a seu amigo o pequeno livro. Eles o viram dirigindo uma van para fora do estacionamento. Embora quase deixado para trás, Steve, então com vinte anos, conseguiu alcançar a van e comprou um Bhagavad-gita Como Ele É com o devoto no interior do veículo, que lhe recitou um verso: “Nasci na escuridão da ignorância, e meu mestre espiritual abriu meus olhos com o archote do conhecimento”.

“Eu adoro isso”, Steve disse ao distribuidor de livros. “Eu quero ser como vocês. Quero ser um monge. Quero fazer isso”.

Steve, desde então, tornou-se monge no templo Hare Krishna de San Diego. Um de seus muitos serviços ali é dar às pessoas a dádiva transcendental dos livros de Srila Prabhupada. É assim que o ciclo se perpetua.

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