Como Diferenciar Luxúria e Amor

16 Como Diferenciar Luxúria e Amor (ta) (artigo - Sexo e Matrimônio)

Chaitanya-charana Dasa

Uma das ilusões que define a nossa sociedade é considerar luxúria e amor como iguais. Como distingui-los? Uma forma relevante é em termos de seus efeitos sobre nós.

Uma das ilusões que define a nossa sociedade é considerar luxúria e amor como iguais. Alguém que se sente fisicamente atraído por outra pessoa presume que está amando. Muitas vezes, contudo, a atração nada mais é do que luxúria – isso se torna aparente no devido tempo quando, devido à familiaridade, os hormônios já não são mais secretados, onde o sujeito antes se sentia irresistivelmente atraído, começa a se sentir entediado, na melhor das hipóteses, ou mesmo irritado, se outras incompatibilidades são descobertas.

Embora existam várias maneiras pelas quais amor e luxúria possam ser diferenciados, uma forma relevante é em termos de seus efeitos sobre nós. Todos nós temos um lado inferior – algo dentro de nós que nos impele a ser egoístas, imediatistas e exploradores. E também temos um lado mais elevado – uma parte de nós que quer ser altruísta, prudente e sensível. A luxúria brota do nosso lado inferior e faz esse lado se destacar. Ela nos faz querer controlar e dominar os outros para o nosso bel-prazer. Assim, a luxúria faz dos outros meros objetos, reduzindo-os a seus corpos, e reduzindo seus corpos a contornos e partes atritáveis destinadas ao nosso prazer.

O amor, em contraste, brota do nosso lado superior e faz esse lado se destacar. Quando amamos alguém, queremos ser o melhor que podemos, para o prazer dessa pessoa. Assim, o amor inspira-nos a combater e a controlar o nosso lado inferior.

É claro, a luxúria quer mascarar-se com um rosto mais bonito para impressionar a outra pessoa, mas, porque o sentimento em si é superficial, vindo de nossa configuração corpo-mente, ele não inspira nenhuma mudança positiva abaixo da superfície. Ao contrário, impele-nos a assumirmos uma boa fachada, para que, finalmente, o nosso lado inferior possa dar consigo livre para dominar e manipular outros para o nosso gozo pessoal. A sabedoria do Gita explica que o nosso lado mais elevado corresponde à nossa essência espiritual, a alma. A alma, sendo uma parte de Deus, está cheia de virtudes divinas.

A alma, atualmente, no entanto, está encoberta pelo corpo e pela mente, que ficam cheios de impressões de entregas que fizemos no passado. Essas impressões negativas são as fontes do nosso lado inferior. Proeminente entre essas impressões é a luxúria. Enquanto a luxúria promete imenso prazer, ela raramente faz jus à sua promessa – apesar da fantasia que estimula em nossa mente, ela não pode fazer nada para alterar a limitada capacidade do corpo para o gozo. Sendo assim, frustrada, a luxúria nos incita a acreditar que o prazer fugidio será nosso se nós sempre buscarmos por novas e mais fundamentais formas de gozo. Assim, a luxúria empurra-nos para um barranco de degradação. Não é de admirar, portanto, que o Bhagavad-gita (3.39) advirta que a luxúria é um inimigo que nos engana e nos degrada.

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Exames de ressonância magnética também apontam para a diferença entre a luxúria e o amor.

Achados em pesquisas sobre o cérebro também apontam para a diferença entre a luxúria e o amor. Quando as pessoas sentem luxúria, exames de ressonância magnética mostram que as áreas de seu cérebro que acendem são as áreas normalmente acesas quando se sentem emoções de possuir e controlar, como quando se deseja obter um celular ou um carro novo. Em contraste, quando as pessoas sentem amor, as áreas do cérebro que acendem são aquelas que geralmente acendem quando se sentem emoções de carinho e partilha.

A sabedoria do Gita explica que o amor na sua forma mais pura surge de nossa alma, cuja natureza é amar a Alma Suprema, Krishna, e amar a todos em relação a Ele. Quanto mais nós nos esforçamos para manifestar esse amor, praticando bhakti-yoga, mais a luxúria que nos encobre e nos obscurece é expurgada. À medida que aprendemos a amar Krishna, começamos a saborear um profundo enriquecimento não material ao nos lembrarmos dEle – um enriquecimento que nos liberta da necessidade, alimentada pela luxúria, de dominar ou outros para a nossa gratificação. Assim, se esforçando para desenvolver um relacionamento amoroso com Krishna, a fundação até mesmo de nossos relacionamentos mundanos muda da luxúria para o amor, tornando essas relações, destarte, mais estáveis, mais positivamente transformadoras e mais gratificantes.

Tradução de Maria do Carmo. Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens.

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