A Relação Conjugal e a Consciência de Krishna

16 R (artigo - Sexo e Matrimônio) A Relação Conjugal e a Consciência de Krishna (1804)

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Palestra de Srila Prabhupada proferida na cidade de Montreal, em julho de 1968, pela ocasião do casamento de Paramananda Dasa e Satyabhama Devi Dasi.

O Amor Conjugal Existe Primeiro na Pessoa Suprema

Govinda [Krishna] não é impessoal. E é distintamente declarado na Brahma-Samhita 5.31, alola-chandraka-lasad-vanamalya-vamshi: “O Senhor é decorado por guirlanda de flores, e Ele tem uma flauta em Suas mãos”. Diz também, pranaya-keli-kala-vilasam: “E Ele está ocupado no amor conjugal transcendente, Radha e Krishna”. Assim, este amor que está na nossa experiência dentro deste mundo material, homem e mulher, não é artificial, pois existe em Deus também.

O Vedanta-sutra, no começo, diz: “Quem é o Brahman, a Pessoa Suprema ou a Verdade Absoluta?”. Há este questionamento, athato brahma jijnasa: “O que é essa Verdade Absoluta?”. A resposta é janmady asya yatah: “A Verdade Absoluta é aquilo a partir de quem tudo emana”. Uma definição muito simples. É o manancial de tudo, a fonte de tudo.

Portanto, aqui neste mundo material, vemos que a atração mútua entre homem e mulher é muito proeminente. Isso não se dá apenas na sociedade, mas também na sociedade animal, entre macho e fêmea. Por quê? A resposta está no Vedanta-sutra: janmady asya yatah, isto é, porque existe na Verdade Absoluta. Sem estar presente na Verdade Absoluta, como pode se manifestar na verdade relativa?

16 R (artigo - Sexo e Matrimônio) A Relação Conjugal e a Consciência de Krishna (1803)1

Radha e Krishna são a origem do amor conjugal.

Este mundo é chamado de “mundo relativo”. Ele não é Absoluto. Não podemos compreender um homem sem conhecer uma mulher. Não podemos compreender pai sem compreender um filho ou uma mãe. Isso é relatividade.

De acordo com o sistema védico, todos têm que seguir o Vedanta-sutra. Há duas seções de filósofos aprovados na Índia. Não me refiro a filósofo manufaturado, especuladores mentais, mas àqueles que são considerados de valor. São eles os filósofos impersonalistas e os personalistas. Nós vaishnavas aceitamos a Verdade Absoluta em pessoa, e os filósofos mayavadis dizem que a Verdade Absoluta é impessoal. Essa é a diferença. Excetuando isso, o processo deles é quase o mesmo.

Agora, o argumento do vaishnavismo é: como a Verdade Absoluta pode ser impessoal, já que aqui neste mundo, na nossa experiência, vemos que tudo é pessoal? Então, a não ser que a personalidade, a individualidade ou a atração individual estejam presentes na Verdade Absoluta, como podem ser representadas aqui, na verdade relativa?

Transformando Luxúria em Amor

Então, fora esse ponto de vista argumentativo, a nossa apresentação é que este amor conjugal entre homem e mulher não é artificial, senão que é bastante natural por existir na Verdade Absoluta, como encontramos na descrição védica, de que a Verdade Absoluta, a Personalidade de Deus, está ocupada em casos amorosos conjugais, Radha-Krishna. Contudo, o mesmo tópico amoroso de Radha-Krishna permeia a matéria. Trata-se de reflexo pervertido. Aqui neste mundo material, o assim chamado amor não é amor de verdade. É luxúria. Aqui, o masculino e o feminino não se atraem por amor, mas por luxúria. Assim, nesta sociedade da consciência de Krishna, porque estamos tentando nos aproximar da Verdade Absoluta, a propensão à luxúria tem que ser convertida em amor puro. Eis a proposta.

Então, ainda na Índia, entre os seguidores estritos dos princípios védicos, esse assunto da luxúria é ajustado espiritualmente. Como isso é feito? Os rapazes e as moças não são autorizados a se misturarem livremente antes do casamento. Um de nossos alunos daqui foi à Índia e tentou falar com uma moça jovem na rua, e ele foi insultado. Ele ficou surpreso, mas está em vigor a prática de que nenhum rapaz jovem e nenhuma moça jovem devem falar entre si. É claro que agora está diferente. Mas mesmo até a nossa juventude, vimos que, sem serem casados, nenhuma moça e nenhum rapaz podiam se misturar. Essa questão da atração luxuriosa, então, era um pouco controlada.

Os pais da moça e os pais do rapaz selecionavam com quem se casariam, e essa seleção era feita muito cientificamente, pegando o horóscopo da moça e do rapaz e calculando: “Como este rapaz e esta moça se combinarão? O quanto a vida deles será feliz?”. Muitíssimas coisas eram consideradas, e, quando tudo estava estabelecido, o casamento ocorria. Esse é o sistema da antiga Índia, o princípio védico.

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Uma vez que Deus é puro, nenhuma alma impura pode aproximar-se dEle, e o sexo ilícito é uma forma de impureza.

No que diz respeito ao amor livre, até onde entendemos, isso era permitido apenas nos círculos muito elevados da ordem principesca. Porque as moças eram instruídas e crescidas, dava-se a elas a oportunidade de selecionar seu esposo, mas não diretamente. Encontramos muitíssimas evidências históricas a partir da literatura védica de que a moça costumava expressar seu desejo: “Quero me casar com aquele rapaz”, e o pai apresentava um desafio, um jogo. Se alguém comparecesse e saísse vitorioso, a moça era oferecida. Isso era em casos especiais. Isso acontecia entre os kshatriyas, a ordem principesca, e não com outros.

De qualquer forma, nesta era, o casamento, de acordo com os nossos princípios vaishnavas, é permitido porque existe masculino e existe feminino. Por que não deveriam se unir? Mas não o devem fazer ilegalmente. Quando vim a este país, em Nova Iorque, alguns dos rapazes e das moças que estavam comparecendo ao nosso programa se ofereceram a mim como discípulos. Então, vi que a maioria dos rapazes e das moças estava ficando juntos como namorados. Diante disso, disse-lhes que, se queriam progredir na vida espiritual, tinham que se abster de quatro tipos de atividades pecaminosas, e esses quatro tipos de atividades pecaminosas são: a vida sexual ilícita, a dieta não-vegetariana, a intoxicação e os jogos de azar. A não ser que o indivíduo esteja livre dessas quatro atividades, não será capaz de progredir na vida espiritual. Uma vez que Deus é puro, pavitram paramam bhavan, nenhuma alma impura pode aproximar-se dEle.

Este corpo é o sinal da impureza, porque a alma não tem corpo material. Então, qualquer um que tem este corpo material deve ser considerado pecaminoso. Todavia, como sair disso? É preciso aderir à vida espiritual. É como o leite: se você ingere muito leite, haverá desordem nos intestinos, e você terá que defecar muitas vezes. Contudo, quando você busca um médico aiurvédico por estar sofrendo de diarreia ou intestino solto, o médico prescreve coalho ou iogurte com algum medicamento. Assim, o homem que tem a doença decorrente de beber leite também é curado por beber a mesma preparação láctea sob a direção do médico. O paciente não pode questionar o médico dizendo: “Eu fiquei doente por beber leite, e você está prescrevendo outra preparação de leite?”. Sim, porque está tratado. Similarmente, esta propensão à luxúria entre homem e mulher, se ela é apropriadamente tratada, pode se tornar amor a Deus.

Casais Regulados e Filhos Conscientes de Deus São Benéficos à Sociedade

Eu sou um sannyasi. Eu renunciei minha vida familiar. Embora eu tenha meus filhos e meus netos, e minha esposa ainda esteja viva, me separei deles. Isso se chama sannyasa. Por que estou me interessando novamente na vida familiar de meus alunos? Porque quero vê-los progredir apropriadamente em direção à vida espiritual. Então, embora não seja o afazer de um sannyasi participar de cerimônias de casamento; neste país, apenas para salvar meus alunos, tanto os rapazes quanto as moças, das atividades pecaminosas, estou pessoalmente me interessando em torná-los bons cavalheiros e boas damas através do casamento.

Estou muito feliz com estes rapazes e estas moças que concordaram em se casar, e eles estão se sentindo muito felizes. Muitos deles estão presentes neste encontro. A partir do semblante e das atividades deles, parece que estão muito felizes. Assim, nesta Sociedade para a Consciência de Krishna, temos este programa de que, se algum rapaz ou alguma moça quer se casar, eu ajudo. Esta cerimônia matrimonial é feita hoje neste princípio. Os presentes noivo e noiva devem saber com toda certeza que este casamento não se destina à gratificação sensorial, mas, sim, à purificação da vida. Assim, não há questão de divórcio. Não há questão de separação. Então, não entrem na vida marital se vocês têm essa propensão. O nosso primeiro princípio é nos tornarmos conscientes de Krishna. As outras coisas são secundárias.

Putrarthe kriyate bharya. Se vocês podem produzir bons filhos, filhos conscientes de Krishna, isso será o maior serviço à sociedade humana. Porque a sociedade humana está produzindo filhos como gatos e cães, toda a sociedade humana está transtornada. Como vocês podem esperar paz e prosperidade na sociedade de gatos e cães? Portanto, há necessidade de que se produzam filhos na consciência de Krishna, para treiná-los desde o começo. Todos vocês ficarão contentes em saber que alguns de nossos estudantes, garotos muito pequenos de San Francisco, estão sendo treinados e estão fazendo maravilhoso progresso. Não apenas aqui, mas em toda parte do mundo, o sistema educacional não é muito satisfatório. Desde o começo da vida, são autorizados a se misturar livremente, e eles são autorizados a desfrutar da vida sexual irrestrita. Isso não é bom nem para a sua saúde nem para a educação. Estamos obtendo agora o resultado da educação: comunistas e hippies. Então, aqueles que são guardiões da sociedade devem observar isso seriamente e tornar a vida muito regulada.

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A meta da vida marital é produzir bons filhos – filhos conscientes de Krishna.

Visto que temos este corpo material, precisamos comer, dormir, nos defender e casar – essas são as demandas deste corpo. Porém, elas têm que ser muito reguladas na consciência de Krishna, de modo que não sejam um elemento perturbador. Devemos progrediremos mais e mais rumo à realização espiritual da consciência de Krishna. A meta da vida marital é produzir bons filhos – filhos conscientes de Krishna. Este é o melhor serviço à sociedade humana: produzir bons filhos. Não produzam gatos e cães. Este é o meu pedido. Do contrário, não tenham filhos. Permaneçam separados. Separado não significa que há divórcio, mas não produzam filhos. Este é o meu pedido.

Pita na sa syaj janani sa syat. O Srimad-Bhagavatam diz: “O indivíduo não deve se tornar pai, não deve se tornar mãe, a não ser que seja capaz de proteger os filhos do iminente perigo da morte”. A que isso se refere? Ao ciclo de nascimentos e mortes. Se vocês podem treinar seus filhos para a consciência de Krishna, os filhos de vocês voltarão ao Supremo nesta vida. Essa deve ser a meta. Da mesma forma que vocês tentarão voltar ao Supremo nesta vida, vocês devem cuidar de seus filhos de maneira que eles também possam, nesta vida, voltar ao Supremo. O dever da mãe e do pai deve ser: “Esta criança nasceu do meu ventre, mas esta sua vida deve ser a última – basta de corpos materiais”. Essa deve ser a responsabilidade do pai e da mãe. Essa é a direção dada pelo Srimad-Bhagavatam.

Então, meus queridos filhos, rapazes e moças, peço a vocês que vivam felizes. Não há restrição alguma. Não restringimos os atos de comer, dormir, acasalar ou defender-se. Mas façam isso em relação a Krishna, tendo uma vida pura, e sejam felizes nesta vida e na próxima.

Muito obrigado.

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