Gaura Purnima, O Advento do Avatar Dourado

-@ 04 SI (artigo - Caitanya e Associados) O Nascimento do Senhor Chaitanya (GPurnima dia 5, com contagem regressiva) (3250) (bg) (ta)Vrindavana Dasa Thakura
(Excertos da obra Chaitanya-bhagavata)

Sob um misterioso eclipse lunar e rodeado de exclamações do santo nome de Hari, nasce o revolucionário e amoroso Chaitanya Mahaprabhu.

A vinda do Senhor Krishnachandra a este mundo material é muito difícil de compreender. Sem primeiramente receber a misericórdia do Senhor, quem tem poder para entender tal nascimento? Seus passatempos supramundanos são inconcebíveis e inacessíveis. O senhor Brahma declara no Srimad-Bhagavatam (10.14.21): “Ó Senhor do Universo, ó Pessoa Suprema, ó Alma Suprema, ó Senhor dos místicos, como és maravilhoso! Quem dentro dos três mundos pode saber quando, onde, por qual motivo e como expandes Tua potência espiritual interna, yogamaya, e executas Teus passatempos transcendentais?”. Quem pode apontar a razão ontológica para o advento do Senhor neste mundo? Somente posso ter por fonte o Bhagavad-gita e o Srimad-Bhagavatam para encontrar a razão de Seu aparecimento. “Sempre e onde quer que haja declínio na prática religiosa, ó descendente de Bharata, e uma ascensão predominante de irreligião – aí, então, Eu próprio descendo. Para libertar os piedosos e aniquilar os malfeitores, bem como para restabelecer os princípios da religião, Eu mesmo venho, milênio após milênio”. (Bhagavad-gita 4.7-8) À proporção que as práticas religiosas enfraquecem, a irreligião ganha espaço. Quando isso ocorre, o senhor Brahma e os demais semideuses se aproximam do Senhor e oram pela proteção dos devotos e pela aniquilação dos demônios.

A fim de restabelecer o processo religioso da era (yuga-dharma), o Senhor Supremo, acompanhado de Suas expansões e associados, descendeu à Terra. A religião de Kali-yuga é o canto congregacional do santo nome do Senhor (hari-sankirtana) e para estabelecer de forma definitiva esse processo, o Senhor apareceu como o filho de mãe Shachi.

Confirma-se no Srimad-Bhagavatam (11.5.31-32) que a Suprema Verdade Absoluta, Sri Chaitanya Mahaprabhu, nasce unicamente com o propósito de propagar o canto congregacional do santo nome de Krishna. Ali se diz: “Os devotos sempre oferecem orações à Suprema Personalidade de Deus através de vários mantras e observam os princípios reguladores das obras védicas suplementares. Na era de Kali, contudo, aqueles que forem inteligentes executarão especificamente o canto congregacional do maha-mantra Hare Krishna, adorando a Suprema Personalidade de Deus, que aparece nesta era como um devoto sempre a cantar as glórias de Krishna”.

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A célebre escritura Srimad-Bhagavatam anunciou com milênios de antecedência o advento do Senhor Chaitanya.

O Senhor Chaitanya-Narayana revelou que o hari-sankirtana, o canto congregacional do santo nome do Senhor Hari, é a essência de toda a religião em Kali-yuga. Para o estabelecimento desse Movimento de Sankirtana, acompanhado de Seus associados, Ele aparece em Kali-yuga.

Cumprindo o desejo do Senhor, Seus eternos associados aparecem antes dEle, aceitando nascimento no mundo dos seres humanos. Ananta, Shiva, Brahma e outros grandes sábios nasceram como associados pessoais do Senhor Supremo. Todos eles nasceram como grandes devotos bhagavatas do Senhor. O Senhor Chaitanya, sendo o próprio Krishna, era plenamente ciente de suas identidades. A maior parte deles nasceu em Navadvipa, mas alguns nasceram em Chati-grama, alguns em Radha-desha e ainda outros na Orissa.

As localidades à beira do Ganges são todas puras e sagradas. Por que, então, esses vaishnavas nasceram em terras ímpias? Se o próprio Senhor Chaitanya fez Seu advento a este mundo à beira do Ganges, por que, então, Seus associados nasceram em outros locais distantes? Em suas viagens, os Pandavas nunca iam a locais onde o Ganges ou os santos nomes do Senhor Hari não estivessem presentes.

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Por que associados do Senhor Chaitanya nasceram em terras não banhadas pelo Ganges?

A resposta para isso é que, porque o Senhor Krishna Chaitanya ama todas as entidades vivas assim como um pai ama todos os seus filhos, Ele ordenou que tais grandes devotos aparecessem nesses locais diversificados. O aparecimento do Senhor teve o único propósito de remir o mundo material. A fim de cumprir esse propósito, o Senhor arranjou que Seus devotos puros nascessem em terras ímpias e em famílias igualmente impiedosas. Onde quer que os vaishnavas manifestem suas glórias se torna um local puro e sagrado, um local de peregrinação. Assim, criando novos locais de peregrinação, o Senhor Chaitanya-Narayana providenciou que Seus devotos descessem ao mundo material nesses diferentes locais.

Embora tenham nascido em localidades variadas, os devotos se encontraram, como que por acaso, em Navadvipa. A terra natal do Senhor Chaitanya foi Navadvipa, daí ser Navadvipa o local de encontro de todos eles. As glórias de Navadvipa não podem ser comparadas às de nenhuma outra parte do mundo. Ciente de que o Senhor apareceria ali, o demiurgo Brahma dotou Navadvipa com tudo o que há de auspicioso.

Quem é capaz de descrever as opulências de Navadvipa? Em um único de seus balneários, centenas e milhares iam se banhar no Ganges. Pela graça da deusa Sarasvati, os residentes de Navadvipa, de todas as diferentes idades, eram eruditos expoentes das escrituras. Toda a população era muito orgulhosa de seu conhecimento material; mesmo jovens garotos debatiam apaixonadamente com os anciãos eruditos. Pessoas vinham de diferentes províncias para estudar em Navadvipa, porque ali poderiam desenvolver gosto pelo estudo sistemático. O número de estudantes de Navadvipa era incalculável, e o número exato de professores também era desconhecido. Agraciados pelo olhar favorável de Lakshmi-devi, os residentes de Navadvipa estavam contentes, mas, estando interessados em degustar apenas sabores materiais, desperdiçavam a duração de suas vidas.

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Os residentes de Navadvipa tinham sobre si o olhar favorável de Lakshmi-devi.

À medida que o orgulho e a mentalidade materialista cresciam entre eles, o gosto pelo serviço devocional ao Senhor Supremo diminuía, e, com a entrada de Kali-yuga, isso se agravou consideravelmente. A única prática religiosa conhecida era a observação de vigílias invocando semideuses e semideusas – especialmente Mangala Chandi Durga – para a obtenção de efêmeros benefícios materiais. Alguns arrogantemente adoravam Manasa, a deusa das cobras, e outros desperdiçavam grandes riquezas oferecendo-as a deidades que não passavam de bonecos de deuses e deusas. Eles esbanjavam grandes somas de riquezas no casamento de seus filhos e filhas e, dessa maneira, desperdiçavam a duração de vida de que dispunham neste mundo.

Mesmo os supostos sacerdotes de elite – Bhattacharyas, Chakravartis e Misras – desconheciam a razão das escrituras. Embora ensinassem as escrituras, suas atividades não eram condizentes com as injunções das mesmas. Mesmo enquanto vivos, a forca de Yamaraja já repousava no pescoço tanto dos professores quanto de seus alunos.

Ninguém discutia krishna-kirtana, a verdadeira religião de Kali-yuga do cantar dos nomes e glórias do Senhor Hari. Não podendo apontar falhas em outros, todos preferiam ficar em silêncio. Sequer um único nome de Deus escaparia das bocas daqueles pretensos renunciantes e eremitas. Aqueles considerados os mais piedosos da sociedade podiam ser ouvidos repetindo o nome de “Govinda” ou “Pundarikaksha” uma vez ao dia enquanto se banhavam. Perspectivas devocionais estavam invariavelmente ausentes nas explicações de obras transcendentais como o Bhagavad-gita e o Srimad-Bhagavatam.

Testemunhando o mundo inteiro confuso pela energia ilusória do Senhor Vishnu, os devotos sentiam profunda tristeza. Eles se perguntavam: “Como todas essas almas serão libertas? Elas estão hipnotizadas pelo mito da gratificação dos sentidos. Embora sejam solicitados a cantar os santos nomes do Senhor Krishna, elas se recusam e seguem com suas intermináveis discussões acerca de conhecimentos ordinários. Como todas essas almas serão libertas?”.

O pequeno número de devotos vaishnavas continuava com suas atividades devocionais. Eles adoravam o Senhor Krishna, banhavam-se no Ganges e discutiam tópicos conscientes de Krishna. Apiedados da condição em que a humanidade se encontrava, os vaishnavas oravam: “Ó Senhor Krishnachandra, por favor, derrama sem demora Tua misericórdia sobre todos”.

O líder dos vaishnavas de Navadvipa se chamava Advaitacharya. Ele era a personalidade mais gloriosa de todo o mundo. Ele era o melhor exponente de jnana (conhecimento), bhakti (serviço devocional) e vairagya (renúncia). Suas explicações sobre krishna-bhakti (devoção a Krishna) eram como aquelas dadas por Shiva em pessoa. Quando discutia qualquer passagem de qualquer escritura, Sua interpretação conclusiva para todos os versos era: “Devoção aos pés de lótus do Senhor Krishna é o melhor de todos os caminhos espirituais”. Ele constantemente adorava o Senhor Krishna com grande felicidade e devoção oferecendo-Lhe tulasi-manjaris e água do Ganges.

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O líder do pequeno grupo de vaishnavas existente antes do advento do Senhor Chaitanya era Srila Advaitacharya.

Dessa maneira, Advaitacharya passava Seus dias em Navadvipa. Ele Se entristecia profundamente ao contemplar uma pessoa destituída de devoção ao Senhor. Advaitacharya Prabhu era por natureza muito compassivo. No íntimo de seu coração, Ele tentava elaborar um plano para libertar as almas condicionadas. Ele pensou: “Se meu Senhor fizer Seu advento neste mundo, todos serão libertos”. Ele adorava constantemente os pés de lótus de Krishna com determinação indivisa. O Senhor Chaitanya fez Seu advento neste mundo devido aos apelos sinceros de Advaitacharya Prabhu. O próprio Senhor repetia esse fato com grande frequência.

Com a liderança de Sri Advaitacharya, os devotos empreenderam uma iniciativa para tentar fazer com que as pessoas se tornassem conscientes de Deus, mas nem mesmo uma só alma entendeu a mensagem deles. Acometido por uma grande aflição ante o sofrimento de tantos, Advaita passou a jejuar. Os vaishnavas respiravam com dificuldade vendo o estado de seu líder.

“Por que cantar e dançar para Krishna? Qual o significado do canto congregacional dos santos nomes do Senhor? O que é ser um vaishnava?”. Os materialistas grosseiros não podiam compreender nada disso, pois tudo o que queriam na vida era dinheiro e filhos. Quando se reuniam, tais ateístas zombavam e riam dos vaishnavas.

Enquanto os devotos andavam pela cidade de Navadvipa cumprindo seus deveres, não ouviam em parte alguma discussões sobre o Senhor Supremo ou sobre devoção. Perturbados com tudo aquilo, os devotos desejavam morrer. Eles suspiravam o nome de Krishna enquanto respiravam pesadamente. A dor deles ante os frívolos empreendimentos de uma sociedade materialista era tão grande que não tinham apetite. Em consequência à rejeição de toda a felicidade material por parte dos devotos, o Senhor Supremo começou a preparar Sua vinda ao mundo material.

Em Navadvipa vivia uma grande personalidade transcendental chamada Sri Jagannatha Misra. Ele era tal qual Vasudeva Maharaja: sempre ocupado em atividades transcendentais. Ele era magnânimo e possuía no mais alto grau todas as qualidades bramânicas. Suas virtudes eram sem paralelo. Sua dedicada e casta esposa, de nome Srimati Shachidevi, era a personificação da devoção ao Senhor Supremo. Ela é a mãe de todo o universo.

A irreligiosidade manifesta no começo de Kali-yuga era um indicativo do que o futuro reservava; não haveria serviço devocional ao Senhor Supremo, vishnu-bhakti, em nenhum lugar do mundo material. Em consequência do desaparecimento da religião verdadeira e do sofrimento de Seus devotos, o Senhor Supremo advém a este mundo.

A Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Chaitanya Mahaprabhu, entrou, então, nos corpos de Shachidevi e Jagannatha Misra. Nesse momento, as interjeições “Jaya! Jaya!” se manifestaram das bocas do Senhor Ananta. Sri Jagannatha Misra e mãe Shachi ouviram o clamor de Anantadeva como se estivessem em um sonho. Os corpos de ambos exibiam grande resplandecência, embora olhos ordinários não pudessem ver. Shiva, Brahma e os demais semideuses, entendendo que a Suprema Personalidade de Deus estava prestes a aparecer, vieram até a Terra para oferecer orações.

Os semideuses oraram: “Repetidas glórias ao Senhor Mahaprabhu, o mantenedor de todos! Repetidas glórias ao Senhor que faz Seu advento neste mundo material para inaugurar o Movimento de Sankirtana! Repetidas glórias ao Senhor Chaitanya, o protetor dos Vedas, da religião, dos devotos santos e dos brahmanas piedosos! Repetidas glórias ao Senhor Chaitanya, cuja forma transcendental é absoluta, eterna e plena de bem-aventurança. Repetidas glórias ao Senhor dos senhores, cujos desejos não conhecem obstrução. O Senhor permanece imanifesto em milhões e milhões de universos, mas Se manifesta pessoalmente no ventre de Shachidevi. Quem é capaz de compreender os desejos do Senhor? A criação, a manutenção e a aniquilação dos universos não passam de um aspecto de Seus maravilhosos passatempos. Se assim desejasses, todos os universos seriam imediatamente destruídos. Assim, não serias capaz de matar Ravana e Kamsa simplesmente pronunciando uma única palavra? Apesar de tal habilidade, apareceste nas casas do rei Dasharatha e de Sri Vasudeva para matar esses dois demônios. Ó Senhor, quem seria capaz de desvendar o mistério por detrás de Tuas atividades? Apenas Tu conheces o Teu coração. Se este fosse Teu desejo, um único de Teus servos poderia libertar as almas de todos os inumeráveis universos. Mesmo assim, vens pessoalmente a este mundo, ensinas os princípios religiosos e tornas a todos venturosos”.

Continuaram: “Em Satya-yuga, apareceste em uma compleição clara e ensinou o caminho da austeridade e da meditação executando Tu mesmo austeridades. Portando uma danda e um kamandalu, com Teus cabelos descuidados e trajando pele de antílope, descendeste a este mundo como um brahmachari com o intuito de estabelecer os princípios da religião. Em Treta-yuga, manifestando Tua bela forma como o avermelhado Yajna-purusha, ensinaste a prática religiosa dos sacrifícios. Com a sruk e a srava em mãos, pessoalmente conduziste os rituais sacrificatórios”.

Oraram ainda: “Em Dvapara-yuga, apareceste com a bela compleição enegrecida de uma nuvem de monção e estabeleceu a adoração à Deidade em toda residência. Descendendo a este mundo, Tu Te tornaste um grande rei. Trajando veste amarelas e carregando em Teu corpo transcendental a marca da Srivatsa e outros sinais exclusivos, executaste opulenta adoração à Deidade. Agora, neste presente nascimento, Tu Te apresentarás na forma de um devoto puro e incondicional do Senhor. Com todo o Teu poder, pregarás o Movimento de Sankirtana, o movimento do cantar do santo nome do Senhor Krishna. O néctar do canto congregacional do santo nome irá imergir todo o universo”.

Em conclusão, disseram os semideuses: “Ó Senhor, concede-nos Tua benevolência de forma que sejamos afortunados o suficiente para ver os maravilhosos passatempos que desfrutarás em Navadvipa. Ó Senhor, daqui a alguns dias, satisfarás o acalentado desejo da deusa Ganga ao desfrutar de muitos passatempos em suas águas. Tua primorosa forma transcendental, que os místicos e yogis veem mentalmente em suas meditações, tornou-se manifesta em Navadvipa. Oferecemos nossas respeitosas reverências a Navadvipa-dhama e à casa de Shachidevi e Jagannatha Misra, onde escolheste realizar Teu aparecimento divino”.

Desse modo, Brahma e outros semideuses, mantendo-se invisíveis, ofereciam diariamente orações seletas ao Senhor Supremo.

O Proprietário Supremo de toda a criação permaneceu no ventre de Shachidevi. Com a ascensão da Lua cheia do mês de Phalguna, Ele tornou-Se manifesto. Toda a auspiciosidade residente em diferentes partes da manifestação cósmica se apresentou em plenitude naquela noite de Lua cheia. A Suprema Personalidade de Deus fez Seu advento em companhia do processo do canto congregacional do santo nome. Ele propagaria esse processo de sankirtana praticando-o Ele mesmo.

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Com a ascensão da Lua cheia do mês de Phalguna, Chaitanya Mahaprabhu tornou-Se manifesto.

Quem é capaz de compreender as estonteantes atividades do Senhor Supremo? Por Seu desejo, Rahu cobriu a Lua naquela noite. Como arranjado pelo Senhor, todos de Navadvipa, vendo o eclipse lunar, começaram a cantar bem alto os auspiciosos nomes do Senhor Hari. Muitos milhões de pessoas correram para o Ganges, onde se banhavam e clamavam: “Haribole! Haribole!”.

O som tumultuoso do cantar do nome do Senhor Hari tomou primeiramente toda Nadiya e, então, penetrou em todas as camadas do universo material até Brahmaloka. O santo nome do Senhor, não obstante, jamais se contaminou com a atmosfera material. Vendo aquele acontecimento miraculoso, os devotos pediram em prece: “Que este eclipse dure para sempre!”.

Os devotos experimentaram profunda felicidade e falaram entre si: “Todos estão tomados de bem-aventurança. Deve ter sido este o sentimento experimentado pelos habitantes da Terra quando o Senhor Krishna apareceu neste mundo”.

Enquanto os devotos se dirigiam ao Ganges para se banharem, as quatro direções eram tomadas pelo sankirtana dos santos nomes do Senhor Hari. Mulheres, crianças e idosos, e piedosos e ímpios – todos cantavam o santo nome do Senhor Hari durante o eclipsar da Lua. O único som dentro do universo era o onipresente cantar de “Hari! Hari!”. Os semideuses derramavam flores por toda parte e proclamavam vitória enquanto tocavam seus tambores dundubhi. Em meio a essa primorosa exaltação, o Senhor, a alma do universo, apareceu na Terra como o filho de Shachidevi.

A Lua fora jantada por Rahu e o oceano do santo nome inundara Navadvipa. Bandeiras de vitória tremulavam ao vento indicando que Kali encontrara-se com a derrota personificada. O Senhor Supremo havia nascido! Todos os quatorze mundos conversavam sobre o grande evento.

Meramente pela contemplação do Senhor Gaurachandra, todos os moradores de Nadiya se tornaram satisfeitos em plenitude. Agora, toda a lamentação se dissipara. Sua refulgência incandescente ofusca os raios solares. Quanto a Seus olhos ligeiramente caídos, não ousarei tentar nenhuma metáfora. A atmosfera está tomada de boa-venturança: hoje, as glórias do Senhor Chaitanya estão manifestas! Cada vibração rugiente do nome do Senhor Hari é ouvida em todos os mundos até o planeta de Brahma, carregando a excelsa notícia do nascimento do Senhor. Sua esplêndida compleição se assemelha à cor da pasta de sândalo. Seu peito é amplo, e nele se dispõe uma dançante guirlanda de flores silvestres. Seu rosto iridescente é prazeroso, consolador e refrescante como a Lua. Seus longos braços se estendem até Seus joelhos.

Clamores de vitória e glorificações ao Senhor permeavam todas as direções, e a Terra se sentia especialmente favorecida pelo advento do Senhor Chaitanya. Alguns cantavam com profunda satisfação, enquanto outros dançavam em êxtase. Para Kali, entretanto, estar em meio àquela celebração espiritual era algo desesperador. A Lua dourada, o Senhor Chaitanya Mahaprabhu, nasceu. Não há nenhum lugar nas dez direções que não esteja tomado de bem-aventurança.

Sua beleza humildava milhões de cupidos. Ele sorria ao ouvir o cantar de Seu santo nome. Sua face amável e olhos encantadores, somados aos sinais auspiciosos trazidos em Seus pés, como a bandeira e o raio, bem como toda a Sua forma graciosa belamente decorada, estavam ali para roubar a mente e os sentidos de todos.

Toda forma de medo e desânimo foi imediatamente dissipada pelas Suas glórias e opulências. Os semideuses cantavam estupefatos ante o aparecimento do Senhor Chaitanya. Contemplando o rosto do Senhor, refrescante como a Lua, refrescante o bastante para curar o sofrimento ígneo da vida material, os semideuses ficavam imensamente satisfeitos. Era uma ocasião festiva e gloriosa. Ananta, Brahma, Shiva e outros semideuses haviam agora assumido formas humanas. Tendo o eclipse por pretexto, eles também cantavam o nome do Senhor Hari. É-me impossível descrever a exultação deles todos.

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Mãe Shachi, com o pequeno Nimai no colo, recebe visitas.

As quatro direções de Nadiya estão definitivamente tomadas pelo cantar de “Hari! Hari!”. Navadvipa jamais provara fortuna como esta. Juntos, humanos e semideuses desfrutariam de inúmeros passatempos. Todos os semideuses, aproveitando não poderem ser vistos na escuridão do eclipse, foram até o quintal da casa de mãe Shachi e ofereceram suas reverências ao Senhor Chaitanya. Quem seria capaz de descrever esses insondáveis e confidenciais passatempos do Senhor, tão difíceis de se compreender? Alguns ofereciam preces, alguns seguravam uma sombrinha e outros O abanavam com abanos chamara, enquanto outros derramavam flores, cantavam e dançavam.

O retumbar dos tambores dundubhi se misturava aos hinos, preces e música dos semideuses, fazendo o ar dançar. “Hoje, sem mais espera, conheceremos a Suprema Personalidade de Deus, que é um mistério mesmo para os Vedas”. Os semideuses de Indrapura estavam euforicamente felizes; tumultuosamente se decorando, eles mal podiam acreditar terem recebido a benção de nascer em Navadvipa, onde o Senhor lhes daria Sua venturosa companhia. Devido à excessiva felicidade que sentiam pelo nascimento do príncipe de Navadvipa, o Senhor Chaitanya Mahaprabhu, eles se abraçavam e se beijavam sem nenhum constrangimento. Não havia mais distinção no critério de amigos ou inimigos.

Muito curiosos, os semideuses chegaram a Navadvipa em meio ao sonoro cantar do nome de Deus. Provando o gosto nectáreo daquele cantar, o êxtase deles foi tamanho que quase perderam a consciência. Parecendo um tanto intoxicados, cantaram: “Chaitanya! Jaya! Jaya!”. Na casa de Shachidevi, eles contemplavam a belíssima forma do Senhor Chaitanya, que era gloriosa como o encontro de dez milhões de luas. Usando o eclipse como justificativa, Ele adveio em Sua forma semelhante à humana e fez com que todos cantassem bem alto o santo nome do Senhor Hari.

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