Insultos, Tecidos e Flores: Três Homens e Suas Vidas Passadas

13 I (artigo - Karma e Reencarnação) Insultos, Tecidos e Flores (1006) (ta)Narada Muni
(Excertos do canto 5 da Garga-samhita)

Agora ouça uma descrição dos passatempos de Krishna quando entrou pela primeira vez na cidade de Mathura.

A fim de agradar os vaqueirinhos, o Senhor Krishna falou as seguintes palavras a um lavador e tingidor de roupas que passava apressadamente pela estrada real: “Ó amigo de coração nobre, presenteia-nos com essas belas vestes. Se deres as mesmas a nós, serás recompensado imensamente – quanto a isso, não há dúvidas”.

Atiçado pelas palavras do Senhor Krishna assim como o fogo é agitado por manteiga clarificada, o lavador, que era um homem muito perverso e servo do ditador Kamsa, esbravejou com Krishna no meio da estrada. Ele disse: “Ó orgulhosos vestidores de kaupinas, vossos pais ou vossos avós alguma vez vestiram trajes como estes? Ó incivilizados moderadores da floresta, se tendes amor por vossa vida, é melhor fugirdes desta cidade! Se não o fizerdes, mandarei prender-vos por roubardes minhas roupas”.

Tão logo o homem terminou essas palavras, o Senhor Krishna, com o flanco de Sua mão, decapitou espirituosamente o lavador. Uma refulgência deixou o corpo daquele homem e entrou no corpo do Senhor Krishna, que era belo como uma nuvem escura. De pronto, os assistentes do lavador largaram o grande tesouro de vestes ricas e correram em diferentes direções, assim como nuvens de monção se dispersam com a chegada do outono.

Calmamente Se demorando ali, Krishna e Balarama pegaram o que queriam na pilha de roupas. Os vaqueirinhos também pegaram tudo o que quiseram, e outros jovens que passavam na estrada real, ignorantes do que acontecera, também pegavam da pilha de belas vestes enquanto Krishna e Balarama viam tudo serenamente.

Então, um tecelão notou Krishna e Balarama e, de imediato, vestiu-os com tecidos belos e coloridos. Fez o mesmo com os demais vaqueirinhos. Em seguida, com grande devoção, ele contemplou o Senhor Krishna. Agradado, Krishna deu ao tecelão uma forma transcendental como a Sua, e o Senhor Balarama lhe deu força, beleza e opulência transcendentais como as Suas.

Após esses episódios com o lavador e o tecelão, Sri Krishna, o filho de Nanda, foi com Balarama para a casa de um florista de nome Sudama. Quando Sudama viu Krishna e Balarama, levantou-se de imediato e, então, curvou-se de mãos juntas. Acomodando-os em um trono de flores, dirigiu-lhes palavras sufocadas pela emoção. Sri Sudama disse: “Agora que viestes, ó Senhores, minha família, minha casa e meu nascimento neste mundo tornaram-se todos abençoados. Entendo que sete gerações de ancestrais nas famílias de minha mãe, de meu pai e de minha esposa agora foram para Vaikuntha-loka, o mundo espiritual. Sois ambos a perfeita Suprema Personalidade de Deus, e nascestes na dinastia do rei Yadu de modo a remover o fardo da Terra. Ofereço minhas respeitosas reverências a Vós que, embora sejais os dois controladores de todos os mundos, vieram à minha casa deveras pobre”. Depois dessas palavras, o florista ofereceu a Krishna e Balarama muitos ornamentos florais cheios de abelhões a zunirem belamente. Então, curvou-se para oferecer-Lhes seus respeitos. Vendo a grande quantidade de flores, o Senhor Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, presenteou-as a Seus amigos vaqueirinhos. Sorrindo, disse ao florista: “Terás grande devoção por Meus pés de lótus. Terás a companhia de Meus devotos. Mesmo neste mundo, terás uma forma transcendental como a Minha”. Então, o Senhor Balarama deu-lhe a dádiva de sempre crescer em beleza e opulência. Krishna e Balarama, por fim, levantaram-Se e foram embora.

O Lavador

Em Treta-yuga, no reino do Senhor Rama, em Ayodhya, enquanto os espiões do Senhor Rama ouviam, esse lavador disse à sua esposa: “Não te manterei em minha casa, uma pecadora que retorna pela manhã de uma casa alheia. Ramachandra, devido à avidez por desfrutar de Sua esposa, pode continuar mantendo Sua Sita, mas eu não sou como Ele”.

Ouvindo dessa e de muitas outras fontes que o povo O estava criticando, o Senhor Ramachandra imediatamente exilou Sita na floresta. O Senhor Ramachandra não desenvolveu nenhum desejo de punir o homem que o criticava, e, no devido curso, essa pessoa nasceu em Mathura no fim de Dvapara-yuga e ali se tornou lavador. Para descontinuar sua blasfêmia, entretanto, o Senhor Krishna o matou. Destarte, o Senhor, que é um oceano de misericórdia, conferiu-lhe moksha, a libertação.

O Tecelão

Em sua vida passada, o tecelão foi tecelão também, mas na cidade de Mithila. Um grande devoto do Senhor e um profissional muito competente, ele, ao mando do rei Siradhvaja, fez vestes muito elegantes para Rama e Lakshmana vestirem no dia do casamento do Senhor Rama. Quando ele viu Rama e Lakshmana, que são mais belos do que milhões de cupidos, o nobre tecelão encantou-se. Em seu coração amável, desejou: “Quem me dera poder fazer vestes para colocar nEles com minhas próprias mãos”.

Em Seu coração, o onisciente Senhor Rama abençoou-o para que seu desejo se realizasse no futuro: em Bharata-varsha no fim da era de Dvapara. Pelas bênçãos do Senhor Rama, nasceu na cidade de Mathura. Ele pessoalmente vestiu Krishna e Balarama, em decorrência do que obteve uma forma transcendental como a dEles.

O Florista

Nos belos jardins Caitraratha de Kuvera, o tesoureiro dos semideuses, havia um florista de nome Hemamali. Ele era pacífico, generoso, devotado ao Senhor Vishnu e dado à companhia de pessoas santas. Ele adorava o Senhor Shiva a fim de obter a companhia do Senhor Vishnu. Por cinco mil anos, ele diariamente pegou trezentas flores de lótus, colocou-as diante do Senhor Shiva e curvou-se. O Senhor Shiva, que é um oceano de misericórdia, ficou muito satisfeito.

Certo dia, Shiva apareceu-lhe e disse: “Ó inteligente florista, pede-me uma bênção”. Hemamali, de mãos juntas, curvou-se perante o Senhor Shiva e circum-ambulou-o. Então, de pé diante dele e com cabeça baixa em gesto de respeito, disse: “Por tuas bênçãos, que eu possa ver com meus próprios olhos a perfeita Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Krishna, entrar em minha casa”. O Senhor Shiva disse: “Ó possuidor de um coração nobre, no fim da era de Dvapara, em Bharata-varsha, na cidade de Mathura City, teu desejo será realizado. Quanto a isso, não há dúvidas”.

Pelo bendizer do Senhor Shiva, no final da era de Dvapara, o magnânimo Hemamali nasceu como o florista Sudama. Para manter a promessa do Senhor Shiva, Krishna e Balarama entraram na casa de Sudama.

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