Kurukshetra, A Terra do Dharma

08 (artigo - Peregrinação) R Kuruksetra - A Terra do Dharma (983) (bg) (ta)Lokanatha Swami

Guerra e atividades piedosas frequentemente caminharam juntas neste antigo campo do norte da Índia.

Kurukshetra, a cerca de centenas de quilômetros ao norte de Nova Delhi, é conhecido principalmente como o local onde a grande batalha do Mahabharata foi travada e onde Krishna falou o Bhagavad-gita. Contudo, muito antes desses eventos, Kurukshetra exercera um papel predominante na história e na cultura da Índia antiga. Por milhares de anos, ali foi o eixo ao redor do qual a civilização védica girou em sua grande glória. A importância religiosa de Kurukshetra é descrita em muitas escrituras, incluindo o Bhagavad-gita, o Mahabharata e vários Upanishads e Puranas. As escrituras descrevem-no como um local de meditação e uma das moradas dos semideuses. A atmosfera de Kurukshetra continua dominada pelo canto de hinos védicos, especialmente o Bhagavad-gita.

O primeiro verso do Bhagavad-gita se refere a Kurukshetra como dharma-kshetra, ou “o campo do dharma”, indicando que ele já era conhecido como um local sagrado. Hoje, podem-se encontrar muitos templos antigos e lagos sagrados em Kurukshetra, uma área de centenas de quilômetros quadrados entre os rios sagrados Sarasvati e Drisadvati, no estado de Haryana.

O Grande Rei Kuru

Kurukshetra, antigamente, era conhecido como Brahmakshetra, Brighukshetra, Aryavarta e Samanta Panchaka. Tornou-se conhecido posteriormente como Kurukshetra por causa do trabalho do rei Kuru.

O Mahabharata descreve como o rei Kuru, um proeminente ancestral dos Pandavas, fez daquela terra um grande centro de cultura espiritual. O rei Kuru foi até lá em uma quadriga de ouro e usou o ouro da quadriga para fazer um arado. Ele, então, pegou emprestado o touro de Shiva e o búfalo de Yamaraja e começou a arar o solo. Quando Indra chegou e perguntou a Kuru o que ele fazia, Kuru respondeu que ele estava preparando a terra para plantar as oito virtudes religiosas: verdade, yoga, gentileza, pureza, caridade, perdão, austeridade e celibato.

Indra requisitou que o rei lhe pedisse alguma dádiva. Kuru pediu que aquela terra permanecesse eternamente um local de peregrinação, mesmo após sua partida, e que qualquer um que morresse ali fosse para o céu independentemente de seus pecados e virtudes. Indra riu ao ouvir tal pedido.

Intrépido, Kuru executou grandes penitências e continuou a arar. Gradualmente, Indra começou a reconsiderar seu pedido, mas os outros semideuses expressavam dúvida. Eles diziam que morte sem sacrifício não era digna de um espaço no céu. Finalmente, Kuru e Indra chegaram a um acordo: Indra aceitaria no céu qualquer um que morresse ali lutando ou executando penitêu qualquer um que morresse ali lutando ou executando penitaria no cexpressavam dstava preparando a terra para plantar as oito vncias. Assim, Kurukshetra se tornou tanto um campo de batalha quanto uma terra piedosa.

A Batalha do Mahabharata

Quando os Pandavas clamaram de Dhritarastra e de seus filhos, os Kauravas, a sua parte legítima do reino de Pandu, foi-lhes dada a floresta Khandava, localizada ao sul do reino de Kuru. Lá, eles construíram uma cidade magnífica chamada Indraprastha, localizada onde hoje é Delhi. Os Kauravas mantiveram Hastinapura, situada ao norte de Delhi, como sua capital.

Mais tarde, os Pandavas foram exilados por treze anos após a derrota de Yudhisthira em um jogo de dados. Após o cumprimento do exílio, os Pandavas exigiram a devolução do reino que lhes cabia. Como representante dos Pandavas, o Senhor Krishna foi até Duryodhana, o Kaurava mais velho, e pediu humildemente por cinco vilas para os cinco Pandavas. Todavia, o orgulhoso Duryodhana se recusou a ceder qualquer terra. “Não darei a eles nem mesmo a quantia de terra que cabe na cabeça de um alfinete”, ele disse.

Naquele momento, a guerra se fez inevitável, e os Kauravas e os Pandavas decidiram lutar em Kurukshetra porque ali abundava água e lenha e era espaçoso e inabitado.

Os Pandavas ganharam a batalha de Kurukshetra, que durou apenas dezoito dias.

O Nascimento do Gita

A batalha de Kurukshetra começou no dia conhecido como Mokshada Ekadashi. (Ekadashi é o décimo primeiro dia tanto da Lua crescente quanto da Lua minguante, e mokshada significa “aquele que concede a libertação”). Naquele dia, Krishna iluminou Arjuna com o conhecimento do Bhagavad-gita, libertando-o. Atualmente, todo ano nesse dia – considerado o aniversário do Bhagavad-gita – festivais em homenagem ao Gita são realizados em Kurukshetra e em vários outros locais da Índia.

O grande festival de Jyotisar, o local onde o Gita foi falado, é organizado como um ofício do governo, com ministros e governadores presidindo o evento. Coincidentemente, é também a época da Maratona Anual da ISKCON de distribuição dos livros de Prabhupada, quando os devotos distribuem centenas e milhares de cópias do Bhagavad-gita Como Ele É, de Srila Prabhupada, por toda a Índia e ao redor do mundo.

Kurukshetra e o Ratha-yatra

Certa vez, quando Krishna Se preparava para ir a Kurukshetra no momento do eclipse solar, Ele convidou as gopis (vaqueirinhas) e outros residentes de Vrindavana para encontrarem-se com Ele em Kurukshetra. Quando Ele deixou Vrindavana em Sua mocidade, Ele prometera voltar muito em breve. Porém, ele ficou longe por um longo período (cerca de cem anos). Então, motivados por intenso amor espiritual, os residentes de Vrindavana sempre sentiam saudade transcendental e o extático desejo de revê-lO.

Os residentes de Dvaraka (a cidade majestosa) chegaram a Kurukshetra em opulentas quadrigas; os residentes de Vrindavana (uma simples vila de vaqueiros), chegaram em carros de boi. Porque as famílias de Vrindavana e de Dvaraka eram relacionadas, uma reunião muito prazerosa aconteceu.

De todos os residentes de Vrindavana, a líder das gopis, Srimati Radharani, havia sentido as dores da separação de Krishna mais do que qualquer outro. Ela e as outras gopis estavam determinadas a levar Krishna de volta a Vrindavana. A reciprocidade amorosa entre Krishna e as gopis em Kuruksetra é o significado esotérico por trás do festival conhecido como Ratha-yatra. Assim, sempre que os devotos Hare Krishna realizam Ratha-yatras em qualquer cidade ao redor do mundo, eles estão proclamando as glórias eternas de Kurukshetra.

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Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/fixingshadows.

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3 Respostas

  1. Bruno Miranda

    Essa guerra, de kurukshetra de fato ocorreu? Existem fatos históricos que podem provar isso? Ou é um evento mitológico? Fico sempre nessa dúvida!

    15 de junho de 2016 às 2:20 AM

    • BBT

      Olá, Bruno! Muito obrigado por sua pergunta!

      Talvez esta Pergunta & Resposta em nosso arquivo satisfaça sua indagação: goo.gl/ZhF4vp

      Se restarem dúvidas ou surgirem dúvidas novas, estamos à disposição! Um abraço!

      15 de junho de 2016 às 4:05 PM

  2. Pingback: Artigos e Palestras | Volta ao Supremo | Página oficial

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