Maya e Vaikuntha

12 SI (artigo - teologia) Maya e Vaikuntha (1701) (pm)
A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Duas dimensões marcadas por consciências opostas.

Onde está esse Vaikunthaloka? É bastante imprudente perguntar porque não podemos calcular sequer qual é o comprimento e a largura deste universo. Este é apenas um universo. Isso se chama mayika brahmananda. Mayika significa sombra, e a sombra existe por conta do real. Portanto, chama-se maya. Assim como o exemplo de que, no país de vocês, na vitrine, há muitos modelos ótimos, belas mulheres paradas, ou um homem parado, bem vestido, mas não é um homem ou uma mulher de verdade. Trata-se de sombra. Isso se chama maya. Maya significa que não se trata de um fato, mas parece um fato. Assim como a miragem, a água no deserto. Na verdade, não há água, mas parece haver água. Os animais tolos correm atrás da água, mas não há água. Estão simplesmente correndo atrás de fogo fátuo, fantasmagoria. Assim, todos nós neste mundo material estamos ansiando por felicidade. Todos estão tentando ser felizes, mas é como o mesmo exemplo, de que não há água no deserto, e, ainda assim, o animal tolo está correndo atrás disso.

Toda a criação material é assim. O criador deste universo, Krishna, diz que duhkhalayam asasvatam: “Este é o lugar para sofrimento”. (Bhagavad-gita 8.15) E você está buscando por felicidade. Por exemplo, a casa de detenção é o lugar para sofrimento, e, se você quer ficar confortável, isso se chama maya. Maya-sukhaya bharam udvahato vimudhan: “Os tolos e patifes andam às voltas com planos elaborados, através dos quais procuram obter felicidade material e manter suas famílias, sociedades e países”. (Srimad-Bhagavatam 7.9.43) O mundo inteiro está correndo atrás da felicidade, o que não é possível, daí serem descritos como vimudhan, patifes. Nós, algumas vezes, usamos esta palavra com grande frequência, “patifes”, e eles ficam irritados. Mas, na verdade, essa é a descrição: “Patifes”. Todos esses homens assim chamados civilizados sequer são homens – são todos animais. No shastra, eles são descritos como dvi-pada-pasu, isto é, animais de duas patas. Isso é tudo. A única diferença é que os animais, geralmente, têm quatro pernas, catus-pada, mas esses animais são bípedes. Essa é a diferença. Eles são animais por causa do exemplo que foi dado: no deserto, não há água, e o animal está correndo atrás disso. Por que ele é chamado de animal? Porque ele não entende que no deserto não pode haver água.

Vidyapati canta uma canção, que diz tatala saikate, vari-bindu-sama, suta-mitra-ramani-samaje. Como estamos tentando ser felizes aqui neste mundo material? Suta significa filhos, e mitra significa amigos. Sociedade, amizade e amor, esposa, filhos… Alguém talvez diga: “A menos que haja felicidade, como as pessoas estão batalhando por essas coisas?”. Então, Vidyapati diz: “Sim, há felicidade”. Certamente há felicidade. Do contrário, por que esses vimudhans, indivíduos tolos, estariam correndo atrás disso? O compositor, então, diz que, embora a felicidade exista, o valor da felicidade deles é a proporção de uma gota de água no deserto. Tatala saikate. Tatala significa “muito quente”, e saikate significa “areia”. Aqueles que já viram o deserto têm a experiência de como esse vasto segmento de terra repleto de areia é intolerável durante a presença dos raios solares. Quem está no deserto, portanto, naturalmente necessita de água. Então, se alguém diz: “Sim, eu darei água a vocês”, e dá uma gota de água – uma quantia simbólica – que diferença isso fará? “Sim, você quer água. Pegue esta gota de água”. “Estamos no deserto. Quero um oceano de água e você está me dando uma gota de água? Que valor há nisso?”.

Primeiro o corpo, então esposa e filhos. Então, expande novamente. A partir dos filhos, quando estes se casam, obtêm-se nora, genro e netos. Desta maneira, estamos ampliando a nossa assim chamada felicidade, e estamos pensando: “Esses amigos que me rodeiam – a sociedade, os amigos, o amor, a nação – me protegerão”. No nosso país, nós vimos que Gandhi batalhou muito duro para obter a independência pensando: “Seremos felizes”. Contudo, o próprio Gandhi foi morto.

Então, isso se chama maya. Tentem compreender maya. Maya significa onde não há felicidade, não há fato, e, ainda assim, estamos nos empenhando por isso. Isso se chama maya. Tentem compreender o que é maya. Na verdade, não há fato, e, ainda assim, estamos nos empenhando por isso. Todo o universo é como isso. Mesmo se você estiver situado como Brahma, ou esteja situado como uma formiga insignificante, esse empenho pela existência continua.

Além do Mundo de Ansiedades

Prahlada Maharaja diz: “Esses patifes estão labutando por uma existência, por uma felicidade, que não é possível neste mundo material. E, além dessa atmosfera de labuta do mundo material, existe outro mundo”. Isso também é informado no Bhagavad-gita (8.20), que diz que parah tasmad tu bhava anyah ’vyaktavyaktat sanatanah, ou seja, diz que “há outra natureza imanifesta, que é eterna e transcendental a esta matéria ora manifesta, ora imanifesta”. Existe outro bhava. Bhava significa natureza. Assim como isto é natureza. A natureza maya significa que, aqui, a nossa principal meta é encontrar a felicidade. Porque somos almas espirituais, partes e parcelas de Krishna, sac-cid-ananda-vigraha, também somos sac-cid-ananda diminutos. A nossa existência é assim. Todavia, porque somos muito pequenos, essa qualidade sat algumas vezes se extingue. O exemplo é da centelha de fogo. Ela é fogo. Tão logo uma centelha do fogo caia em seu corpo, ela queimará aquele local pequeno como um ponto. Então, ela tem a mesma qualidade, mas, tão logo sai do fogo, ela se extingue – não mais é fogo, mas apenas carbono. Novamente, pegue isso e coloque no fogo, então é fogo mais uma vez. Então, a nossa posição é assim. Somos, de fato, da mesma qualidade de Deus, sac-cid-ananda. A nossa queda de Krishna para este mundo material significa que perdemos a nossa identidade de eternidade. Ela se encobriu. Assim como a mesma pequena centelha que é fogo, mas agora está extinta, cinza, tal qual carvão. Enquanto está com o fogo original, ela também está queimando, mas, se você a retira e a deixa à parte, então se torna cinza. Assim, tal é a posição em que estamos batalhando aqui. Nós perdemos a qualidade ígnea e, ainda assim, estamos tentando ser fogo. Isso se chama existência de maya.

Há outro mundo. Todo este mundo material é um quarto da expansão de Krishna. E Vaikunthaloka são três quartos, daí ser chamado de vyapi, que significa “muito extenso”. Não podemos calcular sequer esta existência material, que é um quarto. Agora, como nos é possível calcular o vyapi vaikuntha-loka? A palavra “Vaikuntha” é composta de vi, que significa “sem”, e kuntha, que significa “ansiedade”, logo “Vaikunthaloka” significa “sem ansiedade”. Aqui neste mundo material, estamos cheios de ansiedades. Mesmo grandessíssimos homens de negócios, que têm dinheiro suficiente, vocês os verão cheios de ansiedade. O homem de negócios está sempre pensando: “Como este negócio continuará? Como manter tantos homens?”. Vi isso no presidente da Dai Nippon. Quando nós temporariamente descontinuamos os nossos negócios, ele ficou cheio de ansiedade. Sim. Agora, eles concordaram em cobrar dez por cento a menos do que qualquer outro tipógrafo. Por quê? Ele estava cheio de ansiedade. (risos) Esse é o fato. Então, não pensem que grandessíssimos homens de negócios ou aqueles que têm dinheiro o suficiente não têm ansiedade. A ansiedade sempre está presente. Este é um lugar de ansiedade, kuntha. Brahma também está em ansiedade – repleto de ansiedade. Indra também. Prithu Maharaja estava fazendo cem sacrifícios, e Indra ficou muito ansioso: “Se Prithu se tornar muito grandioso, talvez ocupe meu lugar”. Ele, então, quis criar obstáculos de sorte que ele não concluísse tantos sacrifícios.

Todos estão em ansiedade neste mundo material, maya. O nosso movimento da consciência de Krishna visa levar a pessoa, ou todas as pessoas, desta maya para Vaikuntha. Isto é a consciência de Krishna: salvar a entidade viva da ansiedade e levá-la para a plataforma de não ansiedade. Trata-se da maior dádiva para a sociedade humana. Porque estão neste mundo material, é natural que todos estejam cheios de ansiedade. Então, fornece-se a informação de que existe outra atmosfera, outra natureza, onde não há ansiedade.

Política e a Transformação do Mundo Material em Vaikuntha

O movimento da consciência de Krishna é o único empenho nesse sentido. Por se tornar consciente de Krishna, você se transfere de maya para Vaikuntha. Além desta maya, há outro reino, onde não há kuntha, vaikuntha-loke. E há administração. Assim como há administração aqui, com o rei ou o presidente, ou ministros e muitíssimas coisas, também há administração lá, mas aquela administração é conduzida diretamente pela Suprema Personalidade de Deus. O administrador ideal ou chefe executivo ideal, portanto, é alguém que seja um indivíduo santo e devoto. Isso é necessário. Na política também há necessidade de devotos. Os políticos primeiramente precisam compreender a consciência de Krishna caso de fato queiram fazer bem aos outros. Caso permaneçam como animais, isso não é possível. Então, o mundo inteiro, o povo, sofrerá. Essa é a posição agora. Não há governante padrão. O governante tem que ser representante de Krishna, assim como Maharaja Yudhisthira. Maharaja Yudhisthira era representante de Krishna, e o Senhor Ramachandra era Deus em pessoa. Semelhante chefe executivo é necessário, e não esses patifes, com os quais vocês jamais serão felizes. O presidente tem que ser o próprio Krishna ou o representante de Krishna. As pessoas, então, serão felizes.

Alguns pensam que o Bhagavad-gita se destina a alguns parasitas. “Eles não estão fazendo nada, e estão se dando à leitura do Bhagavad-gita e vivendo à custa dos outros”. Eles estão pensando assim, mas, na verdade, o governante deve ser um estudioso do Bhagavad-gita bem familiarizado com a obra. A declaração no Bhagavad-gita (4.2) é que ele se destina aos reis santos, imam rajarsayoh viduh, pois, se o rei ou o presidente compreende o Bhagavad-gita, ele pode solucionar todos os problemas. Por outro lado, se ele permanece um patife, não há solução alguma. Eles estão simplesmente lutando uns com os outros – um político contra outro político. Isso continua, e isso jamais nos fará felizes. Portanto, é melhor irmos embora deste lugar e voltarmos ao lar, voltarmos ao Supremo. Não tentem ser felizes aos cuidados desses patifes. Isso jamais será possível. Essa é a instrução de todo os shastras.

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