O Artista Supremo

19 (artigo - Artes) O Artista Supremo (2009)1A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Convidado a palestrar em uma galeria de arte em Auckland, Nova Zelândia, Srila Prabhupada convidou seus ouvintes a contemplarem as obras do artista supremo – o Senhor Krishna.

Damas e cavalheiros, agradeço-lhes imensamente pela sua presença e pela oportunidade dada a nós de falarmos sobre o artista supremo. Os Vedas descrevem o grande artista que é Krishna: na tasya kāryam karanam ca vidyate na tat samaś cābhyadhikaś ca driśyate. Não é possível encontrar alguém maior do que a Suprema Personalidade de Deus ou igual a Ele, e, embora Ele seja o maior artista, Ele não tem que fazer nada pessoalmente.

Neste mundo, todos nós conhecemos alguém inferior a nós, alguém igual a nós e alguém maior do que nós. Essa é a nossa experiência. Independente de quão grande você acaso seja, você encontrará alguém igual a você e alguém maior do que você. Porém, no tocante à Suprema Personalidade de Deus, grandes sábios concluíram por meio de pesquisa e experimento que ninguém é igual a Ele ou maior do que Ele.
Deus é tão grandioso que Ele nada tem a fazer, nenhum dever a cumprir (na tasya kāryam karanam ca vidyate). Por quê? Parāsya śaktir vividhaiva śrūyate (Cc. Madhya 13.65, significado). Suas energias são multifárias, e estão operando automaticamente, segundo Seu desejo (svābhāvikī jñāna-bala-kriyā ca). Suponha que você é artista. Para fazer uma pintura de uma bela rosa, você tem que pegar seu pincel, misturar suas cores em uma paleta e ocupar seu cérebro na produção da bela pintura. Contudo, em um jardim, você pode ver não apenas uma rosa, mas muitos milhares de rosas a nascerem. Elas foram “pintadas” muito artisticamente pela natureza.
Porém, devemos ir mais a fundo na questão. O que é a natureza? A natureza é um instrumento de trabalho, e apenas isso – uma energia. Sem alguma energia funcionando, como a flor poderia desabrochar tão belamente a partir do botão? Tem de haver alguma energia em operação, e essa energia é energia de Krishna. No entanto, opera tão sutil e velozmente que não podemos compreender como opera.

As energias materiais parecem trabalhar automaticamente, mas, na verdade, há um cérebro por trás delas. Quando você faz uma pintura, todos podem ver que você está trabalhando. Similarmente, a “pintura” da rosa de verdade também é trabalhada por muitas energias. Não pensem que a rosa foi criada automaticamente. Não. Nada é criado automaticamente. A rosa é criada a partir das energias do Senhor Supremo, mas essas energias são tão sutis e tão artísticas que uma bela flor pode florescer no transcurso da noite para o dia.

19 (artigo - Artes) O Artista Supremo (2010)1

Prabhupada discursando com uma rosa em mãos.

Então, Krishna é o maior artista. Atualmente, na era eletrônica, um cientista apenas aperta um botão e sua máquina funciona muito perfeitamente. Ou um piloto de avião simplesmente aperta um botão e uma grande máquina, tal qual uma pequena cidade, voa no céu. Então, se é possível a homens comuns deste mundo operarem de modo tão maravilhoso simplesmente apertando alguns botões, quão maior tem de ser a habilidade de Deus para o mesmo? Quão mais fértil tem de ser o Seu cérebro em comparação com os cérebros dos artistas e cientistas comuns? Simplesmente pelo desejo dEle – “Que aconteça a criação” – tudo é imediatamente manifestado. Krishna, portanto, é o maior artista.

Não há limite para a habilidade artística de Krishna, porque Krishna é a semente de toda criação (bījam mām sarva-bhūtānām [Bg. 7.10]). Todos vocês já viram uma figueira-de-bengala. Ela cresce de uma pequena semente. Essa pequena semente tem tanta potência que, se você plantá-la em um local fértil e aguá-la, um dia se tornará uma grande figueira-de-bengala. Agora, quais são as potências, quais são os arranjos artísticos e científicos, dentro dessa pequena semente que permitem que cresça e se torne uma grande figueira-de-bengala? Além disso, na figueira-de-bengala, há muitos milhares de frutas e, dentro de cada fruta, há milhares de sementes, e cada semente contém a potência de outra árvore. Onde está o cientista que pode criar dessa maneira? Onde está o artista dentro deste mundo material que pode criar uma obra de arte tão magnífica quanto uma figueira-de-bengala? Tais perguntas devem ser feitas.

O primeiro aforismo do Vedānta-sūtra é athāto brahma jijñāsā: “Na forma humana de vida, deve-se indagar acerca da Verdade Absoluta”. Então, a pessoa deve estudar cuidadosamente essas questões. Você não pode criar uma máquina que automaticamente cresce e se torna uma grande figueira-de-bengala. Então, você não acha que tem de haver um grande cérebro artístico, um grande cérebro científico, por trás da natureza? Se você simplesmente diz: “A natureza está operando”, isso não é uma explicação suficiente.

O segundo aforismo do Vedānta-sūtra é janmādy asya yatah(SB 1.1.1): “A Verdade Absoluta é Ele a partir de quem tudo é gerado”. Temos que expandir nossa visão, levando-a das coisas pequenas para as grandes. Agora, impressionamo-nos quando vemos um pequeno sputnik voando no céu. Ele voa em direção à Lua, e todos nós estamos dando créditos aos cientistas, e os cientistas estão desafiando: “O que é Deus? A ciência é tudo”.

Contudo, se você for inteligente, você comparará o sputnik a milhões e trilhões de planetas e estrelas. Apenas neste minúsculo planeta Terra, há muitíssimos oceanos, muitíssimas montanhas, muitíssimos arranha-céus. Porém, se você subir alguns milhões de quilômetros, este planeta parecerá um pequeno ponto. Você o verá como nada mais do que um ponto no céu. E há milhões de planetas flutuando no céu, como chumaços de algodão. Então, se damos tanto crédito aos cientistas que inventaram o sputnik, quão maior tem que ser o crédito dado a quem inventou este arranjo universal? Isto é consciência de Krishna: apreciar o maior artista, o maior cientista.

Podemos apreciar muitíssimos artistas, mas, a menos que apreciemos o artista supremo, Krishna, nossa vida é um desperdício. Encontramos essa apreciação na Brahma-samhitā, a oração do senhor Brahmā, o criador do universo. Em apreciação a Govinda, Krishna, ele canta:

yasya prabhā prabhavato jagad-anda-koti-
ko
tisv aśesa-vasudhādi-vibhūti-bhinnam
tad brahma ni
skalam anantam aśesa-bhūtam
govindam
ādi-purusam tam aham bhajāmi
(Bs. 5.40)

Agora, estamos tentando compreender o sistema planetário através de nosso método científico. Porém, não fomos capazes de concluir o estudo nem mesmo do planeta mais próximo, a Lua, e o que dizer dos milhões e bilhões de outros planetas. No entanto, obtemos este conhecimento a partir da Brahma-samhitā: yasya prabhā prabhavato jagad-anda-koti-kotisu. Por meio da brilhante refulgência que emana do corpo de Krishna, inumeráveis universos são criados. Não somos capazes de estudar nem mesmo um universo, e a Brahma-samhitā nos informa que há inumeráveis universos e que, em todo e cada um deles, há inumeráveis planetas (jagad-anda-koti-kotisu). Há, portanto, inumeráveis universos com inumeráveis sóis, inumeráveis luas e inumeráveis planetas.

Tudo isso é possibilitado pela refulgência corpórea de Krishna, que se chama brahma-jyotir. Os jñānīs, aqueles que estão tentando se aproximar da Verdade Absoluta mediante a especulação mental, por meio do poder de seu cérebro minúsculo, podem no máximo chegar a esse brahma-jyotir. Porém, esse brahma-jyotir é apenas a iluminação do corpo de Krishna. A melhor analogia é o brilho solar. O brilho solar está vindo do globo solar. O Sol é localizado, e a refulgência do Sol, o brilho solar, distribui-se por todo o universo. Assim como a Lua reflete o brilho solar, o Sol também reflete o brahma-jyotir. E o brahma-jyotir é a refulgência corpórea de Krishna.

Então, a maior arte é compreender Krishna. Eis a maior arte. Se realmente queremos ser um artista, devemos tentar entender o maior artista, Krishna, ou tentarmos ter Sua companhia íntima. Para esse fim, estabelecemos a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna. Os membros dessa sociedade são treinados para ver em tudo a exibição do senso artístico de Krishna. Isto é a consciência de Krishna – ver a mão artística de Krishna em todo lugar.

No Bhagavad-gītā (10.8), Krishna diz, aham sarvasya prabhavo mattah sarvam pravartate: “O que quer que vejas é uma emanação de Mim. Tudo é criado a partir de Minha energia”. Deve-se compreender o fato de que Krishna é a origem de tudo. O senhor Brahmā confirma isso em seu Brahma-samhitā (5.1), īśvarah paramah Krishnah: “Krishna é o controlador supremo”. Aqui neste mundo material, temos a experiência de muitos controladores. Todos nós somos um controlador. Você é controlador; eu sou controlador. Acima de você, no entanto, há outro controlador, e, acima dele, há outro controlador, e assim por diante. Você pode prosseguir buscando controlador após controlador, e, quando você chegue ao controlador supremo – aquele que não é controlado por ninguém, mas que controla todos os demais – esse é Krishna. Esta é a nossa definição de Deus: o controlador supremo.

Hoje em dia, tornou-se algo barato ver muitos “Deuses”. Mas você pode testar alguém para ver se ele é Deus. Se ele é controlado por alguém mais, ele não é Deus. Somente se ele é o controlador supremo você deve aceitá-lo como Deus. Esse é o teste simples de Deus.

Agora, outra qualidade de Deus é que Ele é pleno de prazer, ānandamayo ’bhyāsāt (Vedānta-sūtra 1.1.12). Por natureza, a Suprema Pessoa Absoluta é ānandamaya, “plena de prazer”. Suponha que você é um artista. Você se dedica ao trabalho artístico apenas para obter um pouco de prazer. Por fazer uma pintura, você desfruta de algum rasa, algum doce prazer. De outro modo, por que você trabalharia tão duro? Tem de haver algum prazer em pintar.

Então, Krishna é raso vai sah, o reservatório de todos os doces prazeres. Ele é sac-cid-ānanda-vigrahah(Bs. 5.1), pleno de eternidade, conhecimento e prazer. (Ānanda significa “prazer”.) Sua potência de prazer é Śrīmatī Rādhārānī. Vocês já viram imagens de Rādhā e Krishna. Rādhārānī é a manifestação da potência de prazer de Krishna. Como já expliquei, Krishna tem inumeráveis energias, e uma delas é Sua potência de prazer, Rādhārānī.

Então, aqueles que desenvolveram amor por Deus estão desfrutando de prazer transcendental a todo momento por verem a obra de arte de Krishna em todo lugar. Essa é a posição de um devoto. Por conseguinte, solicitamos a todos que se tornem devotos, que se tornem conscientes de Krishna, a fim de que possam ver a obra de Krishna em todo lugar.

Ver Krishna em todo lugar não é difícil. Por exemplo, suponha que você esteja com sede e beba água. Quando você bebe, você sente muito prazer. E Krishna é o reservatório de todo prazer (raso vai sah). Então, o prazer que você sente ao beber água, é Krishna. Krishna declara isso no Bhagavad-gītā (7.8), raso ’ham apsu kaunteya: “Sou o sabor da água”. Para uma pessoa comum, que não é capaz de apreciar Krishna completamente, Krishna está dando a instrução de que Ele é o sabor da água que mata sua sede. Se você simplesmente tenta compreender que esse sabor é Krishna, ou Deus, você se torna consciente de Deus.

Portanto, não é muito difícil se tornar consciente de Krishna. Você precisa simplesmente de um pouco de treinamento. E se você ler o Bhagavad-gītā Como Ele É – compreendendo-o tal como é apresentado pelo próprio Krishna, sem qualquer desonestidade ou falsa interpretação –, você se tornará consciente de

Krishna. E se você se torna consciente de Krishna, sua vida é bem-sucedida. Você retornará para Krishna (tyaktvā deham punar janma naiti mām eti [Bg. 4.9]).

Não há qualquer perda em se tornar consciente de Krishna, mas o ganho é muito grande. Por conseguinte, solicitamos a todos vocês que tentem se tornar conscientes de Krishna. Leiam o Bhagavad-gītā Como Ele É; vocês encontrarão toda informação que vocês precisam para se tornarem conscientes de Krishna. Ou, se você não quiser ler o Bhagavad-gītā, por favor, cante Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rāma, Hare Rāma, Rāma Rāma, Hare Hare. Você se tornará consciente de Krishna da mesma maneira.

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Fonte das imagens, por ordem de ocorrência: 1.www.bcagalleries.com, 2. Arquivo BBT.

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Uma resposta

  1. Eu ainda estou muito confusa, mas adoro a vossa religião! E gostei muito do que li. Obrigada!

    20 de maio de 2014 às 4:51 PM

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