O QI da Natureza

O QI da Natureza 01

Isvara Krsna Dasa

“A construção de uma habitação é algo conhecido mesmo aos pássaros e bestas. O rato sabe como viver dentro da terra. Eles fazem um buraco. De acordo com sua capacidade, eles o fazem ali. Os pássaros também fazem seu ninho para viver confortavelmente. E as formigas também. Assim, essa inteligência está presente. Deus concedeu essa inteligência”. – Srila Prabhupada

“Muitos instintos são tão magníficos que o desenvolvimento deles provavelmente se mostrará ao leitor uma dificuldade suficiente para subverter toda a minha teoria”. – Charles Darwin

“Caso alguém pudesse demonstrar que existiu algum órgão complexo que não pudesse possivelmente ter-se transformado por numerosas, sucessivas e pequenas modificações, minha teoria se arruinaria completamente”. – Charles Darwin

Tendo sido criado em uma cidade, Budapeste, eu aprendi sobre a natureza primeiramente a partir de livros e filmes. Por um longo tempo, livros sobre o mundo vivo fascinaram-me – as histórias dos ornitologistas, relatos dos naturalistas sobre suas expedições, apresentações de pesquisadores do comportamento animal. Meus autores favoritos eram Gerald Durell e David Attenborough. Eu jamais imaginaria que investigar os mais ocultos assuntos da natureza se tornaria a minha profissão.

A familiaridade dos meus pais com a ciência ajudou a tornar a Biologia minha matéria favorita nos ensinos fundamental e médio. Minha mãe era farmacêutica, e meu pai, médico. Pensar em termos da ciência era algo natural em nossa família com três filhos.

Na aula de Biologia do ensino médio, eu não podia escapar da dissecação de espécimes animais, embora me lamentasse e sentisse-me moralmente avesso à visão da minhoca crucificada com alfinetes e do sapo desentranhado ou dos pássaros preparados que pareciam muito mais atrativos intactos do que com seus intestinos à mostra.

Meu interesse, por fim, se voltou para as ciências sociais, e entrei na Universidade de maneira a estudar Antropologia Cultural, a qual analisa e compara civilizações passadas e atuais.

Nova Visão de Mundo

Na Hungria, onde eu vivia, meus primeiros anos universitários coincidiram com a mudança do sistema político. O comunismo estava fora, e, repentinamente, compreendi que o mundo pode ser visto sob várias perspectivas e que o homem é livre para escolher a visão de mundo que ele quer. Essa liberdade era promissora, mas também assustadora, por causa das sérias implicações da escolha. A estrutura e o pensamento de outras sociedades, portanto, tornaram-se importantes para mim não apenas do ponto de vista científico, mas também existencialmente, relevantes para a minha própria vida.

Durante esse período, familiarizei-me com a sabedoria das escrituras védicas, da Índia, com os livros de Srila Prabhupada, um educador indiano representando uma tradição ininterrupta. Após alguns pequenos livros sobre reencarnação, li o Bhagavad-gita e obtive uma visão geral de sua filosofia: todo ser vivo (inclusive as plantas e os animais) é uma alma eterna que, de um modo ou outro, emaranhou-se no mundo material e agora vagueia de um tipo de corpo a outro, aceitando várias formas corpóreas. Quando as almas obtêm um corpo humano, elas recebem a chance de se despertarem para a sua consciência original pura e, agindo apropriadamente, podem voltar ao mundo espiritual ao fim da vida e se reconectarem com Deus.

A princípio, considerei isso bom demais para ser verdade. Ao mesmo tempo, entretanto, a coerência do raciocínio, o conceito de não-violência e a opção de que a vida poderia ter um propósito mais elevado fascinaram-me. Depois do materialismo científico, embebido no sistema educacional do socialismo, isso era muito atrativo, mas, simultaneamente, bastante incomum e difícil de acreditar.

Entrei em uma crise ideológica. Meu sistema de pensamento, adquirido em minha infância e julgado incontestável, debilitava-se gradativamente. Ao mesmo tempo, ainda era forte o bastante para impedir-me de aceitar outra ideologia.

Eu tinha problemas especialmente com uma questão: De onde os reinos animais e vegetais, que eu tanto admirava, haviam se originado? De acordo com os meus livros da infância e da escola, a vida surgira através de processos mecânicos eventuais e as espécies evoluíram de ancestrais comuns por milhões de anos. Contudo, segundo os textos védicos milenares que eu estava começando a respeitar, os projetos corpóreos de plantas e animais existem em nosso planeta desde o começo dos tempos.

Também tomei conhecimento de algumas publicações que apresentavam contra-argumentos contra a teoria da evolução. Fiquei surpreso ao descobrir uma enorme estrutura de argumentos e comecei a ponderar que a teoria da evolução poderia não ser, afinal, um fato inegável. Talvez fosse simplesmente uma interpretação possível para a natureza – a interpretação com a qual fui alimentado. Eu estava curioso por encontrar a verdade, e julguei que, sem encontrar a verdade referente à questão das origens, eu não poderia tomar uma decisão bem fundada acerca do propósito da minha própria vida.

De Volta à Estante de Livros

Reli meus livros sobre animais e notei que as origens eram tratadas com marcante superficialidade. Qualquer fenômeno sobre os quais falassem os autores, eles utilizavam expressões como “evoluíram”, “surgiram”, “foram modificados”, “adaptaram-se” etc., mas jamais detalhavam como tais coisas aconteceram.

Pensei que eu poderia obter informações detalhadas em periódicos especializados, mas constatei, para o meu desalento, que as descrições, embora exprimidas mais cientificamente, eram baseadas em uma preconcepção não comprovada. Isto reforçou minha desconfiança de que minha escola era enganosa, e que o evolucionismo não era nada senão uma construção linguística, uma explicação mítica para o mundo criada nos séculos XIX e XX. Pegando emprestada uma expressão da área de humanas, era uma “narrativa”, uma história inventada por um povo em certo período e contada a outros.

Relendo os livros, fui arrebatado pelas maravilhas dos instintos inatos que muitas espécies animais demonstram. A fim de reunir mais informações para solucionar a questão das origens, decidi estudar esta temática em detalhes. O comportamento animal é o assunto da disciplina científica de nome Etologia. Sendo um antropólogo cultural por treinamento e também alguém interessante em culturas não-humanas, dei-me o título de “zoologista cultural” (talvez o único no planeta Terra).

Observemos algumas questões que surgem em conexão com o comportamento animal instintivo.

Nada há de surpreendente em os insetos se comportarem como insetos, os pássaros como pássaros e os mamíferos como mamíferos. Eles executam a maior parte de seu intrincado comportamento de uma maneira predeterminada e instintiva. Mas como eles sabem quando e como deveriam agir? De onde vem a inteligência manifestada na natureza?

De forma a explicar a origem dos padrões comportamentais, os evolucionistas apontam para modificações graduais de comportamentos mais simples. Porém, a visão atual é necessariamente a visão correta? Ela se baseia em dedução detalhada e plausível? Ou poderia haver uma explicação alternativa melhor? É possível que o nosso mundo reflita de muitas maneiras uma inteligência sobrenatural que aplicou suas próprias soluções infinitamente engenhosas a fim de criar o mundo vivo?

O Termostato da Natureza

Muitos padrões de comportamento animal não consistem meramente de uma única fase, mas antes envolvem uma gama de passos comportamentais que têm de ter sempre estado presentes para êxito na ação. Isto representa uma séria, se não letal, ameaça à teoria darwiniana.

O QI da Natureza 02

Foto: Casal de megapódios ocelados cuidando de seu ninho.

O megapódio ocelado (leipoa ocellata), nativo da Austrália Oriental, choca seus ovos de uma maneira incomum. Primeiramente, com suas fortes pernas, os pais megapódios ocelados cavam um buraco de 4 metros e meio de largura e 90 centímetros de profundidade. Durante o inverno, eles reúnem galhinhos e folhas dentro de um raio de 50 metros e os amontoam no buraco. Quando o material houver ficado completamente encharcado pela chuva, eles cobrem tudo com uma camada de terra arenosa de 50 centímetros de espessura. Eis como esta ave constrói seu ninho similar a uma cratera, o qual tem quase 1 metro e meio de altura.

A fêmea bota seus ovos sobre as folhas em decomposição na câmara dos ovos dentro do montículo e então o macho enterra a câmara dos ovos. Começando da primavera; por três ou quatro meses, a fêmea vai ao ninho uma vez por semana para botar um ovo de cada vez, e então deixa o ninho. Durante o longo período de nove meses de choca, o macho cuida da temperatura correta de incubação.

A maioria das espécies de aves choca seus ovos com o calor de seus próprios corpos. Este caso é totalmente diferente. Os ovos do megapódio ocelado são chocados pela quentura do monte enquanto a matéria vegetal em decomposição amontoada em seu interior gera calor. A intervalos, o macho enfia seu bico no monte de modo a conferir a temperatura do solo. Ele é capaz de mensurar a temperatura muito provavelmente com sua língua ou cavidade oral. Ele mantém a temperatura do montículo funcionando como uma incubadora a 34 graus centígrados com incrível precisão. Ele permite uma flutuação máxima de 1 grau centígrado dentro do montículo, muito embora diária e anualmente a temperatura varie consideravelmente na região em que vive.

Caso os ovos fiquem sujeitos ao perigo de superaquecimento, ele remove assiduamente uma camada de areia do topo do monte para expedir o calor extra. No sentido inverso, de sorte a proteger o montículo de raios solares excessivos, ele esgaravata mais terra para sobre o montículo. Quando a temperatura externa se torna mais fria, ele remove as camadas superiores do monte durante o dia a fim de que os raios solares incidam diretamente no centro do ninho. À noite, porém, ele o cobre novamente para reter o calor.

Os filhotes nascem em diferentes tempos e quebram a casca do ovo com suas fortes pernas. Miraculosamente, eles não sufocam dentro do montículo, senão que, mantendo seu bico e seus olhos estritamente fechados, cavam até saírem do monte. Eles esforçam-se arduamente por cinco ou dez minutos abrindo alguns centímetros de caminho até a superfície, então descansam por cerca de uma hora e começam novamente. Eles podem levar de duas a quinze horas até o topo. Uma vez fora, eles respiram profundamente e abrem seus olhos. Em seguida, caminham à sua maneira gingada para fora do ninho/monte ou rolam abaixo para as redondezas cobertas de vegetação rasteira. Eles nunca se encontram com seus pais e não aprendem com ninguém como construir um montículo ou como manter sua temperatura. Contudo, quando chegam à idade adulta, comportam-se exatamente como se comportaram seus pais.

Além das Explicações da Ave Engenhosa

O megapódio ocelado pertence à família das aves incubadoras (megapodiidae). Todas as espécies de aves pertencentes a essa família taxonômica são bem conhecidas por utilizar uma fonte externa de calor para chocar seus ovos. Os periódicos científicos evolucionistas assumem que esse método de incubação evolui a pequenos passos a partir da incubação tradicional de “acomodar-se sobre os ovos”. No entanto, eles são incapazes de fornecer qualquer tipo de explicação teórica convincente e detalhada para essa evolução gradual, a qual estaria coerente com os princípios de sua teoria.

A fim de compreendermos mais profundamente por que a teoria evolucionista não se suporta no atinente à origem da estratégia de incubação do megapódio ocelado, consideremos o que é necessário para a exitosa chocagem dos filhotes.

No que diz respeito à fêmea: Voltar regularmente e botar os ovos no local apropriado.

No que diz respeito ao macho: Conhecimento acerca do material e da estrutura do monte; construção do monte incubador; órgão específico para a checagem da temperatura do solo; sofisticado instinto para garantir uma temperatura constante dentro do monte de chocagem.

No que diz respeito aos passarinhos recém-nascidos: Comportamento instintivo apropriado sobre o que fazer após a choca; construção anatômica adequada para ter força suficiente para cavarem até a superfície do monte e sobreviverem sozinhos; padrões de comportamento instintivo do nascimento em diante, capacitando-os a reproduzirem-se e chocar.

Reflitamos sobre isso. Seria possível omitir algum destes elementos e ainda assim haver ovos chocados? Certamente não, porque todas essas características anatômicas e instintivas particulares são necessárias ao mesmo tempo para que as próximas gerações de pássaros possam passar a existir. Eis por que não se pode esboçar uma linha de desenvolvimento progressivo consistindo de numerosas pequenas mudanças graduais conduzindo do “aquecer com o corpo” ao sistema do “construtor de montículo”. Quando os ovos são depositados e escondidos no solo, todos os outros elementos (características físicas e instintos do megapódio ocelado) devem estar presentes; do contrário, a temperatura dos ovos não seria mantida e os embriões dentro deles pereceriam.

O método de incubação do megapódio ocelado, portanto, é um sistema irredutível, visto que o processo funciona unicamente caso cada peça do quebra-cabeça da cadeia comportamental esteja em sua posição apropriada. O surgimento simultâneo de tantos elementos coordenados sem controle consciente – meramente por mutação eventual não-direcionada – é absolutamente impossível.

Por conseguinte, a origem do megapódio ocelado é um enigma com uma única solução: esse pássaro, com todos os seus atributos anatômicos e comportamento instintivo, foi planejado por uma inteligência superior. Ademais, as técnicas de incubação “sentar sobre os ovos” e “construir um montículo” mais plausivelmente manifestaram-se ao mesmo tempo como partes de um abrangente plano superior.

Uma Resposta Mais Convincente

O megapódio ocelado é apenas um dos muitos exemplos em nosso livro Nature’s IQ [sem tradução para o português], escrito em cooperação com o amigo bioengenheiro Bhagavat-priya Dasa. Ele descreve mais de cem exemplos de instintos animais incomuns de origem inexplicável (www.naturesiq.com).

Aqui estão mais algumas perguntas empolgantes:

Como o peixe-arqueiro obteve a ideia de cuspir acima do nível da água, e como sua arma bucal especial (capaz de atingir insetos com água) desenvolveu-se? Que tipo de vantagem evolutiva representaria a habilidade de cuspir pequenas quantidades de água a uma pequena distância para muitíssimas gerações?

Como um peixinho, o góbio-néon, permanece vivo enquanto nada voluntariamente para dentro da boca de um peixe predador, a garoupa-estrelada?

Como os pássaros migratórios sabem quando e para qual direção devem partir?

Quais hábitos de acasalamento especiais contradizem a evolução darwiniana?

Quais são as estratégias de pais animais na criação de sua prole, e por que é provável que tais estratégias venham de uma inteligência superior em vez de mudanças genéticas eventuais?

Os padrões de comportamento animal apresentam enigmas lógicos que dificilmente podem ser solucionados sem a postulação do envolvimento do design inteligente. Parece razoável, portanto, considerar o ponto de vista das escrituras antigas.

De acordo com a filosofia das escrituras védicas, os seres vivos neste mundo constituem-se de três componentes. Em todos os casos, a fonte da vida e da consciência em qualquer corpo vivo é uma centelha espiritual individual e eterna. Um corpo físico sutil, no qual as atividades mentais da entidade viva ocorrem, cobre o ser vivo. Parece que os instintos de uma dada espécie também estão codificados nesse corpo material sutil, e eles são substancialmente constantes. O corpo biológico visível cobre o corpo sutil. As variadas formas de vida e os padrões comportamentais apropriados têm origem a partir de um ser infinitamente inteligente e inventivo, o qual está presente nos corações de todas as coisas viventes como a Superalma.

O QI da Natureza 03

Aprendi a identificar os desorientadores preconceitos ideológicos nos livros de ciência e a lidar com eles com a devida reserva. E, atualmente, quando leio sobre a natureza, frequentemente sinto que, por trás das linhas, Alguém está piscando para mim.

Assista ao trailer do documentário do livro O QI da Natureza (em inglês):

 

Assista a um trecho do documentário (em inglês):

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