Óvnis e Vimanas

Sri Nandanandana Dasa

No que diz respeito aos tópicos abordados na ciência védica, o tópico dos aeroplanos védicos, ou vimanas, é muito interessante. Algumas destas informações são tão incríveis que, para algumas pessoas, beira a ficção científica. Contudo, à medida que expomos e explicamos a questão, temos bastante espaço para refletir.

Antes de tudo, precisamos entender que a concepção védica do tempo universal é dividida em diferentes períodos. Por exemplo, um período chamado de um dia de Brahma equivale a 4.320.000.000 de nossos anos na Terra. A noite de Brahma tem a mesma duração, e há 360 de tais dias e noites em um ano de Brahma. Cada dia de Brahma é dividido em mil ciclos de quatro yugas, a saber, Satya-yuga, Treta-yuga, Dvapara-yuga e, por fim, Kali-yuga, que é o yuga em que estamos vivendo neste momento.

Satya-yuga dura 1.728.000 anos, e é uma era de pureza, na qual todos os residentes vivem vidas muito longas e podem ser completamente desenvolvidos em entendimento espiritual e habilidades místicas e poderes notáveis. Algumas dessas habilidades, ou siddhis místicos, incluem mudar a própria forma, tornar-se muito grande ou microscopicamente pequeno, tornar-se muito pesado ou mesmo sem peso, pegar qualquer objeto que se deseje, tornar-se livre de todos os desejos ou mesmo voar pelo céu para onde quer que se deseje ir pela mera vontade. Nesse tempo, portanto, não existia a necessidade de máquinas para voo mecânico.

Conforme os yuga avançam, a pureza das pessoas, bem como suas habilidades místicas, decrescem em 25% a cada era. A era de Treta-yuga dura 1.296.000 anos. Durante essa era, a mente da humanidade se torna mais densa, e a habilidade para entender os princípios espirituais superiores do caminho védico também é reduzida. Naturalmente, a habilidade para voar pelo céu através do próprio poder se perdeu. Depois de Treta-yuga, há Dvapara-yuga, que dura 864.000 anos, e, por fim, Kali-yuga, que dura 432.000 anos, dos quais 5.000 já passaram. Ao final de Kali-yuga, a era de Satya-yuga é reiniciada, e os yugas continuam em mais um ciclo. Mil de tais ciclos constituem um dia de Brahma. Agora que estamos em Kali-yuga, quase todo o entendimento espiritual desapareceu, e quaisquer habilidades místicas que permanecem são quase insignificantes.

Explica-se que somente com o início de Treta-yuga o desenvolvimento de vimanas aconteceu. Com efeito, descreve-se que o senhor Brahma, o principal semideus e engenheiro do universo, desenvolveu muitos vimanas para alguns dos outros semideuses. Esses tinham várias formas naturais, que incorporavam o uso de asas, como de pavões, águias, cisnes etc. Outros vimanas foram desenvolvidos para os seres humanos mais sábios pelos grandes videntes da sabedoria védica.

Óvnis e Vimanas 1

Foto: O avatara Rama, junto de Seus associados, desembarca de um vimana de Treta-yuga.

Com o curso do tempo, surgiram três tipos básicos de vimanas. Em Treta-yuga, os homens eram competentes no uso de mantras e hinos poderosos. Assim, os vimanas daquele yuga eram providos de energia por meio do conhecimento de mantras. Em Dvapara-yuga, os homens desenvolveram considerável conhecimento de tantra, ou rituais. Assim, os vimanas de Dvapara-yuga eram providos de energia pelo uso da sabedoria tântrica. Em Kali-yuga, tanto o conhecimento referente a mantra quanto referente a tantra são deficientes. Assim, os vimanas desta era são conhecidos como kritaka, artificiais ou mecânicos. Desta maneira, há três tipos principais de vimanas, aeroplanos védicos, de acordo com as características de cada yuga.

Desses três tipos, são listadas 25 variações dos mantrika vimanas, 56 variações dos tantrica vimanas, e 25 variedades dos kritakah vimanas, aqueles vistos hoje em Kali-yuga. Todavia, quanto ao formato e à construção, explica-se que não há nenhuma diferença entre esses vimanas, mas apenas em relação a como eram abastecidos e propelidos, que seria por mantras, tantras ou motor mecânico.

Óvnis e Vimanas 2

Foto: Desenho de 1923 de um Tripura Vimana, um dos vinte e cinco tipos de vimanas de Kali-yuga.

O controverso texto conhecido como Vimanika Shastra, considerado como de autoria de Maharshi Bharadwaja, também descreve em detalhes a construção do que se chama o motor de vórtice e mercúrio. Isso é sem dúvida da mesma natureza do motor de íon védico, que é propelido mediante o uso do mercúrio. Esse motor foi construído por Shivkar Bapuji Talpade, baseado nas descrições do Rig Veda, o qual ele demonstrou em Bombaim, Índia, em 1895. Explico isso em mais detalhes no Capítulo Três de Provas da Existência Global da Cultura Védica. Informações adicionais sobre os motores de mercúrio usados nos vimanas podem ser encontradas em um texto védico muito antigo chamado Samarangana Sutradhara. Esse texto também devota 230 versos ao uso dessas máquinas em tempos de paz e tempos de guerra. Não apresentaremos toda a descrição do motor de vórtice e mercúrio, mas incluiremos um breve trecho da tradução de William Clendenon do Samarangana Sutradhara, de seu livro de 1990, Mercury, UFO Messenger of the Gods:

“Dentro da estrutura circular de ar, coloque o motor de mercúrio com sua caldeira elétrica/ultrassônica de mercúrio no centro inferior. Por meio do poder latente no mercúrio que coloca em movimento o redemoinho de condução, um homem sentado em seu interior pode viajar a uma grande distância no céu de maneira absolutamente maravilhosa. Quatro fortes estocadores de mercúrio têm que ser construídos no interior da estrutura. Uma vez que estes tenham sido aquecidos por fogo controlado a partir dos estocadores de ferro, o vimana desenvolve o poder de um raio através do mercúrio. Imediatamente, ele se torna como uma pérola no céu”.

Óvnis e Vimanas 3

Foto: Desenho de 1923 de um Sundara Vimana, um dos vinte e cinco tipos de vimanas de Kali-yuga.

Isso demonstra uma ideia absolutamente simplista do potencial dos motores de mercúrio. Esse é um tipo de mecanismo de propulsão que os vimanas de Kali-yuga podem usar. Outras variações também são descritas. Esses textos não apenas trazem orientações atinentes a como construir tais motores como também apresentam manuais de voo, rotas áreas, procedimentos para aterrissagem normal e forçada, instruções referentes às condições dos pilotos, roupas a serem usadas durante o voo, o alimento que deve ser levado e comido, peças sobressalentes necessárias, os metais que têm que compor a nave, detalhes sobre fornecimento de energia e assim por diante. Outros textos também apresentam instruções para evitar naves inimigas, como ver os ocupantes na nave inimiga e ouvir o que estão dizendo, como se tornar invisível e até mesmo quais táticas usar em caso de colisão com aves. Alguns desses vimanas não apenas voam no céu, mas também podem manobrar em terra e debaixo d’água.

Há muitos antigos textos védicos que descrevem ou contêm referências a esses vimanas, incluindo o Ramayana, o Mahabharata, o Rig Veda, o Yajur Veda, o Atharva Veda, o Yuktilkalpataru de Bhoja (século XII d.C.), o Mayamatam (atribuído ao arquiteto Maya), além de outros textos védicos clássicos, como Satapatha Brahmana, Markandeya Purana, Vishnu Purana, Bhagavata Purana, Harivamsha, Uttararamcharita, Harshacharita, o texto tamil Jivakachintamani e outros. A partir das várias descrições desses escritos, encontramos vimanas em muitos diferentes formatos, incluindo formatos similares a longos charutos, zepelins, discos voadores, triângulos e até mesmo com dois andares, torres de vigia e um domo no topo de uma nave circular. Alguns são silenciosos, alguns cospem fogo e fazem barulho, alguns têm um barulho zunidor e alguns desaparecem por completo.

Tais variadas descrições não são distintas dos relatos de óvnis vistos na atualidade. Com efeito, David Childress, em seu livro Vimana Aircraft of Ancient India & Atlantis, apresenta muitos relatos, tanto recentes como de até cem anos atrás, que descrevem testemunhos oculares de encontros com óvnis que não são diferentes em tamanho e formato daqueles descritos nos textos védicos antigos.

Óvnis e Vimanas 4

Foto: Suposto disco voador fotografado em Nova Jersey, E.U.A., em julho de 1952.

Além disso, quando os pilotos são vistos próximo, quer fazendo reparos em suas naves, quer saindo da mesma para olhar ao redor, eles são humanoides, por vezes com aparência oriental, em vestes que são relativamente modernas em estilo. Em outros relatos, lemos descrições em que a nave tem seres de aparência alienígena como passageiros e os seres humanos estão pilotando a nave.

Isso significa que tais relatos são de antigos vimanas que existem ainda na atualidade? Estarão eles em alguma caverna subterrânea em algum lugar do planeta? Ou são máquinas construídas modernamente usando as descrições antigas dos textos védicos? Os óvnis vistos ao redor do mundo talvez não sejam de alguma galáxia distante, mas podem ser de uma sociedade humana secreta ou mesmo de alguma instalação militar.

Em todo caso, muitos dos mais antigos textos védicos descrevem viagens interplanetárias e os veículos capazes de fazer isso, o que fazem de maneiras não encontradas em nenhuma outra literatura, sobretudo em relação aos detalhes das descrições. Assim, certamente sabiam sobre máquinas voadoras, ou, então, como poderiam ter escrito sobre elas?

Se gostou deste artigo, talvez também goste destes: Vestígios Interculturais da Civilização Védica, Experiências de Quase-Morte nas quais a Ciência Aponta para a Alma.

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2 Respostas

  1. Anônimo

    Interessante

    13 de janeiro de 2015 às 11:18 PM

  2. Anônimo

    ótimo artigo!

    26 de dezembro de 2015 às 2:54 PM

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