A Meditação de Akrura a Caminho de Vrindavana

10 I (história) A Meditação de Akrura a Caminho de Vrindavana (1051)
Shukadeva Gosvami
(excerto do capítulo 38 do décimo canto do Srimad-Bhagavatam)

Meditando enquanto em trânsito de Mathura para Vrindavana, Akrura deixa transparecer entusiasmo, pessoalidade, rendição e conhecimento filosófico exemplares.

Depois de passar a noite na cidade de Mathura, o magnânimo Akrura montou em sua quadriga e partiu para a aldeia pastoril de Nanda Maharaja. Enquanto viajava pela estrada, o magnânimo Akrura sentia imensa devoção pela Personalidade de Deus de olhos de lótus, e assim passou a tecer as seguintes considerações.

Akrura pensou: “Que atos piedosos pratiquei, a que severas austeridades me submeti, que adoração executei ou que caridade fiz para que hoje eu possa ver o Senhor Keshava [Krishna]? Visto que sou um materialista absorto apenas em gozo dos sentidos, julgo ser tão difícil para mim conseguir esta oportunidade de ver o Senhor Uttamasloka quanto seria para alguém que nasceu shudra ter permissão de recitar os mantras védicos. Mas basta dessa conversa! Afinal, mesmo uma alma caída como eu pode ter a oportunidade de contemplar o infalível Senhor Supremo, pois uma das almas condicionadas que está sendo arrebatada pelo rio do tempo pode às vezes alcançar a margem. Hoje erradicar-se-ão todas as minhas reações pecaminosas, e meu nascimento logrará êxito, pois oferecerei reverência aos pés de lótus do Senhor Supremo, nos quais meditam os yogis místicos. De fato, hoje o rei Kamsa concedeu-me extrema misericórdia ao enviar-me para ver os pés de lótus do Senhor Hari, que agora apareceu neste mundo. Devido apenas à refulgência das unhas dos dedos de Seus pés, muitas almas no passado transcenderam a insuperável escuridão da existência material e alcançaram a libertação”.

“Aqueles pés de lótus são adorados por Brahma, Shiva e todos os outros semideuses, e pela deusa da fortuna e também pelos grandes sábios e vaishnavas. Sobre aqueles pés de lótus, o Senhor caminha pela floresta enquanto cuida das vacas com Seus companheiros, e aqueles pés estão marcados com o kurkuma dos seios das gopis. Com certeza verei o rosto do Senhor Mukunda, pois os veados estão passando do meu lado direito. Aquele rosto, emoldurado por Seu cabelo cacheado, é embelezado por Suas atraentes bochechas e nariz, Seus olhares sorridentes e Seus olhos de lótus avermelhados. Verei o Supremo Senhor Vishnu, o reservatório de toda a beleza, que, por vontade própria, assumiu agora uma forma humana para aliviar a Terra de seu fardo. Logo, não se pode negar que meus olhos alcançarão a perfeição de sua existência. Embora seja a testemunha da causa e do efeito materiais, está sempre isento da falsa identificação com eles. Por meio de Sua potência interna, Ele dissipa as trevas da separação e da confusão. As almas individuais neste mundo, que se manifestam aqui quando Ele olha para Sua energia material criadora, indiretamente percebem-nO nas atividades de seus ares vitais, sentidos e inteligência”.

“As qualidades, atividades e aparecimentos do Senhor Supremo destroem todos os pecados e criam toda a boa fortuna, e as palavras que os descrevem animam, embelezam e purificam o mundo. Por outro lado, palavras desprovidas de Suas glórias são como os adornos de um cadáver. Esse mesmo Senhor Supremo descendeu na dinastia dos Satvatas para dar prazer aos enaltecidos semideuses, que mantêm os princípios religiosos que Ele criou. Residindo em Vrindavana, Ele difunde Sua fama, que os semideuses glorificam em canções e que traz auspiciosidade a todos. Hoje com certeza hei de vê-lO, a meta e mestre espiritual das grandes almas. Vê-lO traz júbilo a todos os que têm olhos, pois Ele é a verdadeira beleza do Universo. De fato, Sua forma pessoal é o refúgio desejado pela deusa da fortuna. Agora todas as auroras de minha vida tornaram-se auspiciosas. Então descerei logo de minha quadriga e prostrar-me-ei aos pés de lótus de Krishna e Balarama, as Supremas Personalidades de Deus. São dEles os mesmos pés que eminentes yogis místicos que pelejam pela autorrealização trazem em suas mentes. Oferecerei também minhas reverências aos vaqueirinhos amigos do Senhor e a todos os outros residentes de Vrindavana”.

“E quando eu tiver prostrado a Seus pés, o Senhor onipotente colocará Sua mão de lótus sobre minha cabeça. Para aqueles que buscam refúgio nEle porque estão muito perturbados pela poderosa serpente do tempo, aquela mão afasta todo o temor. Por oferecerem caridade a essa mão de lótus, Purandara e Bali ganharam a posição de Indra, rei dos céus, e durante os agradáveis passatempos da dança da rasa, quando o Senhor enxugou o suor das gopis e eliminou-lhes a fadiga, o contato com os rostos delas tornou aquela mão tão perfumada quanto uma flor aromática. O Senhor infalível não me considerará um inimigo, ainda que Kamsa me tenha enviado para Vrindavana como seu mensageiro. Afinal, o Senhor onisciente é o verdadeiro conhecedor do campo deste corpo material, e, com Sua visão perfeita, Ele testemunha, tanto externa quanto internamente, todos os esforços do coração da alma condicionada. Enquanto eu estiver fixo de mãos postas, prostrado em reverências a Seus pés, Ele então lançará sobre mim Seu afetuoso olhar sorridente. Dessa maneira, toda a minha contaminação logo se dissipará, e abandonarei todas as dúvidas e sentirei a mais intensa bem-aventurança”.

“Reconhecendo-me como amigo íntimo e parente, Krishna me abraçará com Seus poderosos braços, santificando no mesmo instante meu corpo e reduzindo a nada todo o meu cativeiro material, que é decorrente das atividades fruitivas. Depois de ser abraçado pelo famosíssimo Senhor Krishna, ficarei humildemente postado diante dEle com a cabeça inclinada e de mãos postas, e Ele me dirá: ‘Meu querido Akrura’. Nesse exato momento, estará cumprido o propósito de minha vida. De fato, a vida de qualquer um a quem a Suprema Personalidade deixa de reconhecer é apenas digna de piedade. O Senhor Supremo não tem favorito nem amigo mais querido, tampouco considera alguém indesejável, desprezível ou digno de ser negligenciado. Ainda assim, Ele corresponde amorosamente a Seus devotos da mesma maneira que eles O adorem, assim como as árvores celestiais satisfazem os desejos de quem quer que delas se aproxime. E então, enquanto eu ainda estiver postado com a cabeça inclinada, o principal dos Yadus, o irmão mais velho do Senhor Krishna, segurará minhas mãos postas e, após abraçar-me, conduzir-me-á a Sua casa. Lá, Ele me honrará com todos os artigos do ritual de boas-vindas e me perguntará como Kamsa tem tratado os membros de Sua família”.

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