O Roubo do Alimento do Brahmana Peregrino

08 SI (história - caitanya e associados) O Roubo do Alimento do Brahmana Peregrino (3301)Vrindavana Dasa Thakura
(Excerto do capítulo cinco do adi-khanda da obra Chaitanya-bhagavata)

Ele pensou que Jagannatha Misra e sua família seriam anfitriões como quaisquer outros, mas os eventos surpreendentes que se dariam nessa casa mudariam para sempre a vida do peregrino.

Ouçam, agora, um estonteante passatempo do Senhor Chaitanya, o filho de Jagannatha Misra.

Com o objetivo de comprazer o Senhor Krishna, certo brahmana muito piedoso estava visitando diferentes locais de peregrinação. Cantando o mantra de seis sílabas gopala-mantra, Ele adorava o Senhor; e ele não comia nada a não ser os remanentes do alimento oferecido ao Senhor Gopala [Krishna vaqueirinho]. Após visitar diversas terras sagradas, o destino por fim conduziu o brahmana à casa do Senhor Chaitanya. Tratando-se de uma personalidade de pureza sem paralelo, uma maravilhosa refulgência espiritual envolvia seu semblante. O brahmana sempre cantava “Krishna! Krishna!” e, com Seus olhos semicerrados, provava dentro de seu coração o néctar do amor por Krishna.

Vendo tal refulgente personalidade, Jagannatha Misra levantou-se de imediato e então lhe ofereceu suas respeitosas reverências. Sri Jagannatha Misra honrou seu nobre visitante demonstrando-lhe respeitável hospitalidade. Ele pessoalmente lavou os pés do peregrino e lhe ofereceu um excelente assento elevado. Uma vez que o brahmana estava confortavelmente sentado, Jagannatha Misra o inquiriu respeitosamente: “Onde é o seu local de residência?”. Ao que o brahmana respondeu: “Eu não tenho interesse em ocupações mundanas, assim, viajo constantemente por diferentes províncias. Vou a qualquer lugar a que meu coração me leve”. Jagannatha Misra se curvou e disse com grande respeito: “O mundo é muito afortunado por tê-lo viajando por toda a parte. Sinto que sou parte dessa fortuna, hoje. Se me permitir, providenciarei comida imediatamente para o senhor. O brahmana respondeu: “Querido Misra, faça como queira”. Com grande satisfação, Jagannatha Misra fez maravilhosos arranjos para a preparação da refeição.

Antes de tudo, Sri Misra limpou primorosamente a cozinha, após o que providenciou que todos os ingredientes para a refeição fossem comprados. O convidado brahmana pessoalmente preparou o alimento com grande alegria, e então se sentou para oferecer as preparações ao Senhor Krishna. Então, o querido filho de Shachidevi, que é a Superalma no íntimo do coração de todos, decidiu Se revelar àquele brahmana. O brahmana havia acabado de iniciar sua meditação para a oferenda do alimento ao Senhor, quando, de repente, o Senhor Supremo, Sri Chaitanya, apareceu em sua presença.

O Senhor tinha apenas as quatro direções por veste, e toda a Sua forma estava coberta de poeira. Seus pés e mãos eram muito graciosos, e Seus olhos eram avermelhados. Sorrindo, Ele pegou um punhado da comida que estava sendo oferecida e colocou em Sua boca de lótus, e então olhou para o brahmana.  “Não! Não!”, o afortunado brahmana exclamou. “Essa criança inquieta roubou a comida que seria oferecida!”. Quando Jagannatha Misra chegou à sala, ele viu que o Senhor Chaitanya sorria alegremente enquanto comia o arroz. Visando punir seu filho, Jagannatha Misra avançou em sua direção com a palma da mão em riste, mas o brahmana levantou-se rapidamente e segurou a mão de Jagannatha Misra.

O brahmana disse: “Meu querido Misra, você é uma pessoa respeitável e muito entendida, mas que entendimento esse pequeno garoto tem? O que se conseguirá batendo nEle? É diferente quando se castiga uma pessoa que pode discriminar entre certo e errado, mas eu o proíbo de bater nesse garoto. Sentindo-se muito desafortunado, Jagannatha Misra cobriu seu rosto com as palmas de suas mãos. Ele não disse nenhuma palavra nem levantou sua cabeça. Não fique triste, querido Misra”, o brahmana disse. “O Senhor Supremo certamente sabe de tudo o que acontece a todo instante. Por favor, traga frutas ou raízes que você tenha em casa para mim. Comerei apenas essas frutas e raízes hoje, sem problema algum”.

Jagannatha Misra, então, disse: “Se o senhor bondosamente me aceita como seu servo, permita-me, então, por favor, providenciar tudo novamente para que o senhor cozinhe mais uma vez. Tenho em minha casa todos os ingredientes necessários para o cozimento. O senhor cozinhando novamente, ficarei feliz”. Todos os amigos e parentes de Jagannatha Misra que estavam na casa também lhe imploraram para cozinhar novamente. “Já que é esse o desejo de todos”, disse o brahmana. “Eu cozinharei todas as preparações novamente”.

Todos ficaram satisfeitos com a resposta do brahmana ao pedido que lhe fora feito. Em poucos instantes, todos já haviam limpado a cozinha. Eles rapidamente reuniram os ingredientes e utensílios para o preparo, e o brahmana então se colocou a cozinhar novamente.

Todos sugeriram: “O menino é muito inquieto, e é possível que Ele estrague a oferenda novamente. É melhor que você O leve para outra casa e O mantenha lá enquanto o brahmana cozinha e come”, eles disseram a mãe Shachi. Shachidevi pegou seu filho e foi com Ele para a casa de um vizinho. As jovens donzelas disseram a Ele: “Ei, Nimai. Você acha que é certo roubar a comida de um brahmana?”. Com um sorriso em Seu rosto belo como a Lua, o Senhor respondeu: “O que fiz de errado? O brahmana Me chamou”. Mas elas objetaram: “Nimai, Seu espertalhão! Agora que Sua casta foi perdida, Você fará ainda mais travessuras? Quem sabe quem é esse brahmana, de onde ele vem ou quem é sua família? Como Você poderá manter Sua casta após ter comido as preparações dele?”. O Senhor sorriu e disse: “Eu pertenço à casta dos gopas, a casta dos pastoreadores de vacas! Eu sempre como alimento preparado pelos brahmanas. Como um gopa perde sua casta por comer um alimento preparado por um brahmana?”. Tendo dito essas palavras, o Senhor sorriu e olhou para todos. O Senhor Supremo, Sri Krishna Chaitanya, lançou mão deste arranjo para explicar a verdade acerca de Si mesmo, mas Sua potência ilusória é de tamanha perfeição que ninguém pôde compreendê-lO.

Enquanto Ele era levado pelas casas da vizinhança, seus residentes desfrutavam ouvir os argumentos da criança. O Senhor alegremente passava de colo em colo, e qualquer um que O segurasse flutuava em um oceano de prazer bem-aventurado. Nesse ínterim, o brahmana havia novamente cozinhado e se sentava para fazer a oferenda. Enquanto oferecia, o brahmana meditava no Senhor Bala-Gopala, Krishna como um vaqueirinho. O pequeno Chaitanya, que é a Superalma no coração de todos, estava plenamente ciente de tudo isso. O Senhor Chaitanya fascinou a todos e então deixou a companhia deles sem que notassem. Rindo o tempo todo, Ele Se colocou em direção ao local onde o brahmana fazia a oferenda. Furtivamente, o Senhor Chaitanya pegou um punhado de arroz, colocou em Sua boca e fugiu mastigando. O brahmana, pego de surpreso, olhou para aquilo com descrença. O brahmana gritou bem alto: “Não acredito! Não acredito!”. O Senhor Supremo pegou o arroz e correu bem rápido dali.

Jagannatha Misra levantou-se em um pulo, pegou de uma vara e correu irado atrás do pequeno Nimai. Aterrorizado, o Senhor fugiu para um quarto, mas Jagannatha Misra correu atrás dEle gritando furiosamente. Jagannatha Misra disse: “Hoje, Você terá uma lição. Viu só o que Você fez hoje? Embora eu seja respeitado e culto, Você pensa que eu sou um grande tolo! Em que casa se pode encontrar um ladrão tão grande quanto Você?”. Falando com indignação cada vez maior, Jagannatha Misra começava a alcançar seu filho. As pessoas na casa seguraram Jagannatha Misra e tentaram convencê-lo a deixar o pequeno Nimai, mas ele insistiu: “Deixem-me! Dessa vez eu vou bater nEle”. Eles ainda tentaram argumentar com ele: “Querido Misra, você é conhecido por sua nobreza e generosidade. Se você bater nEle, o que acontecerá com suas qualidades divinas? Devido à Sua tenra idade, Seu senso de discriminação entre certo e errado ainda não está desenvolvido. É tolice bater em uma criança tão pequena. Crianças pequenas são inquietas por natureza. Não se pode ensinar coisa alguma a elas por meio de chibatadas. O que Ele aprenderá por apanhar?”.

O brahmana peregrino rapidamente correu até Jagannatha Misra e novamente segurou Sua mão. “Ó melhor dos Misras, esse garoto não cometeu erro algum. O que está destinado a acontecer em determinado dia acontecerá. Não está escrito em meu destino que hoje comerei arroz oferecido ao Senhor Krishna. Para confortá-lo, estou agora lhe revelando esta verdade”.

Muito infeliz, com sua mente deveras perturbada, Jagannatha Misra não era capaz de erguer sua cabeça. Nesse momento, Visvarupa, a Suprema Personalidade de Deus e a morada da refulgência espiritual, entrou no local onde se encontravam todos. A plenitude de Sua forma era tão harmoniosa que nenhuma forma de beleza existente nos quatorze mundos poderia rivalizá-la. Um cordão bramânico repousava sobre Seu ombro. De fato, Ele era o poder bramânico personificado. Ele era o próprio Senhor Nityananda, que aceitara nascimento em uma forma distinta. Visvarupa estava sempre ocupado em explicar a essência verdadeira de todas as escrituras: o serviço devocional à Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Sri Krishna. Arrebatado pela primorosa forma de Visvarupa, o brahmana peregrino O contemplava boquiaberto.

“Quem é o pai desta personalidade extraordinária?”, perguntou o brahmana. “Ele é filho de Jagannatha Misra”, ele obteve por resposta. Ouvindo isso, o brahmana abraçou em grande júbilo Visvarupa e disse: “Afortunados aqueles que são pai e mãe deste rapaz”.

Após oferecer Suas reverências, Sri Visvarupa Se sentou e Se colocou a proferir palavras nectáreas, que fluíam com a naturalidade de um riacho. Ele disse: “Todo aquele que o recebe como um visitante em sua casa se torna muito venturoso. O senhor é feliz e constante em seu íntimo, e viaja por toda parte simplesmente para santificar a Terra. É-Me uma imensa fortuna ter um visitante excelente como o senhor em Minha casa, mas, ao mesmo tempo, é-Me um grande infortúnio que o senhor tenha de ir embora sem comer. Se um visitante é forçado a jejuar em uma casa, aquela casa então certamente cai vítima de difamação e se torna inauspiciosa. Sinto grande prazer em ver o senhor, mas, ouvindo sobre tudo o que aconteceu aqui, fico muito desalegre”.

O brahmana disse: “Por favor, não Se lamente. Qualquer fruta ou raiz que Você tenha eu posso comer. Eu resido na floresta, por isso eu não como preparações cozidas frequentemente. Não Se preocupe, pois estou acostumado a comer frutas, raízes e verduras. Raramente como arroz – somente o faço se tal preparação vem naturalmente até mim, sem nenhum esforço. Quando olho para Você, sinto enorme felicidade. Sinto como se eu tivesse comido milhares e milhares de vezes. Por favor, traga para mim qualquer fruta ou raiz que tenha sido oferecida ao Senhor e eu comerei com grande satisfação”.

Um Jagannatha Misra extremamente deprimido permanecia em silêncio, repousando seu rosto nas palmas de suas mãos. Sri Visvarupa disse: “Caro brahmana, o senhor é um grande oceano de misericórdia, mas, ainda assim, estou hesitante em pedir-lhe algo. Pessoas santas naturalmente sentem dor pelo sofrimento alheio e felicidade pelo contentamento das pessoas em geral. Se o senhor ainda carrega alguma disposição, talvez o senhor possa cozinhar uma nova oferenda para o Senhor Krishna. Toda a infelicidade de minha família seria assim findada, e sentiríamos imenso prazer transcendental”.

 

O brahmana respondeu: “Embora eu já tenha cozinhado por duas vezes, o Senhor Krishna não me autorizou comer. Meu entendimento é que não estou destinado a comer hoje. Se esse é o desejo de Krishna, por que eu deveria me empenhar arduamente para obter o contrário? Uma pessoa talvez tenha milhares e milhares de coisas para comer em casa, mas, sem a sanção de Krishna, ela não poderá comer nenhuma dessas coisas. Talvez uma pessoa se esforce incessantemente para obter algo, mas, se estiver contra o desejo de Krishna, ela fracassará. O Sol já se pôs há quatro horas e meia. Logo terão passado seis horas. Seria apropriado começar a cozinhar tão tarde? Assim, por favor, não façam nenhum arranjo para cozimentos. Comerei apenas algumas frutas e raízes”.

Sri Visvarupa respondeu: “Não há nada de errado com o horário. Todos ficarão satisfeitos caso o senhor cozinhe”. Tendo dito essa palavras, Visvarupa Se agarrou aos pés do brahmana, enquanto todos na casa imploravam para que ele cozinhasse mais uma vez. Estando muito cativado pela santidade de Visvarupa, o brahmana concordou em cozinhar uma última vez. Cantando o nome de Hari em grande contentamento, todos ajudaram na limpeza da cozinha. A cozinha foi limpa rapidamente e então foram trazidos os ingredientes necessários para o cozimento.

O respeitável brahmana então deu início às preparações, enquanto todas as mulheres cercavam o garoto em um cômodo afastado. A infante Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Chaitanya, estava confinado em Seu quarto, com Jagannatha Misra de guarda em frente à porta. Alguns então sugeriram: “É melhor aferrolhar a porta pelo lado de fora. Assim, será completamente impossível para Ele sair”. “Ótimo, ótimo! É uma boa ideia”, Jagannatha Misra concordou. “Trancamos a porta dessa maneira e ficamos aqui fora”.  As mulheres de dentro da sala disseram suspirando: “Não se preocupem. Nimai está dormindo. Agora Ele não pode fazer mais nada”.

A criança foi mantida reclusa dessa maneira, e assim, pouco tempo depois, o brahmana terminava o preparo do alimento que seria oferecido. O piedoso brahmana, então, dispôs as preparações recém-preparadas em uma baixela e se sentou para oferecê-las ao Senhor Krishna através de sua meditação. O Senhor Chaitanya, que é a Superalma no coração de todas as entidades vivas, sabia de tudo o que acontecia. Ele pensou conSigo: “Eu Me revelarei a esse brahmana”.

Então, atendendo o desejo do Senhor Supremo, Nidradevi, a deusa do sono, lançou seu encanto sobre todos. Sem poderem resistir, todos adormeceram de imediato. Sri Chaitanya, o filho de Srimati Shachidevi, foi, em seguida, até o local onde o brahmana oferecia o arroz para o Senhor. Vendo o pequeno Nimai, o brahmana gritou: “Essa não, essa não! O garoto, o garoto!”. Contudo, estando todos em sono profundo, ninguém pôde ouvi-lo.

O Senhor lhe disse: “Ó brahmana, você é uma pessoa muito bondosa e gentil. Você Me chama, e então Eu venho. O que há de errado em Meu comportamento? Cantando o Meu mantra, você Me convidou a vir até aqui. Por isso vim. Como Eu poderia resistir? Você medita incessantemente em Mim, então decidi aparecer pessoalmente perante você”.

Naquele momento, o brahmana pôde ver uma deslumbrante forma do Senhor. O Senhor Supremo estava diante dele com Sua forma de oito braços, segurando em quatro desses braços as quatro insígnias do búzio, do disco, da maça e do lótus. Com duas outras mãos, Ele segurava manteiga fresca na palma de uma e comia com a outra oposta, e, com o último par de mãos, Ele tocava Sua flauta. O brahmana pôde ver que toda a forma do Senhor estava decorada com ornamentos engastados com pedras preciosas multicoloridas. Seu peito carregava a marca da Srivatsa, e a inestimável joia Kaustubha se dependurava de Seu pescoço. Sua cabeça estava adornada com flores silvestres frescas, que circundavam Sua pena de pavão. Seus lábios avermelhados lembravam o Sol nascente, o que contrastava harmoniosamente com a refulgência lunar de Seu rosto aprazível. Seus sorridentes olhos de lótus eram irrequietos. Sua guirlanda Vaijayanti e Seus brincos em forma de tubarão balançavam delicadamente. Seus pés se assemelhavam a flores de lótus recém-desabrochadas e estavam decorados com guizos suavemente tilintantes. O lustre aperolado de Suas unhas dissipava toda a escuridão.

O brahmana viu a casa onde estava imediatamente se transformar na floresta de Vrindavana, onde as árvores kadamba estavam repletas de passarinhos chilreantes. Em todas as direções, ele via vaqueirinhos, gopis e vacas perambulando. O que ele antes havia visto apenas em meditação, ele era capaz de ver diretamente. Subjugado pelo êxtase derivado da contemplação de toda aquela opulência, o piedoso brahmana desmaiou.

A Suprema Personalidade de Deus, Sri Gaurasundara, que é um oceano de misericórdia, repousou Sua mão transcendental sobre o corpo do brahmana. Pelo toque da mão do Senhor, o brahmana redespertou, mas, devido ao intenso êxtase que provava, permaneceu mudo e inerte. Repetidas vezes, o brahmana desmaiou caindo ao chão. Ele novamente se recompunha, mas logo desmaiava novamente devido à intensa bem-aventurança. Os pelos de seu corpo se arrepiavam, e ele transpirava e tremia. Ele era incapaz de conter tão intensa emoção, e lágrimas fluíam de seus olhos com a mesma liberdade que correm as águas do Ganges. O brahmana peregrino se agarrou aos pés de lótus do Senhor e chorou sonoramente.

Vendo a ansiedade de Seu devoto, a Suprema Personalidade de Deus lhe falou sorridente algumas palavras. O Senhor Supremo disse: “Ó brahmana erudito, por favor, escute-Me. Há muitas vidas você é Meu servo rendido. Como você sempre meditou em Mim, vim Me revelar a você pessoalmente agora. Em Meu nascimento anterior, Eu apareci diante de você na casa de Nanda Maharaja nesta mesma forma, mas você não pode se lembrar. Em Meu nascimento anterior, Eu apareci na terra de Gokula, por onde você passou durante sua sincera e entusiasmada peregrinação aos locais sagrados do planeta. Por arranjo divino, você acabou por se tornar um convidado na casa de Meu pai, Nanda Maharaja. Naquela ocasião, você também Me ofereceu preparações cozidas. Naquele encontro, Eu lhe exibi esta mesma forma e também comi o alimento que Me foi oferecido por você, exatamente como faço agora. Nascimento após nascimento, você é Meu servo; por esta razão, Eu apareci diante de você. Ninguém além de Meus servos pode ver a Mim como sou”.

Continuou: “O que estou revelando a você agora é confidencial. Não conte nada sobre isso a nenhuma outra pessoa. Se você revelar Minha identidade para alguém enquanto Eu ainda estiver nesta encarnação sobre a Terra, Eu terei de destruí-lo. Arranjei Meu aparecimento onde o canto congregacional do santo nome do Senhor Hari já estava iniciado. Agora, iniciarei a propagação desse canto por todo o mundo. Levarei incondicionalmente a toda casa o processo do serviço devocional amoroso ao Senhor Supremo, serviço este cuja obtenção é ansiada mesmo por Brahma e outras personalidades avançadas. Permaneça em nossa casa por alguns dias e você presenciará muitos eventos, mas lembre-se: você não pode contá-los a ninguém”.

Assim, após conceder tanto misericórdia quanto conforto ao brahmana, o Senhor Chaitanya retornou ao Seu quarto. O Senhor novamente Se tornou uma criança e Se deitou em Sua cama na posição que estava anteriormente. Sobrepujados pela potência mística de yoga-nidra, ninguém acordou. Contemplando as atividades sobrenaturais do Senhor, o piedoso brahmana deparou consigo mesmo tomado da mais pura bem-aventurança. O brahmana esfregou aquele arroz transcendental por todo o seu corpo e então o comeu enquanto chorava incessantemente devido ao êxtase espiritual. O brahmana dançava, cantava e ria. Repetidas vezes, ele exclamava: “Jaya Bala-Gopala! Jaya Bala-Gopala!”.

O sonoro cantar do brahmana acordou os residentes da casa. Ele, então, rapidamente se restringiu das manifestações externas de êxtase e começou a limpar seu corpo. Os residentes da casa encontraram o brahmana comendo o arroz pacificamente. Vendo isso, todos ficaram satisfeitos. Em seu coração, o brahmana considerou contar a todos o que havia acontecido. Ele pensou: “Quando souberem que Ele é a Suprema Personalidade de Deus, eles todos serão libertos. A Suprema Personalidade de Deus, com quem os senhores Brahma e Shiva anseiam se encontrar, descendeu a este mundo e aceitou nascimento na casa de um brahmana. Direi ao mundo inteiro que a Suprema Personalidade de Deus agora Se tornou um pequeno garoto travesso. Assim, o Senhor libertará a todos”. Mas o brahmana se lembrou da instrução do Senhor de não revelar nada a ninguém. Temeroso de desobedecer-Lhe, o brahmana guardou consigo o segredo. O brahmana sabia da verdadeira identidade do Senhor, mas ninguém podia imaginar que tal brahmana tivesse um conhecimento tão extraordinário.

Com grande satisfação, o brahmana permaneceu em Navadvipa para poder estar próximo do Senhor. Após mendigar em diferentes locais, o brahmana sempre voltava para ver o Senhor. Tais deslumbrantes passatempos do Senhor são descritos na literatura védica secretamente. Aquele que ouve esses passatempos por fim se encontra pessoalmente com o Senhor Sri Krishna.

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Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens. Fonte da imagem: flickr.com/photos/jillchen/342737828

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