Um Sannyasi Tântrico e um Suposto Impersonalista: Caitanya Mahaprabhu Visita Duas Casas

Tantra e Advaita

Vrndavana Dasa Thakura
Excerto do capítulo 19 do Madhya-khanda da obra Caitanya Bhagavata

O Senhor Advaita era o mais selvagem de todos os devotos, e ninguém era capaz de sondar o profundo significado de suas atividades. Somente por meio da misericórdia do Senhor Caitanya pode alguém compreender Advaitacarya, o mais grandioso devoto de Sri Caitanya.

Tão logo o Senhor Caitanya deixava Seu transe extático, Ele devotadamente servia os vaisnavas, especialmente Advaitacarya. Essa postura do Senhor para com ele deixava Advaitacarya muito descontente. Seus dolorosos sentimentos estouravam em sua mente como um vulcão em erupção. Ele pensava: “Esse ladrão sempre me passa para trás e caçoa de mim. Renunciando Sua posição como o Senhor Supremo, Ele furtivamente agarra meus pés. A força do Senhor não pode ser rivalizada pela minha. Dessa maneira, a poeira de meus pés Ele pega à força. A força do serviço devocional é a única de que disponho. Sem se ocupar em serviço devocional, ninguém pode compreender o Senhor Caitanya como Ele é. Quando destruo a ilusão material reduzindo-a a cinzas, as pessoas me chamam de ‘Advaita, o leão’. Embora alguns pensem o contrário, em Seu passatempo com Bhrgu Muni, Vós, Senhor, sois muito mais glorioso do que o Muni. Agora eu farei com que centenas e centenas de discípulos como Bhrgu me rodeiem. Com isso, o Senhor ficará tão irado que me punirá com Suas próprias mãos. Como o Senhor Caitanya veio a este mundo para ensinar o caminho do serviço devocional, eu irei me opor às Suas instruções. Quando Eu disser que o serviço devocional é sem importância, o Senhor Se esquecerá de Si em meio à Sua ira, aí então me agarrará pelo cabelo e me dará a punição adequada”.

Voltado a esses pensamentos, Advaita estava feliz. Acompanhado por Haridasa, Advaita deixou Navadvipa. Para colocar em prática seu plano, foi para a sua casa em Shantipura. Para aprimorar a realização de seu plano, ele começou a estudar. Com um homem selvagem parecia Advaita devido à absorção em amor extático. Com o auxílio da obra Yoga-vasistha, Advaita estudava e pregava a filosofia do impersonalismo. Ele dizia: “Sem antes aceitar jnana, a devoção ao Senhor Visnu é impotente. O conhecimento dedutivo e a especulação empírica são a vida de todas as atividades espirituais. O impersonalismo traz consigo todo o poder espiritual. Não compreendendo a verdade do impersonalismo, as pessoas abandonam a riqueza que têm em casa e vão para floresta. A devoção ao Senhor Visnu é um espelho, e a filosofia impersonalista é um par de olhos. Como seria possível a um homem sem olhos olhar em um espelho? Tendo cuidadosamente estudado todas as escrituras, cheguei à conclusão de que unicamente o impersonalismo é a verdade e a meta última das escrituras”.

Haridasa entendia perfeitamente o comportamento de Advaita. Ouvindo essas explicações, Haridasa riu muito muito muito alto. As atividades de Advaitacarya são inconcebíveis. As pessoas piedosas gostam de suas atividades e consideram-nas boas, as pessoas impiedosas consideram-nas ruins; mas ninguém é capaz de compreender a profundidade por detrás delas.

O Senhor Caitanya, que é como uma árvore-dos-desejos, entendeu de dentro do coração de Advaita Seu desejo. Vagueavam por Navadvipa os Senhores Caitanya e Nityananda quando o primeiro Se dirigiu ao segundo: “Visitemos a casa de Advaitacarya em Shantipura”. Porque ambos estavam sempre dispostos a Se ocupar em passatempos divertidos, sem demora Se colocaram em direção à casa de Advaita.

O Sannyasi Tântrico

Percorrido metade do trajeto até Shantipura, Caitanya e Nityananda chegaram a uma vila próxima ao Ganges de nome Lalitapura. Nessa vila, em uma choupana na trilha ao longo do Ganges, vivia um sannyasi tântrico. Caitanya perguntou ao Senhor Nityananda: “Por favor, diga-Me de quem é essa casa e quem nela vive”. Ao ser informado de que se tratava da casa de um sannyasi, o Senhor Caitanya disse: “Se formos suficientemente afortunados, talvez possamos vê-lo”.

Sorridentes, os dois Senhores foram até a casa do sannyasi, a quem Caitanya Mahaprabhu ofereceu Suas reverências. O sannyasi foi arrebatado pela forma bem-apessoada dos dois, por Seus braços perfeitamente esculpidos e pelo sorriso radiante que traziam. Estando extremamente satisfeito com a presença dos dois filhos de brahmanas, o sannyasi Lhes ofereceu as seguintes bênçãos: “Que Vocês obtenham riqueza, fama, uma mulher bonita e erudição”.

Sri Caitanya imediatamente contraveio: “Um verdadeiro sannyasi não oferece bênçãos como estas. Um sannyasi de verdade diria: ‘Que Vocês obtenham a misericórdia do Senhor Krsna’. Devoção ao Senhor Visnu é a verdadeira bênção, porque a devoção a Ele é eterna, inesgotável e infalível. Não é condizente com sua posição abençoar outros com tais vantagens temporárias”.

Rindo estranhamente, o sannyasi disse: “Hoje encontrei a prova de um axioma que há muito eu ouvia. A máxima diz que aqueles que tentam fazer o bem a outros são golpeados com pedaços de pau; e é exatamente assim que esse jovem brahmana agora age. Alegremente eu O abençoei a Se tornar rico. Qual o problema em minha boa ação? Que erro há de minha parte?”.

O sannyasi indagou: “Diga-me, pequeno brahmana. Por que Você critica minhas bênçãos? Se um homem nasce neste mundo e não desfruta da companhia de mulheres atrativas nem acumula riquezas, então o que mais restará a ele fazer com sua vida? Embora eu Lhe dê a bênção de Se tornar rico, Você está envergonhado e relutante em aceitá-la. Você talvez seja um devoto do Senhor Visnu, mas, responda-me algo, como Você poderá manter Seu corpo sem dinheiro?”.

Às palavras do sannyasi, o Senhor Caitanya apenas riu levando Sua graciosa mão à testa. O Senhor utilizou essa situação para ensinar a todos que não se deve desejar nada além do serviço devocional ao Senhor Supremo.

Caitanya Mahaprabhu disse: “Por favor, escute, ó gosvami. É em razão de seu karma passado que uma entidade viva obtém comida – e assim também se dá com todas as esferas da vida. Se o propósito da vida neste mundo é o desfrute de riquezas e família, então, responda-Me: Por que se é obrigado a deixar tudo isso com a chegada da morte? Ninguém deseja ficar doente; assim, por que doenças torturam nossos corpos? Escute com atenção, gosvami. A razão de tudo isso é o karma, mas somente pessoas sábias têm completa compreensão desse fato. Alguém talvez argumente que os Vedas ensinam como se ascender a Svargaloka, a morada celestial de Indra. Tal ensinamento é um exemplo da misericórdia dos Vedas para com os tolos. Materialistas e ignorantes são naturalmente propensos a uma de vida de luxúria. Conhecendo o coração das pessoas, os Vedas falam sobre Svargaloka. Os Vedas podem ser censurados por isso? Ao ouvirem os Vedas dizerem ‘Banhando-se no Ganges e cantando o santo nome do Senhor Hari, obtêm-se riqueza e uma família feliz’, tais pessoas seguem a instrução. Contudo, pelo poder de se banhar no Ganges e de cantar o santo nome do Senhor Hari, elas obtêm o serviço devocional ao Senhor Supremo. Esse propósito secreto dos Vedas é desconhecido pelos tolos. Rejeitando o serviço devocional ao Senhor Krsna, eles se perdem em prazeres materiais. Ó gosvami, por favor, considere todos esses pontos. Nada é melhor do que o serviço devocional ao Senhor Krsna”.

Agindo como o guru instrutor do sannyasi, o Senhor Supremo ensinou ao mundo inteiro que os Vedas propagam a superioridade do serviço devocional. Todas as instruções do Senhor Caitanya são a verdade absoluta, mas aqueles cujos corações são maculados por atividades pecaminosas não podem recebê-las apropriadamente.

Enquanto ouvia as palavras do Senhor Caitanya, o sannyasi ria e pensava: “Eu acho que esse brahmana é louco. Algum mantra deve ser a razão da Sua loucura”. O sannyasi, então, falou: “Finalmente aconteceu. Diante de uma mera criança, eu repentinamente nada sei. Embora eu tenha viajado por todo o mundo – Ayodhya, Mathura, Maya, Badarikasrama, Guruvata, Varanasi, Gaya, Vijayanagari, Simhala e muitas outras cidades importantes – agora eu supostamente não sei distinguir o que é bom e o que é ruim, e terei de aprender isso com as instruções de um garotinho que ainda nem desmamou”.

Ainda rindo, o Senhor Nityananda respondeu: “Escute, sannyasi. Você não tem de discutir com uma criança. Eu sei o quão glorioso você é. Apenas lance sobre Nós seu olhar e Nos perdoe por tudo”.

Ao se ouvir louvado, o sannyasi assumiu uma disposição amigável e convidou suas visitas a comerem com ele.

O Senhor Nityananda disse: “Não podemos Nos demorar aqui porque temos afazeres urgentes. Por favor, dê-Nos algo que possamos levar; assim, depois de termos Nos banhado, pararemos no caminho e comeremos”.

O sannyasi insistiu: “Banhem-Se aqui, façam uma refeição comigo, e então Vocês seguem viagem”.

Porque descenderam a este mundo para salvar as almas mais caídas, os dois Senhores permaneceram na casa do sannyasi. Com o banho no Ganges, Eles Se livraram da fadiga decorrente da viagem. Já refrescados pelo banho, Eles Se sentaram para comer algumas frutas. Caitanya e Nityananda ofereceram ao Senhor Krsna leite, manga, jaca e outras frutas. Enquanto o contente sannyasi Os assistia, comiam Eles os remanentes.

Como seguidor do caminho da esquerda, o sannyasi estava acostumado a consumir bebidas alcoólicas. Ele indicou isso indiretamente ao Senhor Nityananda. “Escute, Sripada. Devo trazer um pouco de ‘bem-aventurança’ para nós? Com que frequência terei hóspedes como Vocês?”. Tendo viajado a várias localidades, o Senhor Nityananda entendeu que o sannyasi era viciado em bebidas alcoólicas. Repetidas vezes, o sannyasi dizia: “Acho que vou trazer um pouco de ‘bem-aventurança’”. Nityananda Prabhu sempre respondia: “Nós temos que ir agora”.

Olhando à distância os dois Senhores belos como Kamadeva, a esposa do sannyasi Os desejava como se estivesse em um transe meditativo. Censurando seu esposo, ela disse: “Por que você Os incomoda enquanto comem?”.

Discretamente, Caitanya perguntou: “O que é essa ‘bem-aventurança’ a que esse sannyasi se refere?”. Nityananda respondeu: “Ele se refere a alguma bebida alcoólica”. O Senhor Caitanya imediatamente Se lembrou de Visnu e chamou repetidamente pelo Seu nome.

Tendo enxaguado rapidamente Suas bocas, os dois Senhores correram para fora da casa. Correram até a beira do Ganges, e então nele mergulharam os dois. Até a casa de Advaitacarya foram Caitanya e Nityananda nadando pelo Ganges.

A Rejeição dos Blasfemadores

O Senhor mostra misericórdia mesmo a um libertino adepto ao consumo de álcool. Ele, contudo, destrói até mesmo os vedantistas caso tornem-se ofensivos para com o Senhor e Seus devotos. Conquanto fosse esse pseudossannyasi um alcoólatra que desfrutava de sexo, o Senhor Caitanya visitou a casa dele. Caitanya Mahaprabhu conversou com ele, pregou para ele, ficou em sua casa e ali aceitou comer. Nesse nascimento, o sannyasi não se tornou santo, mas, em outro nascimento, ele se tornará. Quanto aos blasfemadores, seus corações jamais se santificarão. Ser meramente um sannyasi, sem ser devoto, não é suficiente para que uma pessoa possa ver ou se encontrar com o Senhor Supremo. Os sannyasis de Varanasi comprovam isso.

Quando o Senhor Caitanya chegou a Varanasi, os sannyasis dali souberam de Sua chegada. Ouvindo essa nova, os sannyasis ficaram contentes. As grandes almas que residiam em Varanasi disseram: “Vamos ver o Senhor Caitanya!”. Entretanto, todos os moradores de Varanasi que ali viviam desde o nascimento, os vedantistas, filósofos, ascetas e pessoas famosas compartilhavam a mesma falha, a qual ofuscava todas as suas qualidades: Enquanto comentavam o Vedanta-sutra, nunca falavam sobre o eterno serviço devocional ao Senhor Visnu. Sendo a Superalma no coração de todos, o Senhor Caitanya, o leão dourado, de tudo sabia. Muito embora tivesse ido a Varanasi, Ele não autorizou que os habitantes dali O vissem. O Senhor passou dois meses em Varanasi; escondido, no entanto, na matha de Ramacandra Puri. Dois dias antes do festival de Visvarupa-ksaura, Ele secretamente partiu. Somente depois, alguns dos moradores de Varanasi O viram. Sem o conhecimento de ninguém, o Senhor Caitanya partiu. Assim, embora tenha estado em Varanasi, Ele não autorizou ninguém a vê-lO.

O ato de se blasfemar, mesmo que por uma única vez, um devoto do Senhor ou o próprio Senhor priva o ofensor de toda a inteligência. Em qual coração a blasfêmia não fará nascer grande sofrimento? Ao saberem posteriormente que o Senhor já havia ido embora, os sannyasis disseram: “Nós somos sannyasis. Por que Ele foi embora sem antes falar conosco? Por que Ele partiu a dois dias da cerimônia de Visvarupa-ksaura, negligenciando Seu dever? Qual a razão para Ele Se recusar a observar a cerimônia?”.

Assim pensam os não-devotos. O senhor Shiva jamais aceita a adoração de tais ofensores; ao contrário, o senhor Shiva pune todos esses ofensores residentes de Varanasi. Alguém que ofende o senhor Shiva não pode adorar o Senhor Visnu. O Senhor Caitanya a todos libera, exceto os pecadores que blasfemam os vaisnavas. O Senhor Se banhou e comeu na casa de um adicto ao consumo de bebidas alcoólicas, mas, em relação aos vedantistas ofensores, sequer Se permitiu ver.

As almas que não temem em seus corações a punição do Senhor Caitanya serão punidas por Yamaraja vida após vida. Aqueles que não se deleitam com as glórias do Senhor Caitanya, glórias estas sempre cantadas pelas bocas de Brahma, Shiva e de mãe Laksmidevi, aceitaram sannyasa inutilmente. Igualmente inútil é seu estudo do Vedanta.

O Encontro com Advaita

Nadavam alegremente os dois Senhores com as ondas do Ganges. Enquanto assim Se locomoviam em direção a Shantipura, o Senhor Caitanya rugia repetidamente: “Nara [Advaita] quebrou Meu sono e Me trouxe aqui. Agora Ele esconde a verdade do serviço devocional e prega o impersonalismo. Eu o verei com Meus próprios olhos, e então Eu o punirei. Hoje, todos verão o que acontece com aqueles que defendem o impersonalismo”.

Rugindo dessa maneira, o Senhor Caitanya seguia na corrente do Ganges. Em silêncio, Nityananda sorria em Seu coração. Enquanto assim nadavam pelo Ganges, os dois irmãos pareciam o Senhor Visnu e Ananta Shesha no oceano de leite.

Muito poderoso em razão de seu serviço devocional, Advaita entendia o que estava prestes a acontecer. Em seu coração, ele pensou: “Logo minhas ações darão frutos”. Ao entender que o Senhor estava vindo com grande ira, Advaita pregava o impersonalismo com mais avidez do que antes.

Chegando a Shantipura, os dois Senhores saíram do Ganges. Acompanhado pelo Senhor Nityananda, e com a ira visível em Seu rosto, o Senhor foi ao encontro de Advaita. Enquanto pregava o impersonalismo, Advaita alegremente balançava o corpo para frente e para trás. Ao ver o Senhor Caitanya, Haridasa ofereceu-Lhe reverências dandavats. Acyuta, o filho de Advaita, procedeu da mesma forma. No íntimo de seu coração, Sitadevi, a esposa de Advaita, também ofereceu reverências ao Senhor.

Vendo o semblante que Sri Caitanya trazia, Sita ficou apreensiva. O rosto do Senhor Caitanya, brilhante como dez milhões de sóis, fazia com que no coração de todos nascesse grande medo. Bramindo em fúria, Caitanya Mahaprabhu disse: “Ei! Ei, Nara! Responda-Me rápido: Qual dos dois é melhor, o impersonalismo ou o serviço devocional?”. Advaita respondeu: “O impersonalismo é sempre melhor. Afinal, qual é a utilidade do serviço devocional se a pessoa for destituída do conhecimento de advaita-vedanta?”.

No mesmo instante em que as palavras “O impersonalismo é melhor” adentraram Seus ouvidos, o Senhor Caitanya ficou colérico como se em chamas, e esqueceu-Se do mundo externo. O Senhor arrancou Advaita de seu assento e o arrastou até o pátio. Uma vez fora de casa, o Senhor Caitanya levantou Sua mão já empunhada e então golpeou violentamente Advaita – o Senhor O golpeou repetidamente.

Embora a devotada esposa de Advaita, sendo a mãe de todos os mundos, pudesse entender o passatempo que se dava, ela não pôde deixar de tentar parar o Senhor. “Pare! Pare!”, ela gritava. “Ele é um brahmana idoso! Um brahmana idoso! Poupe a vida dEle! O que Você ensinará punindo-O? Ele é tão velho que talvez não sobreviva a toda essa violência! Depois Você achará difícil suportar as consequências de Seus atos!”.

Nityananda sorria às palavras da imaculada esposa de Advaita. Já Haridasa, muito assustado, repetia o nome de Krsna.

Tão indignado estava o Senhor Caitanya que surdo foi às palavras de Sitadevi. Com palavras coléricas, Ele repreendia Advaita aos gritos: “Eu dormia no oceano de leite quando você, Nara, acordou-Me para cumprir sua missão. Você Me trouxe aqui para ensinar o serviço devocional, e agora você esconde o serviço devocional e prega o impersonalismo! Se o que você queria era esconder o serviço devocional, se era isso que se encontrava em seu coração, por que Me trouxe a este mundo? Eu não fui contra seu desejo. Por que você Me engana?”.

Após muito repreender Advaita, Caitanya Mahaprabhu sentou-Se à porta de sua casa. Então, ainda com a voz alta, Ele revelou a verdade acerca de Si mesmo: “Ó Nara, você tudo sabe! Contemple-Me, Eu que violentamente matei Kamsa! Brahma, Shiva, Shesha e Laksmi estão todos constantemente ocupados em servir-Me. Quando o Vasudeva impostor encontrou-se coMigo, Meu cakra o exterminou. Esse mesmo cakra reduziu toda a cidade de Varanasi a cinzas; e Meu arco ceifou a vida de Ravana. Meu invencível cakra também cortou muitos braços de Banasura, e matou o poderoso Narakasura. Com Minha mão esquerda, ergui a colina Govardhana. Também fui Eu quem trouxe dos planetas celestiais a flor parijata. Eu enganei o rei Bali e dei a ele Minha misericórdia. Eu matei Hiranyakasipu e resgatei Prahlada”.

À medida que o Senhor Caitanya revelava Suas próprias glórias, Advaita se afogava mais e mais em um grande oceano de amor extático. Advaitacarya estava mais do que satisfeito com a punição que recebera. Agora humilde e submisso, ele batia palmas e dançava.

Advaita disse: “Meu Senhor, porque fui ofensivo, Você me puniu. Mas Você foi bondoso coMigo, pois, com muito pouco, expiei minha ofensa. Agora que me puniu por meu mau comportamento, percebo com clareza que Você é meu mestre. Senhor, a força de meu sentimento como Seu servo se fortaleceu”. Advaita falava essas palavras enquanto dançava extaticamente.

Advaita alegremente dançou por toda parte do pátio. Então, franzindo suas sobrancelhas, ofereceu estas palavras ante os pés do Senhor Caitanya: “Para onde foram todas as Suas palavras que me lisonjeavam? Para onde foi toda a Sua enganação? Não sou Durvasa para que Você possa me insultar esfregando em Seus membros os remanentes de minha refeição. Tampouco sou eu Bhrgu Muni, cuja marca dos pés Você alegremente mantém sobre Seu peito como a marca Srivatsa. Meu nome é Advaita, Seu servo puro, eterno e humilde. Nascimento após nascimento, sempre anseio por degustar os remanentes do alimento por Você desfrutado. Em consequência do efeito de Sua prasada, sou imune à Sua potência ilusória, maya. Agora que Você já me puniu, por favor, conceda-me a sombra de Seus pés de lótus”.

Depois de dizer essas palavras, Advaita humilde e devotadamente caiu ao chão e acomodou os pés de Sri Caitanya sobre sua cabeça. Para que o pudesse abraçar, o Senhor Caitanya respeitosamente levantou Advaitacarya. Abraçado, Advaita se desfez em lágrimas. Perante a devoção de Sri Advaita, Nityananda também chorou um rio de lágrimas. Caído ao chão, Haridasa chorava. Choravam também a esposa de Advaita, os criados de Advaita, o filho de Advaita – toda a casa de Advaita estava agora tomada de amor extático pelo Senhor Krsna.

Agora, Caitanya sentia-Se constrangido por ter punido Advaita tão severamente. A Advaita Ele alegremente ofereceu uma bênção: “Qualquer um que, mesmo que por um único instante, refugie-se em você – mesmo que seja um inseto, um verme, uma besta ou um pássaro, e mesmo que tenha Me ofendido por um milhão de vezes – receberá Minha misericórdia”.

Ao ouvir tão grandiosa bênção, Sri Advaitacandra chorou agarrado aos pés de Caitanya. Advaita disse: “Se alguém que O rejeita se curva diante de mim, eu lhe corto a cabeça. O rei Satrajit viu diretamente o deus do Sol e, atraído por sua refulgência e carisma, adorou-o com devoção. Entretanto, quando Satrajit desobedeceu à Sua ordem, o deus do Sol ficou descontente com isso. A felicidade de Surya voltou quando ambos Satrajit e seu irmão foram mortos. Duryodhana era discípulo do Senhor Balarama. Não obstante, porque O ofendeu, Duryodhana foi eliminado juntamente com seus parentes e amigos próximos. Hiranyakasipu obteve uma bênção maravilhosa do semideus Brahma. Não obstante, porque O ofendeu, Hiranyakasipu foi punido juntamente com seus seguidores demoníacos. Cortando algumas de suas cabeças, Ravana adorou Shiva. Não obstante, porque O ofendeu, Ravana foi dizimado juntamente com seus associados. Ó Senhor, Você é origem de todos os semideuses e o mestre natural de todos eles. Todos os seres, visíveis ou invisíveis, são Seus servos. Quando uma pessoa negligencia o mestre e adora o servo, o servo come a oferenda e, em seguida, destrói pessoalmente o adorador ofensivo. Uma pessoa que O ignora e adora Shiva e outros semideuses é tal qual uma pessoa que separa a árvore de sua raiz e então oferece água aos brotos e galhos. Porque Você é a raiz dos Vedas, dos brahmanas, dos yajnas e das práticas religiosas, eu desprezo a adoração a mim de qualquer um que não O adore”.

O Senhor Caitanya apreciou imensamente a dissertação de Advaita sobre verdades espirituais. Erguendo Seus braços em direção ao céu, o Senhor Gauracandra declarou ao mundo inteiro: “Abandonando completamente toda a disposição a criticar outros, cantem todos o nome do Senhor Krsna. Aquele que, livre da tendência de criticar, cante uma única vez o nome de Krsna será pessoalmente liberado por Mim. Esta é a verdade”.

As palavras do Senhor Caitanya conduziram os devotos a um júbilo ilimitado. Os devotos gritavam: “Jaya! Jaya! Jaya!”. Advaitacarya chorava em êxtase agarrado aos pés de lótus do Senhor. Ao abraçar Advaita, Sri Caitanya também chorou.

O amor devocional de Advaita inundava todo o universo. Assim são as maravilhosas atividades e personalidade de Advaitacarya.

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2 Respostas

  1. Joaquim Caldas

    Salve Krsna! Salve Krsna! Salve… Salve…

    24 de março de 2013 às 8:38 PM

  2. Jay Srila Prabhupada!!! Todas as glórias aos devotos da ISKCON! Todas as glórias aos devotos reunidos! Todas as glórias aos Passatempos do Senhor Caitanya e do Senhor Nityananda! Hariiibol!!!

    Vrindavana Das (I.P)

    2 de junho de 2013 às 12:26 PM

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