Guerra, Paz e Rendição a Deus no Bhagavad-gita

Guerra, Paz e Rendição a Deus  no Bhagavad-gita

Entrevista com Hridayananda Dasa Goswami
(excertos da obra A Meta da Vida, Editora Sankirtana)

Entrevistador: No Bhagavad-gita, parece haver uma diferença entre guerra boa e guerra ruim. O senhor poderia esclarecer isso?

Hridayananda Dasa Goswami: Sim, claro. Em um sentido, não existe guerra boa. Não é uma das coisas mais desejáveis. Quando se tem uma boa sociedade, guerra não é algo necessário. Porém, infelizmente, existe o mal no mundo, no sentido de que existem pessoas que causam danos aos inocentes. Então, para defender os seus direitos, para impedir que outros os prejudiquem, a guerra é boa. Ela não é boa no sentido de que seria melhor se não houvesse ninguém no mundo que quisesse causar danos a pessoas inocentes, então não haveria necessidade de guerra. Porém, pior do que defender os inocentes é não defendê-los. Guerra ruim, por sua vez, significa usar violência em algum tipo de instituição ou em nível social simplesmente para satisfazer os desejos egoístas de alguém.

Entrevistador: Os modos da natureza material têm um papel proeminente no contexto do Bhagavad-gita, pois parece que eles afetam a todos no mundo material. O senhor pode explicar um pouco sobre isto?

Hridayananda Dasa Goswami: A palavra em sânscrito é guna, ou qualidade. É interessante, porque aqui está a maneira com a qual podemos objetivamente avaliar qualidades materiais. Por exemplo, diz-se que a qualidade mais elevada é a da “bondade”, que tem como sintomas serenidade, conhecimento, caridade, altruísmo, o sentido de dever, em que se executa as próprias atividades não por alguma razão egoísta em particular, mas porque é o seu dever para com uma autoridade superior – Deus, em última análise. Em contraste com isso, está o modo da “paixão”, no qual a pessoa é bastante ativa, porém com propósitos egoístas. Trabalha-se muito duro desejando fama, riqueza e poder, basicamente. Desejam-se demais os frutos de seus resultados. Em outras palavras, alguém faz algo, mas quer quaisquer bons resultados que resultem do seu trabalho para a sua gratificação pessoal. Finalmente, há o modo mais baixo, o da “ignorância”, no qual se é letárgico, procrastinador, incapaz de realmente realizar algo, intoxicado, muito dado ao sono. Em outras palavras: estúpido.

Entrevistador: E quanto às pessoas que estão em uma festa?

Hridayananda Dasa Goswami: Essas três qualidades estão presentes. Talvez alguém diga: “E daí?”. E daí que se estamos seriamente interessados em entender nós mesmos, Deus, a Verdade Absoluta e assim por diante, então temos que trabalhar o nosso caminho para o modo da bondade. Se alguém está fixo em paixão ou ignorância, o cérebro fica todo entupido e é muito difícil entender a realidade espiritual.

Entrevistador: Eu escutei um exemplo dos três modos da natureza baseado no ato de ir nadar: alguém no modo da ignorância não consegue encontrar seu armário e esqueceu a sunga; alguém no modo da paixão não tem tempo suficiente e corre pelo corredor tentando chegar à piscina a tempo, discutindo se deve retornar; e alguém no modo da bondade está na ponta do trampolim, mas ainda não entrou na água. Acima desses três modos da natureza, está a transcendência. O que de fato é a transcendência? O que estamos transcendendo e o que estamos atingindo?

Hridayananda Dasa Goswami: Essas três qualidades – bondade, paixão e ignorância – são todas materiais, diferentes disposições da mente nesse mundo, até em uma festa – porque ela também pode ser pacífica, apaixonada ou ignorante. Acima disso, no entanto, está a qualidade espiritual, que às vezes é chamada de suddha-sattva, ou “bondade pura”. A bondade material é desejável porque, como você disse, é um trampolim para a compreensão espiritual, mas, mesmo na bondade material, ainda há um traço, uma quantidade, de paixão ou ignorância. Em outras palavras, alguém talvez seja basicamente uma boa pessoa, porém ainda há pelo menos um pouco de paixão ou ignorância, que vem à tona de tempos em tempos, “quando se levanta do lado errado da cama”, por assim dizer, ou às vezes as pessoas dizem que sequer deveriam ter se levantado. Quando se chega à plataforma espiritual, bondade pura, então não há infecção material e nos tornamos um ser completamente realizado.

Entrevistador: Quem ou o que nós somos?

Hridayananda Dasa Goswami: Posso responder nos termos do Bhagavad-gita, que é o texto básico que seguimos. De acordo com esse livro, cada um de nós sempre existiu e sempre existirá. Somos seres plenamente espirituais, a despeito de qualquer tipo de corpo que tenhamos, e encontra-se essa natureza espiritual em todo ser vivo – não apenas aquelas almas que estão atualmente em corpos humanos, mas em todos os tipos de corpos, desde cavalos, veados, baratas, pássaros até micróbios. Tudo o que vive é uma alma eterna e é parte de Deus. Entretanto, no momento atual, porque decidimos tentar desfrutar deste mundo, de acordo com nossos desejos materiais, aceitamos um corpo material, e por isso estamos sujeitos a nascimento, morte, velhice e doença. Se queremos transcender essas condições, temos que compreender novamente nossa natureza eterna e que somos parte da natureza espiritual suprema, ou do ser espiritual supremo, Krishna (Deus).

Entrevistador: O que é o Bhagavad-gita e qual é o seu propósito?

Hridayananda Dasa Goswami: A palavra Bhagavad-gita significa “a canção de Deus”. Seu propósito é nos iluminar. Essa obra é falada por Krishna, o qual se entende ser Deus. O Senhor Krishna apareceu neste mundo há aproximadamente cinco mil anos e, no Bhagavad-gita, Ele ilumina Seu amigo e devoto Arjuna, que está perplexo, confuso, frustrado com a vida, sobre o que se deve fazer. O primeiro ponto que o Senhor Krishna ensinou a Arjuna é que nos lamentamos porque consideramos o corpo como sendo o eu, pois ele tem todos os tipos de problemas: o corpo é imperfeito, temporário, sujeito a todos os tipos de sofrimento, apegos, aversões e assim por diante. Mas somos almas eternas e, entendendo isso, podemos transcender nosso sofrimento material. Essa foi a primeira lição do Bhagavad-gita.

Entrevistador: Esse livro divide-se em 18 capítulos. Há algum que seja mais importante do que outro?

Hridayananda Dasa Goswami: Todos são muito bons.

Entrevistador: O senhor gostaria de fazer uma sinopse dos diferentes capítulos do Bhagavad-gita?

Hridayananda Dasa Goswami: Eu expliquei o primeiro ponto, que não somos o corpo, mas sim almas eternas – isso está no segundo capítulo. No terceiro capítulo, o Senhor Krishna introduz a noção de sacrifício. A ideia é que este mundo pertence a Deus. “Essa terra é minha, aquela terra é sua”, na verdade, não. A terra, de fato, pertence ao Criador. Podemos dizer “essa terra é minha ou sua” se estamos servindo à vontade dEle. Como dizem os cristãos, “venha a nós o Vosso reino, seja feita a Vossa vontade”. O terceiro capítulo introduz a noção de que o que quer que façamos neste mundo devemos fazer em um espírito de devoção. Ou seja, executamos uma tarefa, trabalho ou atividade em particular, que tem um fruto, um resultado, uma consequência, e isso deve ser oferecido a Deus. Isso é explicado no quarto capítulo. O Senhor Krishna começa a explicar o sistema de yoga, aprofunda a noção de sacrifício e explica como o conhecimento é transmitido através do que Ele chama de parampara, uma corrente de sucessão de grandes mestres e estudantes.

Encurtando a sinopse, o Gita culmina no entendimento e na revelação de que Krishna é a Suprema Personalidade de Deus, o Senhor Supremo, e que, em última análise, devemos simplesmente nos render a Ele e trabalhar neste mundo em um espírito de devoção. Isso nos libertará do karma, do nascimento e da morte, e seremos elevados ao mundo espiritual.

Entrevistador: Todos deveriam almejar a mesma meta?

Hridayananda Dasa Goswami: Todos querem ser saudáveis: algumas pessoas deveriam almejar ficar doentes apenas em prol da variedade?

Entrevistador: O senhor está tentando dizer que a única maneira de ser saudável é rendendo-se a Deus, espiritualmente falando?

Hridayananda Dasa Goswami: Se consideramos que é isto o que somos, partes e servos eternos dEle, então ser saudável é ser aquilo que realmente somos, e fazer bem o que nos destinamos a fazer. É uma questão de identidade última. É isso o que somos, afinal.

Entrevistador: O Bhagavad-gita é o único livro que explica esses fatos?

Hridayananda Dasa Goswami: Claro que não. Muitas grandes escrituras e tradições ao redor do mundo dão a mesma informação básica.

Entrevistador: Estou falando apenas da literatura védica nesse caso.

Hridayananda Dasa Goswami: Védica ou não-védica, o ponto é que é bem entendido em muitos países do mundo que, em última análise, nos destinamos a prestar serviço amoroso ao Supremo, a Deus. A vantagem do Bhagavad-gita é que o Senhor Krishna (Deus) está falando diretamente, pessoalmente. Isso é algo único e interessante.

Entrevistador: A que você atribui o sucesso do Bhagavad-gita, além do fato de que Deus está falando? Porque, dentre todas as diferentes literaturas védicas, basicamente esse é o único livro que é parcialmente conhecido no ocidente.

Hridayananda Dasa Goswami: O Mahabharata, no qual o Gita aparece, teve uma peça teatral muito bem-sucedida. A produção não foi muito espiritual, porém, ainda assim, conseguiu bastante atenção da mídia. O Ramayana está se tornando cada vez mais conhecido, os Upanisads são estudados por filósofos, o Vedanta tem seus seguidores. Todos esses livros estão gradualmente se tornando conhecidos no ocidente. Não esqueça que, há apenas alguns séculos, estávamos na idade das trevas. Não havia aviões ou trens e pessoas de diferentes religiões eram queimadas em estacas na Europa. Apenas recentemente, historicamente falando, é que há uma abertura para outras culturas. O conhecimento védico está agora, gradualmente, se tornando conhecido também.

Entrevistador: O senhor pode explicar um pouco sobre os cinco tópicos principais discutidos no Bhagavad-gita?

Hridayananda Dasa Goswami: Discute-se sobre karma, que significa que recebemos reações por nossas ações, “aquilo que vai volta”, o que colocamos no mundo volta para nós, e sobre kala, que significa o tempo cósmico, a programação para o universo e para as encarnações do Senhor. Além desses dois, há três realidades básicas, entidades que existem: Deus, os seres vivos, como nós, e a natureza material. Essa é a ontologia básica, as coisas fundamentais, reais, que existem.

Entrevistador: O Gita declara que a natureza material é eterna. Como é isso?

Hridayananda Dasa Goswami: O Gita diz que a substância em si sempre existe, como muitos filósofos gregos clássicos – Parmênides e outros – compreenderam. O que quer que exista sempre existiu, mas as formas em particular não são eternas. Por exemplo, este estúdio onde estamos agora não é eterno, porém a energia, a matéria da qual ele é constituído, sempre existiu. A energia é conservada e sempre esteve presente.

Entrevistador: Tenho uma pergunta que talvez deixe muitas pessoas inquietas. O que acontece com todos os seus bens se alguém se render a Deus?

Hridayananda Dasa Goswami: Ele é o bem supremo, o sumum bonum. É evidente que, se atingimos a consciência de Deus, ou se desenvolvemos nosso amor em um relacionamento com Ele, então obtemos os bens supremos.

Entrevistador: Temos que entregar os bens terrenos para obter isso?

Hridayananda Dasa Goswami: Não, é mais uma questão de usar o que quer que tenhamos e fazer o que quer que façamos para Krishna (Deus). Esse é o ponto principal do Bhagavad-gita. Arjuna era um guerreiro e príncipe, ocupado em uma luta justa, e o Senhor Krishna lhe disse que ele deveria executar seu dever normalmente, mas que deveria fazê-lo em um espírito de devoção, oferecendo o fruto a Ele. “Os bens de um homem é o veneno de outro”, depende do que se quer dizer. Se as coisas são realmente bens, devem nos beneficiar, não simplesmente nos satisfazer momentaneamente. Devem, na verdade, de alguma forma melhorar a nossa existência, ou consciência. Se tomamos uma definição razoável de “bem”, então as coisas espirituais certamente é o melhor para nós. Por exemplo, gostamos de comer, mas devemos ingerir comida espiritual, oferecendo alimentos adequados para Deus e aceitando os remanentes como Sua misericórdia.

Entrevistador: Muitos milhões de pessoas têm armas registradas em todo o mundo. Como podem usar um rifle no serviço a Deus?

Hridayananda Dasa Goswami: Há leis, existe certo e errado, e as armas devem ser usadas para proteger os inocentes. Se não há pessoas inocentes em perigo, então não devem ser usadas.

Entrevistador: Qual ou quais dos 700 versos do Bhagavad-gita são os mais importantes, e por quê?

Hridayananda Dasa Goswami: O verso 66 do capítulo 18 é considerado a conclusão final dos ensinamentos de Krishna. O Senhor diz que devemos abandonar o que quer que achemos que seja o nosso dever e simplesmente nos refugiarmos plenamente nEle. “Abandonar outros deveres” não significa não fazer mais nada, mas, em vez disso, significa que devemos fazer tudo para Ele. Devemos abandonar qualquer outra estratégia para o sucesso na vida. Em outras palavras, se estamos tentando executar deveres espirituais, isso pode incluir atividades econômicas, cuidar da família, executar uma ocupação, ou vocação, em particular e assim por diante. Mas a ideia é que todas essas coisas devem ser executadas no espírito da consciência de Krishna, e não devemos pensar que temos que fazer as coisas com qualquer outra consciência. Todos os nossos deveres devem ser encaixados nessa única consciência.

Entrevistador: O senhor pode dizer o verso no sânscrito original?

Hridayananda Dasa Goswami: Pois não: sarva-dharman parityajya mam ekam saranam vraja/ aham tvam sarva-papebhyo moksayisyami ma sucah.

Entrevistador: Qual é a palavra importante no verso, a palavra-chave?

Hridayananda Dasa Goswami: Todas são muito boas. Krishna simplesmente diz que mam ekam, “refugie-se unicamente em Mim”. Isso é a genérica consciência de Deus. Assim como na tradição judaico-cristã temos a injunção de amá-lO com todo nosso coração, alma e vida; se interpretamos isso literalmente, resulta ser a mesma coisa.

Entrevistador: Quantos deuses existem?

Hridayananda Dasa Goswami: Quantos você quer?

Entrevistador: De quantos precisamos?

Hridayananda Dasa Goswami: Isso depende se queremos usar “d” maiúsculo ou não. Há muitas personalidades poderosas, deuses, governantes, deidades e assim por diante, mas, em última instância, existe um Deus Supremo.

Entrevistador: O mesmo Deus está em todas as tradições?

Hridayananda Dasa Goswami: Sim, se estamos falando do Deus Supremo. Algumas pessoas não estão falando dEle.

Entrevistador: Do que estão falando? Explique isso.

Hridayananda Dasa Goswami: Algumas pessoas querem apenas adorar um espírito em particular que lhes dará alguma facilidade material que elas buscam. Outras não estão realmente interessadas em dirigir-se à Entidade Suprema Última, mas querem apenas satisfazer um desejo em particular.

Entrevistador: O que se dá para alguém que tenha tudo? Em outras palavras, se alguém quer e consegue encontrar Deus, o que faz depois, troca apertos de mão, se prostra?

Hridayananda Dasa Goswami: Quando O encontramos?

Entrevistador: Sim.

Hridayananda Dasa Goswami: Se alguém chega ao ponto de encontrar Deus, significa que purificou sua consciência, é autorrealizado, entendeu sua natureza eterna, sua relação com Ele e, sim, pode trocar apertos de mão. Nessa altura da consciência de Krishna (Deus), simplesmente se age naturalmente em termos desse relacionamento, porque a relação com Ele está desenvolvida. Assim como quando uma criança que foi embora de casa há muitos anos e finalmente volta para ver a mãe e o pai, há um relacionamento que já está presente, e eles simplesmente começam a falar, agir, se ajudar, de acordo com esse relacionamento que já existe. Nós já temos um relacionamento com Krishna (Deus), e ele simplesmente tem que ser revivido. Quando o revivemos, sabemos o que fazer.

Entrevistador: O que entendi do que o senhor acabou de dizer é que, sem conhecimento, não é possível render-se a Deus.

Hridayananda Dasa Goswami: A quem nos renderíamos sem conhecimento? Não se consegue sair da cama sem conhecimento.

Entrevistador: Não, estou sendo um pouco mais específico: sem conhecimento pleno, ou completo, de Deus. Isso levanta outra questão: como alguém pode conhecer o infinito?

Hridayananda Dasa Goswami: Com relação a sua primeira pergunta, eu era um menino na década de 1950, e havia uma canção popular de um grupo chamado The Teddy Bears, cujo nome era “To Know Him Is to Tove Him” (Conhecê-lo É Amá-lo). Esta é a ideia: conhecer Deus é amá-lO. Quando amamos alguém, o fazemos pelo que a pessoa é, então temos que saber o que ela é. Quanto a conhecer o infinito, podemos não conhecer Deus tão bem quanto Ele Se conhece, mas podemos fazer muito melhor do que estamos fazendo agora.

Entrevistador: Boa resposta. Existe algum tipo de entidade humana que não possa compreender esse conhecimento?

Hridayananda Dasa Goswami: Se não queremos conhecê-lO, ou se preferimos pensar que Deus não existe, então Ele nos ajudará a nos iludirmos. Não há alguém, entretanto, que, em princípio, não possa compreendê-lO.

Entrevistador: Há um verso do Gita no qual Krishna diz: “De Mim vem a lembrança, o conhecimento e o esquecimento”. Por que Ele daria o esquecimento?

Hridayananda Dasa Goswami: Porque quisemos esquecer, para respeitar nosso livre-arbítrio. Deus não Se impõe a alguém.

Entrevistador: Se Deus é completamente bom, por que iríamos querer esquecê-lO?

Hridayananda Dasa Goswami: A inveja provavelmente é uma boa explicação. Por que queremos esquecer alguém que é melhor do que nós? Não queremos pensar que alguém é melhor do que nós; queremos pensar que somos os melhores. Viemos a este mundo material para sermos os melhores, em virtude do que temos uma antipatia natural, ou hostilidade, com a noção de que alguém é muito melhor do que nós, e que devemos servir uma pessoa bem melhor. Preferimos pensar que somos os melhores; todos querem ser o grande número um.

Entrevistador: Há um corredor, chamado Carl Lewis, que talvez não esteja indo tão bem agora, mas que costumava ser o melhor do mundo. Não acho que alguém pensava em ser melhor que ele, e todos gostavam do jeito que ele corria. Então, por que queremos assumir a posição de Deus, e como poderíamos sequer pensar que somos melhores do que Ele?

Hridayananda Dasa Goswami: Uma coisa é dizer que “não acho que eu consiga correr tão rápido quanto o Carl Lewis”, mas de outra forma encontrar alguma razão para ficar orgulhoso. Não é porque as pessoas não conseguem correr tão rápido quanto ele que elas abandonam todo seu orgulho e se tornam santas e humildes. Todos, à sua própria maneira, encontram alguma razão boa ou má para ficarem orgulhosos. Pelo fato de que algum ser humano fez algo bem, temos a esperança de que “talvez eu possa fazer isso bem um dia” ou “talvez meu filho fará isso bem”. Em outras palavras, se alguém do nosso grupo, um ser humano, alguém que seja um dos nossos, fez algo, à nossa própria maneira, “eu também sou grande”. Isso é um pouco diferente de entender, ou aceitar, que de fato existe um Ser Supremo que é infinitamente mais grandioso do que nós e que não está nos esportes mundiais simplesmente para nos entreter, mas que, ao contrário, supõe-se que O sirvamos.

 

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