O Gita Condensado

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Kalakantha Dasa
(Da obra Veda, Segredos do Oriente)

Uma adaptação concisa do clássico Bhagavad-gita fiel a seu teor original e de fácil leitura.

Em 1968, Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada publicou o Bhagavad-gita Como Ele É, que desde então vendeu dezenas de milhões de cópias em dezenas de línguas. Como um devoto de Krishna em tempo integral e sanscritólogo perito, Srila Prabhupada reproduziu integralmente a clara conclusão do Bhagavad-gita, que muitos comentadores obscurecem com suas traduções liberais, e por terem também outros “importantes” afazeres em suas agendas. Os significados de Srila Prabhupada nos esclarecem os versos falados por Krishna e Arjuna. A versão condensada desse diálogo histórico que será aqui apresentada combina pontos chaves de versos e comentários de Srila Prabhupada na mesma sequência em que aparecem no original. Os versos não são citações diretas, motivo pelo qual não substituem o Bhagavad-gita Como Ele É em sua versão original. Em vez disso, esta versão provê uma visão geral do tratado filosófico do Gita. Ela está em conformidade com a compreensão apresentada por Srila Prabhupada e pode ser usada com fim introdutório ou para revisão.

Parte 1: Ação

Arjuna: Krishna, por favor, fazei a gentileza de conduzir minha quadriga até o meio de ambos os exércitos. Deixai-me ver quais seguidores do desonesto Duryodhana vieram até aqui para lutar.

Krishna (Guiando a bela quadriga dourada para o meio dos dois gigantescos exércitos que se contemplavam no campo de batalha): Vê, Arjuna, todos os grandes guerreiros aqui reunidos.

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Arjuna contempla as tropas inimigas.

Arjuna (horrorizado): Krishna, eu não posso lutar contra esses parentes queridos, professores e mais velhos. Toda a minha família seria destruída. Prefiro morrer, ou simplesmente viver como um mendigo.

Krishna (sorrindo gentilmente): Tu te esqueceste de que todos são almas eternas, e não corpos físicos. Podes matar o corpo, mas não a alma.

Arjuna: Krishna, como eu poderia matar estes homens dignos de adoração? Qualquer possível vitória seria maculada pelo derramamento do sangue deles. Eu não sei o que fazer. Por favor, instruí-me.

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Arjuna, desorientado, rende-se a Krishna.

Krishna: Meu amigo, tu és um guerreiro. Luta, mas não para teu prazer pessoal. Luta para o prazer do Supremo. Tu, destarte, estarás agindo como a alma eterna que de fato és. Luta contra todas as variedades de materialismos e sê um yogi.

Arjuna: O que fazem os yogis? Como eles agem?

Krishna: Os yogis executam seus deveres externos sem apego, porque eles se tornaram senhores de seus sentidos e da mente. Eles desfrutam de uma felicidade interior, que está esquecida por muitos.

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Sentidos desgovernados, simbolizados pelos cavalos revoltos,
conduzindo a alma para uma situação perigosa.
O yogi evita essa situação mediante o autocontrole.

Arjuna: Estais-me dizendo para ser feliz interiormente e, ao mesmo tempo, pedis que eu lute. Isso é contraditório.

Krishna: Não podes viver sem agir, Arjuna. Ao invés de agires para teu prazer pessoal, faz o que fazes como um sacrifício ao Supremo. Assim, serás feliz.

Arjuna: O que é isso que me faz agir com egoísmo?

Krishna: É a luxúria, Arjuna, nascida de desejos inesgotáveis. A luxúria destrói tua habilidade de pensar claramente. Desde muitíssimo tempo, ensino às pessoas como usar o yoga para que se livrem da luxúria. Eu ensinei ao deus do Sol, que ensinou ao seu filho, que começou uma longa corrente de professores. De alguma forma, todavia, o conhecimento original se perdeu, em virtude do que, hoje, Meu caro amigo, Eu ensinarei tal conhecimento a ti.

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Sucessão discipular iniciada por Krishna falando o Bhagavad-gita ao deus do Sol.

Arjuna: Como podeis ter ensinado algo ao deus do Sol, que é muito mais velho do que Vós?

Krishna: Corpos comuns envelhecem e morrem, Arjuna, mas Meu corpo é espiritual e jamais se deteriora. De tempos em tempos, faço Meu advento na sociedade para ajudar as pessoas boas e aniquilar as más. As pessoas boas tornam-se livres da luxúria e direcionam seu amor para Mim. Todavia, existem vários tipos de pessoas, e Eu reciproco com cada um individualmente.

Age em harmonia com Meu plano, Arjuna. Quando assim o fizeres, tudo o mais – teu trabalho, teu equipamento, teu conhecimento – tornar-se-ão parte de uma bem-aventurada oferenda, um sacrifício para o Supremo. Há vários tipos de sacrifícios, Arjuna, motivo pelo qual deves encontrar um guru verdadeiramente iluminado para que te ajudes explicando cada sacrifício.

Tanto agir sem apego quanto agir para o Meu prazer são formas de yoga. Todavia, agindo para Mim, tu automaticamente ages sem apego. Lembra-te de que sou teu melhor amigo e o proprietário de tudo, e que todas as ações se destinam a Mim. Deste modo, terás interminável paz interior. Cumprirás teu dever em perfeito yoga, ou união coMigo. Para isso, talvez aches útil executar as longas austeridades do processo místico do yoga e da meditação.

Arjuna: Fazer a mente se aquietar é como tentar controlar os ventos. O yoga místico parece muito difícil para mim.

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Arjuna apresenta argumentos e perguntas a Krishna.

Krishna: Sim, é difícil, mas não impossível.

Arjuna: E se eu começar a trilhar o caminho do yoga e falhar? Eu, então, serei um fracassado, tanto material quanto espiritualmente?

Krishna: Como pode haver perda quando se faz o que deve ser feito? No mínimo, tua próxima vida será melhor. Por outro lado, se conseguires aprender a Me amar, virás a Mim na hora da morte e deixarás para trás este mundo terrível.

Parte 2: Devoção

Krishna: Arjuna, escuta o que tenho a dizer. És uma das poucas almas que querem conhecer a verdade. Apenas tenta entender estes pontos:

Tudo emana de Mim, Arjuna, até mesmo os três tipos de materialismo, que afetam a todos, exceto a Mim, que os criei.

Sujeitos que são materialistas, arrogantes, pseudossábios ou tolos ignoram-Me. As pessoas buscam por Mim quando estão curiosas, desesperadas, tristes ou quando são sábias.

Pessoas que pensam que sou apenas uma manifestação do Brahman, o espírito sem forma, jamais Me conhecem pessoalmente. Todavia, os sábios que servem a Mim vêm a Mim após a morte.

Arjuna: Falai-me, por favor, sobre esse espírito sem forma, bem como dos deuses, da alma, do karma e de Vossa presença em meu coração. E, por favor, dizei-me como posso conhecer-Vos na hora da morte.

Krishna: O espírito sem forma, ou Brahman, é minha refulgência espiritual, e as almas espirituais – ou centelhas individuais – são da mesma natureza espiritual. Por natureza, as almas individuais são servos, mas, se decidem servir este temporário mundo material, sofrem com a lei do karma. Quanto aos deuses, Eu os criei para administrarem este mundo material. E, sim, Eu vivo em teu coração como a Superalma, Arjuna.

Para te lembrares de Mim à hora da morte, pratica lembrar-te de Mim enquanto lutas. Em outros momentos, pensa em mim como o mais velho e sempre jovem, grande e minúsculo, mas sempre como uma pessoa, radiante como o Sol. Os yogis místicos se submetem a longos, profundos e mecânicos processos de meditação para deixarem seus corpos em um momento exato. Isso os ajuda a irem ao Meu encontro no mundo espiritual – o único mundo livre da miséria dos repetidos nascimentos e mortes. Mas te é possível chegar lá simplesmente por te lembrares de Mim. De fato, por servires a Mim, obténs tudo o que por ventura ganharias através do estudo, da austeridade, da caridade, renúncia ou de qualquer outra atividade religiosa.

Diria mais. Esta instrução é o rei da educação, Arjuna. Porque não Me invejas, és qualificado para receber este conhecimento. Deves apenas ouvir com fé.

Eu crio o universo e tudo o mais dentro dele, mas Eu continuo um indivíduo, intocado por Minha criação. Tolos Me veem como um homem comum, mas as grandes almas se curvam perante Mim e Me servem com amor. Outros oferecem grandes sacrifícios aos deuses, porque têm interesse nos prazeres materiais que os deuses podem lhes dar. Mas se alguém me oferece apenas um pouco de água ou uma flor ou algum alimento vegetariano, Eu aceito.

Mesmo que erros tu cometas, Eu te aceitarei; sou equânime para com todos, mas parcial para com Meus devotos. Sê Meu devoto e Eu te prometo que virás a Mim.

Em resumo, apenas tem ciência de que Eu crio tudo. Sempre Me serve e fala sobre Mim, e assim serás feliz, pois Eu, situado dentro de teu coração, destruirei com a luz brilhante do conhecimento a escuridão nascida da ignorância.

Arjuna: Eu sinto muito prazer em ouvir-Vos, Krishna. Parece-me que apenas Vós podeis conhecer a Vós mesmo. Como eu poderia conhecer-Vos?

Krishna: Quando te deparares com o melhor de algum grupo – como o tubarão entre os peixes, ou o leão entre as feras, por exemplo – lembra-te de Mim. Lembra-te de que qualquer beleza que contemples neste mundo é apenas uma centelha de Meu verdadeiro esplendor.

Arjuna: Krishna, gentilmente desfizestes minha ilusão. Embora eu possa ver-Vos agora como sois, se achais que sou capaz de contemplar essa forma, mostrai-me Vossa forma na qual sois todo este universo e tudo o que há dentro dele.

Krishna: Sim, Arjuna, dar-te-ei agora olhos divinos para contemplar essa visão divina. Contempla-a!

Arjuna (espantado): Krishna, vejo os grandes deuses com suas armas e joias, e vejo inumeráveis planetas. Tudo é deslumbrante, com todas as cores imagináveis. A refulgente glória de tudo isto está me cegando. Mesmo os deuses se curvam com medo perante Vós. Sois mesmo a origem de tudo, Krishna! Vós testemunhais tudo com Vossos olhos, que são o Sol e a Lua.

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Krishna mostra a Arjuna a forma universal.

(com medo) Agora posso ver-Vos destruindo os corpos de todas as entidades vivas com Vossos dentes afiados e assustadores. Meus parentes, meus amigos – todos estão indo em direção a Vossos dentes! Por que estais fazendo isso?

Krishna: Eu sou o tempo, a morte de tudo. Todos estes guerreiros já estão mortos por Meu arranjo, Arjuna. Luta como Meu instrumento e tem para si a fama eterna!

Arjuna (trêmulo): Grandioso Senhor, ofereço-Vos minhas reverências de todos os modos! Toda entidade viva deveria glorificar-Vos, mas eu tolamente Vos tratei como um amigo. Por favor, perdoai-me assim como um pai perdoa um filho ou uma esposa perdoa o marido. E, por favor, permiti-me ver-Vos novamente como Krishna.

Krishna: Minha forma universal te assustou, Arjuna. Acalma-te. Contempla novamente a forma que te é querida. Arjuna, mesmo que uma pessoa execute todo tipo de atividade piedosa, ela não pode ver-Me assim, como Krishna. Apenas através do serviço devocional é possível conhecer-Me como sou.

Arjuna: Meu Senhor, devo contemplar-Vos como Krishna ou como o infinito, o espírito sem forma?

Krishna: Alguns meditam em Mim como o espírito sem limites. Esse tipo de meditação é problemática, mas eles Me alcançam por fim. No entanto, se pensares diretamente em Mim, Eu prontamente te resgatarei do oceano de nascimentos e mortes.

Se não és capaz de pensar sempre em Mim, então escuta e canta Minhas glórias através da prática de bhakti, ou serviço devocional regulado. Se não podes fazer isso, trabalha para Mim, ou ao menos trabalha em caridade, porque desapego da mentalidade egoísta traz paz – mais do que traz o mero conhecimento.

Pessoas que pensam em Mim com devoção desenvolvem grandes qualidades, como gentileza, tolerância, estabilidade emocional e determinação. Elas Me amam e Eu as amo.

Parte 3: O Conhecimento Espiritual

Arjuna: Krishna, qual a relação do corpo e da alma?

Krishna: O corpo é como um campo de atividades para a alma. Uma alma comum se interage com o corpo usando os sentidos para experimentar diferentes emoções, como a luxúria e o ódio. Todavia, com a ajuda de um mestre espiritual [guru], uma alma sábia se desapega do corpo material. Tal pessoa é humilde, equilibrada e verdadeiramente livre.

Como a Superalma, ofereço instrução para todas as almas, sejam elas sábias ou não. Toda alma pode escolher entre Mim e o materialismo. Aqueles que escolhem o materialismo sofrem repetidos nascimentos e mortes em diferentes espécies de vida. Aqueles que escolhem a Mim tomam conhecimento de todas as coisas: espirituais e materiais.

Deixa-Me falar-te mais sobre a energia material. Ela se manifesta em três variedades, ou modos: bondade, paixão e ignorância. Como o Pai que dá a semente, Eu animo a matéria inerte dando a ela as almas espirituais. Os modos, então, controlam o resto. O modo da bondade condiciona a alma à felicidade temporária, o da paixão à ambição, e o da ignorância à ilusão. Os três modos da natureza competem entre si pela supremacia, levando a alma eterna de uma condição material a outra. Apenas quando estiveres livre do controle desses modos, poderás provar o sabor da felicidade verdadeira.

Arjuna: Como alguém se situa acima dos três modos? E tendo conquistado os três modos, como a pessoa se comporta?

Krishna: Para conquistar os modos e ficar livre tanto do bom karma quanto do mau karma, simplesmente ama e serve a Mim em todas as circunstâncias. Assim, quando os oscilantes modos irem e virem, tu apenas os observarás, sem apego ou aversão. Nesse estado, serás inabalavelmente calmo e tratarás a todos com equanimidade.

Arjuna, imagina este mundo como uma grande e ancestral figueira-de-bengala, cujos galhos crescem para baixo e se transformam em raízes. É impossível dizer onde esta árvore começa ou termina.

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O mundo material comparado a uma figueira-de-bengala de ponta-cabeça.

Se quiseres escapar do enredamento desses galhos, deves cortar semelhante árvore. Poderás, então, entrar em Minha morada autorrefulgente, na qual não há necessidade de luz solar ou eletricidade. Quando chegares à Minha morada, não terás saudade dessa árvore mortal.

Eu quero que todos venham à Minha morada, daí Eu Me sentar no coração de todos como a Superalma e oferecer instruções espirituais. Eu também escrevo a literatura védica para que as pessoas possam conhecer-Me. Eu sou superior tanto aos materialistas quanto às almas iluminadas. Se conheceres a Mim, tornar-te-ás sábio, e tudo o que fizeres redundará em perfeição.

Acabo de dizer-te algo sobre as almas iluminadas: elas são honestas, puras, autocontroladas e desapegadas. Tu estás entre essas pessoas, Arjuna, mas deixa-Me falar-te um pouco sobre os materialistas, os desvirtuados ateístas. Sujeitos não divinos não sabem o que deve ser feito ou o que não deve ser feito. Eles são sujos, desonestos e exageradamente interessados em sexo. Pensando que Minha criação na verdade pertence a eles, constroem armas destrutivas e se sentem poderosos e orgulhosos. Suas ocasionais manifestações de religiosidade e caridade são destituídas de significado, pois são escravos da luxúria. Presos no materialismo pela avareza e ira, tais pessoas caem em formas inferiores de vida nascimento após nascimento.

As escrituras sagradas, que os podem salvar desse fado, não lhes interessam.

Arjuna: O que acontece com aqueles que não se baseiam nas escrituras sagradas, os Vedas, mas criam seus próprios processos de adoração?

Krishna: Uma religião imaginada é produto dos três modos. No modo da bondade, a pessoa adora os deuses; no modo da paixão, políticos e homens poderosos; e na ignorância, fantasmas que podem lhe fazer favores.

Os três modos afetam a tudo, mesmo tua comida. Sucos, gordura natural e alimentos integrais são do modo da bondade; alimentos amargos, salgados, ácidos e picantes são do modo da paixão; e alimentos putrefatos, frios ou velhos são da ignorância.

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Alimentos nos três modos da natureza material. No topo, alimentos em bondade.
No canto inferior esquerdo, alimentos em paixão. Ao lado, alimentos no modo da ignorância.

Os modos também influenciam o tipo de caridade que dás e qual tipo de disciplina estabeleces para ti mesmo. Mesmo assim, não deves abandonar os atos de caridade e penitência.

Arjuna: O que, portanto, é ser renunciado?

Krishna: Renúncia é desapego aos frutos do trabalho. Uma pessoa no modo da bondade trabalha por uma questão de dever, renunciando aos resultados. Outra, no modo da paixão, renuncia o trabalho quando ele apresenta algum obstáculo. Outra ainda, no modo da ignorância, trabalha com preguiça e de forma confusa.

Vendo outros como almas espirituais e agindo com esse conhecimento, situar-te-ás no modo da bondade. Isso requer um esforço da mente, mas a dificuldade inicial logo é retribuída com a chegada da felicidade verdadeira. Felicidade no modo da paixão parece esplêndida no começo, mas se revela dolorosa ao fim. Felicidade no modo da ignorância, como o uso de drogas, é amarga do começo ao fim.

Aqueles que agem no modo da bondade, os brahmanas, normalmente são juízes, professores ou sacerdotes. Os ksatriyas, aqueles que trabalham no modo da paixão, normalmente são administradores, policiais ou soldados. Paixão e ignorância se combinam para produzir os vaishyas, comerciantes e agricultores. Aqueles com predominância do modo da ignorância são chamados shudras, e trabalham como artesãos, operários ou subordinados.

Independente do melhor tipo de trabalho que se adéque a ti, trabalhando para o Supremo, teu trabalho é yoga e, portanto, é divino. Assim, é melhor cumprir teu dever, mesmo que imperfeitamente, do que cumprir o dever de outrem com perfeição.

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As quatro classes sociais védicas com Krishna ao centro.

Meu querido Arjuna, apresentarei agora um resumo de tudo o que ensinei até então.

Servindo a Mim, aprenderás a agir e a viver com conhecimento e de forma simples, controlando tua mente e teus sentidos e renunciando os frutos de teu trabalho. Muito em breve desfrutarás de paz e obterás internamente uma felicidade sem precedentes, e apreciarás todas as entidades vidas. Em tal estado de consciência, alcançarás Minha morada.

Pensa sempre em Mim e mantém-te devotado a Mim; livrarei teu caminho de qualquer obstáculo. Se te tornares egoísta e pensares que podes trilhar esse caminho sozinho, perder-te-ás.

És um guerreiro, Arjuna; devido à tua natureza, por conseguinte, terás invariavelmente que lutar por algo. Luta para Mim e retornarás para Minha morada.

Acabo de dizer-te os segredos da perfeição. Pensa em tudo o que te falei e faz aquilo que for de teu desejo.

Como és muitíssimo querido a Mim, concluo aqui:

Pensa sempre em Mim, torna-te Meu devoto, adora-Me e oferece-Me tuas homenagens; deste modo, retornarás a Mim. Abandona todas as tuas demais ocupações, Arjuna, e te submete a Mim. Não temas: livrar-te-ei dos resultados de qualquer erro do passado.

Por favor, repete estas Minhas palavras, mas apenas a pessoas piedosas. Isso garantirá plenamente que voltarás a Mim, pois ninguém pode ser-Me mais querido do que aquele que distribui esta mensagem. E todo aquele que ouve esta mensagem com fé, sem nenhum sentimento de inveja, alcança o mundo dos piedosos.

Arjuna, entendeste o que Eu disse à tua pessoa?

Arjuna (confiante): Infalível Krishna, destruístes minhas ilusões e dúvidas. Por Vossa misericórdia, pude lembrar-me de quem sou. Agora, seguindo Vossas instruções, estou pronto para lutar.

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