Por que É Necessária, Afinal, a Adoração à Deidade?

-@ 09 I (entrevista - adoração à Deidade) Por que É Necessária, Afinal, a Adoração à Deidade (2371) (bg) (pm) (ta) (sankirtana)Chaitanya-charana Dasa

A maioria das pessoas equivoca-se pensando que a adoração à Deidade é mera adoração de pedras mortas com formas imaginárias. Compreendamos a verdadeira ciência por trás disso.

O que segue é um excerto do livro Idol Worship or Ideal Worship, de Chaitanya-charana Dasa, que se constitui de uma conversa sobre os aspectos lógicos, filosóficos, escriturais e sociológicos de adoração à Deidade entre duas personalidades não históricas, o professor Sanatana Swami (SS) e o buscador Rahul Vaidya (RV).

Sanatana Swami: A adoração à Deidade é um método poderoso e prático para ganhar experiência sensorial do Divino.

Rahul Vaidya: A experiência sensorial do Divino? O que isso significa?

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Sri Sri Radha-Gokulananda, do Bhaktivedanta Manor, Watford, Reino Unido.

Sanatana Swami: Geralmente, nossos sentidos nos arrastam para longe do Divino, e, entre os mais poderosos de todos os sentidos, estão os olhos, que anseiam por formas sedutoras. Para a maioria das pessoas, resistir a essa atração sensorial é extremamente difícil, ou mesmo impossível. Contudo, resistir ao impulso na direção do que é material é essencial se queremos nos aproximar mais de Deus, que reside no plano não-material, ou espiritual. Eis porque refrear os sentidos indisciplinados é uma imposição comum a todas as religiões. A adoração à Deidade nos oferece um método extraordinariamente potente e fácil para ajudar-nos a seguir essa ordem universal. A adoração à Deidade fornece um canal espiritual para os sentidos. Sem a Deidade para adorar, o apetite que os olhos têm por beleza morreria de fome. Na adoração à Deidade, entretanto, o apetite pode ser satisfeito por deixar a visão banquetear-se com a bela forma da Deidade. Além disso, os devotos podem expressar seu amor por Deus oferecendo-Lhe o melhor que estiver ao seu alcance: vestidos lindos e decorações magníficas. O Senhor não necessita de tais coisas; nós é que nos beneficiamos ao oferecer-Lhe roupas e ornamentos, porque tais ofertas devocionais reduzem a nossa própria paixão pelas coisas como objetos para o nosso próprio prazer. A beleza do Senhor não é dependente do que nós oferecemos a Ele – o Senhor é o ornamento de todos os ornamentos –, mas os nossos olhos apreciam Sua beleza ainda mais quando Ele está vestido e decorado artisticamente.

Srila Bhaktivinoda Thakura explica a necessidade da adoração à Deidade: “Quando pessoas espiritualmente neófitas de alguma forma tornam-se inspiradas a se aproximar do Senhor Supremo, se não encontrarem uma forma de Deidade dEle, podem se sentir desapontadas e desconsoladas. As religiões que não têm disposição para a adoração à Deidade enfrentam o perigo de que as crianças nascidas na religião e aqueles que estão começando a vida espiritual – ambos os quais podem ter pouco ou nenhum entendimento ou profunda fé em Deus – podem tornar-se abertamente materialistas e até mesmo desenvolver aversão ao Supremo Senhor, como resultado da ausência de uma forma de Deidade para sobre a qual fixarem a mente. Portanto, a adoração à Deidade é o fundamento da religião para a humanidade em geral”.

Rahul Vaidya: Por que a falta de adoração à Deidade produziria aversão a Deus?

Sanatana Swami: Aproximar-se de Deus requer desistir de nossos desejos sensuais egoístas. Abandonar esses desejos é doloroso, pelo menos inicialmente, porque nós sentimos que estamos sendo privados de nosso legítimo prazer. Sem métodos de práticas espirituais, como a adoração à Deidade, a felicidade espiritual permanece, em grande parte, um conceito abstrato e não vivenciado. Então, às vezes, as pessoas tendem a pensar que Deus existe simplesmente para torturá-las, exigindo que neguem seus sentidos, em decorrência do que se aversionam a Ele.

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Krishna-Baralama, do templo de Vrajabhumi, Teresópolis, RJ.

E, de fato, vemos essa aversão evidente na ascensão do ateísmo militante no Ocidente, onde os autoproclamados ateístas imaginam que a religião é “a fonte de todo o mal” e proclamam slogans pervertidos como: “Para a humanidade viver, a religião deve morrer”. Semelhantes ateus querem erradicar Deus do panorama religioso cultural e intelectual da humanidade.

Matinê de Ídolos – Culto a Estrelas Cadentes

Outro efeito de rejeitar a adoração à Deidade previsto por Bhaktivinoda Thakura é o aumento da manifestação do materialismo. Isso é algo que podemos ver em todo o mundo, e é muito mais amplo do que o fundamentalismo ateísta. As pessoas têm sido levadas a rejeitar a Deidade tendo-a como material, mas, porque elas são naturalmente atraídas por formas, acabam idolatrando formas materiais como se fossem especiais. A grande paixão que as pessoas têm por grandes estrelas do cinema, da música e artistas em geral beira o ridículo. Os corpos dessas estrelas são tão materiais como o nosso; seus corpos expelem sujeiras, enrugam com a idade, acabam deformados em poucos anos e, então, morrem. Ainda assim, as pessoas adoram os corpos de artistas como se eles fossem sagrados; fãs veneram pedaços de roupas de seus atores favoritos, enchem suas casas com fotos de seus ídolos do esporte, e constantemente pensam e sonham em conhecê-los.

Para o olho espiritualmente astuto, isso nada mais é que uma versão pervertida da adoração à Deidade. Em vez de adorar o Deus verdadeiro, que tem uma forma eternamente jovem e atraente, e experimentar a benção eterna, as pessoas estão adorando falsos deuses, artistas fisicamente atraentes e atletas destacados que podem oferecer apenas excitação sensorial temporária e, muitas vezes, nem isso. Essa forma de idolatria é tão desenfreada na nossa cultura que ela foi reconhecida no dicionário: a palavra ídolo agora é definida como uma “uma efígie material que é adorada” e “alguém que é adorado cega e excessivamente”.

As pessoas também perdem a inteligência se apaixonando por formas que elas imaginam que darão gratificação sexual. Assim, ainda mais difundida do que a adoração a estrelas de cinema, novela e outras artes é a “idolatria” dos corpos do sexo oposto ou do mesmo sexo. O corolário dessa paixão é a obsessão com o próprio corpo – com o vestir e o decorar e o perfumar e o embelezar. As pessoas vivem e morrem com a esperança de tornar seus corpos sexualmente atraentes o suficiente para que possam competir no mercado sexual. Se essas pessoas tivessem a chance de voltar os seus desejos à Deidade, livrar-se-iam de sua paixão doentia por formas temporárias.

Rahul Vaidya: Eu nunca pensei que a falta de adoração à Deidade em nossa cultura teria ramificações sérias e amplas.

Sanatana Swami (com gravidade): As ramificações vão ainda mais longe.
Ironicamente, o aumento do hedonismo – podemos chamá-lo de “fundamentalismo materialista” – é acompanhado por um aumento do fundamentalismo religioso, porque se alimentam mutuamente. As religiões fundamentalistas se sentem alarmadas pela rápida propagação do materialismo desenfreado, que compromete seus valores tradicionais, em razão do que reagem impondo doutrinas religiosas, incluindo, infelizmente, todo o rigor das doutrinas contra a adoração à Deidade. Esses fundamentalistas exigem que todos estejam em conformidade com a sua marca particular de rituais e julgam e ameaçam todos aqueles que não o fazem – “inimigos”, “hereges”, “agentes de Satanás” –, os quais são dignos de nada além de serem aterrorizados e mortos.

Deus através da Matéria

Sanatana Swami prossegue: Vistos de uma perspectiva espiritual, tanto o fundamentalismo material quanto o fundamentalismo religioso são causados da mesma maneira: decorrem da incapacidade de experimentar a felicidade espiritual. Fundamentalistas materialistas respondem a essa incapacidade dizendo que toda religião é uma farsa e que não há nada além da matéria. Confrontados por esse ataque materialista, os fundamentalistas religiosos querem desesperadamente preservar sua fé em um mundo além do material. Todavia, como eles rejeitaram a matéria como profana e como eles não são espiritualmente avançados o suficiente para experimentar de imediato a felicidade imaterial, eles tentam satisfazer seu desejo por prazer substituindo a realização espiritual por conquistas políticas ou poder de intermediação de uma forma ou de outra. Sua religião, então, degenera-se da busca da verdade espiritual para a busca pelo poder.

Para salvar o mundo de ser devorado por esses dois dragões do fundamentalismo, precisamos oferecer às pessoas experiências divinas tangíveis de Deus, incluindo experiências diretas da beleza e da alegria de servi-lO. A adoração à Deidade é uma das melhores maneiras de fornecer tais experiências, pois oferece um canal através do qual os nossos sentidos materiais podem fluir em direção à fonte da felicidade espiritual. Reverentemente contemplando a beleza das Deidades com nossos olhos, participando do arati, cantando em oração e dançando graciosamente, curvando-nos respeitosamente e oferecendo orações fervorosas, circum-ambulando a Deidade, tocando o sino do templo, cheirando as flores oferecidas à Deidade, bebendo a sagrada água que banhou a Deidade, recebendo uma pitada da água oferecida à Deidades – todas essas formas práticas de culto à Deidade oferecem experiências espirituais e podem ser acessadas através dos sentidos materiais.

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Maha Gaura-Nitai, do templo de Campina Grande, PB.

A adoração à Deidade não é meramente um ritual isolado; é o fundamento e o arauto de um estilo de vida espiritual centrado em Deus. Para o devoto que adota a adoração à Deidade, o templo onde a mesma reside torna-se o coração de sua comunidade, e o altar doméstico, onde ele adora uma Deidade menor, torna-se o coração de sua casa. Como o melhor elemento da comunidade como um todo, o edifício mais belo ou majestoso deve ser reservado para o templo da Deidade, e, de igual modo, a melhor parte da casa deve ser reservada para o altar do Senhor. Desta forma, a Deidade se torna o mestre tanto da comunidade quanto do lar – não apenas no sentido figurado, mas literal. Com a Deidade presente no coração da casa, o devoto pode mais facilmente desenvolver a consciência de que é servo do Senhor e de todos os seres vivos. Os devotos podem amorosamente cozinhar e oferecer alimentos à Deidade e, em seguida, honrar a misericórdia da Deidade na forma de prasada, isto é, o alimento após a consagração. Ao comer alimentos assim santificados, a vida da pessoa se espiritualiza.

O fundamentalismo materialista “adora” a matéria como a única realidade e fonte de prazer, e o fundamentalismo religioso afirma que a matéria é a fonte da ilusão, devendo ser totalmente abandonada por parte de alguém que acaso queira progredir espiritualmente. A cultura védica, através da adoração à Deidade, utiliza a matéria, com cautela e habilmente, para nos oferecer lampejos de felicidade espiritual. Assim, a adoração à Deidade compreende um caminho espiritual sólido que é um intermediário equilibrado entre os dois extremos do fundamentalismo materialista e do fundamentalismo religioso. Portanto, a adoração à Deidade é uma das maiores necessidades do mundo de hoje.

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Devota indiana prepara guirlandas de cravos para as Deidades.

Rahul Vaidya (impressionado): Uau! Essa foi uma análise criteriosa da causa dos atuais problemas do mundo. O senhor realmente acredita que a adoração à Deidade pode fazer uma diferença tão grande?

Sanatana Swami (enfaticamente): Sim. Na verdade, ela já está fazendo uma diferença significativa.

Rahul Vaidya (intrigado): Como assim?

A Adoração à Deidade É Global

Sanatana Swami: A própria resiliência e renascimento da adoração à Deidade na Índia é um forte testemunho de sua potência viva. Apesar de quase mil anos de ataques físicos e intelectuais por fanáticos semitas, a adoração à Deidade continua forte e está crescendo cada vez mais forte. Hoje, milhões de pessoas diariamente afluem aos milhares de templos que pontilham a paisagem indiana. Ainda hoje, festivais centrados na adoração à Deidade, como o Ratha-yatra, atraem centenas de milhares de pessoas. Na verdade, nos 60 anos desde que a Índia alcançou a liberdade política dos governantes semitas, os indianos construíram mais templos do que nos 500 anos anteriores a esse evento. E esses templos foram construídos não apenas na Índia pelos indianos, mas também fora da Índia por não-indianos.

Essa disseminação global da adoração à Deidade é o prenúncio de uma nova era de maior consciência espiritual. Srila Prabhupada, o acharya-fundador da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna, é o pioneiro desta nova era. Na idade avançada de sessenta e nove anos, ele viajou sozinho para os Estados Unidos e, dentro de 11 anos, propiciou que milhares de pessoas saboreassem a felicidade espiritual e se transformassem em servos abnegados de Deus e de Seus filhos. Ele também inspirou a construção de 108 templos em todo o mundo e estabeleceu a magnífica adoração à Deidade nesses templos. Seus seguidores criaram várias centenas de outros templos e expandiram o seu legado de adoração à Deidade.

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Jagannatha, Baladeva e Subhadra, do templo de Salvador, Bahia.

Por que os indianos (e agora não-indianos) continuam a adorar a Deidade? Será que é porque estão sendo forçados? Não, nenhum deles. Ao contrário das tradições semitas, a tradição védica, como existe hoje na Índia e fora dela, não tem qualquer autoridade oficial para obrigar seus adeptos a algum tipo de adoração à Deidade ou puni-los caso não o façam. Os adeptos da cultura védica continuam a adorar a Deidade porque experimentam Deus e Seu amor através dessa atividade.

Rahul Vaidya (reflexivo): Isso é verdade. A adoração à Deidade é como um ímã que atrai espontaneamente muitos indianos.

Sanatana Swami: Sim, a adoração à Deidade está no coração da cultura espiritual da Índia. De fato, a cultura espiritual da Índia é a mais profundamente enraizada dentre todas as culturas espirituais do mundo. É por isso que a Índia continua a atrair sérios buscadores espirituais de todo o mundo, que superam doenças, falta de conforto e barreiras culturais para procurar os tesouros espirituais aqui na Índia. E o que é que faz com que a cultura espiritual indiana seja tão atraente? Muitos fatores podem ser listados, mas não há dúvidas de que a adoração à Deidade figura entre os principais fatores na lista. Na verdade, não só os indianos, mas as pessoas de todo o mundo, estão adorando a Deidade. A maioria dos não-indianos que vêm como buscadores espirituais para a Índia são de culturas semitas. Devido a seu passado de aversão semita à idolatria, a maioria deles é inicialmente cética ou mesmo avessa à adoração à Deidade. Todavia, os mais ousados entre eles têm a mente aberta o suficiente para pelo menos dar o benefício da dúvida aos adoradores de Deidade: se as Deidades são adoradas por tantos milhões de pessoas, e, entre esses milhões, figuram muitas pessoas educadas, inteligentes, compassivas e santas, certamente a adoração à Deidade não pode ser mera “idolatria de paus e pedras”, como o dogma semita retrata. Quando esses buscadores de mente aberta questionam mestres espirituais competentes e, destarte, conhecem a filosofia profunda e as práticas meticulosas que estão por trás da adoração à Deidade, eles entendem que a adoração à Deidade é tão diferente da idolatria como a luz é das trevas.

Tradução de Anosha Prema. Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens.

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2 Respostas

  1. sergio

    Curto e Grosso! Porém, o grande problema dos ocidentais é que eles se aferram ao mandamento de Êxodo 20:3-6, e Deuteronômio 4:15-19. Aí fica difícil!!!

    9 de março de 2015 às 6:44 PM

  2. Anônimo

    Hare Krishna!

    Texto maravilhoso. Esclarece muito bem sobre a diferença entre a idolatria e a adoração à Deidade.

    Eu mesma tinha muitas dúvidas sobre as formas de adoração, e agora estou com desejo maior de um dia ter uma Deidade para cuidar e adorar.

    Estou no caminho. Quem sabe, ainda nesta vida, eu chego lá!

    Haribole!

    Sueli Lelis

    11 de março de 2015 às 10:29 AM

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