Civilização e Amor a Deus

(06) (artigo - ateísmo) Civilização e Amor a Deus (2600) (rev)1

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

A nossa civilização ruma para uma sociedade dos mais baixos da humanidade. E nós estamos tentando nos anunciar como alguém que está avançando”.

A literatura védica fornece informação sobre o relacionamento eterno da entidade viva com Krishna, que se chama sambandha. O entendimento da entidade viva desse relacionamento e sua conduta condizente se chama abhidheya. Retornar ao lar, voltar ao Supremo, é a meta última da vida e se chama prayojana. O serviço devocional, ou a atividade sensorial para a satisfação do Senhor, chama-se abhidheya porque pode desenvolver o amor original do indivíduo por Deus, que é a meta da vida. Essa meta é o principal interesse da entidade viva e seu maior tesouro. Deste modo, alcança-se a plataforma do transcendental serviço amoroso ao Senhor”. (Chaitanya-charitamrita, Madhya-lila 20.124-125)

Agora, por que os Vedas, ou as escrituras, são criados? Não são criados na prática, mas estão descendo pelo processo tradicional, pela audição. Assim como aceitamos o nosso pai pela audição. A criança nasce e, quando a criança ouve com seus ouvidos irmãos e irmãs chamando um cavalheiro de “pai”, ela também começa a falar: “Pai”. Como a criança aprende a chamar o pai de pai? Não há questão de estudo. Isso acontece através do ouvir. Outros estão chamando “pai”, então ela também chama: “Pai”. Não há evidência ou estudo. De modo semelhante, o conhecimento védico estava vindo pela audição. Não havia necessidade de livros. Porém, quando esta era, Kali-yuga, começou, cinco mil anos trás, eles foram registrados. Primeiro havia apenas um Veda, o Atharva Veda. Então, Vyasadeva, apenas para deixar claro, dividiu em quatro e encarregou seus vários discípulos de se responsabilizarem, cada um, por uma escola do Veda. Ele, em seguida, fez o Mahabharata e os Puranas, simplesmente para tornar o conhecimento védico compreensível para o homem comum de diferentes maneiras, apesar de o princípio ser o mesmo.

Assim, o Senhor Chaitanya diz que o propósito do Veda é sambandha. Veda-sastra kahe—‘sambandha’. Qual é a nossa relação com Deus? A nossa relação é que nascemos de Deus. Como o Vedanta-sutra diz, janmady asya yatah: “Tudo nasce a partir da energia de Deus”. Então, também nascemos, daí chamarmos Deus de “pai”. Isso é aceito em toda religião, sem discussão. Agora, qual é a relação entre o pai e o filho? A relação é apenas extorquir do pai? O filho não tem dever? Vive simplesmente para pegar do pai? Não. Há deveres. Se um filho é sensível e crescido, ele sabe: “Tenho o meu dever: amar meu pai”. Amar o pai é algo muito simples. “Meu pai fez tanto por mim! Receberei a herança no futuro, e agora estou desfrutando da renda do meu pai. Então, não é meu dever mostrar respeito para com meu pai?”

Então, aqueles que são contra o princípio de Deus, aqueles que não são inclinados a Deus, são as criaturas mais baixas. Na mam duskritino mudhah prapadyante naradhamah: “Qualquer um que não reconheça Deus é a mais baixa das criaturas mais baixas”. (Bg. 7.15) Estes termos foram usados: mudha, asno; duskritina, canalha, e naradhamah, o mais baixo da humanidade. A humanidade se destina ao reconhecimento. Na vida animal, não é possível reconhecer que há Deus e que tudo está vindo de Deus. Os animais não podem ler os Vedas, ou as escrituras – Eles não podem receber nenhuma instrução. Então, estes Vedas, estas escrituras, estão disponíveis para os seres humanos, e se um ser humano não aceita a autoridade da escritura, não aceita a existência de Deus, esse assim chamado ser humano, embora tenha duas mãos e duas pernas, é um animal. O Bhagavad-gita, portanto, descreve-os muito bem: naradhamah, “os mais baixos da humanidade”.

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É comum pessoas não se oporem ao consumo de bebidas alcoólicas entre jovens, mas protestar quando adotam uma processo de autorrealização.

Assim, a nossa civilização ruma para uma sociedade dos mais baixos da humanidade. E nós estamos tentando nos anunciar como alguém que está avançando. Ontem, um rapaz veio me dizer: “Quem é Deus? Eu sou Deus”. Ele estava falando assim, embora parecesse ser um estudante instruído. A partir de sua aparência, parece que ele é instruído. Então, esta educação está em andamento: tornar os homens os mais baixos da humanidade. O propósito real da educação é tornar o homem o mais elevado da humanidade, mas a educação moderna está ensinando como ser o mais baixo da humanidade. E se alguns dos estudantes são ensinados a se tornarem os mais elevados da humanidade, seus responsáveis se perturbam: “Oh! Meu filho será o mais elevado da humanidade? Swamiji, o senhor está fazendo algo perigoso”. O Swamiji está falando: “Não, não fumem. Não bebam chá. Não tenham conexão ilícita com mulheres. Sejam honrados. Sejam devotos”. “Oh! O Swamiji é perigoso”. E se alguém ensina: “Meus queridos rapazes, usem LSD, vão para o inferno e se tornem loucos. Vão para o hospício”, dirão: “Oh, isso é bom”. O que pode ser feito? Essa é a situação.

Então, estamos situados em uma sociedade dos mais baixos da humanidade. Sempre se lembrem disso. Mesmo na Índia, onde tanta cultura se fez para compreender Deus, o atual governo tolo também está ensinando isso. Vejam. Não pensem que estou criticando particularmente algum país ou comunidade. Esta é a era de Kali. Kali significa “repleta de hipocrisia”. Então, temos que ser muito cuidadosos, pois a energia ilusória é muito forte. A qualquer momento, uma pequena negligência pode trazer grande consequências.

O Senhor Caitanya diz que sambandha significa que temos que restabelecer o nosso relacionamento com Krishna, ou Deus. Isso é civilização. A relação já existe, mas eu, de uma maneira ou outra, esqueci-me disso. Portanto, estas escrituras – os Vedas, o Srimad-Bhagavatam, o Bhagavad-gita – estão me lembrando. Elas são criadas para me lembrar disto: “Seu relacionamento com Krishna é eterno. Por que você se esqueceu disso? Você, por causa disso, está sofrendo”. Porque aceitamos uma posição contrária nos esquecendo do Supremo, somos colocados em ansiedade. Precisamente esta palavra é utilizada: viparyaya, que significa “de ponta-cabeça”, ou “contrária”. “Sua memória ficou de ponta-cabeça. Portanto, você está sofrendo”. Mas a civilização ateísta não concordará com isso. “Não! Ajustaremos! Faremos leis! Faremos agitação! Formaremos um partido e prosseguiremos desafiando Deus, e seremos felizes dessa maneira!”

De qualquer maneira, estejam certos de que aquele que se refugia em Krishna não será colocado em perigo.Krishna’—sambandha, ‘bhakti’—praptyera sadhana. Então, tenho de reviver meu relacionamento. O relacionamento já existe; eu simplesmente me esqueci dele. Então, tenho que o reviver, ou me lembrar dele, deste modo: “Ah! Sou tal e tal”. Tenho que me tornar uma grande alma rendendo-me a Deus. O processo de rendição é bhakti, serviço devocional. Meu relacionamento é eterno com o Supremo. Esse relacionamento é que Ele é o pai original de tudo, e somos todos filhos. Então, temos que deixar de ser desobedientes. Obediência é a primeira lei da disciplina. Desta forma, tão logo as pessoas deste mundo assim chamado avançado tornarem-se obedientes a Deus, haverá disciplina e haverá paz. Não há disciplina no momento, senão que não estão de acordo quanto a seguirem regras e regulações. Todos são Deus. Todos são cachorros. Todos podem fazer qualquer coisa – tudo o que queiram. Assim, não há disciplina. Então vem bhakti, o serviço devocional, que significa nos submetermos a um sistema disciplinar de vida de modo que automaticamente revivamos a nossa relação perdida com o Senhor, Deus, e nos tornemos felizes. Isso se chama bhakti. E por quê? Qual é a utilidade? Suponham que não revivamos a nossa relação. Vocês, então, ficarão perturbados. Vocês estão buscando por paz e prosperidade.

Abhidheya-nama ‘bhakti’, ‘prema’—prayojana. Então, qual é a base da paz? A base da paz é o amor. Você acha que, sem amar alguém, você ficará em paz? Não. Como isso é possível? Portanto, se você ama Deus, você pode amar todos, e se você não ama Deus, você não pode amar ninguém – porque Ele é o centro. Na Índia, há um sistema familiar conjunto. Quando uma moça se casa, ela vai para a casa do sogro, e os pais ocupam as moças e os rapazes. A moça pertencia a uma família diferente, mas, quando se casa, ela vai para a família, e, porque o esposo e a esposa têm vínculo, imediatamente o irmão do esposo passa a ter vínculo, a mãe do esposo passa a ter vínculo, o pai do esposo passa a ter vínculo etc – todos imediatamente passam a ter vínculo. O ponto central é o esposo. Antes disso, antes de qualquer conexão com esse ponto central, o pai e o irmão do rapaz não tinham nenhuma relação com aquela moça. Percebem? Então, o ponto central tem que estar presente. Assim, se você pode amar Deus, você pode amar tudo em relação a Deus, você pode amar todo homem, você pode amar seu país, você pode amar sua sociedade, você pode amar seu amigo.

Existem vinte e seis qualificações. À medida que avançamos no serviço devocional, todas essas boas qualidades automaticamente se desenvolverão. Não há necessidade de legislação. Não há necessidade de nada, mas todas essas qualidades se desenvolverão. Do contrário, qual é o sentido da consciência de Krishna? Trata-se de um sentimento ou fanatismo? Não. Trata-se de uma ciência. Se você segue sistematicamente as regras e regulações, todas essas qualidades se desenvolverão. Vocês verão na prática. E tão logo essas qualidades estão presentes, você de fato se torna amante de seu país, você se torna amante de seu colega, você se torna amigo de Deus – tudo.

Os ateístas estão pensando de uma maneira diferente: “Por que devo amar apenas Deus? Por que devo amar Deus? Amarei minha família. Amarei meu país. Amarei minha…”. Não, você não pode amar assim. Isso não é possível porque você está desconsiderando o ponto central. Esses são os fatos. Harav abhaktasya kuto mahad-guna mano-rathena asato dhavato bahih (SB 5.18.12). Aquele que não ama Deus, não pode ter nenhuma boa qualificação. Por quê? Porque ele simplesmente especulará no plano mental e cairá sob o encanto desta energia material. Ele não tem base.

Se todo e cada homem se tornar consciente de Krishna, haverá paz. É claro que não se espera que todo e cada homem desenvolverá essa consciência, mas, caso pelo menos dez por cento da população se torne consciente de Krishna, há garantia de paz no mundo, porque não precisamos de muitas luas no céu. Chanakya Pandita diz: “É melhor ter um filho qualificado do que ter centenas de tolos”. Então, a civilização moderna está prosseguindo da maneira ateísta que descrevi. Se alguma porcentagem dos seres humanos civilizados se tornar consciente de Krishna, isso trará paz. Do contrário, isso não é possível. Trata-se, portanto, de uma necessidade.

O Senhor Caitanya diz: abhidheya ‘bhakti’, ‘prema’—prayojana. Prayojana significa que é necessidade. A pregação do Senhor Caitanya Mahaprabhu era baseada neste princípio: prema pumartho mahan. Qual é o objetivo da vida humana? Ele disse: “O objetivo da vida humana é obter amor por Deus”. Isso é tudo. Isso torna a pessoa perfeita, e nada mais. Sua missão foi descrita por um dos acharyas, Visvanatha Cakravarti. Ele estudou e disse que a missão do Senhor Caitanya é aradhyo bhagavan vrajesha-tanaya: “Krishna, a Suprema Personalidade de Deus, é aradhya, adorável”. Ele é a única personalidade adorável. Esta é a missão de Caitanya Mahaprabhu, prema pumartho mahan. O Senhor Caitanya diz que devemos compreender o nosso relacionamento com Deus. Devemos agir em devoção. Nós, então, teremos a perfeição mais elevada da vida, o amor a Deus, e a nossa missão da vida humana será cumprida.

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