Grandiosos Demais para o Senhor Chaitanya: Uma Análise da Seita Desviante Ativadi

18 I (artigo - Desvios Filosóficos) Grandiosos Demais para o Senhor Chaitanya, Uma Análise da Seita Desviante Ativadi (846)3 (ta)Suhotra Swami

Nem todos sabem reconhecer quando um discurso é irônico.

Srila Bhaktivinoda Thakura identificou treze escolas desviantes dos ensinamentos do Senhor Chaitanya. São elas conhecidas como aula, baula, kartabhaja, neda, daravesa, sani, sahajiya, sakhibheki, smarta, jata-gosani, ativadi, cudadhari e gauranga-nagari. Porque essas escolas desviantes, ou apasampradayas, não cultivam as qualidades vaishnavas, suas atividades missionárias são condenadas como “enganadoras”. Neste artigo, analisaremos os ativadis.

No começo da década de 1870, Srila Bhaktivinoda Thakura, como um magistrado eleito da cidade sagrada de Jagannatha Puri, deteve, julgou e prendeu uma encarnação autoproclamada de Maha-Vishnu de nome Bisa Kisen. Bisa Kisen, através de seu poder místico, costumava reclinar-se sobre uma fogueira e, então, erguer sua cabeça e fazer fogo sair de seus cabelos. Ele tinha dois companheiros que se apresentavam como Brahma e Shiva.

Muitos hindus ricos e influentes da Orissa foram influenciados por Bisa Kisen. Enviavam-lhe dinheiro para construir um templo e forneciam-lhe mulheres para sua “rasa-lila”. Bisa Kisen pertencia à apasampradaya ativadi.

Em uma carta datada de 18 de agosto de 1871, endereçada ao editor de Progress, em um jornal em Cuttack, Orissa, Srila Bhaktivinoda Thakura descreveu a origem, a filosofia e as práticas da seita ativadi. Os ativadis alegam serem vaishnavas, mas seus princípios se opõem fortemente aos princípios do vaishnavismo. O que segue é uma sinopse dos pontos mais pertinentes da carta de Bhaktivinoda, junto de outros detalhes obtidos a partir do Apasampradaya-svarupa, um livreto bengali de autoria de Bhakti-vilasa Bharati Maharaja.

A apasampradaya ativadi foi iniciada por um homem chamado Jagannatha Dasa quando Sri Chaitanya Mahaprabhu esteve em Puri já como sannyasi. Jagannatha Dasa pretendia ser discípulo de Srila Haridasa Thakura, um dos associados mais próximos do Senhor Chaitanya. Mais tarde, no entanto, findou sua conexão com Haridasa e começou a pregar suas próprias ideias. Por exemplo, mandava seus seguidores cobrirem a boca enquanto cantavam o maha-mantra, e também lhes disse que cantassem primeiro a segunda metade, começando com “Hare Rama”.

Certa vez, Jagannatha Dasa aproximou-se arrogantemente do Senhor Chaitanya, ignorando Svarupa Damodara Gosvami, que fazia a triagem dos visitantes a fim de que não perturbassem o Senhor desnecessariamente. Jagannatha Dasa queria recitar sua tradução oriá do Srimad-Bhagavatam, que incluía cinco capítulos inventados por ele. Também queria explicar sua maneira independente de cantar Hare Krishna.

Para evitá-lo, o Senhor Chaitanya disse: “Uma alma caída como Eu não é digna de ouvir o Bhagavatam composto por um escritor como tu”.

Jagannatha Dasa, então, declarou que o Senhor Chaitanya era Krishna, e que ele próprio era Radharani.

O Senhor respondeu: “Tu te tornaste alguém excessivamente grandioso [ativadi]. Uma alma insignificante e caída como Eu nada tem a ver contigo”.

Jagannatha Dasa e seus seguidores aceitaram as palavras do Senhor como louvor em vez do que de fato eram: condenação. Assim, essa apasampradaya se vê como mais versada nas escrituras do que o Senhor Chaitanya Mahaprabhu e Seus associados, e, de igual modo, mais versada em raciocínio e lógica.

Jagannatha Dasa cantava com uma voz muito doce, com a qual atraía mulheres para massagearem seu corpo. Quando foi levado à corte do rei Prataparudra sob a acusação de comportamento indecente, disse ao rei: “Não vejo nenhuma diferença entre homens e mulheres”. Por uma conduta imprópria a um sadhu vaishnava, ou pessoa santa, o rei foi preso.

Jagannatha Dasa e seus seguidores viveram em um asrama doado pelo rei. Contudo, quando Jagannatha Dasa rejeitou Haridasa Thakura e iniciou seu próprio movimento, a propriedade foi tomada. Ele, então, fundou seu próprio asrama na beira do mar. Chama-se Satlahari Matha e pode ser visto ainda hoje.

Os sacerdotes ativadis se vestem algumas vezes de mulher, em certas ocasiões religiosas, e são conhecidos por se misturarem livremente com mulheres. Os ativadis são influentes na Orissa porque a tradução do Srimad-Bhagavatam feita por Jagannatha Dasa é amplamente lida, especialmente por pessoas simples e sem senso de discriminação.

Os ativadis parecem muito devotados ao Senhor Jagannatha, a famosa forma de Krishna adorada no templo de Puri. Eles alegam orgulhosamente que o Senhor Jagannatha revela-lhes verdades e profecias. Assim, todo ativadi respeitado pode recitar o que ele dirá que é sua malika, ou série de revelações dadas pelo Senhor. Uma predição comum é o ano em que o mundo acabará.

Entretanto, apesar da devoção que os ativadis professam pelo Senhor Jagannatha, as escrituras que receberam de seu fundador promovem muitas ideias impersonalistas. Embora os ativadis adorem a forma do Senhor no templo, acreditam que, quando morram, compreenderão que Ele é amorfo, e adorador e adorado se fundirão em unidade.

Ativadis são místicos que praticam yoga e, algumas vezes, fazem magias para curar doenças e, ao mesmo tempo, colocar as pessoas sob seu controle. Eles têm uma irmandade secreta, Bhaktivinoda Thakura diz, como os franco-maçons no Ocidente, e usam maconha e ópio. Bhaktivinoda Thakura calculou que havia quinze mil deles na Orissa durante sua estada ali. Notou que eles frequentemente se dedicavam a conspirações contra o governo.

Bisa Kisen foi apenas um de muitos autoproclamados avataras oriundos dessa apasampradaya. O Senhor Chaitanya ensinou, avatara nahi kahe ami avatara: “A verdadeira encarnação do Senhor jamais Se diz uma encarnação do Senhor”.

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