Meditando – Enquanto Toma Conta das Crianças?

10 I (crônica - mantra) Meditando – Enquanto Toma Conta das Crianças (dia 10, dia das crianças) (pm) (bg) (821)Urmila Devi Dasi

Por anos, perguntei-me se cuidar de crianças durante a maior parte de meu canto de mantras seria um grande impedimento para o meu progresso espiritual. Finalmente, compreendo: se servimos os devotos do Senhor Krishna, Krishna fica mais satisfeito do que quando simplesmente O servimos diretamente.

São 5 horas e 20 da manhã. Por vinte minutos, estive cantando o maha-mantra em minhas contas: Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare. Um grupo de crianças com idade entre cinco e doze anos também cantou comigo, sentadas em um círculo. Agora já não é mais possível que continuem meditando, e restam cinquenta minutos para minha meditação mântrica pessoal.

Eu me curvo e destranco um armário de madeira com minha mão esquerda.

“Hare Krishna, Hare Krishna…”.

Por favor, Senhor, permite-me vivenciar que estás plenamente presente em Teu santo nome. Permite-me ouvir Teu nome sem que minha mente vague nem mesmo por um minuto.

“…Rama Rama, Hare Hare”.

Jahnu, meu neto, vê o armário aberto e corre sem flexionar os joelhos à sua maneira engraçada e desajeitada. Do armário, Arjuna e Nimai pegam os desenhos de Krishna que estavam colorindo.

“…Krishna Krishna, Hare Hare…”.

Senhor, permite-me ser Tua serva.

Balarama vai até o armário para pegar o desenho do Senhor Vishnu que também já vinha colorindo (por enquanto, de uma só cor) falando intensamente com Cintamani em sua confusão de inglês e espanhol. Fecho meus olhos.

“…Hare Hare…”.

Jahnu sentou-se de frente para as canetinhas com seu desenho de demônios insultando o santo Prahlada. Abro meus olhos. Para cada canetinha que ele abre, tenho que me certificar de que ele tampe bem a que não está usando e a guarde. Isso faço pegando suas mãozinhas com minha mão esquerda. Estou tentando ensiná-lo a fazer isso sozinho, como ensinei a Balarama dois anos atrás.

Minha mão direita continua passando de conta em conta.

“Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna…”.

Por favor, remove minha inveja de modo que eu possa servir-Te bem. Ajuda-me a fixar minha mente no som.

“…Rama Rama…”.

Lalita Madhava e Sitarani estão atirando as canetinhas de um lado a outro em vez de pintarem, distraindo alguns dos adultos que estão em torno de nós cantando com o intenso desejo de se purificarem e desenvolverem amor puro por Deus. Não posso deixar que as crianças os perturbem. Chamo a atenção das duas e, quando olham para mim, faço “não” com minha cabeça e mostro minhas sobrancelhas franzidas. Ao mesmo tempo, continuo orando, ansiando profundamente por ouvir os nomes do Senhor.

Por anos, perguntei-me se cuidar de crianças durante a maior parte de meu canto de mantras seria um grande impedimento para o meu progresso espiritual. Finalmente, compreendo: se servimos os devotos do Senhor Krishna, Krishna fica mais satisfeito do que quando simplesmente O servimos diretamente.

Estranhamente inclinado, como uma marionete de madeira suspensa por cordéis, Jahnu agora corre pela sala até Subhadra, que tem um saco cheio de animais de pelúcia. Não precisando mais ajudá-lo a fechar as canetinhas, aproveito a oportunidade e fecho meus olhos com a esperança de ter um momento para ouvir sem interrupção.

“…Hare Hare; Hare Krishna…”.

Infelizmente, no meu parquinho interior, minha mente pula, escorra e gangorra no céu. Penso no que tenho que fazer hoje. Penso sobre como esta sessão de japa pela manhã poderia render uma crônica para a Volta ao Supremo.

Nada de pensamentos vagueadores! Apenas ouve.

“…Rama Rama, Hare Hare”.

Arjuna e Nimai estão brigando porque Nimai começou a colorir o desenho de Arjuna. Eles cansaram de colorir e agora estão pegando cópias dos livros de Srila Prabhupada e olhando as ilustrações. Ambos já sabem ler, e Arjuna é capaz de ler e entender a maior parte do livro que tem em mãos. Agora, no entanto, estão apenas olhando as ilustrações de um livro após o outro. Balarama também para de colorir e pega um livro para si. Ele já tem idade para saber que não deve colocar livros sagrados no chão ou deixá-los tocar os seus pés.

“…Krishna Krishna…”.

O som de Teu santo nome é tão doce. Quando me absorverei completamente, meditando por inteira no som de Teu nome?

“Hare Krishna, Hare Krishna…”.

Agora, Jahnu cambaleou de volta para o armário. No caminho, balbuciou a vários dos adultos na sala do templo, sorrindo e fazendo os caracóis loiros de sua cabeça mexerem ao usar os movimentos da cabeça como parte de sua comunicação. Seguindo com seu engatinhar com movimentos precisos dos braços porém pernas arrastadas, Subhadra também se aproxima do armário. Temos que ficar bem atentos a ela; se ela tirar a tampinha de alguma caneta, encherá a boca de tinta. Ela também pode passar por cima do desenho de outras crianças, deixando-os irreversivelmente amassados.

Desta vez, Jahnu aponta para um livro. Pegamos uma versão infantil da história de Krishna matando Aghasura. Há uma imagem colorida em todas as páginas. Colocamos o livro sobre um tapete para que não toque o chão, e viro as páginas com minha mão esquerda enquanto Jahnu e Subhadra olham, em grande encanto.

“…Krishna, Krishna…”.

Krishna é tão lindo. Algum dia, espero entrar em Seus passatempos.

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Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens. Fonte da imagem: flickr.com/photos/akarkhanis/117925500 

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