Mil Vezes Melhor: A Superioridade de Cantar Alto e em Público os Nomes de Deus

04 SI (história - mantra) Mil Vezes Melhor (bg) (1352)Vrindavana Dasa Thakura
(Excertos do capítulo 16 do adi-khanda da obra Chaitanya-bhagavata)

Certa vez, na vila de Harinadi, um brahmana arrogante, ao ver o grande santo Haridasa, dirigiu-lhe a palavra de forma ofensiva. Ele disse: “Haridasa! Por que você se comporta dessa maneira? Tudo o que você faz é cantar os santos nomes, e você sempre o faz em voz alta. Qual é a razão para isto? A verdadeira injunção é que se deve cantar apenas mentalmente. Qual escritura estabelece que se deva cantar alto os santos nomes? Quem lhe ensinou essa prática religiosa? Aqui há uma grande assembleia de eruditos, de modo que você pode perguntar a eles sobre o método apropriado de adoração”. Haridasa respondeu-lhe humildemente.

A massa de pessoas não tinha interesse no processo do serviço devocional a Vishnu, o Senhor Supremo, tampouco podia entender a mística por trás do cantar do santo nome de Deus, kirtana. Os devotos que faziam kirtana eram frequentemente zombados pelos materialistas. Para poderem cantar, tocar karatalas e dançar sem serem perturbados, os devotos não se importavam em se reunir em algum local afastado. Mesmo assim, os ateístas se reuniam e se colocavam a condenar os devotos.

“Esses brahmanas degradados destruirão todo o país”, eles se queixavam. “Todo esse cantar e dançar emotivo deles acabará por trazer fome ao nosso povo. O cantar sentimentalista desses brahmanas é apenas um artifício para mendigarem e encherem suas barrigas. Por que eles cantam tão alto mesmo nos quatro meses de chaturmasya, quando o Senhor Supremo dorme? Eles acabarão por irritá-lO, e, uma vez furioso, Ele enviará a fome para a nossa terra. Será que esses tolos são incapazes de entender o desastre que podem causar?”. Outro homem ameaçou os devotos: “Se houver aumento no preço do arroz, eu pegarei cada um deles pelo pescoço e baterei neles para que todos vejam. Talvez até seja apropriado que cantem alto na noite de vigília de ekadashi, mas qual é a vantagem de cantar os nomes de Govinda todos os dias?”. Assim dava cada homem sua opinião.

Os devotos ficavam tristes pelos ateístas, mas, apesar da tristeza, jamais deixavam de cantar os santos nomes do Senhor Hari. Srila Haridasa era um desses devotos. Vendo que a maior parte das pessoas não tinha inclinação para o serviço devocional, Haridasa Thakura sentia imensa compaixão. Haridasa seguia cantando em alto e bom som o santo nome do Senhor, mesmo sendo tal cantar insuportável para os pecadores grosseiros. Haridasa Thakura já exibia o comportamento de um devoto puro, muito embora o Senhor Chaitanya ainda não tivesse revelado o processo do serviço devocional ao Senhor Supremo.

Certa vez, na vila de Harinadi, um brahmana arrogante, ao ver o grande santo Haridasa, dirigiu-lhe a palavra de forma ofensiva. Ele disse: “Haridasa! Por que você se comporta dessa maneira? Tudo o que você faz é cantar os santos nomes, e você sempre o faz em voz alta. Qual é a razão para isto? A verdadeira injunção é que se deve cantar apenas mentalmente. Qual escritura estabelece que se deva cantar alto os santos nomes? Quem lhe ensinou essa prática religiosa? Aqui há uma grande assembleia de eruditos, de modo que você pode perguntar a eles sobre o método apropriado de adoração”.

Haridasa respondeu humildemente: “Eu não conheço as conclusões escriturais sobre as glórias do santo nome do Senhor Hari. Você certamente deve saber mais do que eu. Quanto a mim, apenas repito o que ouvi de estudiosos como você. Em parte alguma das escrituras, o cantar em voz alta dos santos nomes é condenado; ao contrário, muitos versos dizem que tal cantar é mais purificador do que o cantar silencioso. Um verso das escrituras traz, por exemplo, uccaih shata-gunam bhavet: ‘o cantar em voz alta é mil vezes melhor’”.

“Por que o resultado de se cantar em voz alta é mil vezes melhor?”, exigiu o brahmana uma explicação.

“Por favor, querido santo, escute enquanto falo sobre isso”, respondeu Haridasa. “Esta verdade é descrita nos Vedas e no Srimad-Bhagavatam”. Nadando no oceano de amor por Krishna, Haridasa apresentou de forma resumida a essência de todas as escrituras. Ele disse: “Ó brahmana, por favor, tente entender que quando qualquer entidade viva – seja ela um humano, um animal terrestre ou aquático, um inseto ou uma ave – ouve o santo nome sendo cantado por um devoto puro do Senhor, ela, ao deixar seu corpo, vai diretamente para Vaikuntha, o mundo espiritual. No Srimad-Bhagavatam (10.34.17), o vidyadhara de nome Sudarshana ora: ‘Ó Senhor, quando Seu nome é cantado por um devoto que é puro, tendo sido purificado pelo contato com Seus pés de lótus, e esse santo nome é ouvido por alguma entidade viva, ele pode purificar imediatamente tanto quem o canta quanto quem o ouve’. Espécies inferiores, como os animais terrestres, as aves e os insetos e vermes, não têm habilidade para cantar o nome do Senhor. Todavia, simplesmente por ouvirem o santo nome de Hari, elas podem se liberar. Por meio do cantar silencioso do nome do Senhor Krishna com japa, a pessoa libera a si mesma. Contudo, uma pessoa que canta o nome do Senhor em voz alta, em sankirtana, liberta todos aqueles que ouvirem. Por essa razão, por beneficiar a todos, as escrituras estabelecem que o cantar do nome do Senhor em voz alta é mil vezes melhor. No Narada Purana, também há um verso sobre isso falado por Sri Prahlada: ‘A mim parece completamente lógico o fato de uma pessoa que canta o nome do Senhor em voz alta ser mil vezes mais piedosa do que uma pessoa que canta para si; aquele que canta suspirando liberta a si mesmo apenas, ao passo que aquele que canta alto liberta tanto a si quanto qualquer outra entidade viva que o escute’. Assim descrevem os Puranas a razão para o cantar alto, em sankirtana, ser mil vezes melhor do que o cantar em japa”.

Prosseguiu: “Ó brahmana, por favor, concentre sua atenção nessas afirmações que são fáceis de serem compreendidas: uma pessoa que age para o benefício de todos, inclusive dos animais inferiores, certamente está em uma plataforma religiosa superior àquela de uma pessoa preocupada unicamente com sua própria libertação. Cantando em voz alta os nomes do Senhor Govinda, a pessoa liberta todas as criaturas que porventura os escutem. Mesmo que elas talvez tenham língua, as entidades vivas em corpos não-humanos são incapazes de dizer o santo nome do Senhor Hari. Se o cantar em voz alta pode libertar entidades vivas que aceitaram os corpos muito desventurosos de animais, que condenação pode ser atribuída ao cantar em voz alta? Uma pessoa egoísta está interessada apenas em seu próprio bem-estar, ao passo que um devoto abnegado preocupa-se com o bem-estar de todos. Entendendo isso, você poderá facilmente determinar quais das duas modalidades do cantar está em uma plataforma superior”.

O brahmana tolo, ouvindo as instruções inequívocas de Srila Haridasa, ficou ainda mais enfurecido. Ele retorquiu furiosamente: “Haridasa, agora você resolveu filosofar! Parece que agora que os seis pensamentos filosóficos foram destruídos pelo tempo, você decidiu propor um sétimo. Profetizam as escrituras que, no final da atual era de Kali, aqueles de nascimento inferior serão aqueles a explicarem os Vedas. Posso ver, no entanto, que isso já está acontecendo. Qual é, então, a necessidade de se esperar o avanço desta era? Apresentando-se dessa maneira, você visita a casa de diferentes pais de família simplesmente para se empanturrar de comida. Se eu descobrir que suas explanações são desautorizadas ou contrárias às escrituras, deceparei seu nariz e suas orelhas”.

Com sua compostura inabalada, Srila Haridasa Thakura apenas sorriu às palavras ásperas do brahmana deplorável. Sem dizer uma única palavra em sua defesa, Haridasa foi embora cantando em voz alta os santos nomes do Senhor Hari.

Dado que nem aceitaram as explicações corretas e autorizadas de Haridasa Thakura nem repreenderam o discurso ofensivo que ouviram, os demais brahmanas daquela assembleia eram tão pecaminosos quanto o que atacava Haridasa com palavras. Tais homens eram brahmanas apenas de nome. Eles eram, na verdade, demônios rakshasas vindos do inferno, onde haviam sofrido inenarráveis torturas nas mãos de Yamaraja, o deus da morte. Em Kali-yuga, para poderem prejudicar e ofender pessoas piedosas, rakshasas nascem em famílias de brahmanas. No Varaha Purana, o Senhor Shiva diz: “Na era de Kali, demônios rakshasas nascem em famílias de brahmanas e torturam as minoritárias almas que buscam pela transcendência”.

Alguns dias após esse incidente com Srila Haridasa Thakura, o degradado brahmana contraiu um caso tão grave de varíola que seu nariz caiu de seu rosto. Os ateístas seguiam com suas críticas ofensivas aos devotos, e os devotos seguiam com suas discussões transcendentais acerca dos tópicos do Bhagavad-gita e do Srimad-Bhagavatam.

Todo aquele que ouvir e repetir com fé e devoção as narrações sobre Haridasa Thakura se encontrará pessoalmente com o Senhor Chaitanya.

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