O Casamento de Krishna e Rukmini

A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(ilustrações de Arun Nair) 

O casamento da princesa Rukmini já foi arranjado por seu irmão, mas ela não tem qualquer atração pelo príncipe com quem se vê obrigada a se casar. Em uma carta, pede a Krishna que, no dia de suas núpcias, rapte-a bem diante de seu noivo. Conseguirá Krishna chegar a tempo e raptá-la apesar de toda segurança em torno da princesa?

Sri Balarama casou-Se com Revati, filha do rei Raivata, governador da província de Anarta. Isso se explica no nono canto do Srimad-Bhagavatam. Depois do casamento de Baladeva, Krishna casou-Se com Rukmini, filha do rei Bhismaka, governante da província conhecida como Vidarbha. Assim como Krishna é Vasudeva, a Suprema Personalidade de Deus, Rukmini é a suprema deusa da fortuna, Maha-Lakshmi.

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Krishna e Rukmini são os aspectos masculino e feminino da Divindade.

A história do casamento de Krishna com Rukmini se descreve como segue. O rei de Vidarbha, Maharaja Bhismaka, era um príncipe muito qualificado e devotado. Ele tinha cinco filhos e apenas uma filha. Muitas pessoas santas e sábios como Narada Muni costumavam visitar o palácio do rei Bhismaka. Naturalmente, Rukmini tinha a oportunidade de falar com eles e, dessa maneira, obteve informações sobre Krishna. Ela foi informada das seis opulências de Krishna e, só por ouvir falar sobre Ele, ela desejou render-se aos pés de lótus dEle e tornar-se Sua esposa. Krishna também ouvira falar de Rukmini. Ela era o reservatório de todas as qualidades transcendentais: inteligência, espírito liberal, beleza extraordinária e comportamento correto. Krishna, portanto, decidiu que ela era apta a ser Sua esposa. Todos os parentes do rei Bhismaka decidiram que Rukmini devia ser dada em casamento a Krishna. Porém, seu irmão mais velho, Rukmi, apesar do desejo dos outros, arranjou-lhe casamento com Shishupala, um inimigo decidido de Krishna.

Quando a bela Rukmini de olhos negros soube da decisão, ela imediatamente ficou muito irritada. Contudo, sendo filha do rei, ela entendia a diplomacia política e decidiu que não adiantava apenas ficar tomada de irritação. Era preciso tomar providências imediatas. Depois de alguma deliberação, decidiu mandar uma mensagem para Krishna e, para não ser enganada, escolheu como mensageiro um brahmana qualificado.

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Rukmini, chorosa, escreve uma mensagem a Krishna.

Chegando ao portão de Dvaraka, o brahmana informou ao porteiro de sua vinda, e o porteiro conduziu-o ao lugar onde Krishna estava sentado num trono de ouro. Como o brahmana era o mensageiro de Rukmini, ele teve a sorte de ver a Suprema Personalidade de Deus, Krishna, a causa original de todas as causas. O brahmana é o mestre espiritual de todas as divisões sociais. O Senhor Sri Krishna, para ensinar a todos a etiqueta védica de como se deve respeitar um brahmana, levantou-Se imediatamente e ofereceu-lhe Seu trono. Quando o brahmana estava sentado no trono de ouro, o Senhor Sri Krishna começou a adorá-lo exatamente como os semideuses adoram Krishna. Dessa maneira, Ele ensinou a todos que adorar Seu devoto vale mais do que O adorar.

Krishna podia entender que o brahmana viera com uma mensagem confidencial, em virtude do que Ele disse: “Se não tiver objeção, dou-lhe licença para falar sobre sua missão”. Então, estando muito satisfeito com esses passatempos transcendentais com o Senhor, o brahmana narrou toda a história de sua missão em ter ido ver Krishna. Ele tirou a carta que Rukmini havia escrito para Krishna e disse: “Estas são as palavras da princesa Rukmini: ‘Meu querido Krishna, ó infalível e muito belo, qualquer ser humano que ouça sobre Tua forma e passatempos transcendentais absorve imediatamente por seus ouvidos o Teu nome, fama e qualidades; assim, ele diminui todos os seus sofrimentos materiais e fixa no coração a Tua forma transcendental. Através desse amor por Ti, ele sempre Te vê dentro de si, e, por esse processo, todos os seus desejos se realizam. Igualmente, ouvi falar de Tuas qualidades transcendentais. Posso não ser recatada por me expressar diretamente, mas Tu me cativaste e tomaste meu coração. Tu podes pensar que sou uma jovem solteira e pode duvidar de minha firmeza de caráter. Contudo, meu querido Mukunda, és o supremo leão entre os seres humanos, a pessoa suprema entre as pessoas. Qualquer moça, ainda que não tenha saído de sua casa, ou mesmo uma mulher da mais alta castidade, desejaria se casar conTigo, sendo cativada por Teu caráter, conhecimento, opulência e posição sem precedentes. Sei que és o esposo da deusa da fortuna e que é muito bondoso para com Seus devotos, daí minha decisão de tornar-me Tua serva eterna. Meu querido Senhor, dedico minha vida e alma a Teus pés de lótus. Escolhi-Te como meu marido, razão pela qual peço que me aceites como Tua esposa. És o poderoso supremo, ó pessoa de olhos de lótus. Agora Te pertenço. Se o chacal roubar o que o leão gosta de comer, será um evento ridículo, em virtude do que Te peço que tomes conta imediatamente de mim antes que eu seja levada embora por Shishupala e outros príncipes como ele. Meu querido Senhor, em minha vida anterior talvez eu tenha feito obras para o bem público tais como cavar poços e plantar árvores, ou atividades piedosas como a execução de cerimônias rituais e sacrifícios e tenha servido aos superiores, tais como o mestre espiritual, os brahmanas e os vaishnavas. Por essas atividades, talvez eu tenha satisfeito a Suprema Personalidade de Deus, Narayana. Se for assim, então desejo que Tu, Senhor Krishna, o irmão do Senhor Balarama, venhas por favor aqui e tomes minha mão para que eu não seja tocada por Shishupala e seu grupo’”.

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Krishna ouve o brahmana ler a carta de Rukmini.

O casamento de Rukmini com Shishupala já estava decidido, razão pela qual ela sugeriu que Krishna a raptasse para mudar isso. Ela explicou que era costume de sua família visitar o templo da deusa Durga, deidade de sua família, antes de um casamento. Para evitar a morte desnecessária de seus parentes, Rukmini sugeriu que seria mais fácil que Ele a raptasse enquanto ela estivesse indo do palácio para o templo ou então na volta para casa. Ela também explicou a Krishna por que estava ansiosa por se casar com Ele, apesar de seu casamento com Shishupala já ter sido acertado, pois Shishupala também era qualificado, sendo filho de um grande rei. Rukmini disse que não julgava ninguém tão grande como Krishna, nem mesmo Shiva, que é conhecido como Mahadeva.

Depois de ouvir a declaração de Rukmini, o Senhor Krishna ficou muito satisfeito. Ele imediatamente apertou a mão do brahmana. Krishna, ao ser informado da data específica do casamento de Rukmini, ficou ansioso por partir imediatamente. Ele pediu a seu cocheiro Daruka que atrelasse os cavalos à Sua quadriga e se preparasse para ir ao reino de Vidarbha. Depois de ouvir essa ordem, Daruka trouxe os quatro cavalos especiais de Krishna.

O reino de Dvaraka se situa na parte oeste da Índia, e Vidarbha está situada na parte norte. Estão separados por uma distância de cerca de mil e seiscentos quilômetros, mas os cavalos eram tão rápidos que alcançaram seu destino, uma cidade chamada Kundina, em uma noite ou, no máximo, doze horas.

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Krishna viaja velozmente ao encontro de Rukmini.

O rei Bhismaka não estava entusiasmado com a entrega de sua filha a Shishupala, mas era obrigado a aceitar o arranjo de casamento devido a seu apego afetuoso a seu filho mais velho, que o havia negociado. Por uma questão de dever, ele estava decorando a cidade para a cerimônia do casamento e agindo com grande seriedade para fazer dela um sucesso.

A filha do rei, Rukmini, era de uma beleza extraordinária. Era muito limpa e tinha belos dentes. O cordão sagrado auspicioso estava atado a seu pulso. Recebera vários tipos de joias para usar e um longo tecido de seda para cobrir as partes superior e inferior do corpo. Sacerdotes eruditos lhe davam proteção entoando mantras do Sama Veda, Rig Veda e Yajur Veda. Então, eles cantaram mantras do Atharva Veda e ofereceram oblações no fogo para apaziguar a influência de diferentes estrelas.

Quando o rei Bhismaka soube que Damaghosha, o pai de Shishupala, e sua comitiva estavam chegando, ele saiu da cidade para recebê-los. Fora do portão da cidade, havia muitos jardins onde os hóspedes eram acolhidos.

Corria o boato de que Rukmini enviara um mensageiro a Krishna, em virtude do que os soldados suspeitavam que Krishna poderia causar perturbação tentando raptá-la. Embora com medo, estavam todos preparados para oferecer a Krishna um bom combate para impedir que a moça fosse levada embora. Sri Balarama recebeu a notícia de que Krishna partira para Kundina acompanhado só de um brahmana; também ouviu que Shishupala estava lá com grande número de soldados. Suspeitando que atacariam Krishna, Balarama tomou fortes divisões militares de quadrigas, infantaria, cavalos e elefantes e chegou aos arredores de Kundina.

Enquanto isso, dentro do palácio, Rukmini esperava que Krishna chegasse, mas, ao ver que nem Ele nem o brahmana que levara sua mensagem apareciam, ela se encheu de ansiedade e começou a pensar o quanto era infeliz. “Há só uma noite entre hoje e meu casamento, e nem o brahmana nem Shyamasundara [Krishna] ainda voltaram. Não posso atinar uma razão para isso”. Tendo pouca esperança, ela pensava que Krishna teria encontrado razão para estar insatisfeito e havia rejeitado sua proposta. Como resultado, o brahmana poderia ter ficado desapontado e não voltara. Embora estivesse pensando em várias causas para a demora, ela os esperava a qualquer momento.

Embora ela se tranquilizasse com o pensamento de que ainda não se esgotara o tempo para que Govinda [Krishna] chegasse, Rukmini sentia que estava esperando o impossível. Sem dizer a ninguém o que pensava, ela simplesmente derramava lágrimas sem ser observada por outras pessoas, e quando suas lágrimas se tornavam mais intensas, ela fechava os olhos desamparada. Enquanto Rukmini se absorvia em tão profundo pesar, apareceram sintomas auspiciosos em diferentes partes de seu corpo. Ocorreu tremor em sua pálpebra esquerda e em seus braços e coxas. Bem naquele momento, cheia de ansiedade, Rukmini viu o mensageiro brahmana. Krishna, sendo a Superalma de todos os seres vivos, podia entender a ansiedade de Rukmini, daí ter mandado o brahmana para dentro do palácio para que ela soubesse que Ele havia chegado. Quando viu o brahmana, Rukmini pôde compreender o tremor auspicioso de seu corpo e imediatamente ficou eufórica. Ela sorriu e perguntou se Krishna já viera. O brahmana respondeu que o filho da dinastia Yadu, Sri Krishna, havia chegado; ele a animou ainda mais dizendo que Krishna havia prometido levá-la sem falta.

Rukmini ficou tão animada com a mensagem do brahmana que quis lhe dar em caridade tudo o que possuía. Porém, sem encontrar nada de bom para presentear, ela simplesmente ofereceu-lhe suas respeitosas reverências.

Quando o rei Bhismaka soube que Krishna e Balarama haviam chegado, ele Os convidou a assistirem à cerimônia de casamento de sua filha. Imediatamente tomou providências para recebê-lOs, junto com Seus soldados, numa casa ajardinada conveniente. Como era o costume védico, o rei ofereceu a Krishna e Balarama mel e tecido recém-lavado. Ele fora hospitaleiro não só com Krishna, Balarama e reis tais como Jarasandha, mas também com muitos outros reis e príncipes, segundo a respectiva força pessoal, idade e bens materiais.

Por curiosidade e avidez, o povo de Kundina se reuniu diante de Krishna e Balarama para beber o néctar da beleza dEles. Com olhos lacrimejantes, eles ofereciam a Krishna e Balarama seu respeito silencioso. Eles estavam muito satisfeitos considerando o Senhor Krishna o par perfeito para Rukmini. Estavam tão ávidos para unir Krishna e Rukmini que oraram à Personalidade de Deus: “Nosso querido Senhor, se executamos alguma atividade piedosa com que estejas satisfeito, por favor, sê misericordioso conosco e aceita a mão de Rukmini”.

Parece que Rukmini era uma princesa muito popular, e todos os cidadãos, por causa de seu intenso amor por ela, oravam por sua melhor fortuna. Enquanto isso, Rukmini, muito bem vestida e protegida por guarda-costas, saiu do palácio para visitar o templo de Ambika, a deusa Durga.

Ao se dirigir para o templo, Rukmini estava silenciosa e grave. Sua mãe e sua amiga estavam a seu lado, e a esposa de um brahmana estava no centro; rodeando-a estavam guarda-costas reais. Enquanto continuava a procissão, ouviam-se vários sons musicais. Tambores, búzios e cornetas de diferentes tamanhos combinavam-se para produzir um som que era não só auspicioso, mas muito doce de se ouvir. Milhares de esposas de brahmanas respeitáveis estavam presentes, todas muito bem vestidas com ornamentos apropriados. Elas deram a Rukmini guirlandas de flores, polpa de sândalo e uma variedade de roupas coloridas para ajudá-la a adorar Shiva e a deusa Durga.

Todos os príncipes e visitantes que vieram a Kundina para o casamento estavam reunidos fora do templo para ver Rukmini. Os príncipes estavam especialmente ansiosos para vê-la porque todos realmente achavam que eles teriam Rukmini como sua esposa. Maravilhados após verem Rukmini, eles pensavam que o Criador a formara especialmente para confundir todos os grandes príncipes cavalheirescos. O brilho e beleza do corpo de Rukmini faziam com que ela parecesse ter sido pintada por um artista que apresenta perfeitamente a beleza seguindo a descrição de grandes poetas.

Os príncipes cavalheirescos ali reunidos estavam tão assombrados com a beleza de Rukmini que quase ficaram inconscientes. Cheios de luxúria, eles desejavam desesperadamente a mão de Rukmini, comparando sua própria beleza à dela. Srimati Rukmini, porém, não estava interessada em nenhum deles; em seu coração, ela simplesmente esperava que Krishna viesse levá-la embora.

Enquanto ela ajustava os ornamentos no dedo da mão esquerda, ela olhou para os príncipes e de repente viu que Krishna estava presente entre eles. Embora Rukmini jamais tivesse visto Krishna antes, ela estava sempre pensando nEle; assim, ela não teve dificuldade em reconhecê-lO entre a ordem dos príncipes. Krishna, sem Se preocupar com os outros príncipes, aproveitou logo a oportunidade para colocar Rukmini em Sua quadriga, marcada com a bandeira que tinha a imagem de Garuda. Ele então continuou devagar, sem medo, levando Rukmini embora exatamente como um leão toma um veado do meio dos chacais. Entrementes, Balarama apareceu em cena com os soldados da dinastia Yadu.

Jarasandha, que muitas vezes experimentara ser derrotado por Krishna, começou a rugir: “Como é isso? Krishna está levando Rukmini embora de nós sem oposição! De que adianta sermos combatentes cavalheirescos armados com flechas? Meus queridos príncipes, vede bem! Estamos perdendo nossa reputação. Ele é exatamente como um chacal que tira a presa do leão”.

Todos os príncipes liderados por Jarasandha ficaram muito irritados com o fato de Krishna ter raptado Rukmini. Fulminados pela beleza de Rukmini, eles haviam caído dos dorsos dos cavalos e elefantes, mas agora começavam a levantar-se e armar-se de forma apropriada. Pegando seus arcos e flechas, puseram-se a perseguir Krishna em suas quadrigas, cavalos e elefantes. Para impedir seu avanço, os soldados da dinastia Yadu voltaram-se e os enfrentaram. Assim começou uma luta terrível entre os dois grupos beligerantes. Os príncipes contrários a Krishna, liderados por Jarasandha, todos peritos na luta, disparavam suas flechas contra os soldados Yadus assim como uma nuvem derrama torrentes de chuva sobre a superfície de uma montanha.

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Krishna rapta Rukmini.

Os príncipes contrários estavam determinados a derrotar Krishna e recapturar Rukmini de Sua custódia, e lutaram com Ele tão severamente quanto possível. Rukmini, sentada ao lado de Krishna, via flechas chovendo sobre os rostos dos soldados Yadus vindas dos soldados oponentes. Numa atitude de medo, ela olhava para o rosto de Krishna, expressando sua gratidão por Ele ter corrido um risco tão grande só por causa dela. Com os olhos se mexendo, ela parecia pesarosa, e Krishna, que pôde entender imediatamente o que ela estava pensando, animou-a com estas palavras: “Minha querida Rukmini, não te preocupes. Por favor, tem confiança de que os soldados da dinastia Yadu matarão todos os soldados contrários sem demora”.

Depois de derrotar todos os elementos contrários e raptar Rukmini à força, Krishna levou-a para Sua capital, Dvaraka, e então Se casou com ela segundo o princípio ritual védico. Depois desse casamento, Krishna tornou-Se o rei dos Yadus em Dvaraka. Por ocasião de Seu casamento com Rukmini, todos os habitantes estavam felizes, e em cada casa houve grandes cerimônias. Os habitantes da cidade de Dvaraka estavam tão contentes que se vestiram o melhor possível com seus ornamentos e roupas e foram levar presentes, segundo suas posses, ao casal recém-unido, Krishna e Rukmini. Todas as casas de Yadupuri (Dvaraka) estavam enfeitadas com bandeiras, festões e flores. Cada casa tinha um portão extra especificamente preparado para essa ocasião, e de ambos os lados do portão havia grandes vasilhas cheias de água. Toda a cidade estava perfumada pela queima de incenso, e à noite havia a iluminação de milhares de lamparinas, decorando cada edifício.

Toda a cidade tinha uma aparência jubilosa por ocasião do casamento do Senhor Krishna com Rukmini. Em toda parte na cidade havia profusa decoração de bananeiras e árvores de noz de bétel. Essas duas árvores são consideradas muito auspiciosas em cerimônias felizes. Ao mesmo tempo, havia um ajuntamento de muitos elefantes, que transportavam os reis de diferentes reinos amigos. É hábito dos elefantes, sempre que veem pequenas plantas e árvores, por causa de sua natureza brincalhona e frívola, arrancarem as árvores pela raiz e as atirarem aqui e ali. Os elefantes naquela ocasião também arrancaram as bananeiras e árvores de noz de bétel, mas, apesar dessa ação embriagada, a cidade toda, com árvores atiradas por toda parte, parecia muito bonita.

Os reis amigos dos Kurus e dos Pandavas estavam representados por Bhisma, Dhritarastra, os cinco irmãos Pandus, o rei Drupada, o rei Santardana e o pai de Rukmini, Bhismaka. Por causa de Krishna ter raptado Rukmini, houve a princípio algum desentendido entre as duas famílias, mas Bhismaka, rei de Vidarbha, sendo procurado por Sri Balarama e persuadido por muitas pessoas santas, foi induzido a participar da cerimônia de casamento de Krishna e Rukmini. Embora o incidente do rapto não tivesse sido uma ocorrência muito feliz no reino de Vidarbha, o rapto não era um fato incomum entre os kshatriyas. O rapto era, na verdade, algo comum em quase todos os casamentos. De qualquer forma, o rei Bhismaka estava desde o começo inclinado a entregar sua bela filha a Krishna. De um modo ou de outro, seu objetivo fora alcançado, e assim ele ficou contente em participar da cerimônia de casamento, ainda que seu filho mais velho tivesse sido degradado na luta.

A história do rapto de Rukmini por parte de Krishna foi transformada em poema, e leitores profissionais a recitavam em toda parte. Todos os reis reunidos, e especialmente suas filhas, ficaram maravilhados e muito contentes ouvindo as atividades cavalheirescas de Krishna. Dessa forma, todos os visitantes e também os moradores de Dvaraka estavam alegres vendo Krishna e Rukmini juntos. Em outras palavras, o Senhor Supremo, o mantenedor de todos, e a deusa da fortuna estavam unidos, e todo o povo se sentia extremamente feliz.

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