Srila Haridasa e o Cantar dos Santos Nomes

10 SI (história - Caitanya e Associados) As Glórias de Haridasa Thakura (3303) (4, Vrndavana Dasa) (ta) (sankirtana)

Vrindavana Dasa Thakura

Chamado por Chaitanya Mahaprabhu de “mestre exemplar do canto dos santos nomes”, Haridasa Thakura ensina, através de sua vida, a determinação mais elevada e de objetivo mais digno.

Ninguém em toda a sociedade humana estava interessado em vida espiritual, senão que se absorviam completamente nos pervertidos desfrutes corpóreos. Tampouco eram melhores aqueles que palestravam sobre o Bhagavad-gita ou o Srimad-Bhagavatam. Desconhecedores da essência dessas escrituras, eles nunca falavam das glórias do Senhor Krishna nem recomendavam a adoração de Seu nome. Vendo a condição deplorável em que se encontravam as entidades vivas, os devotos frequentemente se reuniam afastados da massa geral e cantavam os santos nomes do Senhor Krishna com o acompanhamento de palmas.

Com o intuito de criticar os devotos e deles zombar, os materialistas diziam: “Qual é a razão para vocês uivarem tão alto? Além do mais, eu sou Brahman, e sou intocado pela matéria. Por que, então, fazer distinções entre Senhor e servo?”. Outros diziam com grande ira: “Eles exclamam ‘Hari! Hari!’ apenas para terem um pretexto para mendigarem e encherem suas barrigas. Todos sabem disso. Vamos arrombar a porta da casa desses imbecis e quebrar tudo lá dentro!”.

Ouvindo tais palavras depreciativas, os devotos ficavam muito desanimados. O fato de não terem com quem se queixarem agravava ainda mais a tristeza deles. Considerando todo o mundo material como um grande deserto, os devotos apenas suspiravam: “Ó Krishna”. Vendo todos destituídos de devoção pelo Supremo, a infelicidade deles não conhecia limites.

Foi quando Haridasa Thakura, a personificação da devoção pura ao Senhor Visnu, chegou a Navadvipa. Narrarei agora as maravilhosas atividades de Haridasa Thakura. Quem quer que ouça essa narração certamente alcançará o abrigo dos pés do Senhor Krishna.

Haridasa Thakura descendeu a este mundo em uma vila de nome Budana. Devido à sua presença ali, muitos se purificaram e aderiram ao cantar dos santos nomes do Senhor. Depois de alguns anos, ele deixou sua vila e permaneceu por algum tempo às margens do Ganges até finalmente se estabelecer em Phuliya-grama, próximo a Shantipura.

Ao encontrar-Se com Haridasa Thakura, Advaitacharya rugiu de felicidade. Não havia fim para Sua euforia. Similarmente, Haridasa Thakura, na companhia transcendental de Advaitacharya, colocou-se a nadar nas nectáreas ondas do oceano de amor ao Supremo.

Haridasa Thakura passava seu tempo vagando às margens do Ganges e cantando o nome “Krishna”. Ele não tinha nenhum vestígio de atração por nenhuma espécie de desfrute material, senão que sua gloriosa boca estava sempre adornada com a vibração do santo nome do Senhor Krishna. Nem mesmo por um instante ele desejava deixar de cantar o santo nome do Senhor Krishna, senão que apenas seguia absorto no néctar do serviço devocional.

Algumas vezes ele dançava em grande êxtase, e em outros momentos ele chorava de forma comovente. Em outras ocasiões, ele rugia como um leão; outras vezes, ria bem alto. Às vezes ele berrava e urrava, e às vezes desmaiava. Por algumas vezes, ele falava de maneira misteriosa, e posteriormente explicava o significado daquelas palavras. Ora chorava, ora os pelos de seu corpo se arrepiavam, ora ria, ora caía inconsciente ao chão e ora transpirava profusamente. Todos os sintomas extáticos de amor pelo Senhor Krishna manifestavam-se em Haridasa Thakura.

Quando Haridasa Thakura dançava e cantava as glórias do nome de Krishna, todos esses sintomas tornavam-se manifestos em seu corpo. As pessoas formavam um círculo ao seu redor apenas para ver o incessante rio de lágrimas de amor a Deus que fluía de seus olhos e encharcava todo o seu corpo. Mesmo os ateístas e ofensores se maravilhavam contemplando Haridasa Thakura. Os pelos de seu corpo se arrepiavam como se fossem milhares de flores nascendo, e mesmo grandes personalidades como Brahma e Siva impressionavam-se com sua devoção. Em Phuliya-grama, mesmo os brahmanas ritualísticos estavam verdadeiramente impressionados com os êxtases espirituais de Haridasa Thakura. Tendo conquistado a confiança e o respeito de todos, Haridasa Thakura vivia pacificamente em Phuliya-grama.

Após banhar-se no Ganges, ele diariamente vagueava cantando em voz alta o santo nome do Senhor Hari.

O Invejoso Qazi

A autoridade muçulmana local, conhecida como qazi, invejava a popularidade de Haridasa Thakura e, por esta razão, foi queixar-se com o rei. O qazi disse: “Embora seja muçulmano, ele age como um hinduísta. Vossa Majestade deveria detê-lo e lhe dar a punição apropriada”. As invejosas palavras do pecaminoso qazi desencadearam imediata concordância do rei igualmente pecaminoso, que ordenou a imediata detenção de Haridasa.

Tendo recebido a misericórdia do Senhor Krishna, Haridasa Thakura não temia nem mesmo a morte personificada, o que dizer uma autoridade muçulmana. Enquanto era levado preso, Haridasa caminhava repetindo ininterruptamente o nome de Krishna. Ele, então, foi colocado diante do nababo.

Quando as pessoas piedosas das localidades próximas ao palácio do nababo souberam que Haridasa estava vindo para ali, elas ficaram extremamente felizes. Mas, ao saberem, em seguida, que ele estava vindo como um novo prisioneiro do ditador muçulmano, ficaram extremamente tristes. Anteriormente, muitas pessoas santas e religiosas haviam sido aterrorizadas e encarceradas pelo nababo. Ao ouvirem que Haridasa iria se juntar a eles, todos os prisioneiros ficaram muito contentes. Eles disseram entre si: “Haridasa é um vaishnava grandioso e imaculado. Sua presença nos livrará de todo o sofrimento decorrente de nossa vida como prisioneiros”. Os prisioneiros, com vozes suplicantes, imploraram aos guardas que lhes permitissem se associar irrestritamente com Haridasa Thakura.

Enquanto era levado para sua cela, Haridasa olhava com grande compaixão para todos os prisioneiros. Ao verem os pés de lótus do santo, todos se curvaram para demonstrar respeito. Seus longos braços, que alcançavam seus joelhos, e seus olhos de lótus e rosto refulgente como a Lua encantavam a todos. Nenhuma outra personalidade era como ele.

Por terem se curvado com devoção diante de Haridasa, os prisioneiros exibiram todos os sintomas de amor extático por Krishna. Vendo o avançado serviço devocional que se tornara manifesto naquele momento no coração dos prisioneiros, Haridasa os abençoou. Sorrindo, ele apresentou-lhes disfarçadamente sua bênção: “Apenas continuem nessa posição em que estão agora. Que vocês continuem assim para sempre”.

Não entendendo o significado por detrás de suas palavras, alguns prisioneiros ficaram um pouco decepcionados. Entendendo a compreensão equivocada deles, Haridasa compassivamente explicou sua bênção.

“O que lhes dei foi uma bênção, mas, não entendendo seu significado, agora estão infelizes. Eu jamais desejaria algum mal a vocês. Se tentarem, vocês poderão entender o significado de minhas palavras. Apenas desejo que o amor que vocês agora sentem por Krishna nunca mude. Por favor, continuem sempre apegados a Krishna. De hoje em diante, inspirem-se uns aos outros sempre cantando o nome do Senhor Krishna e sempre lembrando Seus passatempos. Não existem violência e tirania no mundo espiritual, portanto implorem sinceramente pela ajuda de Krishna e pensem constantemente nEle. Quando deixarem esta prisão, não retomem seus velhos hábitos de gozo material dos sentidos; e fujam da companhia de homens degradados e maliciosos. Vocês devem ter por certo que o amor pelo Senhor Krishna jamais é obtido por pessoas que levam uma vida centrada em prazeres materiais. Afastem-se, portanto, de tais pessoas”.

“Uma mente absorta em desejos materiais”, prosseguiu, “traz apenas problemas. A armadilha do gozo dos sentidos, que prende homens e mulheres, não leva a nenhum outro destino senão à destruição. Por arranjo divino, uma pessoa afortunada obtém a companhia de devotos sinceros e, como produto do que aprende e vivencia, ela rejeita os prazeres da vida material e volta sua atenção para o serviço a Krishna. Escutem, no entanto, o que tenho a dizer: se tal pessoa comete ofensas, ela volta a se contaminar pelos desejos egoístas e perniciosos. Eu certamente não desejo que vocês permaneçam presos eternamente; ao contrário, oro para que todos vocês percam o gosto pelos prazeres materiais”.

“Embora tenha brincado com as palavras”, adicionou ainda, “eu estava, de fato, concedendo-lhes uma bênção. Meu desejo é que vocês se livrem de sua presente condição miserável e permaneçam felizes na plataforma de amor por Krishna. O bem que desejo a vocês desejo a todos: que todas as almas condicionadas desenvolvam devoção indesviável por Krishna. Por favor, não se preocupem. Dentro de dois ou três dias, vocês deixarão esta prisão. Acreditem em minhas palavras. Uma vez livres, quer vivam na floresta, quer vivam em uma casa confortável, lembrem-se sempre de Krishna e cultivem as práticas espirituais com seriedade”.

Haridasa Conversa com o Nababo

Tendo derramado sua misericórdia sobre os prisioneiros na forma de instruções perfeitas, Haridasa foi diante do nababo. Em virtude de sua pureza, Haridasa Thakura emanava uma refulgência que o nababo não pôde deixar de notar. Ele então se levantou muito respeitosamente e ofereceu um assento ao santo. O nababo lhe perguntou:

“Ó querido irmão, o que acontece com você? O que é esta mudança que se faz em sua mentalidade? Você tinha a grande fortuna de ser um muçulmano! Por que, então, passou a se comportar como um hinduísta? Nós nem mesmo aceitamos arroz tocado por um hinduísta. Por que, afinal, você rejeita seu nascimento em uma grandiosa família muçulmana? Como uma pessoa que rejeita a religião de seu próprio povo e aceita outra poderia obter a salvação e uma morada no paraíso? Sem considerar a grande perversão por trás disso, você agiu muito mal. Agora, para que você se livre de seus pecados, irei puni-lo de acordo com as leis do Corão”.

Srila Haridasa Thakura pacientemente ouviu as ameaças e acusações, reconhecendo de imediato que o nababo estava sob a influência da energia ilusória do Senhor. Quando o nababo terminou seu discurso, Haridasa, sem nenhuma ansiedade, apenas lhe sorriu. Então ele disse com uma voz suave:

“Meu querido senhor, há apenas um único Deus para todas as entidades vivas. Os hinduístas e os muçulmanos são diferentes em muitos aspectos. Entretanto, a conclusão tanto dos hinduístas instruídos quanto dos muçulmanos igualmente instruídos é que o Corão e os Puranas descrevem o mesmo Deus único. O Deus único, que reside no coração de todos, é puro, eterno, transcendental, imutável, infalível, perfeito e completo. O Senhor é o onipotente controlador supremo de tudo. A entidade viva é movida pelo desejo do Senhor Supremo e age e trabalha unicamente de acordo com Seus desígnios”.

“Embora cada pessoa siga as escrituras de sua própria tradição”, continuou, “todas estão glorificando os nomes e as qualidades de Deus. Independente da maneira com que Ele é adorado, o Senhor aceita a variante de rendição de cada um. Se uma pessoa, todavia, odeia ou inveja outrem, ela acaba por deixar tais sentimentos interferirem em seu relacionamento com o Senhor. Tudo o que você presencia de minhas palavras e atividades são manifestações diretas de Deus, pois cumpro toda e qualquer ordem que o Senhor dita do íntimo de meu coração. Abordando isso de outra perspectiva, dentre os hinduístas, um brahmana, pelo desejo de Deus, talvez se torne um muçulmano. Eu diria que a punição que os hinduístas dariam a tal brahmana é a punição que eu deveria receber de Vossa Majestade. Ó honorífico nababo, por favor, considere sobre isso. Então, se definitivamente concluir que sou um transgressor, puna-me como achar apropriado”.

A Condenação de Haridasa

A corte muçulmana foi sinceramente tocada pelas palavras honestas de Haridasa Thakura. Contudo, sua sabedoria não pôde penetrar o coração invejoso e pecaminoso do qazi, que se voltou ao nababo e o instruiu:

“Você tem de punir este homem! Ele é perverso e malicioso. Outros acabarão sendo influenciados por ele e se tornarão igualmente pecaminosos. Ou você o pune, ou ele desgraçará nossa religião e nossa comunidade muçulmana. Se ele quer ser perdoado, então que ele pregue apenas com as palavras da escritura de sua tradição original”.

O nababo então propôs: “Meu irmão, pregue apenas com nossa escritura e siga o caminho, então você não terá nada a temer. Se você agir de outra forma, os qazis me obrigarão a puni-lo. Mas, por favor, diga-me uma coisa: Por que você lida com tudo isso tão tranquilamente?”.

Haridasa Thakura disse: “O que deseja Deus certamente se faz, pois ninguém tem o poder de desdizer Seu desejo. Cada um de nós sofre de acordo com o grau de nossas ofensas pretéritas. Tenha por certo que Deus está fazendo tudo e que você é um mero instrumento de Seu desejo. Mesmo que meu corpo seja cortado em pedaços e meu ar vital se dissipe, eu jamais deixarei de cantar o santo nome do Senhor Hari”.

Depois de ouvir a destemida resposta de Haridasa, o nababo voltou-se para o qazi novamente: “O que devo fazer com ele?”. “Até que ele morra, açoite-o em vinte e duas praças mercantis”, respondeu o invejoso qazi. “Não consigo pensar em nenhuma outra sentença apropriada. Então, se ele sobreviver aos vinte e dois açoitamentos, concluirei que ele é um homem sábio e que diz a verdade”.

Os guardas foram chamados e, cheio de ódio, o qazi ordenou: “Açoitem-no até que não tenha mais vida. O pecado de um muçulmano tornar-se hinduísta somente pode ser neutralizado com a punição da morte”.

As palavras invejosas do qazi entraram no coração do nababo, que consentiu com elas. Haridasa foi então arrastado para fora da corte. Levando-o de uma feira a outra, os soldados do nababo espancavam Haridasa impiedosamente. Com seus corações negros consumidos pelo ódio, eles deixaram o devoto puro do Senhor quase sem vida. Contudo, como uma alma completamente rendida ao Senhor Supremo, Haridasa cantava continuamente o nome de Krishna. Tão absorto estava ele na bem-aventurança desse cantar que nenhuma dor se fez sentir em seu corpo.

Diante da grande violência contra o corpo de Haridasa, as pessoas piedosas e de bom coração provavam uma aflição insuportável. Alguns imploravam para que os guardas parassem, enquanto outros prediziam: “Porque um homem santo está sendo assim açoitado, todo este reinado se encontrará com a ruína”. Muitos amaldiçoavam o rei e seu primeiro ministro à morte, e outros tentavam parar os soldados fisicamente. Um homem atirou-se aos pés dos soldados e implorou: “Eu dou qualquer coisa a vocês para que parem com esse açoitamento impiedoso!”.

Apesar de todas estas intervenções, nem mesmo o mais leve vestígio de misericórdia se despertou nos guardas do nababo. Com seus corações dominados pelo ódio, eles arrastavam Haridasa Thakura de uma feira pública a outra e o açoitavam inexoravelmente.

Pela misericórdia do Senhor Krishna, contudo, Haridasa não experimentou nenhuma dor. Quando Prahlada Maharaja era por muitos demônios torturado, ele não provava sequer uma única dor em seu corpo – e assim também se deu com Srila Haridasa Thakura. E todo aquele que se lembra desta história de Haridasa Thakura também se livra de todas as misérias da vida.

Na verdade, houve uma dor que Haridasa provou; esta, no entanto, vinha de dentro de seu coração. Ele orava: “Ó Senhor Krishna, por favor, seja misericordioso com estas pobres almas condicionadas. Que o ódio delas por mim não seja considerado uma ofensa! Que elas não tenham de sofrer nenhuma reação por minha causa!”.

Determinados a verem o fim de Haridasa Thakura, os soldados espancavam-no de feira em feira. Apesar de muito brutalmente açoitado, ele não esboçava nenhum sinal de ansiedade ou de estar se aproximando da morte. Os soldados muçulmanos pararam estupefatos.

“Como é possível a um ser humano sobreviver a tão brutal espancamento? Nenhuma pessoa comum sobrevive a duas ou três seções, mas este homem, embora já açoitado em vinte e duas praças mercantis, continua respirando. Além de não morrer, ele também não exibe nenhum sinal de dor, senão que de tempos em tempos sorri para nós”. Outro soldado se perguntava: “Ele é um ser humano ou será ele um grande santo?”.

“Ó Haridasa”, os soldados disseram suplicantes, “por sua causa, seremos mortos. Apesar de o termos castigado severamente, você continua a viver. O qazi, agora, certamente nos matará por nosso fracasso”.

“Se o meu viver é um infortúnio para vocês”, respondeu Haridasa, “então eu morrerei. Apenas observem”. Após dizer estas palavras, ele entrou imediatamente em transe profundo. Um devoto puro do Senhor Supremo possui todos os poderes místicos. Assim, livre de qualquer hesitação, Haridasa, não apresentando nenhum movimento respiratório, caiu ao chão. Os soldados muçulmanos ficaram impressionados com aquilo, mas carregaram satisfeitos o corpo de Haridasa até a presença do nababo.

Quando o nababo ordenou aos soldados que o enterrassem, o qazi protestou: “Não! Se ele for enterrado, ele será salvo! Embora tenha nascido como muçulmano, ele viveu como um hinduísta. Ele não é digno de tal fim. Se ele for enterrado, acabará por chegar ao paraíso. Para que ele sofra eternamente, como todos os demais hinduístas, jogue seu corpo no Ganges”.

Em cumprimento às ordens do qazi, Haridasa foi levado para o rio sagrado. Haridasa seguia absorto em seu transe mortal, meditando indesviavelmente na Suprema Personalidade de Deus. Enquanto se absorvia nessa meditação bem-aventurada, o Senhor Krishna, o mantenedor de todos os mundos, apareceu em seu corpo. Agora que Krishna havia aceitado o corpo de Haridasa como Sua morada, quem seria forte o suficiente para jogá-lo no rio? Os mais fortes dos soldados vieram tentar empurrá-lo para dentro do Ganges, mas ele permanecia imóvel como um grande pilar.

Em seu interior, Haridasa afogava-se no nectáreo oceano de amor a Krishna. Quanto ao mundo externo, ele não tinha consciência alguma dele. Se ainda estava corporificado, se vagueava por algum lugar do universo ou se estava no fundo das águas do Ganges, ele não sabia. Assim como Prahlada Maharaja, Haridasa Thakura tinha a habilidade espiritual de sempre se lembrar de Krishna e de nEle meditar com profunda devoção. Dado que o Senhor Chaitanya tinha o coração de Haridasa como Sua morada permanente, nada há de inacreditável nisso.

Assim como Hanuman, por respeito ao semideus Brahma, permitiu que os rakshasas o prendessem, também Haridasa, para ensinar uma grande lição ao mundo, permitiu que os muçulmanos o açoitassem. A lição ensinada por ele foi: “Mesmo que a pessoa esteja sofrendo com as mais terríveis misérias da vida ou esteja prestes a morrer, ela jamais deve parar de cantar o nome do Senhor Hari”.

Uma vez que Haridasa Thakura era protegido diretamente pelo Senhor Krishna, quem poderia ocasionar-lhe algum mal? Simplesmente por se lembrar do nome de Haridasa, a pessoa se torna livre de toda dor e miséria. E se ela se lembra da história de Haridasa Thakura, essa verdade é multiplicada muitas e muitas vezes. Não há nada mais certo do que Haridasa ser um dos mais íntimos e importantes associados da Suprema Personalidade de Deus, Sri Chaitanyachandra.

Por alguns momentos, Haridasa flutuou com a correnteza do Ganges. Em dado instante, pelo desejo do Senhor Supremo, novamente ele recobrou sua consciência do mundo externo. Desperto e em grande êxtase, o impoluto Haridasa subiu o barranco do rio. Então, cantando continuamente os santos nomes do Senhor Krishna, ele procedeu em direção a Phuliya.

Testemunhando o incrível poder de Srila Haridasa, os muçulmanos trocaram o ódio e a inveja de seus corações por um intenso sentimento de felicidade. Adorando-o como um grande santo, eles ofereceram-no suas reverências. Em virtude disso, todos eles obtiveram a salvação. Na presença do nababo, Haridasa lhe sorriu com grande misericórdia. De pé em sinal de respeito e com as palmas das mãos unidas, o nababo disse humildemente:

“Agora posso entender que você é um verdadeiro homem santo. Você conhece a verdade absoluta, o Deus único, e pode vê-lO em toda parte. O conhecimento absoluto e a liberação, sobre os quais os yogis místicos e filósofos apenas falam, você, como um ser humano perfeito, obteve-os facilmente. Vim até você com o objetivo bem específico de lhe implorar perdão. Por favor, bondosamente perdoe as ofensas que cometi contra você. Porquanto sua visão é equânime, para você não há amigos ou inimigos. Não há ninguém em todo o mundo que possa se igualar a você. Você pode ir para onde bem entenda. Viva onde queira: em uma cabana isolada ou em uma caverna às margens do Ganges e seja feliz. Você é um homem livre sob todos os aspectos”.

Por verem os pés de lótus de Haridasa Thakura, os muçulmanos esqueceram todos os problemas do mundo material. Os muçulmanos que o odiaram ao extremo de quererem sua morte, agora, transformados, tocavam seus pés adorando-o como um grande santo.

Todo o conteúdo das publicações de Volta ao Supremo é de inteira responsabilidade de seus respectivos autores, tanto o conteúdo textual como de imagens. Arte: Flávio Pará.

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