Os Seis Sintomas de Amor entre os Devotos

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A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

Se nos mantivermos na companhia dos devotos com uma postura amorosa e correta, nosso progresso na consciência de Krishna não encontrará obstáculos.

“Os seis sintomas de amor que os devotos compartilham entre si são: dar presentes em caridade, aceitar presentes caridosos, revelar os pensamentos em confidência, indagar confidencialmente, aceitar prasada e oferecer prasada”. (O Néctar da Instrução, verso 4)

Neste verso, Srila Rupa Gosvami explica como se devem realizar atividades devocionais na companhia de outros devotos. Essas atividades são em número de seis: (1) dar caridade aos devotos, (2) aceitar tudo o que os devotos possam oferecer em troca, (3) revelar os próprios pensamentos aos devotos, (4) indagar deles acerca do serviço confidencial ao Senhor, (5) aceitar prasada, ou alimento espiritual, dado pelos devotos e (6) alimentar os devotos com prasada. O devoto experiente explica e o devoto inexperiente aprende com ele. Isso é guhyam akhyati pricchati. No caso de um devoto distribuir prasada, remanescentes da comida oferecida à Suprema Personalidade de Deus, para que mantenhamos nosso espírito de serviço devocional, devemos aceitar esse prasada como a graça do Senhor, recebido por meio dos devotos puros. Devemos, também, convidar os devotos puros a vir à nossa casa, oferecer-lhes prasada e estar, sob todos os aspectos, preparados para agradá-los. Isso se chama bhunkte bhojayate caiva.

Mesmo em atividades sociais comuns, são absolutamente necessárias essas seis espécies de relações entre dois amigos dedicados. Quando, por exemplo, um homem de negócios deseja entrar em contato com outro, ele promove um banquete num hotel e, durante o banquete, exprime abertamente o que deseja fazer. Então, ele pergunta a seu amigo negociante como deve agir, com ocasionais trocas de presentes. Assim, estas seis atividades são realizadas sempre que há uma relação de priti, ou amor no convívio íntimo.

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Essas seis espécies de relações aparecem também em atividades sociais comuns.

No verso anterior, Srila Rupa Gosvami aconselhou que devemos abandonar a companhia de pessoas mundanas e manter-nos na companhia dos devotos (sanga-tyagat sato vritteh). A Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna foi estabelecida para facilitar essas seis espécies de trocas amorosas entre os devotos. Esta Sociedade foi iniciada sem ajuda alguma, mas, como as pessoas estão tomando a frente e lidando com a política de dar e receber, agora a Sociedade está se expandindo em todo o mundo. Ficamos contentes em ver as pessoas fazendo doações muito generosas para o desenvolvimento das atividades da Sociedade, e, por outro lado, aceitando com entusiasmo qualquer contribuição humilde que lhes damos sob a forma de livros e revistas, que tratam estritamente do assunto “consciência de Krishna”. Às vezes, celebramos festivais Hare Krishna e convidamos os membros vitalícios e amigos a participarem nos festejos, aceitando prasada. Muito embora a maioria de nossos membros venha das faixas mais altas da sociedade, eles vêm e aceitam o pouco de prasada que podemos lhes oferecer. Por vezes, os membros e simpatizantes indagam muito confidencialmente a respeito dos métodos para se realizar serviço devocional, e nós tentamos explicar isso. Dessa maneira, nossa Sociedade está se espalhando exitosamente em todo o mundo, e os intelectuais de todos os países vão aos poucos apreciando nossas atividades conscientes de Krishna.

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As seis espécies de relações amorosas é a fórmula de sucesso da ISKCON.

A vida da sociedade consciente de Krishna é nutrida por estas seis espécies de trocas amorosas que os devotos fazem entre si. Portanto, é preciso que as pessoas tenham a oportunidade de se associar com os devotos da ISKCON (Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna), porque, simplesmente por reciprocar nas seis maneiras mencionadas acima, um homem comum pode reviver completamente sua adormecida consciência de Krishna. Na Bhagavad-gita (2.62), declara-se que sangat sanjayate kamah: nossos desejos e ambições se desenvolvem de acordo com as pessoas com quem andamos. Entre o povo, é comum o ditado: “Dize-me com quem andas e te direi quem és.” Se uma pessoa comum se associar com devotos, não resta dúvida de que ela desenvolverá sua adormecida consciência de Krishna. A compreensão da consciência de Krishna é inata em todas as entidades vivas e, até certo ponto, já está desenvolvida quando a entidade viva assume um corpo humano. No Chaitanya-charitamrita (Madhya 22.107), afirma-se:

nitya-siddha krishna-prema ‘sadhya’ kabhu naya
sravanadi-shuddha-citte karaye udaya

“O amor puro por Krishna existe eternamente nos corações das entidades vivas. Não é algo que se possa obter de alguma outra fonte. Quando o coração se purifica com o processo de ouvir e cantar, a entidade viva desperta naturalmente”. Já que a consciência de Krishna é inata em todas as entidades vivas, todos devem ter a oportunidade de ouvir falar em Krishna. Pelo simples fato de ouvir e cantar – sravanam kirtanam – o coração se purifica diretamente, e a original consciência de Krishna desperta de imediato. A consciência de Krishna não é algo que se impõe artificialmente ao coração. Ela já existe. Quem canta o santo nome da Suprema Personalidade de Deus purifica o coração e deixa-o livre de toda a contaminação mundana. Na primeira estrofe de Seu Sri Siksastaka, o Senhor Sri Chaitanya Mahaprabhu diz:

ceto-darpana-marjanam bhava-maha-davagni-nirvapanam
sreyah-kairava-candrika-vitaranam vidya-vadhu-jivanam
anandambudhi-vardhanam pratipadam purnamritasvadanam
sarvatma-snapanam param vijayate sri-krishna-sankirtanam

“Todas as glórias ao sri-krishna-sankirtana, que purifica o coração de toda a poeira acumulada por muitos anos e extingue o fogo da vida condicionada, da repetição de nascimentos e mortes. Este movimento de sankirtana é a dádiva primordial para toda a humanidade, porque espalha os raios da lua da benção. É a vida de todo o conhecimento transcendental. Faz aumentar o oceano de bem-aventurança transcendental, capacitando-nos a saborear plenamente o néctar pelo qual sempre ansiamos.”

A vibração transcendental do maha-mantra – Hare Krishna, Hare Krishna, Krishna Krishna, Hare Hare/ Hare Rama, Hare Rama, Rama Rama, Hare Hare purifica não apenas aquele que canta, como também o coração de quem ouve. Mesmo as almas que se encontram em corpos de animais inferiores, insetos, árvores e outras espécies de vida, também se purificam e se preparam para tornarem-se totalmente conscientes de Krishna pelo simples fato de ouvirem a vibração transcendental. Thakura Haridasa explicou isso quando Chaitanya Mahaprabhu lhe perguntou como as entidades vivas inferiores aos seres humanos podem ser salvas do cativeiro material. Haridasa Thakura disse que o cantar dos santos nomes é tão poderoso que, mesmo que entoado nas partes mais remotas da selva, as árvores e os animais avançarão em consciência de Krishna pelo simples fato de ouvirem a vibração. O próprio Sri Chaitanya Mahaprabhu provou este fato ao passar pela floresta de Jharikhandha. Naquela ocasião, os tigres, as cobras, os veados e todos os outros animais abandonaram sua animosidade natural e se puseram a cantar e dançar no sankirtana.

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O Senhor Chaitanya faz os animais de Jharikhandha dançarem e cantarem.

Evidentemente, não podemos imitar as atividades de Sri Chaitanya Mahaprabhu, mas devemos seguir seus passos. Não somos poderosos o bastante para encantar animais inferiores, como os tigres, as cobras, os gatos e os cães, ou levá-los a dançar. Porém, se cantarmos os santos nomes do Senhor, poderemos converter muitas pessoas em todo o mundo à consciência de Krishna. O ato de distribuir os santos nomes do Senhor é um exemplo sublime de caridade (o princípio dadati). Além disso, deve-se também seguir o princípio pratigrihnati e estar disposto e pronto a receber o presente transcendental. Devemos indagar acerca do movimento da consciência de Krishna e revelar nosso pensamento para podermos compreender a situação deste mundo material. Assim, os princípios guhyam akhyati pricchati podem ser observados.

Todos os domingos, os membros da Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna convidam os seus integrantes e simpatizantes para jantar, promovendo com amor um banquete em todas as suas filiais. Muitas pessoas interessadas vêm honrar o prasada e, sempre que possível, elas convidam os membros da Sociedade a irem a suas casas e os alimentam suntuosamente com prasada. Dessa maneira, tanto os membros da Sociedade quanto o público em geral são beneficiados. As pessoas devem abandonar a companhia de ditos yogis, jnanis, karmis e filantropos, porque a associação com tais pessoas não traz benefício para ninguém. Quem quer realmente alcançar a meta da vida humana deve associar-se com os devotos do movimento da consciência de Krishna, por ser este o único movimento que nos ensina como desenvolver amor por Deus. A religião, atividade específica da sociedade humana, distingue os humanos da sociedade animal. Estes não têm igreja, nem mesquita nem sistema religioso. Em todas as partes do mundo, por mais rudimentar que seja a sociedade humana ali, sempre existe algum sistema religioso. Mesmo tribos de aborígenes nas selvas também têm um sistema de religião. Quando um sistema religioso se desenvolve e se converte em amor a Deus, ele é bem-sucedido. Como se declara no Primeiro Canto do Srimad-Bhagavatam (1.2.6):

sa vai pumsam paro dharmo
yato bhaktir adhoksaje
ahaituky apratihata
yayatma suprasidati

“A ocupação suprema [dharma] para toda a humanidade é aquela por intermédio da qual os homens podem atingir o serviço devocional amoroso ao Senhor transcendental. Para satisfazer o eu completamente, tal serviço devocional tem de ser imotivado e ininterrupto.”

Se os membros da sociedade humana querem realmente paz de espírito, tranquilidade e relações amistosas entre os homens e as nações, eles têm de seguir o sistema de religião da consciência de Krishna, por intermédio do qual poderão desenvolver seu adormecido amor por Krishna, a Suprema Personalidade de Deus. Logo que as pessoas assim o fizerem, suas mentes encher-se-ão imediatamente de paz e tranquilidade.

A este respeito, Srila Bhaktisiddhanta Sarasvati Thakura adverte a todos os devotos dedicados a difundir o movimento da consciência de Krishna que não falem com os mayavadis, os impersonalistas, os quais estão sempre determinados a se opor a tais movimentos teístas. Neste mundo, formigam mayavadis e ateístas, e os partidos políticos do mundo se aproveitam da filosofia mayavada e de outras filosofias para promoverem o materialismo. Por vezes, eles chegam inclusive a apoiar um partido forte, com o intuito de fazer oposição ao movimento da consciência de Krishna. Os mayavadis e outros ateístas não querem que este movimento da consciência de Krishna se desenvolva, pois este educa as pessoas a cultivar a consciência de Deus. Esta é a política dos ateístas. Não há benefício em se alimentar uma serpente com leite e bananas, porque ela jamais ficará satisfeita. Ao contrário, quando a serpente toma leite e bananas, ela fica simplesmente mais venenosa (kevalam vina-vardhanam). Quando se dá leite para a serpente beber, seu veneno só aumenta. Por um motivo semelhante, não devemos revelar nossos pensamentos às serpentes mayavadis e karmis. Tais revelações de nada adiantarão. É melhor evitar por completo a companhia deles e jamais lhes perguntar nada de confidencial, porque eles não podem dar bons conselhos. Tampouco devemos fazer convites aos mayavadis e aos ateístas, nem aceitar seus convites, pois com tal inter-relacionamento íntimo pode ser que a mentalidade ateísta deles nos afete (sangat sanjayate kamah). Devemos nos abster de dar qualquer coisa aos mayavadis e aos ateístas ou de aceitar qualquer coisa deles: este é o preceito negativo deste verso. Sri Chaitanya Mahaprabhu também adverte que vinayira anna khaile dunta haya mana: [Cc. Antya 6.278] “Quem come refeições preparadas por pessoas mundanas fica com a mente pecaminosa”. A menos que alguém seja muito avan çado, não conseguirá utilizar as contribuições de todos para promover o movimento da consciência de Krishna. Por isso, por princípio, não se deve aceitar caridade dos mayavadis ou dos ateístas. Na verdade, Sri Chaitanya Mahaprabhu proibiu que os devotos se associassem até mesmo com pessoas comuns que estivessem muito viciadas em satisfazer seus sentidos materiais.

Em conclusão, devemos nos manter sempre na companhia dos devotos, observar os princípios devocionais reguladores, seguir os passos dos acharyas e, com total obediência, cumprir as ordens do mestre espiritual. Dessa maneira, poderemos desenvolver nosso serviço devocional e nossa adormecida consciência de Krishna. Do devoto que não é neófito nem é maha-bhagavata (um devoto muito avançado), e que se encontra na fase intermediária de serviço devocional, espera-se que ele ame a Suprema Personalidade de Deus, faça amizade com os devotos, favoreça os ignorantes e rejeite as pessoas invejosas e demoníacas. Neste verso, faz-se uma breve menção do processo de estabelecer relações amorosas com a Suprema Personalidade de Deus e de fazer amizade com os devotos. De acordo com o princípio dadati, um devoto avançado deve gastar pelo menos cinquenta por cento de sua renda no serviço ao Senhor e Seus devotos. Srila Rupa Gosvami estabeleceu este exemplo em sua vida. Quando decidiu se aposentar, ele distribuiu cinquenta por cento de seus ganhos para o serviço a Krishna, vinte e cinco por cento para seus parentes e manteve vinte e cinco por cento para emergências pessoais. Todos os devotos devem seguir este exemplo. Qualquer que seja a nossa renda, devemos gastar cinquenta por cento para Krishna e Seus devotos, o que satisfará as exigências de dadati.

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