As 64 Qualidades de Sri Krishna: Qualidades de 57 a 64

28 R (artigo - Krishna)  64 Qualidades  de Krsna - 57 a 64 (2002) (bg)A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada
(Excerto da obra O Néctar da Devoção)

O corpo de Krishna gera inumeráveis universos, a fonte original de todas as encarnações, Krishna outorga a salvação aos inimigos mortos por Ele, aquele que atrai as almas libertas, o executor de atividades maravilhosas, Krishna é rodeado por devotos amorosos, a atrativa flauta de Krishna, a irrivalizável beleza de Krishna.

57. O corpo de Krishna gera inumeráveis universos

28 R (artigo - Krishna)  64 Qualidades  de Krsna - 57 a 64 (2000) (bg)1Krishna, em Sua forma como Vishnu, emanando incontáveis universos a partir dos poros de Seu corpo.

No Srimad-Bhagavatam (10.14.11), o Senhor Brahma diz: “Meu querido Senhor, o falso ego, a inteligência, a mente, o céu, o ar, o fogo, a água e a terra constituem os ingre­dientes materiais deste universo, o qual pode ser comparado a um vaso gigantesco. Nesse vaso gigantesco, meu corpo tem uma medida insignificante, e, ainda que eu crie um dos muitos universos, inumeráveis universos entram e saem dos poros de Vosso corpo assim como vemos partículas atômicas tremulando na luz do Sol. Julgo que sou muitíssi­mo insignificante perante Vós, em razão do que Vos peço que me perdoeis. Por favor, tende miseri­córdia de mim”.

Se alguém levar em conta mesmo apenas um universo, descobrirá dentro do mesmo muitíssimas combinações de coisas maravilhosas, porque existem inumeráveis planetas, inumeráveis residências e inumeráveis regiões de semideuses. O diâmetro do universo é de 6,4 bilhões de quilômetros, e é infestado de muitas regiões insondáveis conhecidas como patalas, ou sistemas planetários inferiores. Apesar de Krishna ser a origem de tudo isto, podemos vê-lO sempre em Vrindavana manifestando Suas potências inconcebíveis. Quem, então, poderá adorar de maneira adequada semelhante Senhor todo-poderoso, possuidor de tão grandiosa energia inconcebível?

58. A fonte original de todas as encarnações

Em seu Gita-govinda, Jayadeva Gosvami canta como segue: “O Senhor salva os Vedas em Sua forma de peixe, e carrega todo o universo nas costas em Sua forma de tarta­ruga. Sob a forma de um javali, Ele ergue este planeta Terra da água. Ele mata Hiranyakashipu sob a forma de Nrisimha, engana Maharaja Bali sob a forma de Vamana e, como Parashurama, aniquila todas as dinastias dos kshatriyas. Ele mata todos os demônios sob a forma do Senhor Rama e, na forma de Balarama, aceita o grande arado. Sob a forma de Kalki, aniquila todos os ateístas, e, sob a forma do Senhor Buddha, salva os pobres animais”. Essas são algumas das descrições das encarnações que emanam de Krishna, e, a partir do Srimad-Bhagavatam, compreende-se que as inumeráveis encarnações estão sempre emanando do corpo de Krishna, tal qual ondas no oceano. Assim como ninguém pode contar quantas ondas existem, ninguém pode contar quantas encarna­ções partem do corpo do Senhor.

59. Krishna outorga a salvação aos inimigos mortos por Ele

Outro nome dado à salvação é apavarga. Apavarga é o contrário de pavarga, ou as diversas condições miseráveis da existência material. Pa-varga indica a combinação de cinco letras sânscritas: pa, pha, ba, bha e ma. Essas letras são as letras iniciais das palavras para cin­co diferentes condições, as quais se apresentam a seguir. A primeira letra, pa, vem da palavra parabhava, que significa “derrota”. Nesta luta material pela vida, estamos simplesmente sendo derrotados. Na realidade, temos que conquistar o nascimento, a morte, a doença e a velhice, mas, como não há possibilidade de superarmos todas essas condições miseráveis, nós, por causa da ilusão de maya, simplesmente nos deparamos com parabhava, ou derrota. A letra seguinte, pha, é oriunda da palavra phena, que é a espuma que aparece na boca quando se está muito cansado (como se observa comumente nos cava­los). A letra ba origina-se da palavra bandha, ou cativeiro. Bha é oriunda da palavra bhiti, ou temor. Ma origina-se da palavra mriti, ou morte. Assim, a palavra pavarga significa nossa luta pela vida e nosso encontro com a derrota, a exaustão, o cativeiro, o temor e, por fim, com a morte. Apavarga significa aquilo que pode anular todas essas condições materiais. Krishna é descrito como aquele que outorga apavarga, o caminho da libertação.

Para os impersonalistas e para os inimigos de Krishna, a libertação significa fundirem-se no Supremo. Os demônios e os impersonalistas não se interessam por Krishna, mas Krishna é tão amá­vel que concede a libertação mesmo para Seus inimigos e para os impersonalistas. A esse respeito, há a seguinte declaração: “Ó Murari [Krishna]! Como é maravilhoso que, embora os demô­nios, os quais sempre invejam os semideuses, não tenham conseguido penetrar Vossa fa­lange militar, mas tenham penetrado a região de mitra, o globo solar”. A palavra mitra é usada metaforicamente. Mitra significa “o globo solar”, mas também significa “amigo”. Os demônios que fizeram frente a Krishna como inimigos queriam penetrar Sua falange militar, mas, em vez de fazerem isso, morreram na batalha e, como resultado, penetra­ram o planeta de Mitra, ou o planeta Sol. Em outras palavras, eles entraram na refulgên­cia Brahman. Aqui se dá o exemplo do planeta Sol porque o mesmo é sempre luminoso, tal como o céu espiritual, onde existem os inumeráveis e luminosos planetas Vaikuntha. Em vez de penetrarem a falange de Krishna, os inimigos de Krishna que foram mortos entraram na atmosfera amigável da refulgência espiritual. Assim é a misericórdia de Krishna, motivo pelo qual Ele é conhecido como o salvador mesmo de Seus inimigos.

60. Aquele que atrai as almas libertas

Muitos são os exemplos de como Krishna atraiu mesmo grandes almas libertas, como Shukadeva Gosvami e os Kumaras. A esse respeito, os Kumaras fazem a seguinte declara­ção: “Que maravilhoso é que, embora sejamos completamente libertos, livres de desejos e situados na fase de paramahamsa, aspiremos a saborear os passatempos de Radha e Krishna”.

61. O executor de atividades maravilhosas

No Brihad-vamana Purana, o Senhor diz: “Embora Eu tenha muitos passatempos fascinantes, sempre que penso na rasalila, a qual executo com as gopis, fico ansioso por executá-la novamente”.

Certo devoto disse: “Tenho conhecimento acerca de Narayana, o esposo da deusa da fortu­na, e também tenho conhecimento acerca de muitas outras encarnações do Senhor. Por certo que todos os passatempos de tais encarnações são empolgantes à minha mente, mas os passatempos da rasa-lila, executados pelo próprio Senhor Krishna, estão aumentando mara­vilhosamente meu prazer transcendental”.

62. Krishna é rodeado por devotos amorosos

Quando falamos de Krishna, Krishna não está sozinho. “Krishna” significa Seu nome, Suas qualidades, Sua fama, Seus amigos, Sua parafernália, Seu séquito – tudo isso está incluso. Quando falamos de um rei, subentende-se que ele está rodeado por ministros, secretários, comandantes militares e por muitas outras personalidades. De maneira similar, Krishna não é impessoal. Especialmente em Sua lila de Vrindavana, Ele está rodeado pelas gopis, os vaqueirinhos, Seu pai, Sua mãe e todos os habitantes de Vrindavana.

No Srimad-Bhagavatam (10.31.15), as gopis lamentam: “Meu querido Krishna, quando, pela manhã, sais para a floresta de Vrindavana com Tuas vacas, consideramos que um instante alonga-se tal como fossem doze anos, e, para nós, é muito difícil passar o tempo. Então, quando voltas no fim do dia; por vermos Teu belo rosto, sentimo-nos tão atraídas que não conseguimos deixar de olhar constantemente para Ti. Nesses momen­tos, quando acontece o ocasional piscar de nossas pálpebras, condenamos o criador, o Senhor Brahma, considerando-o um estúpido, pois ele não sabe como fazer olhos perfeitos!”. Em outras palavras, as gopis se perturbavam com o piscar de seus olhos porque, enquanto seus olhos estavam fechados, não podiam ver Krishna. Isso quer dizer que o amor das gopis por Krishna era tão grande e extático que elas se perturbavam mesmo com Sua ausência momentânea. Elas, no entanto, também se perturbavam quando viam Krishna. Isso é um paradoxo.

Certa gopi, exprimindo-se a Krishna, disse: “Quando nos encontramos conTigo à noite, consideramos que a duração da noite é deveras curta. E por que falarmos apenas desta noite? Mesmo se tivéssemos uma noite de Brahma, nós a consideraríamos um perío­do muito curto!”. Obtemos certa noção do dia de Brahma a partir da seguinte declaração do Bhagavad-gita (8.17): “Segundo cálculos humanos, a soma de mil ciclos de yugas com­preendem um dia de Brahma, o que é também a duração de sua noite”. As gopis disseram que, mesmo se pudessem ter essa duração de noite, tal duração não seria suficiente para o encontro delas com Krishna.

63. A atrativa flauta de Krishna

No Srimad-Bhagavatam (10.35.15), as gopis dizem a mãe Yashoda: “Quando seu fi­lho toca Sua flauta, o Senhor Shiva, o Senhor Brahma e Indra – embora supostamente se­jam as personalidades mais elevadas e os sábios mais eruditos – ficam todos confusos. Apesar de serem todos personalidades de grande erudição, quando ouvem o som da flauta de Krishna, prostram-se humildemente e tornam-se graves ao examinarem o som vibrado”.

28 R (artigo - Krishna)  64 Qualidades  de Krsna - 57 a 64 (2000) (bg)2Krishna segurando uma de Suas flautas.

Em seu livro Vidagdha-madhava, Sri Rupa Gosvami descreve a vibração da flauta de Krishna deste modo: “A vibração sonora criada pela flauta de Krishna admiravelmente fez com que o Senhor Shiva parasse de tocar seu tambor dindima, e a mesma flauta fez com que grandes sábios, como os quatro Kumaras, perturbassem-se em sua meditação. Esse som fez com que o Senhor Brahma, que estava sentado sobre a flor de lótus com o obje­tivo de criar, ficasse espantado. E Anantadeva, que calmamente sustentava todos os pla­netas sobre Seu capelo, movia-Se de um lado a outro devido à vibração transcendental da flauta de Krishna, que penetrou a cobertura do universo e alcançou o céu espiritual”.

64. A irrivalizável beleza de Krishna

No Srimad-Bhagavatam (3.2.12), Uddhava diz a Vidura: “Meu caro senhor, quando Krishna apareceu neste planeta e manifestou a potência de Sua energia interna, Ele apareceu com Sua forma mais maravilhosa. Sua forma prodigiosamente atrativa esteve presente en­quanto Ele executou Seus passatempos neste planeta, e, com Sua potência interna, Ele manifestou Suas opulências, que surpreendem a todos. Sua beleza pessoal era tão gran­diosa que Ele não tinha necessidade de usar ornamentos em Seu corpo. De fato, em vez dos ornamentos embelezarem Krishna, a beleza de Krishna realçava os ornamentos”.

28 R (artigo - Krishna)  64 Qualidades  de Krsna - 57 a 64 (2000) (bg)3Krishna, o mais belo.

No concernente ao encanto da beleza do corpo de Krishna e à vibração sonora de Sua flauta, as gopis, no Srimad-Bhagavatam (10.29.40), dirigem-se a Krishna como segue: “Embora nossa atitude conTigo se assemelhe a aventuras amorosas com um amante, não podemos deixar de nos surpreender diante de como nenhuma mulher é capaz de manter sua cas­tidade ao ouvir a vibração de Tua flauta. E não apenas as mulheres, mas mesmo homens de coração severo estão sujeitos a cair de sua posição com o som de Tua flauta. De fato, vemos que, em Vrindavana, mesmo as vacas, os veados, as aves, as árvores – todos – encantam-se com a doce vibração de Tua flauta e a beleza fascinante de Tua pessoa”.

Em seu Lalita-madhava, Rupa Gosvami diz: “Certo dia, aconteceu de Krishna ver Sua bela forma refletida em um piso de joias. Ao ver aquele reflexo corporal, Ele exprimiu Seus sentimentos: ‘Que maravilhoso é que Eu jamais tenha visto uma forma tão bela como esta! Apesar de ser Minha própria forma, estou, da mesma maneira que Radharani, tentando abraçar essa forma para desfrutar de bem-aventurança celestial’”. Essa declaração mostra como Krishna e Seu reflexo são idênticos. Não há diferença entre Krishna e Seu reflexo, tampouco entre Krishna e Seu retrato. Essa é a posição transcendental de Krishna.

As declarações supracitadas descrevem alguns dos maravilhosos reservatórios de prazer existentes em Krishna, bem como as qualidades transcendentais de Sua personalida­de. As qualidades transcendentais de Krishna são comparadas ao oceano: não se podem calcular o comprimento e a largura do oceano. Porém, assim como se pode saber qual é o conteúdo do oceano simplesmente por se examinar uma gota do mesmo, essas declarações nos darão algum entendimento da posição e das qualidades transcendentais de Krishna.

No Srimad-Bhagavatam (10.14.7), o Senhor Brahma diz: “Meu querido Senhor, os inconcebíveis encantos, qualidades e atividades que tens revelado através de Tua presença neste planeta não podem ser calculados por nenhuma medida material. Mesmo que se tente imaginar que ‘talvez Krishna seja assim’, isso também é impossível. Talvez chegue o dia em que o cientista material, após muitíssimos nascimentos ou após muitíssimos anos, seja capaz de avaliar a constituição atômica de todo o universo, ou talvez seja capaz de contar os fragmentos atômicos que permeiam o céu, ou, então, talvez até mesmo apresente uma estima­tiva de todos os átomos que existem no universo; ele, entretanto, jamais será ca­paz de contar as qualidades transcendentais que existem em Teu reservatório de bem-aventurança transcendental”.

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