O Quase Estupro de Kalavati e a Purificação do Rei de Mathura

23 I (história - Mantra) O Quase Estupro de Kalavati e a Purificação do Rei de Mathura (801)

Suta Gosvami
(Excerto do Skanda Purana)

Em sua noite de núpcias, a jovem Kalavati, já a sós com seu esposo, revela desinteresse em deitar-se com ele que não era outrem senão o poderoso rei de Mathura. Vendo a jovem de pele macia e nádegas sensuais que acabara de desposar, o rei decide tomá-la em seus braços mesmo contra a vontade dela. Uma surpresa, no entanto, o aguardava.

Houve um rei na família de Dasharha que reinava Mathura e sua região, e que era inteligente e destemido, jovem e belo. Ele se casou com a filha do rei de Kashi, chamada Kalavati, que era uma moça muito atrativa e qualificada. Depois da cerimônia de casamento, o rei retornou ao seu palácio, junto de Kalavati. Naquela noite, quando ela se deitou em sua cama particular, o rei a chamou a fim de que pudessem desfrutar sexualmente. Com efeito, chamou-a muitas vezes, mas, porque ela não estava se sentindo com vontade de ter relações sexuais, ela não foi até ele. Por fim, o rei levantou-se da cama dele pensando em tomá-la em seus braços à força.

A rainha disse: “Não toques em mim! Tu, como rei, tens que saber o que é dharma e o que é contrário ao dharma. Não faças nada precipitadamente. As autoridades eruditas aprovam o prazer sexual em certas ocasiões – isso é verdade. O intercurso sexual é certamente muito prazeroso tanto para o marido quanto para a mulher quando ambos o desejam. Poderás desfrutar de mim quando o desejo por sexo seja despertado em mim. Que prazer poderia obter um homem forçando uma mulher ao sexo? Nenhum homem deve se aproximar com luxúria de uma mulher que não está interessada em fazer sexo com ele, tampouco deveria buscar uma mulher doente, grávida ou em seu período menstrual. Um esposo amável deve buscar luxuriosamente sua jovem esposa depois de mimá-la e agradá-la de várias maneiras, depois de uma grande quantidade de elogios e agrados e depois de certificar-se, com simpatia, de que todas as necessidades dela – físicas, emocionais, de segurança quanto ao futuro e assim por diante – estão atendidas. Um homem que deseja receber prazer de uma mulher deve agir dessa maneira”.

Embora instruído dessa maneira por sua casta esposa, o rei, que estava tomado pela luxúria, foi até ela com o intento de arrastá-la até sua cama. Contudo, tão logo ele a tocou, sentiu como se ela fosse ferro incandescente. Horrorizado e com as mãos queimadas, empurrou-a para longe de si. O rei disse: “Que evento incomum! Como teu corpo, que é macio como um botão de planta, tornou-se vermelho como fogo?”.

Kalavati respondeu: “Em minha infância, o grande sábio Durvasa dera-me um mantra com um dos nomes do Senhor. Por eu cantar regularmente esse mantra, meu corpo se livrou de todo pecado e de toda impureza. Pessoas pecaminosas, destituídas de boa fortuna, não são capazes nem mesmo de me tocar”.

“Tu, ó rei”, continuou a rainha, “frequentemente te aprazes na companhia de prostitutas e de outras mulheres que se dão ao consumo de bebidas alcoólicas. Tu não te banhas diariamente, tampouco adora o Senhor Shiva ou o Senhor Vishnu. Como podes considerar-te digno de tocar o meu corpo?”.

O rei respondeu: “Ó mulher de nádegas sensuais, inicia-me no cantar de teu mantra auspicioso. Desejo desfrutar de ti depois que eu tenha me livrado de todos os pecados através dessa recitação”.

Kalavati disse: “Não posso instruir-te por respeito à hierarquia formal que existe entre nós dois e que diz que te sou inferior. Deves buscar o sábio Garga, o mais erudito entre todos aqueles entendidos na ciência dos mantras”.

A rainha e o rei, então, foram ter com Garga Muni. Após adorar o sábio, o rei solicitou-lhe que compartilhasse com ele o mesmo mantra de cinco sílabas que dera à rainha Kalavati. Em resposta, o sábio levou o casal real até as margens do rio Yamuna. O preceptor sentou-se sob uma árvore sagrada e pediu ao rei que se banhasse e jejuasse ao longo do dia. Mais tarde, depois de reverenciar a Deidade do mantra, Garga Muni colocou sua mão sobre a cabeça do rei e deu-lhe o mantra do Deus Supremo.

Devido à potência desse mantra e ao toque da mão do grande sábio, bandos de corvos imediatamente voaram para fora do corpo do rei. As asas desses corvos queimaram e, enquanto gritavam, caíram ao chão, reduzidos a cinzas. Vendo isso, tanto a rainha quanto o rei ficaram admirados. O rei perguntou ao sábio Garga por que bandos de corvos haviam saído de seu corpo. “Como se deu esse evento espantoso? O que isso significa?”.

Garga Muni respondeu: “Ó rei, acumularas pecados inúmeros e hediondos no curso de milhares de vidas pretéritas. Houve também atos meritórios praticados por ti, os quais resultaram em teu nascimento em uma família régia. Quando o mantra com o nome de Deus entrou profundamente em teu coração, milhões de pecados saíram na forma de corvos. Em outras palavras, todos os teus pecados foram reduzidos a cinzas devido ao canto do mantra que recebeste. Agora que estás livre de todos os pecados anteriores, podes desfrutar com tua esposa até a plena satisfação”.

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3 Respostas

  1. Elisadai

    Qual mantra a rainha cantava? Preciso de um mantra de proteção urgente!

    25 de dezembro de 2014 às 2:40 PM

    • sergio

      A moça era casta! São castos os que têm íntima comunhão com Deus! O mantra em si não tem poder algum, se não tiver o anelo do devoto! Ensine um mantra a um papagaio, e ele o repetirá eternamente, mas nada acontecerá, porque é recitado sem prema, sem bhakti! Talvez o mantra fosse “OM NAMAH SHIVAYA”, que tem 5 sílabas. Se você não conhece Shiva intimamente, de nada adiantaria dar 16 voltas no japa-mala de sândalo, rudraksha ou tulasi! A intimidade vem primeiro, depois as intenções! HARIBOL!!!

      31 de dezembro de 2014 às 7:12 PM

  2. Anônimo

    O mantra de 5 sílabas para o Senhor Vishnu ;e: Om-vi-shna-ve- na-mah.

    20 de janeiro de 2017 às 9:51 PM

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