A Futilidade da Vida Materialista: Ensinamentos de uma Criança Imaculada

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Prahlada Maharaja

Todas as crianças tinham muita afei­ção e respeito por Prahlada Maharaja e, devido à tenra idade, não estavam muito contaminados pelas instruções de seus professores, os quais eram apegados à dualidade censurável e ao conforto corpóreo. Assim, os me­ninos sentaram-se ao redor de Prahlada Maharaja, dispondo-se a ouvi-lo. Prahlada Maharaja, um devoto excepcionalmente elevado de apenas cinco anos de idade, visando o benefício de seus colegas de classe, instruiu-lhes sobre a futilidade da vida materialista.

Aquele que é bastante inteligente deve, desde o começo de sua vida, saber usar o corpo humano e, então, desde a tenra idade da infância, praticar as atividades do serviço de­vocional, abandonando todas as outras ocupações. O corpo humano é muito raro de ser obtido e, embora temporário como os outros corpos, é valioso porque, na vida humana, pode-se prestar serviço devocional. Mesmo com um pouco de serviço devocional sincero, a pessoa pode alcançar a perfeição completa.

A forma de vida humana dá a oportunidade de voltarmos ao lar, voltarmos ao Supremo. Portanto, toda entidade viva, especialmente na forma de vida humana, deve ocupar-se em serviço devocional aos pés de lótus do Senhor Vishnu. Esse serviço devocional é natural porque o Senhor Vishnu, a Suprema Personalidade de Deus, é o mais querido, o mestre da alma e o benquerente de todos os outros seres vivos.

A felicidade que o corpo propicia mediante a intervenção dos sentidos está disponível nas diversas formas de vida obtidas de acordo com as atividades fruitivas passadas. Assim como a miséria, tal felicidade surge automaticamente, não sendo neces­sário que se a procure.

Esforços para obter mero gozo dos sentidos ou felicidade material através do desenvolvimento econômico não devem ser em­preendidos, pois eles redundam apenas em desperdício de tempo e de energia, sem nenhum ganho verdadeiro. Quem concentra na cons­ciência de Krishna todos os seus esforços alcançará certamente a pla­taforma espiritual da autorrealização, mas aquele que se ocupa em desenvolvimento econômico não obtém esse benefício.

Portanto, enquanto está na existência material, alguém que tenha plena competência para distinguir o certo do errado deve esforçar-se para alcançar a meta mais elevada da vida, aprovei­tando um corpo forte e vigoroso, que ainda não está sob os efeitos da decrepitude.

Todo ser humano vive no máximo cem anos, mas, para aquele que não consegue controlar seus sentidos, metade desses anos se perdem completamente porque, à noite, coberto pela ignorância, ele dorme doze horas. Por conseguinte, a vida dessa pessoa dura apenas cinquenta anos. Na tenra idade da infância, quando todos estão confusos, passam­-se dez anos. De modo semelhante, na juventude, ocupada em es­portes e divertimentos, a pessoa vive outros dez anos. Assim, vinte anos são desperdiçados. E, na velhice, quando está inválida, incapaz de executar até mesmo atividades materiais, ela desperdiça outros vinte anos.

Aquele cuja mente e cujos sentidos estão fora de controle apega-se cada vez mais à vida familiar devido a insaciáveis desejos luxuriosos e fortíssima ilusão. Na vida desse louco, os anos que ainda lhe restam também são desperdiçados porque, mesmo durante esses anos, ele não pode ocupar-se em serviço devocional.

Qual é a pessoa que, estando muito apegada à vida familiar porque não é capaz de controlar seus sentidos, pode libertar-se? Um chefe de família apegado é muito fortemente atado pelas cordas da afeição à sua família.

O dinheiro é tão querido que é considerado mais doce do que o mel. Portanto, quem pode abandonar o desejo de acumular dinheiro, especialmente na vida de casado? Os ladrões, os soldados e os mercadores tentam conseguir dinheiro arris­cando inclusive a própria vida, pela qual têm tanto apreço.

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Quem pode abandonar o desejo de acumular dinheiro?

Como pode abandonar a companhia de sua família uma pessoa que lhe dedica tanta afeição e cujo âmago do coração está sempre repleto das imagens dos membros familiares? Especificamente, a es­posa é sempre muito bondosa e compassiva, e procura satisfazer seu esposo num local solitário. Quem conseguiria abandonar a compa­nhia de uma esposa tão querida e afetuosa?

As criancinhas falam num linguajar entrecortado, muito agradável de se ouvir, e seu afe­tuoso pai vive pensando em suas doces palavras. Como ele poderia lhes abandonar a companhia? A pessoa também tem muito cari­nho pelos seus pais idosos e pelos seus filhos e filhas. A filha é espe­cialmente muito querida a seu pai e, enquanto está vivendo na casa de seu esposo, ela não lhe sai da mente. Quem conseguiria abando­nar essa companhia? Além disso, no convívio em família, a casa é decorada de mobília, e nela há também animais e criados. Quem po­deria abandonar semelhantes confortos?

Apegado, o chefe de fa­mília é como um bicho-da-seda, que constrói um casulo no qual ele próprio fica preso, incapaz de sair do mesmo. Somente para satisfazer dois importantes sentidos — os órgãos genitais e a língua —, a pessoa fica atada às condições materiais. De que jeito ela pode escapar?

Aquele que está muito apegado não consegue compreender que, na busca de tentar manter sua família, está desperdiçando sua vida valiosa. Ele também deixa de compreender que o propósito da vida humana, uma vida própria para se entender a Verdade Absoluta, está sendo imperceptivelmente inutilizado. No entanto, ele é muito arguto e está atento a que nem um único centavo se perca. Assim, embora esteja sempre sofrendo as três misérias, uma pessoa apegada e imersa na existência material não fica desgostosa com a vida material.

Se alguém muito apegado aos deveres de manter sua família for incapaz de controlar os sentidos, o âmago de seu coração ficará absorto em acumular dinheiro. Embora ele saiba que quem se apos­sa dos bens alheios será punido pelas leis do governo e, depois da morte, pelas leis de Yamaraja, ele continua enganando os outros para conseguir dinheiro.

Ó meus amigos, neste mundo material, mesmo aqueles que aparentemente são avançados em educação têm a propensão de considerar: “Isso é meu, e aquilo é para os outros”. Assim, como gatos e cachorros não instruídos, eles, estando sob o limitado conceito de vida familiar, vivem ocupados em prover as suas famílias com os artigos de primeira necessidade. Eles são incapazes de adotar o conhecimento espiritual, senão que, em vez disso, estão con­fusos e são dominados pela ignorância.

Meus queridos amigos, é incontestável o fato de que, não conhecendo a Suprema Personalidade de Deus, ninguém, em parte alguma, jamais conseguiu libertar-se do cativeiro material. Pelo contrário, aqueles que não conhecem o Senhor estão atados pelas leis materiais. De fato, eles se entregam ao gozo dos sentidos e só pensam em obter mulheres. Na verdade, eles são verdadeiros brinquedos nas mãos de mulheres atraentes. Vítimas dessa concepção de vida são rodeados por filhos, netos e bis­netos, e assim ficam agrilhoados ao cativeiro material. Aqueles que são muito apegados a essa concepção de vida chamam-se demônios. Portanto, embora sejais filhos de demônios, mantende-vos afasta­dos dessas pessoas e refugiai-vos em Narayana, a Suprema Perso­nalidade de Deus, a origem de todos os semideuses, porque, para os devotos de Narayana, a meta última é libertar-se do cativeiro da existência material.

Meus queridos filhos de demônios, Narayana, a Suprema Personalidade de Deus, é a Superalma original, o pai de todas as entidades vivas. Consequentemente, quer alguém seja criança, quer seja um senhor de idade, nada o impede de satisfazê-lO ou adorá-lO em quaisquer circunstâncias. A relação entre as entidades vivas e a Suprema Per­sonalidade de Deus é sempre um fato, em virtude do que não existe nenhuma dificuldade para satisfazer o Senhor.

A Suprema Personalidade de Deus, o controlador supremo, que é infalível e infatigável, está presente nas diversas formas de vida, desde os seres vivos inertes, tais como as plantas, até Brahma, a principal criatura viva. Ele também Se encontra nas várias categorias de criações materiais e nos elementos materiais, na totalidade da energia material e nos modos da natureza material, bem como na natureza ma­terial imanifesta e no falso ego. Embora único, Ele está presente em toda parte, e é também a Superalma transcendental, a causa de todas as causas, que, no âmago do coração de todas as entidades vivas, testemunha-lhes as ações. Define-se-O como aquele que é permeado e como a Superalma que tudo permeia, porém, na verdade, não se O pode definir. Ele é imutável e indiviso. Ele é simplesmente per­cebido como o sac-cid-ananda supremo [eternidade, conhecimento e bem-aventurança]. Estando coberto pela cortina da energia exter­na, Ele, ao ateísta, parece inexistir.

Portanto, meus queridos amiguinhos nascidos de demônios, por favor, procedei de maneira tal que o Senhor Supremo, que está além da concepção do conhecimento material, fique satisfeito. Abandonai vossa natureza demoníaca e não cultiveis inimizade ou dualidade. Mostrai misericórdia a todas as entidades vivas, iluminando-as no serviço devocional, tornando-se, então, seu benquerente.

Nada é inacessível aos devotos que satisfazem a Suprema Personalidade de Deus, o qual é a causa de todas as causas e a fonte que tudo origina. O Senhor é o reservatório de qualidades espirituais ilimitadas. Portanto, qual a vantagem de os devotos que são transcendentais aos modos da natureza material seguir os princípios da religião, do desenvolvimento econômico, do gozo dos sentidos e da libertação, que são automaticamente obtidos sob a influência dos modos da natureza? Nós devotos sempre glorificamos os pés de lótus do Senhor, motivo pelo qual nada precisamos pedir em termos de dharma, kama, artha e moksha.

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Nada é inacessível aos devotos que satisfazem a Suprema Personalidade de Deus, o qual é a causa de todas as causas e a fonte que tudo origina.

Religião, desenvolvimento econômico e gozo dos sentidos são atividades que os Vedas descrevem como tri-varga, ou os três caminhos que levam à salvação. Dentro dessas três categorias, estão a educação e a autorrealização, as cerimônias ritualísticas realizadas de acordo com os preceitos védicos, a lógica, a ciência da lei e da ordem, e os vários meios de subsistência. Esses são os assuntos externos con­tidos no estudo dos Vedas, e, portanto, eu os considero materiais. Todavia, tomo por transcendental a rendição aos pés de lótus do Senhor Vishnu.

Narayana, a Suprema Personalidade de Deus, o amigo benque­rente de todas as entidades vivas, explicou outrora este conhecimento ao grande sábio Narada. Quem não receber a misericórdia de uma pessoa santa como Narada encontrará extrema dificuldade de en­tender este conhecimento, mas todo aquele que tenha se refugiado na sucessão discipular de Narada pode compreender este conheci­mento confidencial. Recebi este conhecimento do grande santo Narada Muni, que vive ocupado em serviço devocional. Este conhecimento, o qual se chama bhagavata-dharma, é ple­namente científico. Baseia-se na lógica e na filosofia e está livre de toda contaminação material.

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2 Respostas

  1. Mahadev Dasa

    Haribol !!!

    2 de maio de 2015 às 10:59 AM

  2. Pingback: Artigos e Palestras | Volta ao Supremo | Página oficial

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